Conceitos
Aqui deposito algumas reflexões fruto de Vivências e Pesquisas.
Pequenos CONTRIBUTOS para um conhecimento que se constrói com outras contribuições.
Discorde e contribua.
® Reservados todos os direitos ao autor deste Blog =
Número total de visualizações de páginas
quinta-feira, dezembro 11, 2025
A INCONTORNABILIDADE DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA PRODUÇÃO DE TEXTOS INSTITUCIONAIS
quarta-feira, novembro 26, 2025
O KIMBUNDU E UMBUNDU – LÍNGUAS NACIONAIS CODIFICADAS – E O CASO DO NGOYA
1. INTRODUÇÃO
2. LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA E DISTRIBUIÇÃO DAS LÍNGUAS
2.1. Kimbundu
Falado predominantemente nas províncias de Luanda, Bengo, Cuanza Norte, Malanje e partes do Cuanza Sul e Uige, o Kimbundu é a língua do grupo Ambundu. Com mais de 3 milhões de falantes, apresenta estrutura tonal, sistema de classes nominais e forte prefixação verbal e nominal. É uma das línguas bantu mais estudadas em Angola, com influência lexical no português angolano e brasileiro.
2.2. Umbundu
Predomina nas províncias do Huambo, Bié, Benguela, partes da Huila, Namibe e Cuanza Sul, sendo a língua do grupo Ovimbundu. É a língua nacional mais falada em Angola, com forte presença na educação, cultura e comunicação social. A sua estrutura gramatical e riqueza lexical têm sido objeto de estudos linguísticos e etnográficos.
2.3. Kibala (ou Ngoya)
Falado na região da Kibala, abrangendo localidades como Hebo, Kilenda, Lubolu, Mbwim e Waku, é considerado por alguns estudiosos como uma variante do Kimbundu, enquanto outros defendem a sua autonomia linguística. O termo “Ngoya” é exógeno, usado por comunidades vizinhas, enquanto os falantes se referem à sua língua como “Kimbundu da Kibala” ou "Nosso Kimbundu".
3. INSTRUMENTOS NECESSÁRIOS PARA A AUTONOMIZAÇÃO DE UMA LÍNGUA
A autonomização de uma língua — ou seja, o processo pelo qual uma variante dialectal passa a ser reconhecida como língua independente — é um fenómeno linguístico, político, social e cultural. Não há uma única autoridade que o define, mas sim um conjunto de actores e etapas que contribuem para essa legitimação.
3.1. Codificação e Normalização
- Gramática própria: Regras definidas de morfologia, sintaxe e fonologia.
- Ortografia padronizada: Sistema de escrita consensual e estável.
- Dicionário: Repertório lexical que legitima o vocabulário da língua.
3.2. Produção Escrita e Literária
- Textos literários, científicos e jornalísticos.
- Traduções para e a partir da língua, demonstrando sua capacidade de comunicação universal.
3.3. Reconhecimento Institucional
- Inclusão em currículos escolares, exames e documentos oficiais.
- Políticas linguísticas de promoção e preservação.
3.4. Uso Social Alargado
- Comunidade de falantes nativos e fluentes.
- Presença nos media: rádio, televisão, internet, redes sociais.
3.5. Autonomia Identitária
- Sentimento de pertença.
- Distinção funcional em relação a outras variantes.
4. QUEM DEFINE A AUTONOMIZAÇÃO DE UMA LÍNGUA?
- Comunidade de falantes: O reconhecimento começa internamente, com o sentimento de identidade linguística.
- Linguistas e académicos: Estudam, descrevem e codificam a variante.
- Instituições políticas e educativas: Oficializam a língua e promovem sua inclusão nos sistemas de ensino.
- Organismos internacionais: Como a UNESCO e o ISO, que atribuem códigos linguísticos.
5. COMO SE PROCESSA A AUTONOMIZAÇÃO?
- Codificação linguística: Elaboração de gramática, ortografia e dicionário.
- Produção cultural: Literatura, música, teatro, imprensa.
- Mobilização social: Movimentos culturais e comunitários.
- Reconhecimento oficial: Declaração como língua nacional, regional ou co-oficial.
6. COMO SE DEFINE O NOME DE UMA LÍNGUA?
O nome pode derivar de:
- Autodenominação dos falantes (ex.: Umbundu).
- Topónimo ou região (ex.: Catalão).
- Grupo étnico ou cultural (ex.: Zulu).
- Termo histórico ou tradicional (ex.: Latim, Tétum).
Em alguns casos, o nome é disputado ou evolui com o tempo, conforme o reconhecimento político ou académico.
![]() |
| Publicado nas pp 20-22 desta revista |
Kibala (ou Ngoya) representa um exemplo paradigmático do debate sobre a sua denominação e autonomização linguística. Estudos como os de Tomé Grosso, Ndonga Mfwa, Gabriel Vinte e Cinco e Soberano Kanyanga apontam para uma variante do Kimbundu com identidade própria, falada na região da Kibala e zonas contíguas. A sua autonomização depende da aplicação dos instrumentos descritos, bem como do reconhecimento da sua identidade linguística pelos falantes e pelas instituições públicas.
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- Angenot, Jean-Pierre; Mfuwa, Ndonga; Ribeiro, Michela Araújo – As classes nominais do Kibala-Ngoya.
- Araújo, Paulo Jeferson Pilar; Petter, Margarida – O quimbundo e o português do Libolo.
- Canhanga, Luciano (Soberano Kanyanga) – A língua dos Kibala – Kimbundu ou Ngoya?
- Cobbinah, Alexander – Lubolo-Ngoya | Endangered Languages Archive.
- Grosso, Tomé – Monografia sobre o Dialecto Kibala e o termo Ngoya.
- Jordan, Linda; Manuel, Isata – Sociolinguistic Survey of Kwanza Sul Province.
- Kitumba, Evaristo – Problemática linguística da província do Kwanza-Sul.
- Mfwa, Ndonga – Estudos sobre variantes do Kimbundu e o caso Ngoya.
- Ndombele, Eduardo David – Reflexão sobre as línguas nacionais no sistema de educação em Angola.
- O Pais – Colectânea “Letras sobre as Línguas de Angola”.
- Pinto, Hermenegildo – Umbundu: caminhos para a sua preservação.
- Ramos, Rui – A Língua Kimbundu.
- Sacalembe, Júlio – Políticas linguísticas em Angola.
- SIL International – Sociolinguistic Survey of Kwanza Sul Province.
- Wikipedia – Ngoya language.
domingo, novembro 02, 2025
ILUKE
(Pseudo-sepultura)
É uma alegoria. Uma imitação do sepulcro real onde repousam os restos do finado.
Uluka=atribuir nome/pseudônimo
Iluke=réplica/homónimo
Nas comunidades rurais do Libolo (e xonas adjacentes), quando alguém morre distante e não é transladado seu corpo para a origem, é feito um pseudo-funeral (iluke) em que se colocam em uma pequena urna pertences do de cujus (pode ser resto de cabelo, unhas etc.) que são sepultados como se de um corpo cadavérico se tratasse. Tal visa "acalmar os espíritos do defunto" e servir de memória para a comunidade.
Por cima da campa, à semelhança dos sepultamentos reais, é anotado o tempo de vida do "homenageado.
Iluke é uma espécie de túmulo de soldado desconhecido.
quarta-feira, outubro 01, 2025
AS VOZES DO KWANZA-SUL NO MOSAICO LINGUÍSTICO DE ANGOLA
AS VOZES DO KWANZA-SUL NO MOSAICO LINGUÍSTICO DE ANGOLA
Por: Soberano Kanyanga*
I. Introdução
A província do Kwanza-Sul ocupa uma posição estratégica no
mapa etnolinguístico de Angola, situando-se entre dois grandes polos culturais
e linguísticos:
- Polo
Ambundu: Luanda, Bengo, Malanje e Kwanza-Norte, onde predomina o Kimbundu.
- Polo
Ovimbundu: Huambo, Bié e Benguela, com predominância do Umbundu.
II. Zonas de transição etnolinguística: Definição e
relevância
- multilinguismo
funcional (Fishman, 1972);
- interferência
linguística de ordem lexical, fonética e sintática (Thomason &
Kaufman, 1988);
- identidades
linguísticas fluidas (Hymes, 1974);
- variação
dialectal e inovação linguística (Heine & Nurse, 2000).
Distribuição dos falares segundo as influências
dominantes
III. O “Falar” da Kibala: Identidade, resistência e
reivindicação
A variante do Kimbundu falada na região da Kibala é
designada pelos seus falantes como:
- Kimbundu
- Kimbundu
ky’Epala
- Kimbundu
kyetu
O termo “ngoya”, amplamente reconhecido como
pejorativo, tem origem umbundu e significa “bárbaro”, “selvagem” ou
“imprestável”, como documentam Angenot, Ndonga Mfwa & Ribeiro (2011).
A sua difusão moderna ocorreu sobretudo através dos meios de comunicação
social, sem respaldo académico ou consulta às autoridades tradicionais.
A relação entre povo e língua é um princípio fundamental da
antropologia linguística (Sapir, 1921; Duranti, 1997). Assim como se fala português
para os portugueses ou kikongo para os Bakongo, também se deve respeitar
a identidade Ambundu dos povos da Kibala, cuja língua é um falar do Kimbundu,
enraizado na sua tradição histórica.
“Não basta ser soba para confirmar dados históricos. É
preciso ter idade e discernimento necessário.” — Soberano Kanyanga
IV. Quadro comparativo: Povo e Língua
|
Povo
/ Comunidade |
Gentílico |
Designação
da Língua |
|
Portugueses |
Português |
Língua Portuguesa |
|
Franceses |
Francês |
Língua Francesa |
|
Tucokwe |
Tucokwe |
Língua Ucokwe |
|
Bakongo |
Bakongo |
Língua Kikongo |
|
Ambundu |
Ambundu |
Língua Kimbundu |
|
Ovimbundu |
Ovimbundu |
Língua Umbundu |
A coerência entre etnia e língua é central nos estudos bantu
(Guthrie, 1967; Vansina, 1995).
V. Herança colonial e imposição terminológica
Regista-se que, em 9 de Junho de 2012, o Governador
Serafim do Prado solicitou à Ministra Carolina Cerqueira a substituição oficial
de “ngoya” por Kimbundu Kyetu, alinhando-se com o uso popular:
Eye oji lyahi wondola? — “Que língua você fala?”
VI. Estudos, testemunhos e evidência de campo
- Tomé
Grosso (2020): Demonstra bilinguismo e confusão terminológica entre
jovens da Kibala, influenciados pelos meios de comunicação, na monografia O
Dialecto Kibala (Kimbundu) e a Problemática do Termo Ngoya.
- Soberano
Kanyanga (2024): Inquérito com 60 participantes revela ampla rejeição
ao termo “ngoya” e clara identificação com o Kimbundu da Kibala.
- Gabriel
Vinte e Cinco, Moisés Malumbu e José Redinha: Todos confirmam a origem
Ambundu dos Kibala e a ausência de qualquer grupo étnico denominado
“ngoya”.
- Angenot,
Ndonga Mfwa & Ribeiro (2011): Consideram o “kibala-ngoya” um falar
bantu não-documentado, em zona de contacto entre Kimbundu (H20) e
Umbundu (R10), e destacam o carácter pejorativo da palavra “ngoya”.
![]() |
| Min C. Cerqueira, Juiz J. Felismino, Revº Gab Vinte e Cinco e Sob. Kanyanga |
VII. Propostas para a valorização dos falares locais
- Educação:
Inclusão dos falares do Kwanza-Sul nos currículos provinciais.
- Cultura:
Incentivo à literatura, música e oralidade em Kimbundu local.
- Investigação:
Criação de centros provinciais de estudo linguístico.
- Media:
Uso criterioso das designações linguísticas, baseado em investigação e
memória comunitária.
VIII. Conclusão
A valorização dos falares locais é crucial para a
preservação da identidade cultural do Kwanza-Sul. Os falares da região não
constituem uma “língua ngoya”, mas variações legítimas do Kimbundu,
ancoradas na história, na etnografia e na auto-identificação das comunidades.
“Toda a ciência que envolva antropologia, história e
etnografia deve sempre ter o campo como ponto de partida.” — Soberano
Kanyanga
Referências Bibliográficas
- ANGENOT,
Jean-Pierre; NDONGA MFUWA; RIBEIRO, Michela Araújo. As classes nominais
do Kibala-Ngoya: um falar bantu de Angola não documentado. PAIA,
v. 21, n. 2, p. 253‑266, 2011.
- BASTIN,
Yvonne. La classification des langues bantoues. Paris: SELAF, 1983.
- CHIMBUTANE,
Feliciano. Language and Education in Mozambique. New York:
Palgrave, 2011.
- DURANTI,
Alessandro. Linguistic Anthropology. Cambridge: Cambridge
University Press, 1997.
- FISHMAN,
Joshua. Language and Nationalism. Rowley: Newbury House, 1972.
- GROSSO,
Tomé. O Dialecto Kibala e a problemática do termo Ngoya.
Monografia, UAN, 2020.
- GUTHRIE,
Malcolm. Comparative Bantu. 4 vols. Farnborough: Gregg Press, 1967.
- HEINE,
Bernd; NURSE, Derek (eds.). African Languages: An Introduction.
Cambridge: CUP, 2000.
- NURSE,
Derek; PHILIPPSON, Gérard (eds.). The Bantu Languages. New York:
Routledge, 2003.
- REDINHA,
José. Etnias e Culturas de Angola. Luanda: Ministério da Cultura,
1975.
*Formado em Didáctica de História e investigador social.
quarta-feira, setembro 03, 2025
O JORNALISTA, O ASSESSOR E O ADIDO DE IMPRENSA
(Funções, Ética e Intersecções)
Conceitos básicos:
Jornalista é quem exerce o Jornalismo — profissão que, segundo Nelson Traquina (Jornalismo: Teorias e Práticas, 2005), consiste na recolha, selecção, tratamento e divulgação de informações de interesse público, com critérios editoriais próprios. Para mim, é também arte e vício controlável, pois exige sensibilidade, rigor e compromisso com a verdade factual.
Assessor de Imprensa é o profissional de comunicação institucional cuja função é recolher dados, tratá-los conforme o perfil do receptor (media) e disponibilizá-los para posterior divulgação. Como destaca José Marques de Melo, o assessor serve à organização, enquanto o jornalista serve ao público — distinção essencial para compreender os limites éticos e operacionais de cada função.
Adido de Imprensa é, por definição, um Assessor de Imprensa destacado junto de uma missão diplomática, com responsabilidades acrescidas no contexto da comunicação internacional e da representação do Estado.
Intersecções e diferenças
Tanto o jornalista quanto o assessor e o adido de imprensa realizam actividades de recolha, tratamento e distribuição de informação. A diferença reside no destinatário final: o jornalista comunica directamente com o público, enquanto o assessor e o adido comunicam com os media, respeitando os canais institucionais.
A crítica feita por um compatriota — de que seria um “belisco à ética” um assessor entrevistar o seu assessorado e partilhar o conteúdo com jornalistas — revela uma incompreensão sobre os limites e funções da assessoria. A recolha de dados (por entrevista, observação, consulta documental, etc.) é parte legítima da função informativa do assessor, desde que respeite os princípios da transparência e da veracidade.
Segundo Manuel Castells, em Comunicação e Poder (2009), a comunicação institucional é estratégica e visa moldar percepções, mas não deve substituir o papel editorial do jornalista, que continua a deter o monopólio da decisão sobre o que é notícia.
Limites Legais e Éticos
O artigo 5.º do Decreto Presidencial n.º 3/18 de 11 de Janeiro não proíbe que o assessor recolha dados directamente junto do seu assessorado, desde que não os trate como produto jornalístico. Ao fornecer o dado bruto aos jornalistas, o assessor respeita o papel editorial destes, que devem analisar, hierarquizar e decidir sobre a publicação.
Portanto, não é correcto questionar: “Por que o assessor ou o adido entrevistou o seu assessorado e forneceu o dado bruto aos jornalistas?” — desde que o conteúdo não tenha sido editado com fins jornalísticos, mas sim disponibilizado como subsídio informativo.
Reconhecimento Profissional
Importa também reconhecer o trabalho árduo dos diplomatas e seus assessores de imprensa, que muitas vezes sacrificam o descanso e a vida familiar para garantir o bom acolhimento e despedida de delegações oficiais. A assessoria diplomática exige dedicação contínua, jornadas imprevisíveis e uma compreensão profunda da comunicação estratégica.
Conclusão
Em síntese, o jornalista, o assessor e o adido de imprensa operam em campos distintos, mas complementares. O jornalista é o guardião da esfera pública, enquanto o assessor e o adido são mediadores institucionais. A ética na comunicação não se mede apenas pelo canal utilizado, mas pela intenção, transparência e respeito aos papéis definidos.
A assessoria de imprensa, quando exercida com rigor e consciência institucional, não usurpa o papel do jornalista. Pelo contrário, complementa-o, oferecendo subsídios que devem ser tratados com liberdade editorial. É preciso compreender, como diria Traquina, que o jornalismo é uma construção social da realidade, e essa construção começa muitas vezes com dados recolhidos por profissionais da comunicação institucional.
quinta-feira, agosto 07, 2025
A COMUNICAÇÃO DA LIDERANÇA DA IECA (PRELEÇÃO)
Provérbios 15:1:
"A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida
desperta a ira".
Notas prévias
1.Pelas pesquisas que fiz, o Modelo
de Comunicação da IECA assenta em três pilares: Evangelização, Educação
e Acção Social, cuja ABORDAGEM se resume em alfabetização, saúde e agricultura
(nas comunidades rurais) e direitos hiumanos.
2. Em Ciências de Comunicação, as acções
e os gestos comunicam. A forma como fui recebido pelo Pastor Lutero e pela
Pastora Natália acabaram por diluir todo o conteúdo que tinha preparado para
partilhar convosco. Vou, tão somente, partilhar alguns tópicos e esperar que discutamos e encontremos
meios-termos.
Conceitos
a) Liderança é a capacidade de influenciar e guiar pessoas para alcançar objectivos comuns. Ela pode ser baseada em autoridade formal ou em influência natural, e envolve habilidades como visão estratégica, empatia e tomada de decisão.
b) Liderança Religiosa vai além da gestão organizacional; ela envolve inspiração espiritual, orientação moral e serviço à comunidade. Um líder religioso deve equilibrar autoridade e humildade, promovendo valores como compaixão, justiça e fé.
c) Comunicação é o processo de transmitir informações, ideias e sentimentos de forma clara e eficaz. Ela pode ser verbal, não verbal, escrita ou visual, e depende de factores como contexto, audiência e objectivo.
d) Comunicação Religiosa tem um propósito especial: transmitir mensagens espirituais de forma acessível e inspiradora. Ela deve ser clara, respeitosa e adaptada ao público, utilizando linguagem que fortaleça a fé e promova a reflexão.
Técnicas de Comunicação Geral e Religiosa
- Escuta activa: Demonstrar interesse genuíno pelo interlocutor.
- Uso de metáforas e parábolas: Tornar conceitos
espirituais mais compreensíveis.
- Adaptação ao público: Ajustar a linguagem conforme o
nível de conhecimento e experiência dos ouvintes.
- Expressão corporal: Postura, gestos e contato visual
reforçam a mensagem.
- Uso de tecnologia: Recursos audiovisuais podem tornar a comunicação mais
envolvente.
Como desenvolver uma Comunicação Assertiva e Eficaz na Igreja?
- Clareza na mensagem: Evitar ambiguidades e ser direto.
- Empatia: Compreender as necessidades e sentimentos dos ouvintes.
- Consistência: Manter coerência entre discurso e acções.
- Interacção: Incentivar perguntas e participação ativa.
- Feedback: Avaliar constantemente a recepção da mensagem e ajustar
conforme necessário.
O que Priorizar e o que Evitar para Comunicar Melhor?
Priorizar:
- Mensagens inspiradoras e edificantes.
- Linguagem acessível e respeitosa.
- Exemplos práticos e aplicáveis à vida cotidiana.
- Comunicação inclusiva e participativa.
Evitar:
- Uso excessivo de termos técnicos ou teológicos complexos.
- Comunicação autoritária ou impositiva.
- Falta de conexão emocional com o público.
- Mensagens contraditórias ou confusas.
Como evitar o Efeito Boomerang na Comunicação?
O efeito boomerang ocorre quando a mensagem tem o efeito contrário ao desejado. Para evitá-lo:
- Evite imposições: Prefira diálogo e persuasão em vez de ordens rígidas.
- Considere o contexto: Certifique-se de que a mensagem é apropriada para o
momento e público.
- Evite julgamentos: Mensagens que parecem acusatórias podem afastar em vez de
aproximar.
- Teste a recepção: Antes de divulgar amplamente, avalie como a mensagem é
interpretada.
Muito obrigado e que Deus coninue a nos iluminar!
sexta-feira, julho 25, 2025
OS GÊMEOS NA COSMOGONIA AFRICANA BANTU(ANGOLA)
CONSTRUCTO
sábado, junho 07, 2025
"QUE FALOU KIMBUNDU É ZINHA DOMINGO"
A escola era entre a aldeia de Mbango Yo'Teka e a aldeola de Kabombo. Um quarto, que restava da antiga residência do senhor Marques, colono português que àquelas terras fora degredado para fazer agricultura, servia de sala de aulas. O professor era Faustino Kisanga Bocado. Como o ensino era e é ainda em língua portuguesa e os nativos de Kuteka mantinham o contacto com a língua colonial apenas quando chegasse a idade escolar, o uso do Kimbundu (no recinto escolar e em casa) fora proibido para acelerar a aprendizagem da língua veicular em Angola.
_ Mbomba mu hondja ùwabe!
=
Publicado no Jornal Litoral a 25 de Maio de 2025
sexta-feira, maio 02, 2025
MEMÓRIAS DE KUTEKA E PEDRA ESCRITA
A 25 de Janeiro de 2025, cruzei, próximo da aldeia de Pedra Escrita, com uma parente que não conhecia. É neta ou bisneta do "Velo Xingwenda" [Velho Cinquenta], parente da minha mãe.
Quando me foi apresentada pelo mano Gonçalves Manuel Carlos, recorremos à árvore genealógica para nos situarmos e, mesmo nunca me ter visto antes, quando se apercebeu que eu era filho da "avó Maria Canhanga", começou a recitar uma música dos tempos de xilimina [folguedos dos anos 90 do século XX] e que fazia alusão a mim.
"Kajila bera mwititu twazeketu (3x)"[Passarinho diga, vamos pernoitar no ninho].
Em menos de 3 meses, na aldeia de Mbango yo'Teka, foquei imortalizado e recordado por pessoas que nasceram décadas depois de eu ter por lá passado, de Janeiro a Março de 1990, fugido da Unita que me correra de Kalulu e, semana depois, da aldeia de Pedra Escrita.
A jovem, parecendo minha mais velha (eu cinquentão e ela na casa de 30), lavava roupa, depois de ter preparado e posto a secar o bombó à beira da EN120.
Eu, o mano Gonçalves, o Nelo e Páscoa fomos colher canas. A caminho da "kitaka" [horta] vi duas árvores que, na minha terra, atraem borboletas que nelas nidificam, surgindo, depois, os "mabuka" ou "katatu": uma é "munzaza" e outra, de folhas alargadas e em formato de coração dobrado em duas lâminas, é "ndolo".
Veio-me à mente outra canção do "xilimina" dos anos noventa:
"Moça mu kyaña ndolo, moça mu kyaña ndolo, mu kyaña ndolo we sosó lyamutema bwengi" [a moça, de tanto colher e usar lenha de ndolo, a fagulha atingiu-lhe a zona nevrálgica"]. Na verdade, a palavra, aqui convertida em "nevrálgica" é um impropério. Só os jovens embriagados de kapuka ou lyambados cantavam essa versão ao lado de adultos. O dislate era sempre substituído por um termo não agressivo.
Naquele tempo das rusgas e raptos [rusgas de jovens abrangidos ou não para o serviço militar obrigatório e raptos da Unita], o que se cantava era a saudade dos que tinham partido e que deles não se tinha notícias e a reinvenção das vidas para enfrentar os dias duros de futuro imprevisível. E assim, enquanto se metaforizava nas canções como "sambwa li sambwa obuji yatena moye" [entre duas elevações/lados o obus atingiu uma palmeira], também se cantava a saudade dos que tinham sido levados pela sorte madrasta e dizia-se "Kisasa kumbi otoka, bukanga twazeketu" [Quando Kisasa regressar vamos pernoitar fora de casa, a conversar, cantar e contar coisas nossas].
As letras eram curtas e repetitivas, mas com sentido e alcance muito longos.
"Bwahila Toy inyungu ibiloka!" [Onde morreu o Toy os abutres estão às voltas para debicar os seus restos].
Debois de kitotas, a presença de abutres em algum lugar era indicador da existência, por perto, de um cadáver (humano ou de outro animal qualquer).
Os inválidos, os envergonhados, os tímidos e toda a sociedade, individual ou colectivamente, também eram "personagens" das letras das canções que, muitas vezes, mudavam apenas a estória, mantendo a melodia e o tilintar do tambor e do bujão. "Nange, nange, Xoxombo wombela, wombela, Xoxombo nange, nange katé okyo wombela" [De tanta solidão, causada pela timidez em desfiar o rosário a uma jovem, Xoxombo teve de recorrer ao estupro].
Assim era o cancioneiro popular com história e estórias fundadas no longo percurso da sociedade e nos anseios transformadores do amanhã.
sexta-feira, abril 25, 2025
"A FALTA DE MOTIVAÇÃO E O IMPACTO NOS COLABORADORES" AOS OLHOS DE LÍZIA HENRIQUE
Boa tarde a todos,
Hoje, temos a honra de contar com a presença do seu autor, Soberano Kanyanga, uma figura que se destaca pela sua sensibilidade, dedicação à escrita e pela forma como consegue transformar palavras em emoções vivas.
Luciano Canhanga |Soberano Kanyanga| tem vindo a construir um percurso notável, seja através da sua escrita
envolvente, bem como da sua capacidade de observação da realidade.
Este, sempre esteve ligado
ao jornalismo e comunicação institucional, mas foi nas vestes de Director de
Recursos Humanos que se viu digamos, "forçado” a imergir nos desafios que
encontrou no então Ministério de Geologia e Minas, quando convidado a dirigir o
GRH, após colaboração em uma empresa extractiva (a Sociedade Mineira de Catoca)
Eventualmente, você
pergunte: Que desafios encontrou?
Meus senhores e minhas Senhoras estes desafios
encontram-se no livro!
O livro em destaque,
aborda um tema crucial para o desempenho organizacional, especialmente no
contexto do funcionalismo público angolano.
Este livro representa não apenas uma contribuição valiosa para o campo de Recursos Humanos, mas também um testemunho do rigor, da dedicação e da paixão que o autor deposita no seu trabalho. Ao longo das suas páginas, somos guiados por uma análise profunda, sustentada em investigação atualizada, metodologias sólidas e um espírito crítico exemplar.
A pesquisa realizada revela,
que a falta de motivação é um dos principais factores que impactam
negativamente o desempenho dos colaboradores, sendo um desafio significativo
para a gestão de actividades no setor público.
Na referida pesquisa o
autor utilizou métodos quantitativos e qualitativos, incluindo questionários
aplicados a setenta funcionários, a fim de explorar as causas e consequências
da desmotivação no então Ministério de Geologia e Minas.
O estudo, realizado no
Ministério de Geologia e Minas, identifica que a ausência de políticas e acções
voltadas à motivação, como o reconhecimento, a remuneração adequada e
incentivos como o seguro de saúde e a formação, contribui para a desmotivação
dos funcionários, cujos resultados negativos para a organização todos os
gestores conhecem.
Entre as conclusões,
destaca-se o facto de a motivação estar diretamente ligada à recompensa e ao
estilo de liderança, e que as variáveis sociodemográficas influenciam os
resultados. É ainda sugerido, que as lideranças devem repensar as suas práticas
para melhorar o ambiente organizacional e a valorização dos colaboradores.
Para além do rico conteúdo, que é uma nítida fotografia dos desafios com que se debatem muitas das instituições públicas, para não dizer todas, o autor procurou, igualmente, preservar a história de um colectivo de colaboradores que cada um ao seu nível, procuraram prestar um serviço público digno e humanizado.
Hoje, infelizmente, não podemos dizer à nova
geração que no Largo António Jacinto (conhecido como largo dos Ministérios)
existiu um edifício que atendeu os Serviços de Geologia e Minas e,
posteriormente, o Ministério de Geologia e Minas, pois este edifício (mostrar a
contracapa) já não existe.
Termino com um sincero
agradecimento a Luciano Canhanga, não só pela obra que hoje nos apresenta, mas
também pelo contributo inestimável que tem dado ao desenvolvimento do
conhecimento.
Convido agora o autor a
partilhar connosco um pouco do seu processo criativo, das motivações por detrás
deste livro e, claro, do que podemos esperar ao mergulhar nesta leitura.
Muito obrigado a todos pela
presença.
Lízia Henrique
Em Luanda, aos 24 de Abril
de 2025.

.gif)










