Coligido por Soberano Kanyanga
Na Idade Média, impérios berberes como os Almorávidas refletiram uma dinâmica diferente — grandes confederações tribais dominaram amplas áreas do Norte e Oeste de África, incluindo partes do que hoje são Marrocos e zonas do Saara. Contudo, os estudos sobre a história do Saara Ocidental esclarecem que estes impérios não devem ser interpretados como antecedentes diretos do Estado marroquino moderno. Eram estruturas políticas e religiosas que operavam num contexto distinto e não podem ser invocadas como prova de unidade territorial entre Marrocos e o Saara Ocidental. Segundo a síntese histórica: “Western Sahara was one of the links between sub-Saharan and North African regions… [but] it was never a nation in the modern sense” [seer.ufrgs.br].
No período colonial, esta separação torna-se ainda mais evidente. Em 1884, a Espanha proclamou um protectorado sobre a costa do Saara, que mais tarde se consolidou na província de Saara Espanhol. Os tratados internacionais celebrados entre Espanha e Marrocos no século XIX — incluindo o Acordo de 1860 e o Acordo de Madrid de 1884 — não reconheceram qualquer soberania marroquina sobre o território. Durante toda a administração espanhola (1884–1975), Marrocos nunca exerceu autoridade política reconhecida sobre o Saara Ocidental. Estudos jurídicos modernos reafirmam que “treaties such as the 1860 Peace Agreement and the 1884 Madrid Agreement did not recognize Moroccan sovereignty over Western Sahara” [jstor.org].
No panorama internacional, a maioria dos Estados e organizações multilaterais não reconhece a soberania marroquina sobre o Saara Ocidental, mantendo a defesa do direito dos saharauis à autodeterminação. Angola alinhou‑se historicamente com esta posição. Comunicações oficiais do Ministério das Relações Exteriores afirmam que Angola mantém relações diplomáticas com a República Árabe Saharaui Democrática (RASD) e apoia a sua afirmação política, reconhecendo implicitamente a Frente Polisário como representante legítima do povo saharaui. Exemplos disso incluem declarações como: “Angola reitera o seu apoio à soberania e ao povo saharaui democrático” e “mantemos excelentes relações político‑diplomáticas com a RASD” [ires.ma, tandfonline.com].
Em síntese, a totalidade da evidência histórica, jurídica e diplomática demonstra que Marrocos e o Saara Ocidental nunca foram um único Estado, e que as tentativas de apresentar ligações históricas como fundamento para soberania moderna não têm sustentação factual. A relação entre os dois espaços geográficos foi, ao longo dos séculos, marcada por contactos religiosos, comerciais e tribais, mas nunca por integração política ou administrativa.






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