https://bdigital.ufp.pt/handle/10284/9577
A falta de motivação e o impacto nos colaboradores: um estudo de caso no Ministério da Geologia e Minas
Aqui deposito algumas reflexões fruto de Vivências e Pesquisas.
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A falta de motivação e o impacto nos colaboradores: um estudo de caso no Ministério da Geologia e Minas
(Reflexão em esboço)
O Gabinete de Comunicação Institucional, enquanto órgão dos Organismos Centrais da Administração do Estado Angolano, foi instituído pelo DP nº 230/15 de 29 de Dezembro, tendo este sido revogado pelo DP nº 3/18 de 11 de Janeiro que retoma algumas de suas atribuições e competências.
As NOTÍCIAS são, regra geral, o principal produto de um órgão de comunicação social convencional, sendo, por via da qualidade/quantidade e precisão com que são divulgadas as notícias que se aumenta o share(quota aparente de mercado) do referido órgão. Essa quota mediática é que atrai ou não maior ou menor adesão dos anunciantes publicitários ou a compra de espaços no órgão.
Um conterrâneo da Kibala, recuando no tempo, narrou episódios da nossa infância que é transversal a uma geografia que envolve os municípios à volta do Libolo e Kibala e num tempo que, se calhar, morre em 2000, podendo prolongar-se em algumas aldeias recônditas. É o nosso feudalismo que pouco há de escrito, dada a fraca imersão na nossa etno-sociologia e etnografia.
Quando nos debruçamos a estudar a história
clássica e medieval de Roma e Grécia, recaímos, invariavelmente, em episódios
angolanos do Séc. XX, em nossas aldeias interiores.
É exemplo a mãe que "cata" piolhos ao
filho, aproveitando adormecê-lo, podendo usar duas fórmulas: cantando e
catando.
Vivi esse tempo. Algumas mães, no escuro da
noite, sem saber se o achado por seus dedos entre o cabelo alto e sujo é ser
vivo ou grão de areia, levavam-no ao dente e largavam depois, um rio de saliva.
Vivi ainda o tempo da bitacaia[2], pulga de javali ou porco
doméstico que adentrava os terminais de nossos dedos e calcanhares. A comichão,
lenta e incómoda, resultava em dor da ferida escancarada, depois de extraído o
animal hóspede oportunista com a ponta de um alfinete ou de um pau aguçado.
Mas o meu conterrâneo contou mais e recordou-me
o seguinte:
Noite sem luar na Kibala ou outra aldeia do
circuito ambundu kwanza-sulino. Nas terras mais a sul e ou norte o cenário
também pode ser idêntico.
O archote é lamparina na cozinha escura. A
kizaca, peixe de água doce ou carne de caça ferve na panela de barro. Há fumo
largado pela lenha que reclamam por mais dias de seca ao sol. Mas quando a
lenha seca rareia em tempo de chuva é a semi-seca que se leva à fogueira. No
escuro e fumegante da cozinha a mãe pede:
- Mwiha mwombya (alumia para a panela)!
Na atrapalhação, o rapaz tanto alumia como deixa
cair na panela a ponta do archote ardido, já em forma de cinza.
- Nzayá, matubá, matondoá![3] -Dispara a mãe impaciente,
complementando a emenda com um valente "coco" que mata uma dúzia de
piolhos e lêndeas na cabeça do infante.
- Kwolule (não grita). - Adverte, prevenindo
para que não se acabem, de uma só vez, os piolhos todos na cabeça com outros
cocoricos.
Terminada a confeção do "kondutu"[4], é a vez da panela do
funji/pirão. O cuidado é redobrado. Em fuba branca, a cinza preta do archote é
vinho tinto em toalha imaculada.
-
Mwiha kyambote. - Adverte a mãe.
E o infante, com um grito adiado ou reprimido da
primeira pancada, lágrimas do fumo nos olhos, comichão na cabeça dos piolhos
famintos de sangue, acende, de novo, o archote que aproxima delicadamente à
panela de barro para a qual o fogo chia.
- Mwiha!
-
Ñi mwiha a mama!
-
Mwiha kyambote.
Depois
o repasto: as meninas na cozinha ou fora dela, no terreiro da casa, com a mãe,
quando há luar. Os homens na sala ou no njangu. Rapazes juntos.
O
rapaz quando não vai à escola da vida, o njangu, volta a reclamar o carinho materno,
"lambicando" como cão que se deita sobre a cinza quente da fogueira
recente. Dobra-se à frente da mãe que "jijina"[5] lêndeas, piolhos ou grãos
de areia escondidos no cabelo a reclamar por uma tesoura.
Contando
anedotas, ou canções do seu tempo de menina, a mulher afugenta os males e a
infra vida que a pobreza impõe, adormecendo o infante para uma nova aurora e
lavoura.
Tal
como a geração do último quartel do Séc. XX, as nossas crianças continuarão a
ler a história clássica e o feudalismo greco-romano. Quanto às nossas vivências, que são recentes, restarão poucas crónicas!
Soberano Kanyanga
Há 45 anos que oiço e reflito sobre as expressões "toma lá" e "leva lá", trazidas pelos donos da língua que uso para essa comunicação e que ganharam espaço nas aldeias interiores de Angola, com realce para o Lubolu e arredores.
WATUNGU KUKUNDA KWENGANGA WOBATA!
(Literalmente: quem constroi atrás seguiu a Kinganga): o aforismo kibala-lubolense reporta-se, entre outros, a uma vertente do crescimento populacional das aldeias kwanza-sulinas.
A genesis das aldeias rurais tem como base o núcleo familiar. Regra geral, um emigrante em busca de terra fértil, pasto, faina ou paz espiritual depois de atritos na aldeia de origem, constitui uma nova comunidade residencial.
Esse patriarca, com seus filhos, esposas e sobrinhos, funda a aldeola que, com o tempo, cresce (à medida que os filhos e sobrinhos forem constituindo famílias e atrairem outros parentes e amigos para o novo conglomerado habitacional.
A relacão consanguínea faz com que os casamentos dos constituintes, regra geral, se façam com pessoas de outras aldeias próximas e/ou distantes que não sejam de mesma linhagem.
Surge aqui a figura de katalamba¹ que é incontornável num kixobo².
Parente e ou amigo/a do casal, o/a katalamba é o/a emissário/a do noivo que, no dia do kixobo, se mete a caminho da aldeia de da noiva, levando-a, em companhia da tia desta ou outra representante de sua família, à casa do noivo.
Pelo caminho, mostra-lhe e conta-lhe estórias e história sobre os hábitos e costumes da sua família , sobre os rios, coutadas, bens físicos e espirituais, permissões e proibições, famílias amigas e inimigas, entre outros aspectos de vida familiar e comunitária.
A/o katalamba é geralmente bem recebido em casa da nubente e tratado como interlocutor válido/a do seu representado.
Há outros ritos de baixa variabilidade de aldeia em aldeia que, regra regal, consistem em entornar um pouco de kisângwa³ e óleo de palma em cada entroncamento, representando o manifesto de paz com todos quantos trilharam e venham a trilhar aquele caminho e fartura à nova família.
Terminada a cerimônia matricial, uma noite dançante, com fartura em funji de carne, regada com makyakya⁴ e wala⁵, algumas peças do enxoval da noiva são entregues como lembrança a/o katalamba, como prato, garfo, faca, copo e outros possíveis objectos.
O autor desta crônicas foi katalamba no kixobo de Rosa José, em 1996, em Luanda, tendo recebido como lembranças: um prato, garfo, faca, colher e copo de vidro.
==
1- Emissário/a do noivo.
2- Cerimônia matrimonial.
3- Sumo feito de farinha de milho e adocicado com seiva de uma raiz designada por muxiri ou mbundi (Umbundu).
4- Destilado alcoólico também designado por kaporroto.
5- O mesmo que kisângwa. Garapa.
* Armadilha rudimentar de pedra
Revisitando a memória e o costume dos povos libolenses e circundantes, chega-se à conclusão de que o chamado "chá-de-panela" não é nada mais do que um peditório pré-matrimonial que visa dotar a pré-nubente de utensílios domésticos para colocar-se em condições de poder receber visitantes.
Tal peditório visa angariar, sobretudo, utensílios de cozinha, entre louça, talheres, toalhas de mesa e de loiça, fogão, bilha de gás e outros adereços.
Na tradição bantu-libolense o peditório tem o designativo Kimbundu de úbeka.
A pretendida (noiva), antes do kixobo**, passa pelas casas de tias e primas, já casadas, que oferecem tantas peças quantas possíveis do seu enxoval à futura "dona de casa". É um acto encarado com normalidade e naturalidade que não se submete à chacota.
Olhando para o moderno e urbano "chá-de-panela", trata-se tão somente da urbanização ou renovação de um hábito secular bantu que ainda tem pernas no interior libolense.
Ao inovador "chá-de-panela" segue-se o "chá-de-bebê" outro peditório que visa angariar de parentes e amigas chegadas roupas de recém-nascido que seus filhos tenham descartado.
É também assim no Libolo.
* Peditório
** cerimónia matrimonial