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sexta-feira, outubro 16, 2009

A CAÇA AO INSÓLITO E SUAS CONSEQUÊNCIAS


O CASO
Uma fonte anónima liga para a estação televisiva anunciando um facto insólito. As imagens têm o poder de persuasão e um isólito, uma cacha, aumenta a audiência em tempo de concorrência mediática. Está-se na expectativa de se anunciar uma cacha no "prime time".

É importante chegar primeiro, mas também ser o primeiro a divulgar para que aos demais se torne apenas informação.

_“Para nós será matéria de primeira-mão”, terá pensado alguém naquela casa.

O repórter sai munido de equipamentos de reportagem. Dirige-se ao local indicado pela chamada anónima e encontra o cenário montado ou “parido”.

Encontra uma senhora que afirma ter dado fim a uma gravidez de 18 meses depois de ter frequentado vários hospitais (não os nomeou) que sempre lhe atestaram resultado negativo da gravidez, mesmo com o crescer, dias sim, dias não, da barriga. O obreiro do insólito é um homem que se proclama como um “grande curandeiro”, também ele surpreendido pelo resultado inaudível.

Ao lado de ambos, um cágado nadava numa bacia e foi apresentado como recém-nascido da “parturiente” que, entre alegria, espanto e também tristeza, atribuia alguma culpava ao curandeiro.

Narração da Sra: “meteu-me sentada na bacia e senti algo a tocar-me o ânus. Quando levantei notei que havia este cágado na bacia e a barriga esvaziou-se”.

Narração do Sr: “nunca vi isso na minha vida apesar de já ter tratado muita gente. É feitiço”.

Comportamento da televisão/ repórter: filmou o cágado na bacia, recolheu os depoimentos do Sr. e da Sra. e divulgou a estória, "nua e crua" (como se de verdade auténtica se tratasse).

E eu me pergunto:
1- terá, de facto, a Sra. parido a um cágado?
2- como foi tal possível?
3- terão o repórter e os editores se colocado estas questões?
4- por que razão não foi postergada a publicação da reportagem, dando lugar a recolha de outros elementos de prova material e científica?
5- e como ficamos, ”nós”, que acreditamos completamente naquilo que a Tv nos mostra?
6- terá a Tv cumprido cabalmente com o seu papel, enquanto órgão público de informação?
7- não terá a Tv sido traída por um factor qualquer?
8- qual?
a) imperícia do repórter?
b) desatenção dos editores?
c) gosto e tentação pela cacha e pelo insólito?
9- ou devemos ter o facto narrado pela Tv como verídico?

Para muitos, não é o meu caso, a senhora  pariu a um cágado e foi anunciado pala Tv em que muita confiança se debita.

Luciano Canhanga

quinta-feira, outubro 01, 2009

A ANTROPONÍMIA DOS AMBUNDU DO KWANZA-SUL

ESTUDO CONTÍNUO
A antroponímia é o estudo dos nomes proprios referentes a pessoas. Quando nos referimos a lugares estaremos perante a toponímia.

Os ambundu do Kwanza-Sul são detentores de uma antroponíma extensa e rica de significados, pois os nomes de novos seres sociais nunca são atribuidos ao acaso. Normalmente referenem-se ao momento, circunstâncias de nascimento ou outro evento relevante na vida do casal, da família ou da comunidade.

Entre os ambundu do Kwanza-Sul, (ocupam a região norte e centro da província) quando um nome não é silogístico (novo) pertence a alguém da família ou da comunidade a quem se designa por chará (cognome).

KAKULU= O primeiro dos gémios
KABASA= O segundo dos gémios
Kaxinda= que segue aos gémeos
Kalunga= relativo à morte, o inesperado
Kitumba= relativo ao feitiço
SABALU= Que nasceu num Sábado
Katumbila=
Kilombo=
Kikola= Sagrado, perigoso
Kamuenda=
Nzongo=
Kilulu= fantasma
Kitongo=
Lukamba= Relativo ao gato bravo
Kavindi=
Ebo= Nascido de uma gravidez acima dos nove meses de gestação
Kiteta= dorminhoco (relativo a quem dormia muito no periodo da gestação)
Kambondondo= curto, de baixa estatura
Kimbi= morto, nascido depois de um nado morto ou depois da morte de irmãos mais velhos
Kitoma= picador, o vacinador...
Kisongo=
Kaphuku= o mesmo que ratinho, muito magro
Kaiela= relativo a diala=homem,
Maluvu= relativo ao vinho de palma
Kapengo= o mesmo que ratinho de casa, feito
Mungongo=
Kajila= passarinho, voador, espevitado, lesto
Kikumbu=
Kakonda=
Nzumba=
Lemba=
Umba=
Kaphonde= relativo ao bagre, de cabeça desproporcional ao corpo
Kifunde=
Maluvu= relativo ao vinho de palma (maluvo)
Kioko=
Kapoko= relarivo à faca; phoko=faca
Vundi= relativo ao juramento, ou a um pedido especial
Kisanga=
Kihuhu=
Kasola=
Phande= que vem a seguir de...
Nzamba= Elefante, também gémeo
Kindala= relativo à cobra. Ndala espécie de cobra perigosa que abunda a região
Kibenda/Kipenda=
Kabiabia= andorinha
Kixibo= cacimbo/época seca
Kikele=
Henda= benevolente, saudoso, bom-doso/dade
Kambondondo= curto, baixo
Kamuenda=
Hongolo=
Kaxikiri=
Kinguenha=
Lemba=
Kabezo/kapezo=
Muthumbua=
Kime=
Kasola=
Kakiezu= vassourinha, magro
Kiole= apodrecido, tardio
Ngunza/Ñunza=
Kalola=
Kalulu= pequeno fantasma
Kambota=
Kabota=
Kindundango=
Sumbanguia= comprador de agulhas
Muhongo=
Kasaba=
Ndumbo= infiel
Katumbo=
Kamalenge= fabricador de argolas?
Pangila=
Kiteke= desenhador
Kupenda/Kubenda=
Kibenda/Kipenda=
Umba=
Kathuku=
Kaiela=
Mbondondo=
Manda=
Munzombe=
Kafanda=
Malebu= fama, afamado
Kioza=
Njilá=
Kajobiri=
Tembu=
Nzumba=
Mulunji
Katibiá= foguinho
Kimone=
Funji=
Nzundo= marreta, pesado
Sumbula=
Katimba= reguila,
Thandela=
Lombe= local santo onde se sepultam os reis
Mundombe=
Ngonga= Prato santo para adivinho
Nhañe=
Ndonga=
Muriangu= comelão, que come muito
Murianga=
Kixibá=
Ngaio=
Kaxikiri=
Kimbila= relativo à sepultura
Kixindo=
Kikaxa=
Kizoko=
Ndulú= amargo; fel
Ximinha=
Kambundu=
Musunga=

Luciano Canhanga tb conhecido por Kajila (passarinho) ou Phande a Umba (o que veio depois de Umba)

quarta-feira, setembro 16, 2009

NO JORNALISMO ANGOLANO: É PRECISO SEPARAR O TRIGO DO JOIO

Desde 2006 que despi a camisola de jornalista, mas como formado e profissional da área não posso assistir ao “ladrar dos cães e ao passar da caravana”. E é refugiado nesta pele de comentador de factos que assisto, participando do debate de ideias.

Há muito tempo temos vindo a ser brindados pela media com a intragável arte de transformar navios em bragres. Acontece na imaginação. A propaganda o tenta, mas as consciências sempre despertam. A minha abordagem de hoje tem a ver com o que assisto na classe jornalística. Quando o debate é sobre “se devem ou não ser considerados jornalistas apenas aqueles que têm graduação e equivalência em ciências da comunicação”, dia após dia vimos fabricados outros jornaleiros vindo de outras “artes”.

O jornalismo áudio-visual em Angola é aos olhos do povo a profissão mais fácil de se exercer. Pensa-se que não se estuda, não se aprende, nem se faz carreira. Todos os dias há transformação, à escala industrial, de novos homens e mulheres de microfone na mão. Qualquer músico, actor de teatro, taxista, animador de eventos ou mesmo “roboteiro” aparece perante as câmaras televisivas ou em qualquer programa radiofónico a intitular-se de jornalista e todos, passivamente, acenamos a cabeça, aprovando-o no silêncio. É triste que assim aconteça.

O caso mais recente e ainda em voga tem a ver com um animador de festas que surge na televisão pública num programa que incita a rixas entre grupos de kú duro. O outro é um “adolescente" do Bié que a máquina propagandística da Orion quer que o tratemos como jornalista, forçando-o a pseudo-reportagens que são despejadas a bruto pela televisão pública. É que o jovem nem sequer consegue (nas suas pseudo-reportagens) pronunciar nomes como Deolinda Rodrigues e já "é jornalista”!

Se o tempo que trazemos às costas é carregado de muita tarimba, mas com debilidades em termos de formação que, felizmente, muitos decanos vão anulando com formações específicas e treinamentos, disseminar outros pára-quedistas seria o mesmo que matar o jornalismo angolano.
Que país teremos com profissionais da media que não sabem sequer escrever uma frase com sujeito e predicado ou pronunciar correctamente palavra e meia?

É mister que, sobretudo, a nossa televisão diferencie os seus programas comerciais ou propagandísticos dos noticiosos/informativos, fazendo com que o conteúdo e apresentadores destas atordoadas se apartem do compromisso noticioso, deixando assim de nos confundirem a todos.

Também é míster que o governo regulamente a lei de imprensa, há mais de dois anos aprovada pelo parlamento, e que se criem outros mecanismos reguladores da classe, como uma ordem ou uma comissão para a atribuição e cassação da carteirade profissional.
Julgo que para se ser jornalista não basta abrir a boca nem exibir dotes e poses corporais. É preciso sim, cérebro, escola e muito trabalho, daí que,

É preciso separar o trigo do joio no nosso jornalismo e deve ser para já!
Luciano Canhanga

sábado, setembro 05, 2009

ACERTOS FULCRAIS NA ASSESSORIA DE IMPRENSA

Há no jornalismo erros capitais como faltar à verdade ou não compulsar dados, manipular, entre outros* . Na assessoria de imprensa há "acertos capitais", dos quais falarei sobre 4, radicando a minha pequena análise num facto concreto.

A.C. é oficial superior da polícia angolana com cargo de direcção. Chamado à TPA para uma entrevista, A.C. apareceu fardado com galões e, enquanto formado em direito, não defraudou, recorrendo diversas vezes à lei e seus articulados para argumentar determinadas medidas e procedimentos da polícia. Até aqui tudo bem.

Notei, porém, que sendo a entrevistadora uma jurista, há muito na profissão e A.C. também um jurista mas há pouco tempo formado, houve uma "temeridade" por parte deste em relação à entrevistadora a quem trataou por diversas vezes por Dra. Nada de errado, mas fez transparecer alguma "subordinação moral" como que de um ex-aluno se tratasse.

Notei também em A.C. que embora usasse um discurso vertical e nada titubiente nas respostas, o que é próprio de um comandante, serviu-se vezes sem conta dos papéis, ou pelo menos desviou o olhar das câmaras, fixando-o no acervo de que era portador.

Para este exemplo concreto, e como a permissão que o meu kota me daria para a análise situacional, sou a enumerar alguns "acertos fulcrais".

1- O Jornalista não "é Dr." (entrevistado ainda que o saiba deve evitar essa referência).

2-O entrevistado (Dr.) não leva livros à entrevista, nem olha para papéis na hora da resposta.

3-O entrevistado (que é o Dr.) solta-se no discurso, olha para a câmara que personifica os telespectadores e "ignora" o entrevistador (não olha para ele).

4- O entrevistado veste-se segundo as circunstâncias da entrevista, o facto motivador da mesma ou a posição que ocupa no ofício.

*-. Heródoto BARBEIRO (www.fae.br/Noticias/n426.html) enumera sete erros capitais do jornalismo que a seu ver se resumem em: 1-invasão da privacidade, 2-manipulação da notícia, 3-assassinato do personagem (denúncia e condenação antes de apurar os fatos), 4-abuso de poder (jornalismo não é o quarto poder na constituição), 5- envenenamento da mente (tentativa de manipular, de fazer a cabeça das pessoas, de alinhá-las a esta ou aquela doutrina), 6-culto de falsas imagens (visando o sensacionalismo) e 7- colaboração para uma sociedade que explora o sexo.


Luciano Canhanga

segunda-feira, agosto 10, 2009

NASCE OUSADIA NO JORNAL DE ANGOLA

Habituado a ler títulos no diária nacional de orientação oficial que sempre nos convidaram a guardar o jornal ou saltar para a página dos anúncios, leio hoje, e com satisfação, na página online uma entrada curiosa: Japoneses no Ministério da Saúde*.

Dentro de mim perguntei-me: Será que o governo optou agora por contratar especialistas japoneses para a nossa saúde? Uma curiosidade que, com certeza, quis matar, e como?


Folheando a página correspondente ao que lí na chamada de capa:
“O ministro da Saúde, José Van-Dúnem, recebeu, em Luanda, a delegação japonesa chefiada pelo embaixador encarregado do Sector da Saúde para África e o conselheiro do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão, Yasuhiro Yamamoto, com quem trocou impressões sobre os desafios na área médica em Angola.
Yamamoto é a figura mais importante na área de medicina de emergência no Japão.
Durante a audiência, o embaixador Yamamoto referiu que o Japão considera a área da Saúde como um dos pilares mais importantes na sua cooperação com Angola, por ser o -factor fundamental para a vida do povo-“.


Realmente, uma feliz ousadia e que só perde por tardia no nosso único diário. O apelo é para que: sem sensacionalismo os títulos despertem curiosidade para a compra do Jornal de Angola que nada custa aos seus fazedores, já que o custeamos todos nó (contribuintes).
Se assim for, em todas as matérias, e se todos os jornalistas intitularem com mestria, sem pintar em demasia, mas sem serem bastante redundantes, o Jornal de Angola só terá a sua cotação em alta, podendo ombrear, quem sabe, com os semanários que há muito aprenderam a lição, que até é da kabunga.

E na primeira página, como destaque do jornal, intitulava-se:


AGENDA ATÉ 2012
“Governo aprova projectos de grande impacto social”

Até aqui nada de anormal. A frustração do leitor só acontece quando lido o lead não encontra nem a designação/localização dos projectos, nem a benfeitoria dos mesmos.
Por dentro:
“O Conselho de Ministros aprovou, ontem, a carteira de projectos de grande impacto econômico e social, a desenvolver até 2012. A carteira de projectos tem o custo estimado de 1,2 mil milhões de dólares**, a serem financiados através da linha de crédito do banco de Desenvolvimento da China, investimento provado e outras linhas de crédito disponíveis. Um comunicado emitido no final da reunião refere que a carteira de projectos foi aprovado considerando o -potencial dos recursos naturais e a competitividade do sector, tendo em vista uma maior geração de emprego e renda-" >POLÍTICA/3

O que terá faltado ao articulista para não dar os elementos essenciais neste lead. Guardou a designação dos "importantíssimos projectos" na página interior onde geralmente poucos vão? E o título não é redundante? Ou é bastante assertivo para um jornal que queira endereçar o convite ao leitor?

*Texto de Fonseca Bengui, edição de Quinta, 16 de Julho 2009 Jornal de Angola.
** Por que não uma estimativa em Kuanzas, a nossa moeda?



Luciano Canhanga

sábado, agosto 01, 2009

JORNALISMO EM ANGOLA: COM OU SEM DIPLOMA?

Para mim é um debate oportuno e incentivo a sua extensão a todos os níveis da esfera pública, daí que tomo a liberdade (peço perdão aos colegas cujas ideias reproduzo sem anuência) de aqui expor o pouco do muito que ainda há por se dizer.

I
Cai exigência do diploma de jornalismo no Brasil
Por: Sérgio Matsuura e Izabela Vasconcelos
O diploma para o exercício da profissão de jornalista já não é mais uma obrigatoriedade no Brasil. Por oito votos a um, o Supremo Tribunal Federal considerou incompatível com a Constituição a exigência da graduação em jornalismo para o exercício da profissão, em votação do Recurso Extraordinário 511961, nesta quarta-feira (17/06). Os ministros Gilmar Mendes, Carmen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Carlos Britto, Cezar Peluso, Ellen Gracie e Celso de Mello votaram contra a exigência. Apenas Marco Aurélio Mello votou a favor da obrigatoriedade do diploma.No início da sessão plenária, as teses se dividiram entre a posição defendida pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo e o Ministério Público Federal (MPF), contra a obrigatoriedade do diploma, e a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), com o apoio da Advocacia Geral da União, sustentando a exigência.
Gilmar Mendes, relator do recurso, defendeu a autorregulação da imprensa. “São os próprios meios de comunicação que devem definir os seus controles”, afirmou.
Mesmo sem a exigência de diploma, os cursos de jornalismo devem continuar existindo, argumentou Mendes. “É inegável que a frequência a um curso superior pode dar uma formação sólida para o exercício cotidiano do jornalismo. Isso afasta a hipótese de que os cursos de jornalismo serão desnecessários”, avaliou.

II
Por: Luísa Rogério
Saudações a todos.
Devo confessar que essa notícia foi um balde de água fria para mim. O SJA subscreve a obrigatoriedade do diploma (alargado a outras áreas de formação) na nova proposta do Estatuto do Jornalista.
A nossa principal referência era o Brasil, uma vez que Portugal também derrogou essa exigência legal. Essa questão suscita alguma controvérsia no seio da própria classe, mas acho que sairemos todos a ganhar. Estaremos melhor preparados e os futuros jornalistas abraçarão a profissão com uma bagagem que muitos de nós, os produtos da tarimba, levaram longos anos a acumular.
A questionada postura ética e deontógica da media angolana durante o periodo eleitoral, mas não apenas nesse caso, constitui apenas um exemplo da necessidade de se elevar a fasquia em termos de formação.
Apesar de a lei não ter efeitos retroactivos, há ainda a vantagem de a obrigatoriedade do canudo incentivar muita gente a voltar para os bancos da escola, vencendo o receio de expor-se ao ridículo diante de colegas mais jovens, muitas vezes subordinados. Ressalvando as excepções que confirmam a regra, convém ao patronato ter a possibilidade de recrutar, ao menor custo, novos jornalistas. Já imaginaram que redacções teremos quando todos os jornalistas tiverem um canudo e puderem, a nível das redacções, sustentar e defender teses que contrariam práticas que atentam contra as chamadas regras de ouro? Evidentemente, não tenho a ilusão de que o diploma resolva todas as falhas nossas. Até porque, em países como o Brasil, discute-se diariamente a postura da media. E a discussão já é um começo. O meu receio, repito, é que se evoque o exemplo recente do Brasil para se chumbar o projecto de Estatuto.
Coloco a questão sem qualquer pretesão porque não ostento nenhum diploma universitário e digo isso sem problemas. Em síntese, além de fazer a apologia do diploma, socorro-me desta ladaínha para sensibilizar os colegas a participarem num encontro que o SJA promoverá brevemente para discutir-mos, uma vez mais, o ante-projecto de ESTATUTO DOS JORNALISTAS.

III
Por: Ismael Mateus
Quero felicitar o SJA por promover este debate. Oxalá eu possa participar.
É preciso ver a questao do Brasil com tranquilidade. Se agora foi alterado é porque antes havia essa condição. Como sabe quem acompanhou, a luta foi renhida e muitas vozes criticaram e criticam a alteraçao. O principal argumento é o mercado e o desemprego. Ao nivel da discussão etica estavamos exactamente como o Brasil estava há 30 anos quando isso foi imposto. Graças a isso a qualidade melhor, a respeitabilidade também e não há nenhuma crise de identidade da classe jornalista (o que é o nosso caso - vejam-se as discussoes sobre quem é jornalista ou os auto-proclamados jornalistas).

Em Portugal nãio há formalmente ujma obrigatoriedade de contrataçao de jornalistas com diploma. O que se passa é que é quase impensavel aparecer quem nao tenha. O proprio mercado assim o exige. Na hora de confrontar os cvs, a experiencia de trabalho ou o perfil tecnico do candidato, quem nao tem formaçao superior sai a perder.
Nos anos 90, houve uma ampla superaçao de profissionais com anos de trabalho no Cenjor e a maior parte deles foi elevada a equiparados a tecnicos superiores.
Portanto vamos ao debate, tranquilo, sereno e tendo em conta que o nosso caminho é aquele que decidirmos.
E parabéns novamente ao SJA

IV
Por: Luciano Canhanga
Prezados,
Felicito-os a todos por esta abordagem oportuna e anadiável para o ordenamento da nossa classe.
Óbvio que todos os argumentos de razão, quer dos prós, quer dos contra uma obrigatoriedade do género na nossa praça, já foram aqui esmiuçados.Quero apenas chamar-vos para que olhem para a nossa formação básica e média. Pensem na carga de conhecimentos que tínheis e na carga que têm agora aqueles que completam a oitava ou décima segunda classes e reflitamos todos se vale a pena fazer jornalismo com gente que nem o seu próprio nome sabe escrever em condições. Falo, não apenas como jornalista mas, como um pedagogo (sou tb. formado em Ciências da Educação pelo ISCED).

Portugal e Brasil antes de declararem a derrogação da obrigatoriedade do ensino superior (não se obriga que seja em ciências da comunicação) tiveram de arrumar a casa, profissiinalizando a classe. E nós? Se calhar valerá irmos discutindo o assunto em cada fórum possivel. Um braço a todos e boa reflexão.
V
Por:Elias André
Caros,
É bom e saudável falarmos de nós. Trata-se de uma questão que deve ser objecto de uma séria reflexão de todos os profissionais de comunicação social. O nosso passado recente não nos possibilitou termos Jornalistas formados. Talvez se tenha pensado que para se ser jornalista não é necessário ter formação superior. Aliás, diga-se que até aqui a profissão é exercida por pessoas sem essa formação superior, mas que têm garantido o jornalismo que o nosso mercado apresenta. Mas importa também destacar que esses "velhos" herdaram uma boa "escola" de jornalismo. Hoje, o cenário é totalmente diferente. Os colegas saidos do ensino médio, talvez por debilidades do próprio ensino sabemos que nível apresentam. A formação superior poderá não ser o factor determinante para o exercício de um óptimo jornalismo, mas, dá outra visão da profissão. Eu próprio sempre pensei que a minha formação média era suficiente, mas depois da Licenciatura conclui que é importante e melhor para o jornalista ter formação superior. Francamente, formação média para Jornalismo já não é nível aceitável hoje.

Não temos condições de exigir essa formação nesta fase porque a agressividade do mercado não permite, mas é bom e aconselhável discutir-se esta questão.Há aspectos científicos da profissão que a "Tarimba" não ensina. Discussões científicas sobre o Jornalismo em Congressos Internacionais por exemplo devem ser feitas por profissionais com formação superior porque a "Tarimba" é muito limitativa. Se alguém criou a Universidade de Comunicação Social ou Jornalismo foi por alguma razão. O desenvolvimento da própria tecnologia na comunicação social, designadamente à Televisão requer outros conhecimentos.Não vamos certamente chegar a nenhuma concliusão já, mas é bom irmos pensando nesta questão. Todas as profissões têm Ordens ou Associações e nós estamos reduzidos ao Sindicato. Algum órgão tem de regular o exercício do jornalismo em Angola. "Mentimos Mais Alto Quando Mentimos Para Nós Mesmos".

Deixe, aqui, você também o seu comentário
L.C.

sábado, julho 18, 2009

O NÚMERO, O GÉNERO E O GRAU DOS SUBSTANTIVOS NA LÍNGUA DOS KIBALA

Tal qual na língua portuguesa que nos serve de elemento comparativo nestes ensaios experimentais, na língua dos Kibala/Lubolo, os substantivos ou nomes, também flectem quanto ao género, número e grau.

1-A formação do plural dos substantivos é regido do prefixo ma ou m'.
Muthu; mathu (pessoa;pessoas)
Zundú; mazundú (sapo; sapos)
Luiji; maluiji (rio; rios)
Lieso; meso (olho; olhos)
Temo; matemo (enxada; enxadas)

2- Excepções
Mulu; iulu (monte; montes)
Ombua; lombua (cão; cães)
Ndandi; landandi (pedra;pedras)
Mbiji; lambiji (peixe; peixes)
Mbinza; lambinza (camisa; camisas)
Hombo; lahombo (cabra; cabras)
Ngulu; langulu (porco; porcos)
Inzo; lonzo(casa; casas)
Ongo; longo (onça; onças)
Ohandangala; uhandangala (hiena;hienas)
Muñambo; añambo (mulher; mulheres)
Mundata; andata (homem; homens)

Grau dos substantivos
1-Forma-se o grau diminutivo com o prefixo ka.
Muñambo; kañambo (mulher; mulherzinha)
Luiji; kaluiji (rio; riacho)
Excepções com o prefixo o
Ndandi; ondandi (pedra, pedrinha
Luiji; oluiji (rio, riacho)
etc.
3-Forma-se o grau aumentativo com o prefixo ki.
Muezo; kimuezo (barba barbicha/juba)
Kañambo; muñambo; kiñambo (mulherzinha; mulher mulherona)
Kaphonde, phonde. Kiphonde (bagre, bragrito, bagrão)

O gênero dos substantivos
Forma-se acrescentando o equivalente à palavra fêmea (kota) ou macho (ndumbe) ao substantivo.
Hombo i kota; hombo i ndumbe (cabra, bode)
Ombua i kota; ombua i ndumbe (cadela; cão)

Excepções:
Sanji; kolombolo (galinha; galo)
Mundata; muñambo (homem; mulher) = diala; muhatu (homem; mulher em Kimbundu ambakista)

Obs: Sinta-se à vontade em contribuir.
Luciano Canhanga

quarta-feira, julho 01, 2009

A PLURIMATERNIDADE ENTRE OS AMBUNDU DO K-SUL

A maternidade, a qualidade de dar vida a vidas ainda inexistentes, é para os ambundu do K-sul uma questão vital. Aliás, assim o é noutras paragens.

Partindo de estudos (silenciosos) que tenho vindo a fazer sobre a língua dos Kibala e seus parentes (do Lubolo, Ebo, Waco-Kungo, Cela, Gabela, Quilenda entre outros kamundongos), notei que quando se refere à condição de mãe, esta é sempre feita no plural, ou seja: a mulher é sempre tida como mãe de filhos e não de um filho único.
mbati iami= meu cágado; mbueti iami= meu cacete; mbinda iami= minha cabaça; hopo iami= meu copo; mungaj'ami=minha mulher, etc.

Note-se, entretanto, que a expressão mama iami que seria o equivalente à minha mãe não existe. O que há no lexico é: mam'êtu (nossa mãe).
Note outros exemplos do uso do pronome possessivo.
mbinza ia=tua camisa; mungaj'a=tua mulher; phela ia/munume'â= teu marido; uku ua= teu sogro/a, etc. Inexiste a expressão mama ia (tua mãe) e usa-se mam'i (vossa mãe).

Se calhar esta simples constatação sirva também para explicar a elevada taxa de fecundidade das mulheres ambundu que normalmente varia entre os sete a oito partos por cada mulher (tida como normal). Porém importa também ressaltar a elevada taxa de mortalidade infantil o que faz com que embora haja muita natalidade o crescimento populacional seja diminuto. A isso se junta ainda a baixa esperança de vida que anda à volta dos 35/40 anos.

Doenças causadas por um saneamento básico inexistente (latrinas), carência de medicamentos e técnicos de saúde, elevadas mortes maternas, entre outras pragas, fazem com que "os campos santos cresçam ao mesmo nível dos campos agrícolas".

E como a mãe é sagrada, os ambundu do Kuanza-Sul também cantam: Mam'etu nanji kinema, mamê, mama; mukonda muene wa tu vala, mamê, mama!(A nossa mãe ainda que seja mutilada é nossa mãe, porque foi ela quem nos gerou)!

NB: Mais do que reproduzir, duplicar ou triplicar é uma questão cultural, tal como afirma o Pe. Toninho Nunes, no seu blog http://www.pime.org.br/, "na sociedade africana a criança é verdadeiramente a glória da mãe. A mulher será bem estimada pelo seu marido e seus familiares pelo número de filhos que ela colocar no mundo..."

E se quisermos ir à fonte, Kahinza canta: Ki Uakiti ndexa; mona uopeka xoio (se nasceu deixa; filho único é mesmo que nada!)

Luciano Canhanga

domingo, junho 21, 2009

POR QUE NÃO DESENVOLVER AS LÍNGUAS NACIONAÍS?

A língua é o principal elemento identitário. É, por si só, o meio de afirmação cultural de um povo e elemento diferenciador deste mesmo povo com outros povos ou comunidades.

Sendo Angola um Estado multi-cultural, no qual se ergue uma Nação política, é de levada importância o conhecimento, a divulgação e desenvolvimento das distintas línguas e dialectos existentes, o que permitirá compreender, do ponto de vista científico e filosófico, a composição dos aglomerados populacionais do país, suas relações de dependência e interdependência e a utilidade comunicacional das línguas locais para o desenvolvimento histórico-cultural, económico e político de uma nova sociedade angolana.

As línguas locais são igualmente o meio que nos permite distinguir os parentescos e os distanciamentos entre os povos que há muito habitam o que é hoje o território angolano. Por isso, tendo em conta o desenvolvimento globalizante, a ausência de estudos, promoção, divulgação e ensino das línguas locais angolanas às mais novas gerações pode lavar ao seu esquecimento e consequente desaparecimento, o que a acontecer significaria o aniquilamento de culturas, jamais recuperáveis na sua integridade.

Note-se também que é insignificante ou quase nula a bibliografia em línguas locais angolanas, excepção seja feita ao kimbundu, umbundu e kuanhama (Namíbia).

Por outro lado, a existência de comunidades onde a comunicação é feita predominantemente em línguas locais, faz com que determinadas mensagens difundidas noutras línguas não surtam o efeito imediato desejado e não crie a motivação para a acção que teriam se a comunicação fosse feita na língua com que se identificam.

Campanhas sobre prevenção contra doenças e outros perigos, ética e civismo, comportamento eleitoral, preservação ambiental entre outras devem também ser feitas em línguas locais para que alcancem os efeitos desejados.

Logo, a par da língua portuguesa que é o símbolo de identidade angolana e pilar basilar para a construção da Nação, asa línguas locais (também chamadas de nacionais) e seus sub-grupos ou dialectos devem ser objecto de investigação, divulgação e ensino, de modo a perpetuá-las e ocuparem o seu lugar no desenvolvimento socio-económico, político e cultural de Angola.

Devemos entender que “um povo sem cultura não é um povo” e uma cultura funda-se num veículo de transmissão de ideias, sentimentos, crenças, ritos e atitudes, ou seja, uma língua.

E como dita a minha tradição “kaiete lia sapo caioto”, eis aqui a minha contribuição.

Ngoia: Kaiete lia sapo Kaioto.
Tradução literal para português: uma conversa sem provérbio não anima.
Sentido pedagógico:
uma exposição sem exemplos não convence. Ou seja, toda exposição tem de ser seguida de exemplos. Não basta dizer, é preciso demonstrar.

Na foto: Luciano Delfim Canhanga
Por: Luciano Canhanga /Fev. 2005

sábado, junho 06, 2009

A CARGA PEDAGÓGICA NOS PROVÉRBIOS AMBUNDU

A zona sobre qual me debruço é a que vai do Libolo a Kibala, abrangendo Kilenda, Ebo, Gabela, Mussende e partes do Uaco-Kungo, Kassongue entre outros espaços da Província do Kuanza-Sul.

Trata-se de uma zona de transição etno-linguística entre os ovimbundu e os ambundu. Por isso, a língua contém elementos de duas outras línguas, com maior ou menor acentuação ou prodominância, à medida que se vai aproximando ou distanciando dos pólos (ambundu e ovimbundu).

No período da existência do reino do Ndongo, o Libolo, a Kibala, Ebo, Kilenda, Gabela e até parte do Uaco Kungo integravam este reino, razão pela qual, ainda hoje, quando perguntamos às pessoas destas áreas que língua falam, muitos respondem que falam Kimbundu. Porém, há as que dizem falar Kibala ou Ngoya, conforme um estudo publicado nesta pa'gina.
Sobre a origem dos povos Kibala, demonstrou-o, e muito bem, o Reverendo Vinte e Cinco no seu livro “Os Kibalas”. Também o Dr. Moisés Malumbu no seu livro “Os Ovimbundos do Planalto Central de Angola” faz excelentes apreciações sobre os povos vizinhos dos ovimbundu e das relações de interdependência entre eles.
Malumbu diz mesmo que os actuais povos Mbalundu e Ndulo (Bailundo e Andulo), dos quais nascem os povos planálticos dos nossos dias, são descendentes dos Kibala a quem os ovmbundu tratam por Va-kua-nano (os de cima/norte).
Porém, não basta esta relação de pertença para se dizer, como muitos o fazem, que que os povos que habitam o Kuanza-Sul são "bailundus ou kimbundus" por extensão. Têm uma língua e características próprias. Costumes que fazem uma cultura e língua próprias e que devem ser estudas. Têm também os seus provérbios com grande carga pedagógica.

No que toca a outras particularidades da Cultura e História, é só ver que nenhum outro povo, dos que habitam Angola, construiu necrópoles (sepulturas em pedras) senão os ancestrais dos Kibalas e seus vizinhos.

O que partilho convosco é que independentemente dos kibalas falarem uma língua parecida com o kimbundu ou umbundu, esta língua tem um nome. Tratemo-la por Kibala ou Ngoya (termo depreciativo mas muito divulgado), ela deve ser divulgada de modo a legá-la a novas gerações. Para que tal aconteça é preciso que seja investigada, divulgada e ensinada.

Tenhamos como exemplo a própria língua portuguesa que falamos, herdada do colono. É uma língua que deriva do latim, tal como o espanhol, o italiano, o francês, o romeno, entre outras e recebe empréstimos do inglês e línguas africanas.

-O português é ou não uma língua própria?-Tem ou não um nome?-É ou não estudado, desenvolvido, divulgado e transmitido a novos falantes?Este exemplo chama-nos atenção para o que devemos fazer para a valorização da nossa língua.

Não quero, aqui e hoje, definir que nome atribuir à nossa língua. Pesquisei um pouco e encontrei várias divergências entre os autores. Mas que temos que investigar, isso temos.

Em seguida quero mostrar-vos o que tenho feito para demonstrar a carga pedagógica dos provérbios da nossa língua.

Sentido pedagógico dos provérbios

Permitam-me que vos fale, ANTES, um pouco da Grécia antiga, tida como “a terra do franco falar” pela liberdade existente na altura dos grandes filósofos como Sócrates cuja escola forjou o grande Platão (Atenas) e a Academia, Aristipo (Cirene) e os Cirenaicos, Diógenes e os Cínicos, Euclides (Megara) e os Megáricos, entre outros.

Hoje, mais de 25 séculos passados, O "grande mestre" tem sido ainda opção preferida de muitos educadores que lembram o hábil inquiridor que finge tudo ignorar para tudo demolir, e investir, a seguir, despido dos julgamentos precipitados, na construção do saber, legitimado pela participação do interlocutor. É a refutação e a maiêutica. Assim é também a escola AMBUNDU nos seus fundamentos didácticos.

Vejamos os casos seguintes:

1.-Úlielela kufula, kuimba ndungue úputu. (confiar é falhar, aconselhar é carência de actividade).

Depois de uma introspecção, o jovem deve concluir que: é preciso ter sempre um plano alternativo e não confiar demasiadamente numa única via.

Em educação, as teorias vão e vêm, as experiências se sucedem, mas, por vezes, algumas ideias permanecem e algumas experiências resistem, ainda que de forma parcial, a novas práticas.

Vejamos agora:
_Uateleka sanji li uilo ué. Literalmente para português quer dizer que: quem cozinha uma galinha também tem vontade de comer carne.

Sentido pedagógico: Um convite para se estar à vontade não deve significar libertinagem.

Em que contexto se aplica? Lá na Kibala quando se abate uma galinha para uma visita ela deve ser servida completa. Os anfitriões comem o que restar da mesa. O convidado deve porém saber que pelo facto de lhe ter sido servido o frango completo não significa que os anfitriões não gostem de carne de galinha.

Os provérbios em ngoya reflectem também um ensino virado para a experiência.

Quantos apressados terão sido arrastados pela corrente de um rio sazonal por imprudência?Aqui a nossa sabedoria dita através de mais um provérbio:

-O luiji ki luezuka lupixile. (se o rio estiver cheio deixe-o passar).

O ensinamento é que: se alguém estiver furioso deixe-o descarregar toda a sua fúria e aborde-o depois para chamá-lo à razão. Pelo contrário não haverá entendimento. Ou ainda, se se deparar com um conflito deixe primeiro amainar os ânimos. Não seja apressado.


Bibliografia
-Baptista Mondin: Introdução a Filosofia
-Gabriel Vinte e Cinco: Os kibalas
-Gilda Naécia de Barros: Sócrates -Raízes Gnosiológicas do Problema do Ensino- Conferência na Fac. Educação da Universidade de São Paulo.
-Moisés Malumbu: Os ovimbundos do planalto central de Angola, 2005.

Texto tb. publicado em: www.canhanga.blogspot.com

Luciano Canhanga