Número total de visualizações de páginas

quinta-feira, agosto 13, 2026

"Entrevistas com a História: A História da Indústria do Petróleo em Angola (1974-1978) - Contributos

Apresentação do Livro 

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

A Editora Mayamba e o autor José Rodrigues apresentam-nos a obra "Entrevistas com a História: A História da Indústria do Petróleo em Angola (1974-1978) - Contributos", um livro de 266 páginas que constitui um importante contributo para a preservação da memória histórica do sector petrolífero angolano.

Ao folhear esta obra, encontramos uma estrutura organizada em dois grandes cadernos. O primeiro integra os elementos pré-textuais, como a dedicatória, os agradecimentos e a apresentação, seguindo-se uma secção composta por dezasseis entrevistas, antecedidas por citações seleccionadas dos respectivos entrevistados.

O segundo caderno reúne um vasto conjunto documental, incluindo relatórios, actas, ofícios, exposições, pareceres e outros documentos de relevante interesse histórico.

Tal como o título sugere, o livro resulta de uma feliz conjugação entre entrevistas jornalísticas e documentação histórica. O conteúdo das entrevistas e os documentos que sustentam muitos dos factos narrados permitem delimitar, em termos cronológicos, um período que se estende essencialmente de 1975 a 1985.

Poderá alguém questionar: por que razão considerar o período até 1985 quando o título destaca os anos de 1974 a 1978?

A resposta encontra-se na própria narrativa construída pelo autor. Um dos entrevistados, embora tenha beneficiado de uma bolsa de estudos em 1979, apenas iniciou a sua actividade profissional em 1985. Assim, para uma compreensão mais ampla da formação dos quadros e da consolidação institucional da indústria petrolífera nacional, parece legítimo considerar esse horizonte temporal mais alargado.

Estamos, portanto, perante uma obra que recolhe fragmentos da história oral, preservando-os através da palavra escrita. José Rodrigues desempenha aqui um papel fundamental. O jornalista surge como uma ponte entre gerações: de um lado, os jovens sedentos de conhecimento; do outro, homens e mulheres que viveram momentos decisivos da construção da indústria petrolífera angolana.

Muitos dos entrevistados eram extremamente jovens nos anos de 1975 e 1976. Tinham pouca ou nenhuma experiência numa actividade altamente especializada. Contudo, perante as exigências do momento histórico, tiveram de "pegar o touro pelos cornos", aprender fazendo e crescer profissionalmente à medida que o país se afirmava. Com o passar do tempo, tornaram-se alguns dos maiores depositários de conhecimento e experiência sobre o sector petrolífero nacional.

Ao longo das entrevistas e dos documentos reunidos, alguns nomes surgem de forma recorrente. O autor teve o cuidado de organizar os testemunhos segundo as responsabilidades desempenhadas pelos seus protagonistas.

Destaco, desde logo, Lopo do Nascimento, então Primeiro-Ministro da República Popular de Angola, a quem coube exarar o diploma que transferiu para a esfera do Estado angolano a empresa portuguesa ANGOL, conduzindo à criação da SONANGOL.

Encontramos igualmente Percy Freudenthal, coordenador da Comissão Nacional de Reestruturação da Indústria Petrolífera e primeiro Director-Geral da SONANGOL.

Surge também Desidério Costa, frequentemente referido como o homem do partido ou o político entre aqueles que desempenhavam funções eminentemente técnicas numa indústria extremamente sensível, que exigia equilíbrio, tacto e visão estratégica.

Ao longo da leitura, deparamo-nos com episódios particularmente interessantes. Um deles demonstra como a indústria petrolífera angolana soube construir pontes mesmo em contextos geopolíticos extremamente complexos. No auge da Guerra Fria e num período de elevada tensão entre os Estados Unidos da América e Cuba, instalações de uma empresa petrolífera norte-americana em Angola chegaram a ser protegidas por militares cubanos. Eis um exemplo eloquente da singularidade da nossa história petrolífera.

Além destes protagonistas, a obra preserva os testemunhos e os contributos de figuras como Hermínio Escórcio, Carlos Viegas de Abreu, José Jaime Freitas, Arnaldo Lago de Carvalho, Joaquim David, Albina Assis Africano, José Maria Botelho de Vasconcelos, Abílio Sianga, Sebastião Martins, Paulino Jerónimo e Filomena Costa Rosa, entre outros.

Há ainda uma personalidade internacional cujo nome é referido com particular reverência pelos entrevistados: o Presidente Murtala Ramat Muhammed, antigo Chefe de Estado da Nigéria, cuja liderança e apoio à retomada das operações em Angola por parte da petrolífera americana Chevron foi crucial.

Peço a todos os presentes uma salva de palmas em reconhecimento a todos quantos facilitaram a produção deste livro, assim como ao Presidente Murtala Muhammed, que empresta o seu nome a uma das mais conhecidas avenidas da cidade de Luanda.

(Pausa para aplausos e projecção da imagem do Presidente Murtala Muhammed.)

Como disse anteriormente, José Rodrigues, na qualidade de jornalista, entrevistador e guardião de documentos históricos, desempenha o papel de uma verdadeira ponte entre gerações.

(Projectar imagem de uma ponte.)

Uma ponte que aproxima os jovens da história; uma ponte que liga a curiosidade ao conhecimento; uma ponte que permite que a experiência dos mais velhos continue a iluminar o caminho daqueles que hoje assumem responsabilidades na construção do futuro.

Quanto a mim, foi uma enorme honra receber o convite daquele que considero um dos meus mestres no jornalismo radiofónico e ter a oportunidade de percorrer as páginas desta obra, rica em testemunhos, documentos e lições para as gerações presentes e futuras.

Com estas breves palavras, deixo-vos o convite para mergulharem na leitura deste importante trabalho de memória e de cidadania, que ajuda a compreender não apenas a história da indústria petrolífera angolana, mas também a história dos homens e mulheres que a construíram.

 

Muito obrigado.

Sem comentários: