Apresentação do Livro
Minhas Senhoras e Meus Senhores,
A Editora Mayamba e o autor José Rodrigues apresentam-nos a
obra "Entrevistas com a História: A História da Indústria do Petróleo em
Angola (1974-1978) - Contributos", um livro de 266 páginas que constitui
um importante contributo para a preservação da memória histórica do sector
petrolífero angolano.
Ao folhear esta obra, encontramos uma estrutura organizada em
dois grandes cadernos. O primeiro integra os elementos pré-textuais, como a
dedicatória, os agradecimentos e a apresentação, seguindo-se uma secção
composta por dezasseis entrevistas, antecedidas por citações seleccionadas dos
respectivos entrevistados.
O segundo caderno reúne um vasto conjunto documental,
incluindo relatórios, actas, ofícios, exposições, pareceres e outros documentos
de relevante interesse histórico.
Tal como o título sugere, o livro resulta de uma feliz
conjugação entre entrevistas jornalísticas e documentação histórica. O conteúdo
das entrevistas e os documentos que sustentam muitos dos factos narrados
permitem delimitar, em termos cronológicos, um período que se estende
essencialmente de 1975 a 1985.
Poderá alguém questionar: por que razão considerar o período
até 1985 quando o título destaca os anos de 1974 a 1978?
A resposta encontra-se na própria narrativa construída pelo
autor. Um dos entrevistados, embora tenha beneficiado de uma bolsa de estudos
em 1979, apenas iniciou a sua actividade profissional em 1985. Assim, para uma
compreensão mais ampla da formação dos quadros e da consolidação institucional
da indústria petrolífera nacional, parece legítimo considerar esse horizonte
temporal mais alargado.
Estamos, portanto, perante uma obra que recolhe fragmentos da
história oral, preservando-os através da palavra escrita. José Rodrigues
desempenha aqui um papel fundamental. O jornalista surge como uma ponte entre
gerações: de um lado, os jovens sedentos de conhecimento; do outro, homens e
mulheres que viveram momentos decisivos da construção da indústria petrolífera
angolana.
Muitos dos entrevistados eram extremamente jovens nos anos de
1975 e 1976. Tinham pouca ou nenhuma experiência numa actividade altamente
especializada. Contudo, perante as exigências do momento histórico, tiveram de
"pegar o touro pelos cornos", aprender fazendo e crescer
profissionalmente à medida que o país se afirmava. Com o passar do tempo,
tornaram-se alguns dos maiores depositários de conhecimento e experiência sobre
o sector petrolífero nacional.
Ao longo das entrevistas e dos documentos reunidos, alguns
nomes surgem de forma recorrente. O autor teve o cuidado de organizar os
testemunhos segundo as responsabilidades desempenhadas pelos seus
protagonistas.
Destaco, desde logo, Lopo do Nascimento, então
Primeiro-Ministro da República Popular de Angola, a quem coube exarar o diploma
que transferiu para a esfera do Estado angolano a empresa portuguesa ANGOL,
conduzindo à criação da SONANGOL.
Encontramos igualmente Percy Freudenthal, coordenador da
Comissão Nacional de Reestruturação da Indústria Petrolífera e primeiro
Director-Geral da SONANGOL.
Surge também Desidério Costa, frequentemente referido como o
homem do partido ou o político entre aqueles que desempenhavam funções
eminentemente técnicas numa indústria extremamente sensível, que exigia
equilíbrio, tacto e visão estratégica.
Ao longo da leitura, deparamo-nos com episódios
particularmente interessantes. Um deles demonstra como a indústria petrolífera
angolana soube construir pontes mesmo em contextos geopolíticos extremamente
complexos. No auge da Guerra Fria e num período de elevada tensão entre os
Estados Unidos da América e Cuba, instalações de uma empresa petrolífera
norte-americana em Angola chegaram a ser protegidas por militares cubanos. Eis
um exemplo eloquente da singularidade da nossa história petrolífera.
Além destes protagonistas, a obra preserva os testemunhos e
os contributos de figuras como Hermínio Escórcio, Carlos Viegas de Abreu, José
Jaime Freitas, Arnaldo Lago de Carvalho, Joaquim David, Albina Assis Africano,
José Maria Botelho de Vasconcelos, Abílio Sianga, Sebastião Martins, Paulino
Jerónimo e Filomena Costa Rosa, entre outros.
Há ainda uma personalidade internacional cujo nome é referido
com particular reverência pelos entrevistados: o Presidente Murtala Ramat
Muhammed, antigo Chefe de Estado da Nigéria, cuja liderança e apoio à retomada
das operações em Angola por parte da petrolífera americana Chevron foi crucial.
Peço a todos os presentes uma salva de palmas em
reconhecimento a todos quantos facilitaram a produção deste livro, assim como
ao Presidente Murtala Muhammed, que empresta o seu nome a uma das mais
conhecidas avenidas da cidade de Luanda.
(Pausa para aplausos e projecção da imagem do Presidente
Murtala Muhammed.)
Como disse anteriormente, José Rodrigues, na qualidade de
jornalista, entrevistador e guardião de documentos históricos, desempenha o
papel de uma verdadeira ponte entre gerações.
(Projectar imagem de uma ponte.)
Uma ponte que aproxima os jovens da história; uma ponte que
liga a curiosidade ao conhecimento; uma ponte que permite que a experiência dos
mais velhos continue a iluminar o caminho daqueles que hoje assumem
responsabilidades na construção do futuro.
Quanto a mim, foi uma enorme honra receber o convite daquele
que considero um dos meus mestres no jornalismo radiofónico e ter a
oportunidade de percorrer as páginas desta obra, rica em testemunhos,
documentos e lições para as gerações presentes e futuras.
Com estas breves palavras, deixo-vos o convite para
mergulharem na leitura deste importante trabalho de memória e de cidadania, que
ajuda a compreender não apenas a história da indústria petrolífera angolana,
mas também a história dos homens e mulheres que a construíram.
Muito obrigado.





