Número total de visualizações de página

quarta-feira, dezembro 25, 2013

Embora ela não "contasse" ou embora ela não "conta-se"

Desde que leu a primeira aula no face book que a Márcia não pára de expor dúvidas. É próprio de quem reconhece fraquezas e que aprender. Isso é sinónimo de nobreza.
E, desta vez, ela pergunta:
 
Como escrever correctamente as frases abaixo?
“Desliga ainda, mais tarde telefonarei-te. Ok?”
“Ela engravidou e embora não conta-se com a gravidez está tão feliz”.     
 
Márcia, ambas frases estão mal escritas.

Veja bem:
Por uma questão de boa educação, é preciso pedir "por favor" e depois conjugar bem os verbos. O ideal seria:
- Por favor, não podemos conversar agora. Ligar-te-ei mais tarde.
No segundo caso, o ideal seria grafar assim: Ela engravidou. Mas, embora não contasse com a gravidez, está tão feliz.
 
Nota que aqui (segunda frase/ideia) não se trata de uma conjugação pronominal reflexa. Trata-se do modo conjuntivo (se eu contasse, se tu contasses, se ele contasse, se nós contássemos, se vós contásseis, se eles contassem).
 
 

domingo, dezembro 01, 2013

No fb também se aprende ou também aprende-se?

Uma amiga que fazia um elogio às minhas publicações no face Book exclamou:

"uau, gostei de saber que no facebook, além de rir e chorar, também aprende-se a escrever e a falar corectamente".

A minha amiga, que omito o nome, pediu-me na mesma mensagem que fizesse uma análise dos seus escritos.

Ei-los:
1-Considerei normal que não tenha escrito uau com U. Mas é ponto acente que o início de uma frase tem de ser com letra maiúscula.

2-Considerei uma gralha e não exactamente um erro a não duplicação da letra R em "correctamente" pois vc grafou bem uma outra palavra em que surgem 2R´s. A palavra "correcção".

3- Nas conjugações pronominais reflexas, sempre que o verbo é antecedido por uma palavra invaviável, o agente/pronome reflexivo passa para antes do verbo.

Logo, a grafia ideal seria: "Uau! Gostei de saber que no facebook, além de rir e chorar, também se aprende a escrever e a falar correctamente".

quarta-feira, novembro 20, 2013

FALTAR COM RESPEITO OU FALTAR AO RESPEITO?

A grande questão reside no uso da preposição, o que se chama de regência.
- De que preposição é regida (antecedida) a palavra "respeito", quando nos referimos à falta deste?
1- A preposição "Com" indica companhia. Ex- Estive com o João na reunião da escola.
2- A preposição "ao" é uma contracção da preposição A e artigo O. Exemplo: faltei ao encontro marcado com o professor de Geografia.
Indo de acordo à questãocolocada: "Faltar ao respeito ou faltar com respeito"?
- A resposta é "faltar ao respeito".
(Nunca faltei a si o respeito que lhe devo).
 

sexta-feira, novembro 01, 2013

CONFLITOS ENTRE ÁREA JORNALÍSTICA E COMERCIAL NUM MEDIA PRIVADO

 
AS NOTÍCIAS são, regra geral, o principal produto dum órgão de comunicação social convencional, sendo, por via da qualidade/quantidade e precisão com que são divulgadas que se aumenta o share (quota aparente de mercado) do referido órgão.

Essa quota mediática é que atrai ou não maior ou menor adesão dos anunciantes publicitários ou a compra de espaços no órgão.
Acontece, por outro lado, que as noticias não são, na verdadeira essência, vendáveis e , mesmo na media imprensa, as vendas dos jornais mal pagam a gráfica e muito menos os salários dos jornalistas e outros trabalhadores.
Apesar de as noticias serem o grande atrativo para a publicidade, é esta que suporta as despesas em salários, matéria-prima, equipamentos, etc., tratando-se de órgãos de comunicação social que vivam de rendimentos próprios.
Para além das questões de fórum legal (incompatibilidades prescritas no Estatuto do Jornalista e Lei de Imprensa), é aqui que surge o problema/choque de interesses entre os jornalistas e os zeladores de publicidade. Há antagonismos funcionais entre os dois Departamentos (Jornalismo e Publicidade) num órgão, devido ao conflito de interesses.
Os jornalistas estão comprometidos com a verdade e as noticias, independentemente de quem as produza(seja anunciante ou não).
Os zeladores de publicidade estão mais preocupados em manter os contratos com os anunciantes e de manter as boas relações com estes, evitando qualquer ruído na relação que possa beliscar o negócio.
O que acontece quando um grande anunciante é protagonista duma notícia a ele desfavorável e difundida pelo Departamento de Jornalismo?
1-      O anunciante queixa-se ao seu parceiro comercial, Departamento de Publicidade, atestando deselegância do órgão em não o ter protegido e ameaça retira a publicidade.
2-      O Departamento de publicidade atira-se contra o Departamento de Jornalismo alegando interferência negativa no negócio.
    
     3- A busca de equilíbrio entre a necessidade de manter o contrato com o cliente/anunciante e a satisfação da reclamação deste leva, algumas vezes a sacrificar o jornalista com processos disciplinares forjados e sua retirada temporária do espaço mediático.

EXPERIENCIA PESSOAL
 

Uma vez (terá sido em Julho de 2002), quando me encontrava diante duma agência do BFE (actual BFA), apareceram numa carrinha homens da EDEL e polícias com mandado para proceder ao corte de energia naquela agência, situada na Joaquim Capango, em Luanda.

Enquanto jornalista e editor da Comercial, entendi que se tratava de um caso quase insólito (os factos ganham relevo noticioso pelo insólito). O banco tinha anunciado dias antes a doação de meio milhão de dólares americanos para ajudar o processo de paz iniciado a 04 de Abril, um mês depois da morte de Savimbi.
Servindo-me do telefone, fiz uma peça que foi transmitida no noticiário principal (12h30).  Na peça, para além dos clientes do banco que estavam “passados” com a situação (note que na altura eram enormes as filas nos bancos), ainda foi ouvido o chefe daquele piquete e abordado o gerente que não quis prestar depoimentos.
O pior da história foi que o citado banco era anunciante na rádio e o seu PCA (actualmente num banco concorrente surgido anos depois) ligou ao chefe de produção (área comercial da rádio) ameaçando que retiraria a publicidade por não ter sido resguardada a imagem da sua instituição.
Eu que, jornalisticamente, tinha vivenciado o facto e observado o contraditório, ouvindo as partes e testemunhas, acabei sendo julgado pelo “meu chefe” como culpado da situação, e tratado como mentiroso. Um processo disciplinar foi-me instaurado e suspenso das minhas funções daquele dia até à conclusão do processo conduzido por alguém com habilitações literárias inferiores às minhas e sem conhecimento específico sobre a ciência jurídica.
Quinze dias depois, saiu o veredicto:
- Perde a condição de Editor
- Fica sem o subsidio de editor (que nunca tive antes do caso)
- Censura registada.
Esta crónica vem a propósito dum post do meu amigo Yuri Simão, no face book, sobre empresas gigantes com contas de água por saldar.
Há gigantes financeiros com muitas continhas por saldar. E pior é que não entendem ser direito do credor proceder ao corte do fornecimento.
Vezes há em que arranjam um bode expiatório para as suas distrações, como foi o caso.
 
 

quinta-feira, outubro 17, 2013

Quando usar esta/este, essa/esse e aquela/aquilo?

Este/esta = refere-se ao objecto que esteja próximo de quem fala (queres esta esferográfica para ti?);
 
Esse/essa = refere-se ao objecto que está mais próximo à pessoa para quem se fala (dá-me essa mala que está à tua direita);
 
Aquele/aquela = refere-se ao objecto que está distante de ambos, ou seja, distante de quem fala e da pessoa para quem se fala (aquele é o monumento dedicados aos heróis do 4 de Fevereiro).

Ó João, traz-me aquela cadeira, esse livro e coloca-os nesta mesa.

terça-feira, outubro 01, 2013

O ÁRBITRO MOSTROU 5 CARTOLINAS OU MOSTROU 5 VEZES A CARTOLINA?

Tornou-se comum ouvir-se em narrações desportivas, sobretudo de jogos de futebol, os nossos narradores afirmarem que o árbitro mostrou 5 cartolinas amarelas e duas vermelhas.

 Na verdade, o árbitro tem no bolso apenas uma cartolina amarela e uma vermelha. Essas cartolinas é que podem ser exibidas tantas vezes for necessário.

Logo, o árbitro nunca mostra cinco cartolinas amarelas durante um mesmo jogo. O que ele faz é mostrar 5 vezes a cartolina. O objecto “cartolina” é apenas um.
Diga sempre:
O arbitro mostrou por duas vezes a cartolina amarela ao jogador nº 9 da equipa “Havemos de Vencer” por isso, Manuel foi “tomar banho” mais cedo.



 
 

terça-feira, setembro 17, 2013

UM POUCO DE HISTÓRIA: QUANDO COMEÇARAM AS ACÇÕES SUBVERSIVAS CONTRA PORTUGAL?

Fonte: Agostinho Neto e a Libertação de Angola, Vol. V, Pg. 66-67
A DGS (PIDE), num relatório sobre “Reconciliação MPLA/FNLA”, em Dez 1972, diz que o MPLA realizou acções terroristas em Luanda a 4Fev 61 e a UPA a 15Mar 61.
O relatório diz ainda que em Abr 61, o MPLA, UPA, ALIANZO e MLEC reuniram em Kinshasa para criar uma Frente Única que não se efectivou porque a UPA que gozava de grande influência nos países anti-colonialistas pretendeu a integração de outros movimentos. Antes, segue o relatório da PIDE, em Jan 60, no espírito da conferencia de Bandung (1955) e Accra (1958), o MPLA representado em Leopoldoville (Kinshasa) por Mário Pinto lemos de Andrade, propôs á UPA a criação de uma Frente Única participada pelos dois movimentos. Holdem Roberto rejeitou.
Em Mar 62, continuamos a citar  documento, UPA e PDA fundem-se em FNLA e criam em Abr 62 o GRAE (Governo Revolucionário de Angola no Exílio). Em Mai 62 Cleophas Kamitatu, ministro do interior da RDC (assim já se chamava o ex-Zaire) tentou uma unificação entre MPLA e FNLA recusada pela FNLA. Nova tentativa dá-se em JUn 62 por Kwame krumah, sem sucesso. Em Jan 63, uma comissão de bons ofícios da OUA reconheceu a FNLA como movimento representantivo da luta do povo angolano, sendo o MPLA considerado apenas um Movimento político por não possuir, à data, combatentes no interior. Desta data em diante, é à FNLA que passa a aniquilar os guerrilheiros do MPLA nos Dembos onde Ferraz Bomboko se mantinha fiel ao Movimento (op cit. 67).
Em Mai 63, a OUA reconhece o GRAE e este começa a perseguição ao MPLA na RDC. Em Jun 63, Viriat Cruz insatisfeito com a conferencia nacional do seu MPLA que dera a presidência a Agostinho Neto tenta um golpe para chegar à liderança. Fracassado o golpe, V.Cruz e partidários integram-se na FNLA como “MPLA ala V. Cruz”. Em Jul 63, Agostinho Neto expulsa do MPLA V.Cruz e seus apoiantes e cria, em Brazaville, a FDLA, integrada pelo MPLA, MNA, GWIZAKO e UNTA. Finalmente, a 13 Dez 72 é assinado um acordo de unificação dos esforços de guerra entre MPLA/FNLA (op cit. 77), criando o CSLA (Conselho Superior de Libertação de Angola, liderado por H.Roberto, e um órgão militar, CMU - Comando Militar Unificado, liderado por neto.
Se ler o livro que cito no topo em que estão todos os relatórios da DGS sobre os esforços e desinteligências entre os Movimentos de libertação de Angola, você saberá porque razão o CSLA não vincou.

quarta-feira, setembro 04, 2013

QUANDO ACONTECE A SEPARAÇÃO DA FUNÇÃO DO NOME?

O nome só fica entre vírgulas quando apenas uma pessoa pode ocupar o cargo mencionado:

 O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, foi a Espanha.

 O Primeiro-Ministro, José Sócrates, correu a maratona de Lisboa.

O Ministro da Economia, Abraão Gourgel, anunciou novas medidas económicas.

O deputado Abel Chivukuvuku (deputado é uma função plural).

 O vereador José Caetano.

 O juiz António Felício

 O médico João Alberto

 O advogado Francisco António

 O ex-Presidente Joaquim Chissano (ex-presidente podem ser vários)

 O ex-primeiro-ministro angolano França Van-Dúnem é deputado.

 
Luciano Canhanga com Rui Ramos (captado do fb).

quinta-feira, agosto 15, 2013

O PAPEL DA AUTORIDADE TRADICIONAL NO PERÍODO COLONIAL

Nos anos 50 e 60 do séc. XX, oficialmente já sem a escravatura, abolida no séc. XIX, quando Portugal decidiu investir nas rodovias para consolidar o domínio efectivo do território que lhe havia sido reconhecido/entregue pelas potencias, reunidas em conferencia em Berlim (Dez 1894-Jan 1895), o recurso ao trabalho sob a forma de contrato precário, onde as pessoas eram recrutadas pelo soba da aldeia, forçado a levar os seus aldeões jovens (homens e mulheres) ao posto administrativo, sob pena de apanhar palmatoadas e outros castigos corporais, foi o caminho encontrado pelo colonizador.
Antes, para que o soba tivesse mão de obra na aldeia, as aldeolas familiares foram aglutinadas à força, sendo nelas instalados alguns equipamentos sociais (atractivos) como capela católica, fontanário e cantina comercial, a primeira e última, excelentes elementos de penetração colonial e subjugação dos povos autóctones.
Depois de seis ou mais meses de trabalhos forçados e mal remunerados, eram descontados os vales ( fiados), o imposto indígena e o que restava chegava apenas para comprar um pano para a mulher ou a mãe ou um cobertor.
Como encaixar hoje o direito positivo e o consuetudinário (costume) exercido pelas autoridades tradicionais  na norma que (deve) rege(r) o país?
 

O soba, naquele tempo, servia apenas como mobilizador de mão de obra barata das aldeias, não lhe sendo reconhecido qualquer valor ou autoridade (paritária ou auxiliar) junto da administração colonial. Os ditos contratados, mal alimentados e sempre tratados como  objectos, nunca se podiam queixar do sol que lhes assava o dorso, tão pouco da chuva, da nudez ou do peixe e fuba podres que lhes eram dados como mantimentos ou mesmo reclamar dos mau tratos dos cacapatazes  e cipaios (agentes africanos ao serviço da administração colonial) e dos colonos brancos investidos de poder até para massacrar autóctones.
Assim se fez o desenvolvimento da colónia: trabalho forçado, não remunerado, suor e sangue.
 
 

quinta-feira, agosto 01, 2013

"EU SÓ HOMEM" OU "EU SOU HOMEM"?

- “Eu só uma pessoa muito amorosa”, disse-me certa vez uma jovem bem aparentada, quando teclava comigo no face book”.
- “A minha mulher disse-me que sou o seu preferido”.
- “Só te levo para a escola se me deres antes um beijo, disse o Manuel Katala-Hari que só tem um carro”.

: é sinónimo de apenas; unicamente.
Exemplo: Só escrevo estas coisas porque quero ajudar a miudagem

Sou: é forma conjugada do verbo ser, modo indicativo, tempo presente.
Exemplo: Eu sou um aprendiz de professor.

Logo, a primeira frase, “Eu uma pessoa muito amorosa”, está errada.

quarta-feira, julho 17, 2013

Seje/esteje/veje: está correcto?


O imperativo dos verbos Ser, estar e ver na (forma de tratamento “você”) 3ª pessoa do singular é: seja, esteja e veja.
Logo, é errado dizer/escrever “Seje/esteje/veje”.
- Veja bem, esteja atento a essas situações e seja um bom falante da língua portuguesa.

segunda-feira, julho 01, 2013

POR QUE É QUE OS JORNALISTAS NÃO DEVEM PUBLICAR QUALQUER FOTO?

Um jornalista escreve uma peça sobre demência e, para ilustrar a referida matéria, publica, sem meu consentimento, uma minha fotografia em que estou num hospital comum.
Sem tomar conhecimento de tal ocorrência, noto que na rua enquanto evitam contactar-me, outros, os mais audazes, me dão um abraço e me dizem para ter coragem nas consultas porque não se trata de uma doença insarável. Só mais tarde dou conta que a minha imagem foi associada a uma matéria sobre a quantidade de pessoas que recorre a consultas no Hospital Psiquiátrico.
- Devo ou não demandar O JORNALISTA E O JORNAL?
- Que passos a seguir para reclamar do direito ao bom nome, à i
magem e à reputação, que gozam de protecção assegurada legalmente?
Antes de apresentar o que dizem os jurisconsultos sobre a matéria, gostaria de agradecer ao jornalista Juvenis Paulo (também jurista)pelo parececer abaixo transcrito.
JP: Nos termos conjugados dos números 3 do artigo 40 da Constituição e alínea b) do n. 1 do artigo 7 da Lei de Imprensa, (in situ violados):
1) O lesado tem o direito de contactar a direcção do jornal para reclamar do direito de resposta ou de rectificação, à luz do n. 1 do artigo 64 da Lei de Imprensa. Accionando este direito, o jornal deve fazer uma errata assumindo publicamente o erro de ter publicado a foto, desculpando-se ao lesado.
2) O lesado tem ainda o direito de intentar uma acção judicial (cível) e apelar à indemnização por: - dano emergente: por prejuízo moral ou material, efectivo, concreto e provado, que a matéria o tenha causado (artigo 483, 562, 601 CC).
3- Parece-me não haver lugar à indemnização por lucro cessante, pelo facto de o lesado apenas alegar que se sente constrangido perante à reacção das pessoas na rua, e não por um eventual dano que consista na privação de um ganho (aumento) patrimonial esperado.
O que é afinal o direito à imagem?

É um dos direitos da personalidade dos quais todos os seres humanos gozam, facultando-lhes o controle do uso de sua imagem, seja a representação fiel de seus aspectos físicos (fotografia, retratos pintados, gravuras etc.), como o usufruto da representação de sua aparência individual e distinguível, concreta ou abstracta.

O direito à imagem, como atributo irrenunciável da personalidade, não se confunde com o do direito autoral do fotógrafo ou do criador intelectual da representação da imagem (concreta ou abstracta) de um indivíduo. Logo, o direito do criador da imagem diz respeito à autoria, já o direito do retratado encontra-se no uso de sua imagem, sendo dois direitos distintos, exercidos por pessoas distintas e com existência jurídica distinta.

O uso da imagem de um indivíduo pela media deve ocorrer quando:
 1.mediante pagamento e com consentimento tácito, sendo permitido a gratuidade com consentimento tácito
 2.mediante pagamento e com consentimento expresso, sendo permitido a gratuidade com consentimento expresso
 3.paga mediante consentimento condicionado à gratificação financeira

A primeira modalidade de uso (paga ou gratuita com consentimento tácito) ocorre quando a imagem é utilizada por veículos de informação (periódicos, emissoras de televisão, livros) e representa personalidades públicas ou notórias (e pessoas que estejam por sua livre vontade próxima a elas, quando o consentimento é presumido).

Olhando bem, podemos evitar as erratas e os morosos processos em tribunais que acabam, às vezes, por ser muito desgastantes. Basta estar atentos ao que publicamos.


sábado, junho 15, 2013

TESTEMUNHA OU TESTEMUNHO?


Testemunho é um substantivo masculino que pode ser: Testemunho (direito): depoimento; Testemunho (atletismo):  objecto que o corredor passa ao outro; Testemunho (cristianismo): depoimento, boa-nova, revelação.

Significa: 1. Depoimento de testemunha em juízo. 2. [Figurado] Fé; prova; sinal; indício; vestígio. 3. [Popular] Calúnia.

Testemunhar é um verbo transitivo: dar testemunho de. 2. Confirmar, atestar, afirmar; declarar ter visto, ouvido ou conhecido. 3. [Figurado] Manifestar, revelar. 4. Dar provas ou aparências de. 5. Ver, presenciar, verificar.

- Fui à igreja testemunhar as maravilhas que acontecem na minha vida.

Testemunha: Substantivo feminino: indivíduo que presenciou um determinado evento e pode relatá-lo.

- Vou chamar o Miguel que é testemunha da contenda.

Testemunha deriva do  latim “TESTIMONIUM” (TER, “três”), através da noção de esta seria uma terceira parte, em princípio desinteressada, em relação às outras duas.

sábado, junho 01, 2013

DESVIOS NA RADIO FAZEM RECLAMAR OMBUNDSMAN

Quem não tem conhecimentos sobre a ciência jornalística/radiofónica e que oiça a rádio que se faz hoje em Luanda pode vir a pensar que aquilo que se faz se constitui no auge do bom radialismo.

Programas interactivos com ouvintes, informação sobre o transito automóvel fornecida na hora pelos ouvintes, deficiente componente formação e ausência de informação rigorosa, fracas reportagens (quase todas eles de circunstância), e, às vezes, linguagem menos cordata para com os ouvintes…

Um radialista que se preze em ofender os seus ouvintes, tratando-os de acéfalos ou mentecaptos está, a meu ver, a agir em contra-mão.
Infelizmente, é isso o que a juventude ouve. São esses os elementos de referência para quem queira seguir radialismo.

Hoje, se se perguntar a uma criança que queira ser jornalista “tu queres ser como Maria Luisa, Rui Carvalho ou como o ´fulano da nova vaga´, com certeza que a resposta será: quero ser como o fulano da nova vaga.

Se por um lado as inovações na rádio são úteis e a tornam dinâmica, trazendo o ouvinte como actor do processo de radiodifusão, é também de mister utilidade urbanizar a linguagem, apostar na formação através da rádio e não deixar perder a vertente informação rigorosa, porque a rádio não é apenas entretenimento.

Também entendo que devia haver, no nosso caso, uma entidade ou instituição que velasse por corrigir os desvios, ainda que sob a forma de apelos: uma provedoria dos ouvintes, se calhar.

sábado, maio 25, 2013

CRIANÇAS A LER É MINHA ALEGRIA

Alegria maior não teria em dia de aniversário.
Primeiro as felicitações antecipadas dos meus amigos factuais e virtuais. Depois a materialização de um sonho que era oferecer livros a uma biblioteca infantil comunitária da Lunda Sul.
Escrevi  o livro "Manongo-Nongo" com a pretensão de angariar um patrocínio e oferecer toda a tiragem a bibliotecas infantis. Não obtive patrocínio mas custeei a produção de 1000 exemplares e metade foram vendidos, estando a outra metade em ofertas sucessivas.
 
Ontem, 24 de Maio, fiz a primeira oferta em média escala. Mais de cinquenta livros oferecidos à Biblioteca Infantil Comunitária que catoca (meu patrão do momento) inaugurou na aldeia de Caxita-Mwandonji, município de Saurimo. Foi o realizar de um sonho.
Quem me dera ter algo para ler na minha primeira infância!
 

quarta-feira, maio 15, 2013

O PRAZER DE FORMAR NOVOS JORNALISTAS

Depois de uma experiência que deu muitos frutos que foi o Clube de Jovens Amigos de Jornalismo afecto à Igreja Metodista Unida de Moisés, em Luanda, nos idos de 1999-202, voltei a transmitir os “parcos” conhecimentos que possuo a jovens candidatos a jornalistas.

Desta vez, 14-16 Mar.2013, a curta formação foi para jovens da Lunda Sul, a pedido da Comissão de Comunicação da Diocese de Saurimo que se prepara para a eventualidade de ter uma rádio diocesana. Dez jovens, na flor da idade, ávidos de conhecer o “A,B,C” do jornalismo radiofónico (radialismo), uma área em que trabalhei cerca de dez anos na LAC.
Depois de uma parte introdutória onde abordamos os conceitos de Jornalismo, radialismo, notícia, entrevista, Reportagem, etc., entramos para a parte teórico-prática.
_ Como se deve posicionar o repórter no momento da colecta de informação? - Perguntei.
O consenso foi que deve situar-se como uma câmara situada na última bancada de um estádio, numa posição que permita registar tudo o que se passa no campo e na bancada. Portanto, o repórter deve ver bem e ouvir bem. Depois disso deverá saber traduzir o que viu e ouviu bem, confrontar os dados (aplicar o senso crítico) e redigir com base no que considerar mais importante. A questão “O que é mais importante, entre o que vi e ouvi, que permite a hierarquização dos dados e/ou noticias, deve estar sempre presente no acto da redacção da notícia.
E os jovens foram ao campo para dez minutos, assistir ao intervalo dos alunos da missão masculina. O resultado não podia ser outro: BOM, para quem tem o primeiro contacto. Essa juventude pode ser boa, se não herdem os maus vícios da velha-guarda.

Os jovens em formação
As diferentes formas de iniciação do Lead (parágrafo cabeceiro da notícia), Etíca e Deotologia Profissional, Direitos e dveres dos Jornalistas, Incompaptibilidades, entre outros temas, seguidos de exercícios práticos, em forma de oficina, foram transmitidos aos entusiástas jovens. Espero que haja mais formação e que, à semelhança de Zenilda Volola, Júlia Vigário, Faustino Hossi, Manuel Kitari, Adão Tiago, entre outros que são nomes sonantes, hoje, do jornalismo que se faz em Angola, estes jovens de Saurimo, atinjam o "sol".

Ao fim de três dias, um sentimento de dever cumprido e uma sensação de que os jovens têm muito potencial e estão motivados a fazer um jornalismo sério e diferente do que temos vindo a conhecer.

Oxalá que esse primeiro contacto com as "noções teóricas e práticas elementares de jornalismo" não seja a única formação.
 

quarta-feira, maio 01, 2013

RESPONABILIDADE CIVIL POR TEXTOS NÃO ASSINADOS EM SITE

A quem recai a responsabilidade material e civil por um texto/artigo divulgado num site público ou institucional, em que a matéria (artigo), não assinada pelo autor, belisque o campo do alheio?
Essa questão colocada a um jurista sénior da nossa praça (Luanda) surge a propósito de muitos textos de opinião, cujo conteúdo se dirige a pessoas (singulares ou colectivas), aparecerem em sites institucionais sem que os seus autores sejam identificados. Veja o que nos diz o jurisconsulto Nguvulo Makatuca: "não havendo assinatura, a responsabilidade seria da publicação. No caso, do órgão que haja publicado a matéria. Caberia a este órgão fazer a prova de que a responsabilidade seja de terceiro. Daí o facto de os órgãos deverem sempre identificar o autor da matéria, mesmo nos casos em que este opte por agir sob anonimato”.
O jurista prossegue ainda que, neste caso, estaríamos perante uma responsabilidade objectiva (independente de culpa) devido os benefícios obtidos pelo órgão com a publicação da matéria. Caso o autor estivesse identificado, haveria responsabilidade solidária de ambos.
A parte lesada pode, segundo NM, demandar qualquer um deles (em regra a parte com melhores condições para reparar o dano), podendo esta, a demandada, exercer o direito de regresso sobre a outra parte, caso prove que o dano tenha sido causado por culpa exclusiva da outra parte. A responsabilidade do meio que publica um texto de opinião que lese interesses de terceiros legalmente salvaguardados fica sempre difícil excluir, a menos que o tenha feito com a menção expressa de que não assumia qualquer responsabilidade sobre o conteúdo dos textos assinados.
 
Caro colega (jornalista), ilustre gestor de Site/media, fica então o conselho e preste atenção ao que é publicado sem assinatura. À partida, todo o texto não assinado é da estrita responsabilidade do órgão que o veicula, sendo demandado, no caso, o director/responsável pela publicação.

domingo, abril 14, 2013

O QUE É "SOMONAR" NA CULTURA COKWE?

- kina ngu ku somona! (dança que eu te aplaudo [felicito] recompenso)!
Vejo pessoas a “somonar” na igreja, nos shows de músicos, nas pistas de dança, nas praças, etc.
“Somonar” (aportuguesamento do termo ku somona=aplaudir; agradecer; elogiar ou oferecer algo como recompensa em detrimento de;  felicitar, etc.) é um gesto que consiste no lançamento de flores; oferta de valores pecuniários ou outros objectos a quem esteja em palco, cantando ou dançando, ou que tenha ou esteja a fazer algo que agrade ao público.
 
Como reconhecimento do feito, os povos do leste/nordeste de Angola procedem à oferta/reconhecimento correspondente. Quando não se oferece um bem material, como tal, no mínimo a plateia faz gestos que simbolizam o jogar de oferendas ao palco ou ao recinto em que esteja o “artista”, como quem joga flores aos noivos.
A prática é generalizada, não se restringindo a locais específicos. Até na igreja, quando um coro ou alguém canta um hino que agrada, os fiéis se levantam para depositar ofertas no balaio da igreja ou as entregam pessoalmente ao(s) cantores/dançarinos. Outros gesticulam como se estivessem lançando flores. 
Sendo um facto intrínseco da cultura destes povos, o gesto  carece de uma descrição mais aturada, maior admiração, valorização e legação a novas gerações para a sua preservação e perpectuação.

Será que este texto pode ser "somonado"?

segunda-feira, abril 01, 2013

Poço comprar livros ou posso comprar livros?

 
Posso = forma do verbo poder, conjugado na primeira pessoa do tempo presente do modo indicativo.
- Eu posso escrever uma carta com correcção.
 
Poço = obra de captação de água subterrânea feita com o emprego de perfuratriz em um furo vertical; cavidade, cratera, buraco.
- O poço é da escola.

Será que posso retirar água daquele poço?

quarta-feira, março 13, 2013

A ARTE E A LIBERDADE DE INFORMAR EM ANGOLA

O mais recente relatório dos Repórteres Sem Fronteiras, publicado em Janeiro de 2013, aponta que, apesar de ter subido dois lugares no ranking mundial, Angola é ultima, em termos de liberdade de imprensa, entre os países que se expressam em português. Portugal passou do 33° lugar para o 28°, Angola do 132° lugar para o 130°. O Brasil passou do 99° lugar para o 108° e Cabo Verde foi da 9ª à 25ª posição, sendo, contudo, dos países Africanos melhor colocados no ranking da RSF.

Por outro lado, quem ouviu a 29 de Janeiro de 2013, o bastonário da ordem dos advogados de Portugal, Dr. Marinho Pinto, na cerimónia de abertura do ano judicial português, ao referir-se sobre “a má utilização” dos media públicos pelo governo para “fanatizar”a população. Quem tenha comparado a realidade portuguesa com a angolana, com certeza, terá levado as mãos à cabeça.



Marinho Pinto dizia, no seu eloquente discurso, que “o governo enche os media públicos mais com propaganda do que informação isenta e coerente, fazendo com que o povo se esqueça até da sua própria dor”… Que tal de Angola onde até os programas de entretenimento não mais servem senão para “embriagar, dopar e incitar a uma adesão cega e perigosa”?

E já agora, como anda a nossa liberdade de imprensa e serviço dos media públicos ao cidadão?

Aqui, e porque nos faltam conhecimentos sobre direitos e deveres dos cidadãos e dos agentes de informação massiva, a media pública e privada “bem relacionada com os poderes” até servem de canais para ostracizar aqueles que se mostrem desalinhados ou contrários a única forma imposta para ver e entender o país. Leis e tribunais existem mas quem é responsabilizado pelo abuso da liberdade de expressão ou por cercear a liberdade? Quem, entre o porco e o javali, julgará outrem?

E, que tal deixar um recado aos jovens jornalistas?
Aprendi, quando dos meus primeiros passos no jornalismo radiofónico, que a maneira “mais eficaz” de não “tremermos” na entrevista com altas personalidades, como ministros, presidentes e afins, é “sentir-se igual ou superior a ele. Olhando-o nos olhos e sem cometer erros de tratamento (tu em vez de você), colocar as questões”. Receita certa ou falsa, comigo funcionou.

Porém, é importante que o nosso grau de altivez e motivação em busca da verdade ou da informação, não se converta em petulância nem malvadez.
 
O jornalista não deve estar desinformado sobre o tema que aborda nem deve se fazer passar por “um sabe tudo”. O jornalista não faz perguntas quilométricas, nem demonstra desconhecimento do que aborda na entrevista. Não gagueja (sinal de fraqueza ou impreparação), nem dá palpites que possam balizar/condicionar a resposta do entrevistado/interlocutor. As perguntas devem ser abertas, para que se tenha a argumentação do interlocutor, ou fechadas, para que se obtenha a confirmação ou negação de assuntos concretos.
 
Exemplo de P.A: - O que acha da entrada em funcionamento da segunda linha de produção da fábrica de tijolos?
 
Exemplo de P.F: - O Sr. Teve participação neste negócio?

Por outra, é também mister assinalar que muitas vezes os jornalistas principiantes são traídos pelo afã da cacha.

Entre uma peça jornalística bem elaborada, onde todos os intervenientes/interessados são ouvidos, e uma cacha, onde se omitam informações, onde se matem ou condenem inocentes em praça pública (media)a primeira opção deve ser o caminho.

Futuros jornalistas em formação em Saurimo

A teoria jornalística tem como principio elementar a confrontação de dados e de fontes. O jornalista não é juiz, logo não julga nem pode presumir conclusões. Deve, antes de mais, é aclarar situações, descrever passos e elementos para que o destinatário da sua peça jornalistica tire ilações com base nos elementos fornecidos.
Para que o jornalista não induza, com seus juizos de valor, o destinatário da matéria, serve-se muitas vezes de leituras de especialistas para esclarecer questões que aclarem a notícia.
Lembre-se que “até transitar em julgado, todo o indiciado goza do direito de presunção de inocência”. Desde que o jornalista se aprume e saiba diferenciar o género noticiosos do opinativo, não misturando factos com ideias próprias, será possível termos em Angola e emq ualquer parte do mundo, um jornalismo cada vez mais sério e responsável.
 


 
 

sábado, março 02, 2013

- Quando é que se usam os termos “na ocasião” e “por ocasião”?

 
Resposta
- Ambos termos usam-se mas depende da situação comunicacional.
  
Vejamos os exemplos:
 
- O Ministro da Educação procedeu a abertura do ano lectivo. Na ocasião (no momento), o governante instou os pais e encarregados de educação a levarem os filhos à escola.
 
- Por ocasião (em virtude de) da feira de livros que se segui à abertura do ano lectivo, a direcção da cultura lançou um veemente apelo aos criadores no sentido de melhorarem os seus conhecimentos linguísticos e escreverem obras com qualidade.

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

Como ou “Cumo”?

DÚVIDAS COLOCADAS POR AMIGOS
 
DIZ-SE "como" ou Cumo?

Como": pronome interrogativo quando sucedido de ponto de interrogação; pronome relativo. Pronuncia-se “cômo” ou seja, a letra "O" pronuncia-se fechada.
- André, como (cômo) foi que saíste de casa?
- Como (cômo) o Mário é o mais velho, ele dita as regras de casa.
"Como": forma conjugada do verbo comer. Pronuncia-se “cómo”, ou seja, a letra "0" pronuncia-se aberta.
- Eu como funge com carne de cabrito, como fazia a minha avó.
Logo, “cumo”: enquanto palavra não existe nem na classe de palavras variáveis nem nas invariáveis.

 
"Concordo contigo" ou "estou de acordo com aquilo que falaste"?
"Concordar" é um verbo sinónimo de aceitar.
"Acordo" é forma conjugada do verbo acordar; sinónimo de chegar a entendimento; estar em sintonia.
"Acordo"é ainda uns substantivo (nome) que indica entendimento, concordata, etc.
- O "acordo" de Bicesse (entendimento entre MPLA/Governo e UNITA sobre a paz em Angola) foi concluído em Maio de 1990.
- A vida que a Joana leva não se recomenda. Logo que "acorda" começa a beber.
“Concordo": é forma conjugada do verbo concordar, sinónimo de aceitar.
Concorda-se com algo. Logo, seria "concordo com aquilo que falaste" e não "... daquilo que falaste"
A frase “estou de acordo com aquilo que falaste” também está correcta porque nesta acepção "estar de acordo" se torna sinónimo de "concordo".
QUANDO É QUE DEVO USAR AS EXPRESSÕES "A PRINCÍPIO" E "EM PRINCÍPIO"?
A princípio” (separando a da palavra princípio) está certo.
- A princípio nós pretendemos realizar a companha ainda esta semana.-"Em princípio" de Janeiro estará tudo pronto (o mesmo que no começo de).

sábado, fevereiro 09, 2013

UM OLHAR SOBRE O MOVIMENTO LITERÁRIO NA LUNDA SUL

Uma cronologia* elaborada por Tomás Lima Coelho e Manuel Seca Ruivo, que lista os escritores angolanos desde o surgimento do primeiro livro escrito por um angolano (José Maia Ferreira), em 1847, até ao presente, ilustra que entre os cerca de 600 escritores angolanos apenas 04 são da Lunda Sul a saber: Bula Mbungue, Fonseca Sousa, Valter Hugo Mãe e Victor Kajibanga. É Obvio que o estudo ainda recebe contribuições para se seja o máximo realista, mas é um indicador que nos deve preocupar.
Enquanto capital do distrito, no tempo colonial e capital de província de 1975 a esta parte, Saurimo teve sempre um ensino liceal e não faltou a diáspora académica ao longo dos tempos. Porém, apesar destes condimentos que são a formação intelectual e a criatividade que propiciam a existência da literatura, o número de escritores da província é 04 e se juntarmos os escritores das duas Lundas teremos apenas um total de apenas 9 escritores. São ainda muito poucos os que mostram a cara através da escrita criativa ou académico-cientifica.
Só para se ter uma ideia, o Huambo tem 51 escritores listados; Benguela tem 47; Malanje, aqui ao lado, tem 32. O Kwanza-Sul tem 18; Cabinda tem 07; Moxico tem 09 e apenas Kwando-Kubango e Kunene têm cada 02.
Daí que julgo ser necessário pensar-se numa solução. É preciso incentivar os jovens a criar e registar em papel aquilo que criam. Mas, antes, temos de incutir nas crianças e jovens o hábito da leitura, do debate, da reflexão e do uso correcto da língua em que trabalhem: seja a língua herdada do colono (português) ou as nossas línguas de origem bantu. Julgo ser este o caminho para que possamos fazer crescer o número de escritores na província e no país.
É ingente que os jovens os mais velhos escrevam e publiquem as suas experiências e memórias, merecedoras de serem legadas às novas gerações. É urgente que os nossos professores “reinventem” o saber científico, o registem e publiquem.
É preciso também que as instituições públicas e os empresários locais apoiem aqueles que já escrevem para que possam publicar e servir de mola impulsionadora dum movimento literário ao nível da província.
Não havendo quem escreve, porque não habituamos as crianças a ler e a praticar a escrita, temos de fazer uma analogia com o futebol: É possível aspirar a primeira divisão nacional sem jogadores em quantidade e qualidade na praça local?
Se calhar, a solução seja criar uma espécie de “núcleos de leitura, debate e escrita” que nos darão talentos que nos permitam, no futuro, ombrear com os grandes que também tiveram de gizar políticas de formação, formal ou informal, ostentando hoje a fama e a tradição que têm. Benguela é um exemplo no campo literário para não falar de Luanda.
Buscando o exemplo de Benguela, há dois anos que o governo daquela província instituiu o Prémio Provincial de Cultura e Artes, uma versão local do Prémio Nacional. Os vencedores de cada uma das sete categorias recebem Kz 700 mil. Sabendo que o artista que se empenhe com qualidade pode ganhar no principio do ano esse dinheiro, quem é que não escreve? Quem é que não pinta, quem é que não esculpe, quem é que não cria moda, quem é que não investiga sobre a nossa tradição e costumes do nosso povo? Quem é que não canta e quem é que não dança?
Entendo que não basta que existam as instituições artísticas sem o essencial que são os artistas porque já é sabido que sem panela não se faz o funje.
Sem leitores nunca teremos escritores.
* Autores de Angola: Naturalidade e bibliografia (ebook), no prelo.