
Partindo de estudos (silenciosos) que tenho vindo a fazer sobre a língua dos Kibala e seus parentes (do Lubolo, Ebo, Waco-Kungo, Cela, Gabela, Quilenda entre outros kamundongos), notei que quando se refere à condição de mãe, esta é sempre feita no plural, ou seja: a mulher é sempre tida como mãe de filhos e não de um filho único.
Note-se, entretanto, que a expressão mama iami que seria o equivalente à minha mãe não existe. O que há no lexico é: mam'êtu (nossa mãe).
Note outros exemplos do uso do pronome possessivo.
mbinza ia=tua camisa; mungaj'a=tua mulher; phela ia/munume'â= teu marido; uku ua= teu sogro/a, etc. Inexiste a expressão mama ia (tua mãe) e usa-se mam'i (vossa mãe).
Se calhar esta simples constatação sirva também para explicar a elevada taxa de fecundidade das mulheres ambundu que normalmente varia entre os sete a oito partos por cada mulher (tida como normal). Porém importa também ressaltar a elevada taxa de mortalidade infantil o que faz com que embora haja muita natalidade o crescimento populacional seja diminuto. A isso se junta ainda a baixa esperança de vida que anda à volta dos 35/40 anos.
E como a mãe é sagrada, os ambundu do Kuanza-Sul também cantam: Mam'etu nanji kinema, mamê, mama; mukonda muene wa tu vala, mamê, mama!(A nossa mãe ainda que seja mutilada é nossa mãe, porque foi ela quem nos gerou)!
NB: Mais do que reproduzir, duplicar ou triplicar é uma questão cultural, tal como afirma o Pe. Toninho Nunes, no seu blog http://www.pime.org.br/, "na sociedade africana a criança é verdadeiramente a glória da mãe. A mulher será bem estimada pelo seu marido e seus familiares pelo número de filhos que ela colocar no mundo..."
E se quisermos ir à fonte, Kahinza canta: Ki Uakiti ndexa; mona uopeka xoio (se nasceu deixa; filho único é mesmo que nada!)
Luciano Canhanga
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