As pinturas rupestres contam, por si sós, a História do "homoangolensis", sendo de capital importância o conhecimento dos locais em que nos deixaram esses testemunhos e a sua divulgação a novas gerações.
Aqui deposito algumas reflexões fruto de Vivências e Pesquisas.
Pequenos CONTRIBUTOS para um conhecimento que se constrói com outras contribuições.
Discorde e contribua.
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sábado, abril 02, 2022
ARTE RUPESTRE NO KWANZA-SUL
quinta-feira, março 03, 2022
O JORNALISTA, O ASSESSOR E O ADIDO DE IMPRENSA
Conceitos básicos:
quarta-feira, fevereiro 16, 2022
A LÍNGUA DOS POVOS DO NORTE DO KWANZA-SUL
Estive de 10 a 13.02 no Libolo, Kibala e Ebo. Uma das estórias que registei foi a seguinte:
Em Dalambiri, Ebo, no início dos anos 80, o catequista, que também era professor, tinha esculpido uma estatueta que designou por "burro".
Essa peça de madeira circulava de mão em mão dos meninos e meninas que fossem ouvidos a falar Kimbundu. Aquele que passasse a noite com o "burro" era castigado com palmatórias.
Tal visava, segundo os narradores, incutir entre os rapazes e raparigas o uso constante da Língua Portuguesa, instrumento de ensino e aprendizagem na escola.
Todos os oradores, maiores de 40 anos, referiam-se, nas suas narrações, ao termo Kimbundu e não usavam outra expressão para designar a língua local.
Pergunto: isso acrescenta alguma coisa ao debate?
- Para mim, fortalece o que tenho pesquisado e defendido: os povos do norte do Kwanza-Sul falam uma variante do Kimbundu.
=
Leia mais em: http://olhoensaios.blogspot.com/2019/03/quatro-notas-sobre-lingua-dos-kibala.html?m=1
e tb em: http://www.kalulo.com/index.php/cultura/antropologia/254-a-lingua-dos-kibala-kimbundu-ou-ngoya
domingo, dezembro 26, 2021
NO SEMINÁRIO DA AJECO & SNL
"Um Bom Jornalista não quer ser apenas o 1° a informar. Quer ser aquele que veicula a informação completa e isenta, ouvindo as partes envolvidas e evitando a rectificação.
Ouçam-nos (enquanto assessores). Contacte-nos previamente e não apenas na hora do fecho do jornal para escrever: 'tentámos e não obtivemos resposta'.
O assessor é ponte. Não é ele o detentor do conhecimento total, por isso, tb precisa de tempo para se informar".
LC.23.12.2021
sexta-feira, novembro 05, 2021
LONGESO
Desde que o "Jornal de Sábado" foi ao Wambu fazer e transmitir as notícias daquele dia, a partir de Mbalundu, que o longeso¹ passou a ser assunto de comentários e "interesse nacional, sobretudo por parte dos adyakime².
quinta-feira, outubro 07, 2021
LAMBIJI E CONDUTO
- Ombelela nyê?!- Perguntava o tio Vinte e Cinco à mulher, sempre que chegasse da tonga¹.
quinta-feira, julho 08, 2021
MINHA TESE DE MESTRADO JÁ DISPONÍVEL AOS ESTUDIOSOS
https://bdigital.ufp.pt/handle/10284/9577
A falta de motivação e o impacto nos colaboradores: um estudo de caso no Ministério da Geologia e Minas
sábado, junho 26, 2021
O NOVO FORMATO DO GTICI E OS DESAFIOS PARA A SUA GESTÃO
(Reflexão em esboço)
O Gabinete de Comunicação Institucional, enquanto órgão dos Organismos Centrais da Administração do Estado Angolano, foi instituído pelo DP nº 230/15 de 29 de Dezembro, tendo este sido revogado pelo DP nº 3/18 de 11 de Janeiro que retoma algumas de suas atribuições e competências.
segunda-feira, maio 03, 2021
DIVERGÊNCIAS ENTRE JORNALISMO E PUBLICIDADE NUM MEDIA
As NOTÍCIAS são, regra geral, o principal produto de um órgão de comunicação social convencional, sendo, por via da qualidade/quantidade e precisão com que são divulgadas as notícias que se aumenta o share(quota aparente de mercado) do referido órgão. Essa quota mediática é que atrai ou não maior ou menor adesão dos anunciantes publicitários ou a compra de espaços no órgão.
sexta-feira, abril 09, 2021
O KOKOTO[1] QUE DIZIMOU OS PIOLHOS
Um conterrâneo da Kibala, recuando no tempo, narrou episódios da nossa infância que é transversal a uma geografia que envolve os municípios à volta do Libolo e Kibala e num tempo que, se calhar, morre em 2000, podendo prolongar-se em algumas aldeias recônditas. É o nosso feudalismo que pouco há de escrito, dada a fraca imersão na nossa etno-sociologia e etnografia.
Quando nos debruçamos a estudar a história
clássica e medieval de Roma e Grécia, recaímos, invariavelmente, em episódios
angolanos do Séc. XX, em nossas aldeias interiores.
É exemplo a mãe que "cata" piolhos ao
filho, aproveitando adormecê-lo, podendo usar duas fórmulas: cantando e
catando.
Vivi esse tempo. Algumas mães, no escuro da
noite, sem saber se o achado por seus dedos entre o cabelo alto e sujo é ser
vivo ou grão de areia, levavam-no ao dente e largavam depois, um rio de saliva.
Vivi ainda o tempo da bitacaia[2], pulga de javali ou porco
doméstico que adentrava os terminais de nossos dedos e calcanhares. A comichão,
lenta e incómoda, resultava em dor da ferida escancarada, depois de extraído o
animal hóspede oportunista com a ponta de um alfinete ou de um pau aguçado.
Mas o meu conterrâneo contou mais e recordou-me
o seguinte:
Noite sem luar na Kibala ou outra aldeia do
circuito ambundu kwanza-sulino. Nas terras mais a sul e ou norte o cenário
também pode ser idêntico.
O archote é lamparina na cozinha escura. A
kizaca, peixe de água doce ou carne de caça ferve na panela de barro. Há fumo
largado pela lenha que reclamam por mais dias de seca ao sol. Mas quando a
lenha seca rareia em tempo de chuva é a semi-seca que se leva à fogueira. No
escuro e fumegante da cozinha a mãe pede:
- Mwiha mwombya (alumia para a panela)!
Na atrapalhação, o rapaz tanto alumia como deixa
cair na panela a ponta do archote ardido, já em forma de cinza.
- Nzayá, matubá, matondoá![3] -Dispara a mãe impaciente,
complementando a emenda com um valente "coco" que mata uma dúzia de
piolhos e lêndeas na cabeça do infante.
- Kwolule (não grita). - Adverte, prevenindo
para que não se acabem, de uma só vez, os piolhos todos na cabeça com outros
cocoricos.
Terminada a confeção do "kondutu"[4], é a vez da panela do
funji/pirão. O cuidado é redobrado. Em fuba branca, a cinza preta do archote é
vinho tinto em toalha imaculada.
-
Mwiha kyambote. - Adverte a mãe.
E o infante, com um grito adiado ou reprimido da
primeira pancada, lágrimas do fumo nos olhos, comichão na cabeça dos piolhos
famintos de sangue, acende, de novo, o archote que aproxima delicadamente à
panela de barro para a qual o fogo chia.
- Mwiha!
-
Ñi mwiha a mama!
-
Mwiha kyambote.
Depois
o repasto: as meninas na cozinha ou fora dela, no terreiro da casa, com a mãe,
quando há luar. Os homens na sala ou no njangu. Rapazes juntos.
O
rapaz quando não vai à escola da vida, o njangu, volta a reclamar o carinho materno,
"lambicando" como cão que se deita sobre a cinza quente da fogueira
recente. Dobra-se à frente da mãe que "jijina"[5] lêndeas, piolhos ou grãos
de areia escondidos no cabelo a reclamar por uma tesoura.
Contando
anedotas, ou canções do seu tempo de menina, a mulher afugenta os males e a
infra vida que a pobreza impõe, adormecendo o infante para uma nova aurora e
lavoura.
Tal
como a geração do último quartel do Séc. XX, as nossas crianças continuarão a
ler a história clássica e o feudalismo greco-romano. Quanto às nossas vivências, que são recentes, restarão poucas crónicas!
Soberano Kanyanga
