(Constructo)
Aqui deposito algumas reflexões fruto de Vivências e Pesquisas.
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quinta-feira, novembro 03, 2022
CAUSAS DO BI-LINGUISMO ENTRE OS AMBUNDU DO KWANZA-SUL
quinta-feira, setembro 01, 2022
A LÍNGUA PORTUGUESA E OS ANGOLANOS DAS GERAÇÕES X E Y
Geração X é uma expressão que se refere, segundo alguns teóricos da sociologia do trabalho, aos indivíduos nascidos entre meados da década de 1960 e início da década de 1980, ou seja, durante os anos que se seguiram ao baby boom do pós-IIGM, verificado entre 1946 e 1964. Depois deles, surge a geração Y que abrange os nascidos entre os anos 80 e 90 (sec. XX), quando o mundo se tornou essencialmente tecnológico. São tidos como tendo crescido com amplo acesso à informação e ao conhecimento e foram moldados por essa realidade, tornando-se pessoas mais curiosas, inquietas e movidas por desafios. Será que em países como Angola dominam tudo?
terça-feira, agosto 09, 2022
CRONISTA DESCONHECEDOR DA LÍNGUA MINA HISTÓRIA DOS IMBANGALA
Num relato de Thomas and Desch-Obi, M and J (2008), in Fighting for Honor: The History of African Martial Art Traditions in the Atlantic World. University of South Carolina, os imbangala (subgrupo ambundu) são tidos como "uma sociedade completamente militarizada, baseada inteiramente em ritos de iniciação".
sexta-feira, julho 01, 2022
ALGUMAS NOTAS AO PROJECTO DE LBFP
Após consensos entre o Executivo e os parceiros sociais sobre o Projecto de Lei de Bases da Função Pública (adiante LBFP), obtido a 4 de Março de 2022 (J.A, 05.03), o Governo, em sede do Conselho de Ministros, aprovou, a 23.06.2022, e deverá levar à Assembleia Nacional (para exercício da função legislativa) o projecto de LBFP, que “estabelece os princípios e normas respeitantes ao regime laboral da Função Pública. 2. O regime referido no número anterior compreende, entre outros, o seguinte: a) Deveres, direitos e garantias dos funcionários públicos; b) Regime de constituição, modificação e extinção da relação jurídica laboral; c) Princípios sobre o recrutamento e selecção de candidatos; d) Princípios sobre a estruturação de carreiras; e) Princípios sobre o exercício de cargos de direcção e chefia; f) Regime da prestação de trabalho; g) Princípios sobre a gestão de desempenho; h) Regime das faltas, férias e licenças; i) Princípios sobre o sistema retributivo; j) Regime disciplinar dos funcionários públicos”, cuja primeira leitura leva-me aos seguintes comentários:
1. O artigo 3º retoma a Pauta deontológica da função pública (Resolução 27/94 de 26 de Agosto).
2. O artigo 7º debruça-se sobre a constituição do vínculo: (nomeação que é regra de ingresso na Função Pública, após resultado positivo num concurso público e o contrato a termo certo, não extensivo a 24 meses). Vide também artigo 10º.
3. O artigo 8º regula os limites de ingresso à Função Pública, sendo novidade a proposta para alargamento a 45 anos. O proponente deixa espaço para debate em sede própria do Parlamento.
4. O destacamento de capital humano também mereceu a atenção do proponente (artigo 16º) passando de um período de 2 anos renováveis para “um período não superior a 3 (três) anos, sendo prorrogável por uma única vez”.
5. Os sete pontos do artigo 17º também merecem revisita dos interessados no tema da interinidade que deve recair, “apenas a funcionários do quadro da função pública”.
6. O artigo 24º aborda a extinção do vínculo laboral na administração pública e traz a figura da “exoneração por iniciativa da entidade pública” quando, dentre outros, se note inadequação do funcionário em relação ao trabalho ou às exigências próprias do desenvolvimento das actividades administrativas, comprovada em processo de avaliação” … Ver ainda artigo 27º sobre rescisão. A nova proposta de LBFP deixa por terra a falácia de que “não se desemprega na função pública”.
7. Olhando para o artigo 38º ressalta-me o facto de o proponente ter demarcado para debates mais acalorados duas categorias da carreira de Técnico Superior, abrindo a possibilidade de se puder resumir para 4 escalões. Já a carreira técnica (bacharéis) fica reduzida a 3 escalões (Técnico Especialista Principal; Técnico de 1.ª Classe; Técnico de 2.ª Classe), segundo o artigo 39º, ao passo que a carreira de técnico médio passa a 4 categorias (Técnico Médio Principal; Técnico Médio de 1.ª Classe; Técnico Médio de 2.ª Classe; Técnico Médio de 3.ª Classe), segundo artigo 40º. Tal permite, a meu ver, um crescimento mais rápido na organização.
8. O artigo 53º aborda o período semanal e diário de trabalho que pode passar a 35 horas semanais e 7 horas diárias.
9. O teletrabalho e a premiação pelo desempenho são algumas das principais inovações do projecto de LBFP (ARTIGO 56.º, Teletrabalh) e ARTIGO 59.º (Prémios de desempenho aos funcionários públicos e as equipas de trabalho que se destaquem obtendo classificações mais elevadas na avaliação de desempenho).
10. Veja agora o que diz o ponto 3 do 62ª: sempre que a ausência seja de duração inferior ao período normal de trabalho diário a que o funcionário está sujeito, os tempos de ausência são adicionados para determinação dos dias de falta.
11. Artistas e desportistas retenham: as faltas para participação em actividades culturais ou desportivas de carácter oficial, bem como nos respectivos actos preparatórios, nos casos em que essa participação deva verificar-se dentro do período normal de trabalho, são remuneradas (ARTIGO 69.º).
12. Sobre licenças, veja o que diz o 3 ponto do artigo 88º: em caso de falecimento da funcionária parturiente, o funcionário pai goza do restante período da licença de maternidade que ainda não tenha decorrido, com direito a remuneração devida. Já o artigo 90º concede ao pai um período de licença de paternidade mais alargado. “…o funcionário pai tem direito a ausentar-se por 5 (cinco) dias de calendário”. Veja também artigo 95º sobre licença ilimitada para funcionários do quadro da função pública com mais de cinco anos.
13. Uma das vantagens da proposta é trazer em documento único REGIME DISCIPLINAR DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS (o CAPITULO XI) cujo artigo 102° reza que “s funcionários públicos respondem disciplinarmente perante os superiores hierárquicos a que estejam subordinados, pelas infracções que cometam…”.
14. Salvo alterações ao texto, em sede da Assembleia Nacional, após debates em plenário e comissões de especialidade, a LBFP acabará por revogara Lei n.º 17/90, de 20 de Outubro, e demais legislação que contrarie a presente lei, nomeadamente: a) Lei n. º 20/90, de 15 de Dezembro – sobre o Estatuto do Trabalhador Estudante; b) Decreto n.º 24/91, de 29 de Junho – sobre o regime Jurídico das carreiras na Função Pública. c) Decreto n.º 25/91, de 29 de Junho - sobre a relação jurídica de Emprego na Função Pública; d) Decreto n.º 33/91, de 26 de Junho – sobre o regime jurídico disciplinar dos Funcionários Públicos e Administrativos; e) Decreto-Lei n.º 10/94, de 26 de Julho- sobre o regime jurídico das férias, faltas e licenças; f) Decreto-Lei n.º 21-A/94, de 16 de Dezembro - sobre o regime remuneratório da Função Pública; g) Decreto n.º 66/02, de 25 de Outubro – sobre a regulamentação da prestação do trabalho extraordinário e sua remuneração; h) Decreto-Lei n.º 8/02, de 18 de Junho – sobre o agravamento das faltas injustificadas do pessoal da Função Pública; i) Decreto n.º 122/03, de 21 de Novembro – sobre a interpretação da alínea e) do artigo 11.º do Decreto n.º 33/91, de 26 de Junho; j) Lei n.º 8/02, de 19 de Julho - sobre o período de funcionamento e o horário de trabalho na Administração Pública; k) Decreto n.º 6/08, de 10 de Abril, sobre a admissão excepcional de candidatos com idade superior a 35 anos nos concursos de ingresso à Função Pública, o que a torna num instrumento de fácil consulta e aplicação/cumprimento pelos funcionários e distintos órgãos da administração pública, como é o caso do GRH.
Por: Luciano Canhanga, MSC em Ciência empresarial. Foi Dir. GRH no ex-MGM.
quarta-feira, junho 01, 2022
EVENTUAIS CAUSAS DO BILINGUISMO ENTRE OS AMBUNDU DO KWANZA-SUL
quarta-feira, maio 25, 2022
KAJILA K'ELOMBO (tentativa autobiográfica)
I. Contexto Histórico e Origem Familiar
No plano internacional, o governo de Marcelo Caetano acabara de ruir, derrubado pelos Capitães de Abril, enquanto António de Spínola assumia o comando político em Portugal. Internamente, os Movimentos de Libertação Nacional ajustavam estratégias e mediam forças para proclamarem, em separado, a independência de Angola, cujo anúncio se previa para dali a seis meses.Foi neste quadro que o Kuteka entrou em luto com a morte de Ñana Ñunji Kitinu, o rei da região.
Kilombo Ki’Etinu, também conhecida por Maria Canhanga, vivia a primeira gestação da sua relação com o filho do forasteiro Ñana Muryangu, depois de sucessivos abortos ocorridos na vigência do casamento anterior, extinto pela morte de Kafanda.
No dia consagrado à África, nasceu Kajila k’Elombo, mais tarde registado como Luciano Canhanga, homónimo do irmão mais novo de António Fernando Ndambi. Recebeu o apelido materno por ter nascido no óbito do progenitor e por o registo ter sido efectuado já com o pai falecido.
Luciano nasceu “acidentalmente” na aldeia de Mbangu yo’Teka (Mbango‑de‑Kuteka), comunidade natal do rei Ñana Ñunji Kitinu Mungongo, entronizado em Mbaze yo’Teka. Corria o ano de 1974, segundo dados compulsados.
Até aos quatro anos, viveu em Kitumbulu, encosta que separa o Kuteka do Lussusso, onde o avô paterno cultivava café‑banana e outros produtos.
II. Primeiros Anos de Vida e Mobilidade Forçada
Em 1978, Ano da Agricultura — marcado por severa seca — António Ndambi decidiu deixar o pai e procurar melhores condições junto do asfalto e das escolas. Acompanhado do primo Xika Yangu, então soba de Mbangu‑Kuteka, iniciou a migração. Nesse mesmo ano faleceu o avô Ñana Muryangu.
Em 1979, Ano da Formação de Quadros, Luciano foi matriculado na iniciação (pré‑kabunga), percorrendo a pé o caminho entre a antiga Fazenda Israel e a aldeia de Kalombo, distância superior a 5 km por viagem.
O crescimento do número de alunos levou à transferência da escola de Kalombo para a antiga instalação pecuária da Fazenda Israel (rebaptizada Hoji‑ya‑Henda) no ano lectivo 1980/81. Foi nesse período que viveu a primeira experiência na OPA, participando na recepção ao Comissário Provincial Armando Dembo, em visita à Fazenda Tabango.
A 2.ª classe decorreu numa sala construída entre as aldeolas de João Salomão e Azevedo Kambundu. A 3.ª classe foi frequentada no antigo acampamento junto ao campo de aviação, sob orientação do professor Jorge Manuel Carlos (Kakonda).
Este período revelou-se o mais fértil em aprendizagem social e cultural, incluindo práticas ancestrais: pesca (isca, cesto e envenenamento), caça (armadilhas diversas), agricultura e fundição de ferro com fole, sob orientação do mestre Xika Yangu.
Em 1982, faleceu António Ndambi, quando Luciano frequentava o onzo‑i‑mema (circuncisão), afastado temporariamente do convívio familiar e comunitário.
III. Guerra, Recuos e Mudanças de Terra
Os anos 1983–1984 foram marcados pela presença intensa da guerrilha (UNITA): ataques a viaturas, implantação de minas pessoais e anti-carros nas estradas, pilhagens, raptos e deslocações forçadas. Luciano recorda noites inteiras nas matas e as caminhadas de recuo para Fuke, Katoto, Kandemba, culminando no ataque à Munenga (Fevereiro de 1984) e no subsequente refúgio temporário em Samba Karinje.
A primeira experiência religiosa ocorreu no final de 1983, quando o primo e professor Jorge Carlos o levou à Igreja Cheia da Palavra de Deus, experiência interrompida pela guerra.
Agricultura, pesca e caça permanentes deixaram de ser viáveis. A região adjacente à antiga Fazenda Israel — hoje Pedra Escrita — começou a ser abandonada.
Em 1984, Kilombo Ki’Etinu deixou a aldeola de Limbe e seguiu para Luanda, onde permaneceu três anos, acolhido pelo irmão Ferreira Ganga.
IV. Primeira Estadia em Luanda (1984–1987)
Kuteka, Israel, Kalombo e Limbe eram agrupamentos rurais sem energia eléctrica, onde o brilho dos pirilampos alegrava as noites. Já Fuke e Munenga — iluminadas e com trânsito frequente — surgiam aos olhos de Luciano como autênticas cidades.
Antes de alcançar Luanda, visitou Kalulu, em busca de guia de marcha. Kalulu pareceu-lhe gigantesca, apesar de devastada pelos ataques da UNITA, em Setembro de 1983.
Em Maio de 1984, chegou à capital. A viagem durou três dias e o desembarque ocorreu nas imediações do Jumbo, onde duas amplas ruas, com postes imponentes de iluminação, se destacavam. Numa parede, um desenho de um camião Scania “cabeça-burra” chamou-lhe a atenção.
Seguindo com embrulho à cabeça, Emília às costas e dois filhos pelas mãos, Kilombo Ki’Etinu encontrou o caminho para o Hospital “São Paulo", e daí para o Rangel, onde vivia o irmão Ferreira.
No Kaputu, Luciano descobriu que a “brincadeira” local consistia em abandonar recém-chegados em becos para que se perdessem — provocando o grito “nanyi wangibongela kambonga kadyalaeeê”. Mas ele já sabia ler e memorizava nomes e números das ruas e suas ligações.
As aulas recomeçaram em Setembro, mas faltava-lhe a cédula pessoal. Para que não ficasse fora da escola, o irmão Arnaldo Carlos — então professor e hoje Comissário‑Chefe reformado da Polícia Nacional — colocou-o na sua turma da Escola Grande da Terra Nova. Repetiu assim a 2.ª e a 3.ª classes.
Nos anos da RPA, o ingresso simultâneo na escola e na OPA era obrigatório. O uniforme azul‑celeste substituíra as antigas batas. Luciano foi sempre chefe de brigada, sendo o Chefe de Estrela o professor Ki‑Ngibanza.
Responsável pelas compras familiares, percorria lojas, talhos, depósitos de pão e gás, numa época marcada por longas bichas. Vendia restos de sabão descartados pela Induve — o “sabão cocó” — e transportava o milho e massambala da mãe para a moagem, frequentemente enfrentando bullying resolvido “a músculos, kafrikes e basulas”.
Em 1987, perdeu o recibo do Bilhete de Identidade e a cédula, impossibilitando-o de fazer o exame da quarta classe. Os tutores viram nisso propósito e decidiram enviá-lo para Kalulu, onde frequentou o 4.º semestre de adultos, acolhido pelo primo Gonçalves Manuel Carlos, e depois o II Nível (concluído em Junho de 1990).
Em Dezembro de 1989, Kalulu voltou a ser atacada pela UNITA. Luciano recuou para Mbangu‑Kuteka, passando por Munenga e Pedra Escrita. Regressou três meses depois, mas o seu nome desaparecera das listas de turmas e do internato, tendo sido reinserido.
Com a fome instalada e ataques constantes às viaturas de abastecimento, recorreu aos conhecimentos de corte e costura, utilizando a máquina da esposa do director Avelino Gangala para garantir pequenas refeições ou moedas.
V. Formação Secundária e Vocacional (1990–1994)
Em 1990, já em Luanda, Luciano apresentou no Ngola Mbandi o certificado da 6.ª classe (Escola Kwame Nkrumah, Kalulu) e a guia de transferência. A adaptação à 7.ª classe foi exigente: aparência modesta, mas rápida assimilação, vocabulário cuidado e gosto pelos livros — trazia consigo um Dicionário Prático Ilustrado e a Gramática de José Maria Relvas. Os primeiros tempos foram marcados por bullying e aproximações interessadas em momentos de prova.
O professor de Língua Portuguesa Cristóvão Major (Man Cristo) — também jornalista da ANGOP — aplicou‑lhe, por falta a uma prova, um teste da 8.ª classe. O desempenho surpreendente (nota vinte, resolvido em menos de vinte minutos) deu‑lhe visibilidade na escola, o convite para integrar a célula da JMPLA e a inscrição antecipada na Associação dos Alunos do Ensino Médio.
Na 8.ª classe, participou nas olimpíadas escolar e municipal de Matemática e identificou um erro num conjunto‑solução de um polinómio do manual, ganhando a alcunha de “o rapaz que corrigiu o livro de Matemática”. Apesar disso, a classificação final foi modesta — reflexo de práticas pouco éticas então correntes (“gasosa”), às quais se recusou a ceder.
Em 1991–1992, o ano lectivo foi abreviado pelas primeiras eleições em Angola (Setembro de 1992). Sem grande orientação, escolheu Geologia e Minas (Sumbe) num teste de aptidão que não chegou a consolidar. Em 1993, frequentou um curso de operação de microcomputadores (ENCO), adquiriu noções de electricidade de baixa tensão e expandiu a sua Sala de Reforço Escolar iniciada em 1990.
Em finais de 1993, concorreu ao curso sugerido por Man Cristo e, em 1994, ingressou no IMEL, onde recebeu a alcunha “Star” pelo aproveitamento acima da média. Colegas do grupo MUSSUND’AMIGOS chamavam‑no “galo” por ter concluído sem exames de recurso nem reprovações. Em 1996, defendeu o trabalho final do curso médio de jornalismo: “Criminalidade em Luanda (1990–1995)”.
VI. Primeiras Experiências Profissionais (1990–2006)
Iniciou-se como explicador em 1990. Entre 1997 e 1998, leccionou no ensino primário público e iniciou carreira como repórter‑redactor na Luanda Antena Comercial (LAC), onde viria a ser editor até 2006. Candidatou‑se também à docência na Escola Pica‑Pau, à Secretaria de Estado para a Promoção e Desenvolvimento da Mulher (SEPDM) e à própria LAC — tendo abdicado da vaga na SEPDM em benefício de um colega.
No campo académico, em 2000 ingressou, por prova de aptidão, na licenciatura em Didáctica de História (ISCED‑Luanda). Em 2003, frequentou simultaneamente o 4.º ano de História (ISCED) e o 1.º ano de Comunicação Social (ISPRA). Entre 2001–2002, colaborou na Orion, no programa radiofónico “Nação Coragem”, amealhando o suficiente para adquirir o primeiro Toyota Starlet (terceira mão).
Em 1998, frequentou, em Bamako (Mali), um curso de Jornalismo de Investigação do Centro WANAD (patrocínio do Banco Mundial). Em Abril de 2005, foi seleccionado para o Curso de Jornalismo para os PALOP (Fundação Calouste Gulbenkian / Universidade Católica Portuguesa, Lisboa). Da cadeira de jornalismo digital nasceu o blogue Mesu Majikuka (www.mesumajikuka.blogspot.com).
A 01.06.2005, sofreu um acidente de viação ao regressar a Luanda: o condutor e uma colega morreram; Luciano sobreviveu com lesões graves, passando por cadeira de rodas e canadianas. A experiência motivou uma reflexão profunda sobre carreira e sustentabilidade, levando‑o a candidatar‑se à Sociedade Mineira de Catoca.
VII. Comunicação Corporativa na Catoca (2006–2015)
Em 2006, ingressou na Sociedade Mineira de Catoca para fundar e dirigir a Secção de Comunicação, elevada a Sector no ano seguinte. O período na Lunda Sul foi de intensa profissionalização e formação contínua, ao mesmo tempo que manteve actividade cívica e académica e lietrária.
Entre 2012–2015, leccionou língua portuguesa na Escola Superior Politécnica da Universidade Lueji A’Nkonde (Lunda‑Sul) e, entre 2013–2015, no Instituto Superior Politécnico Lusíadas – Luanda Sul.
Paralelamente, manteve militância cívica e político‑juvenil: foi Segundo Secretário do Comité de Especialidade de Ciências Sociais e Humanas na Lunda‑Sul; no plano religioso, assumiu responsabilidades na Igreja Metodista Unida, com intervenções regulares no púlpito da Igreja Central e funções de vice‑director da Sociedade de Homens.
VIII. Regresso a Luanda e Funções de Direcção (2015–2022)
Em 2014, matriculou‑se em Pós‑Graduação em Gestão Empresarial com Foco em Pessoas (FAAG) e no Mestrado em Ciência Empresarial (UFP), concluído em 2020 com 16 valores, defendendo a dissertação “A motivação dos funcionários do Ministério da Geologia e Minas”.
Em 2015, por convite do Ministro Francisco Queiroz, foi requisitado de Catoca para o então Ministério de Geologia e Minas, onde assumiu funções de Director de Recursos Humanos.
Entre 2016–2020, leccionou História do Jornalismo Angolano e Produção Radiofónica no Instituto Superior Técnico de Angola (ISTA).
As eleições de 2017 conduziram à fusão dos Ministérios de Geologia e Minas e dos Petróleos, criando o MIREMPET. Luciano foi convidado a dirigir o Gabinete de Comunicação do novo organismo. Na reforma dos Órgãos de Apoio de 01.04.2020, resultante da fusão de direcções, tornou‑se o primeiro Director de um Gabinete de Tecnologias de Informação e Comunicação Institucional de um Ministério (Junho de 2020), tendo sido reconduzido para a mesma função em 2022.
IX. Formação Contínua e Palestras (2002–2026)
Além de cursos curtos ao longo da década, em 2002 concluiu o Curso Propedêutico de Língua Portuguesa (Universidade Católica de Angola / Sindicato de Jornalistas Angolanos), ferramenta valiosa para o exercício do jornalismo, assessoria de imprensa, escrita artística e docência.
Com a agenda institucional mais densa, abdicou da docência regular e passou a dedicar‑se à aprendizagem da Língua Inglesa, na África do Sul, a realizar palestras e conferências sobre comunicação e motivação no trabalho.
X. Vida Pessoal
É pai de Mohamed Mociano dos Santos Canhanga (1997), Fernando Etessa Canhanga (2000), Luciano Delfim Francisco Canhanga (2007), Argemara Princesa Salongue Canhanga (2007), Arlindo Renato Salongue Canhanga (2009) e Lúcia Joelle Salongue Canhanga (2018). É casado com Irlanda Salongue Canhanga.
XI. Obra Literária e Colaborações
Estreou‑se na literatura em 2010 com o romance O Sonho de Kaúia. Seguiram‑se:
- 10encantos (poesia)
- Manongo‑nongo (contos)
- O Relógio do Velho Trinta (romance)
- O Coleccionador de Pirilampos (contos)
- Canções ao Vento (poesia)
- As Travessuras de Jack (novela)
- Amor sem Pudor (poesia)
- Kitotas :recuos e avanços (relatos)
- A falta de motivação e o impacto nos colaboradores: estudo de caso no Ministério de Geologia e Minas (ensaio científico-académico)
- Amores de Mel'aço (novela)
- Contos para Lúcia
Participou em antologias publicadas em Angola, Roménia, Portugal, Brasil, África do Sul e Chile. Como cronista, colaborou com Cruzeiro do Sul, Semanário Angolense, Jornal de Angola, Jornal Cultura, Nova Gazeta, Jornal de Economia & Finanças, O Litoral, Jornal Metropolitano, entre outros.
XII. Linha Cronológica Essencial (síntese)
- 1974 — Nascimento em Mbangu yo’Teka (Mbango‑de‑Kuteka).
- 1978–1982 — Primeiras classes; iniciação; falecimento de António Ndambi.
- 1983–1984 — Guerra intensa; recuos; chegada a Luanda (Maio de 1984).
- 1987–1990 — Transferência para Kalulu; II Nível concluído (Junho de 1990).
- 1990–1992 — Ngola Mbandi; olimpíadas de Matemática; ascensão estudantil; III nível concluído.
- 1993–1996 — ENCO; reforço escolar; ingresso no IMEL; Técnico Médio em jornalismo.
- 1997–2006 — Docência; LAC (repórter, depois editor); curso Gulbenkian (2005); acidente (01.06.2005).
- 2002 — Curso Propedêutico de Língua Portuguesa (UCAN/SJA).
- 2006–2015 — Catoca: fundação e direcção da Comunicação; docência superior (Lueji A’Nkonde, Lusíadas).
- 2014–2020 — Pós‑graduação e mestrado (dissertação 16 valores).
- 2015–2020 — Director de RH (Geologia e Minas); ISTA (docência).
- 2017–2020 — MIREMPET: Gabinete de Comunicação; 1.º Director do Gabinete de TIC Institucional (Junho 2020).
- 2010–… — Produção literária contínua; crónicas e antologias.
sexta-feira, maio 13, 2022
KILOMBO KI'ETINU
Filha do soberano local Kitinu Mungongo e Maluvu Ndonga, cedo foi forjada para as lides de casa, cuidando de sua mãe, cuja saúde era, desde cedo, precária, e de seu irmão mais novo.
Desposada com António Ndambi (em segundas núpcias), gerou Luciano, Júlia, Elisa e Emília, tornando-se viúva em 1982.
Com a chegada e acentuação do conflito militar teve de abandonar a terra natal, em 1984, recuando, com os filhos, para Luanda onde os sustentou de pequenos negócios e agricultura nas imediações do antigo Hospital Sanatório de Luanda.
Entre 1987-93 esteve a fazer agricultura na aldeia de Pedra Escrita, gerando o seu quinto filho, Cruz.
De novo, a guerra pós-eleitoral a forçaria a seguir para Luanda, permaneceu na capital do país de 1993 até 1998.
Nessa altura, já ela avó, surgiu-lhe a preocupação de manter o campo como recta-guarda para alimentar os filhos e netos na grande cidade (Luanda), regressando à aldeia de Pedra Escrita e entregando-se, apesar da idade crescente, à lavoura.
Em 2015 é atingida por uma severa e irreversível cegueira, o que obrigou o filho mais velho a levá-la para Luanda, para tratamento e acompanhamento médico, dando-lhe uma pequena moradia adaptada às condições de mobilidade condicionada. Vive no Zango 4-B, (Vila Chicala).
* Bio em construção
sábado, abril 02, 2022
ARTE RUPESTRE NO KWANZA-SUL
As pinturas rupestres contam, por si sós, a História do "homoangolensis", sendo de capital importância o conhecimento dos locais em que nos deixaram esses testemunhos e a sua divulgação a novas gerações.
quinta-feira, março 03, 2022
O JORNALISTA, O ASSESSOR E O ADIDO DE IMPRENSA
Conceitos básicos:
quarta-feira, fevereiro 16, 2022
A LÍNGUA DOS POVOS DO NORTE DO KWANZA-SUL
Estive de 10 a 13.02 no Libolo, Kibala e Ebo. Uma das estórias que registei foi a seguinte:
Em Dalambiri, Ebo, no início dos anos 80, o catequista, que também era professor, tinha esculpido uma estatueta que designou por "burro".
Essa peça de madeira circulava de mão em mão dos meninos e meninas que fossem ouvidos a falar Kimbundu. Aquele que passasse a noite com o "burro" era castigado com palmatórias.
Tal visava, segundo os narradores, incutir entre os rapazes e raparigas o uso constante da Língua Portuguesa, instrumento de ensino e aprendizagem na escola.
Todos os oradores, maiores de 40 anos, referiam-se, nas suas narrações, ao termo Kimbundu e não usavam outra expressão para designar a língua local.
Pergunto: isso acrescenta alguma coisa ao debate?
- Para mim, fortalece o que tenho pesquisado e defendido: os povos do norte do Kwanza-Sul falam uma variante do Kimbundu.
=
Leia mais em: http://olhoensaios.blogspot.com/2019/03/quatro-notas-sobre-lingua-dos-kibala.html?m=1
e tb em: http://www.kalulo.com/index.php/cultura/antropologia/254-a-lingua-dos-kibala-kimbundu-ou-ngoya
