Sendo Angola um Estado multi-cultural, no qual se ergue uma Nação política, é de levada importância o conhecimento, a divulgação e desenvolvimento das distintas línguas e dialectos existentes, o que permitirá compreender, do ponto de vista científico e filosófico, a composição dos aglomerados populacionais do país, suas relações de dependência e interdependência e a utilidade comunicacional das línguas locais para o desenvolvimento histórico-cultural, económico e político de uma nova sociedade angolana.
As línguas locais são igualmente o meio que nos permite distinguir os parentescos e os distanciamentos entre os povos que há muito habitam o que é hoje o território angolano. Por isso, tendo em conta o desenvolvimento globalizante, a ausência de estudos, promoção, divulgação e ensino das línguas locais angolanas às mais novas gerações pode lavar ao seu esquecimento e consequente desaparecimento, o que a acontecer significaria o aniquilamento de culturas, jamais recuperáveis na sua integridade.
Note-se também que é insignificante ou quase nula a bibliografia em línguas locais angolanas, excepção seja feita ao kimbundu, umbundu e kuanhama (Namíbia).
Por outro lado, a existência de comunidades onde a comunicação é feita predominantemente em línguas locais, faz com que determinadas mensagens difundidas noutras línguas não surtam o efeito imediato desejado e não crie a motivação para a acção que teriam se a comunicação fosse feita na língua com que se identificam.
Campanhas sobre prevenção contra doenças e outros perigos, ética e civismo, comportamento eleitoral, preservação ambiental entre outras devem também ser feitas em línguas locais para que alcancem os efeitos desejados.
Logo, a par da língua portuguesa que é o símbolo de identidade angolana e pilar basilar para a construção da Nação, asa línguas locais (também chamadas de nacionais) e seus sub-grupos ou dialectos devem ser objecto de investigação, divulgação e ensino, de modo a perpetuá-las e ocuparem o seu lugar no desenvolvimento socio-económico, político e cultural de Angola.
Devemos entender que “um povo sem cultura não é um povo” e uma cultura funda-se num veículo de transmissão de ideias, sentimentos, crenças, ritos e atitudes, ou seja, uma língua.
E como dita a minha tradição “kaiete lia sapo caioto”, eis aqui a minha contribuição.
Ngoia: Kaiete lia sapo Kaioto.
Tradução literal para português: uma conversa sem provérbio não anima.
Sentido pedagógico: uma exposição sem exemplos não convence. Ou seja, toda exposição tem de ser seguida de exemplos. Não basta dizer, é preciso demonstrar.
Na foto: Luciano Delfim Canhanga
Por: Luciano Canhanga /Fev. 2005
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