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domingo, maio 31, 2026

JUVENTUDE, OCUPAÇÃO SOCIAL E COMBATE À OCIOSIDADE

A juventude é entendida, em termos científicos, como uma fase de transição entre a infância e a idade adulta, marcada por transformações biológicas, psicológicas e sociais. Segundo Mannheim (1928), cada geração constrói a sua identidade em função das condições históricas e sociais que enfrenta. A estratificação etária, conforme Parsons (1951), organiza os indivíduos em grupos de idade, atribuindo papéis e expectativas sociais distintos.

Neste contexto, a juventude constitui uma etapa crítica do desenvolvimento humano, em que se definem valores, projectos de vida e inserção social. É também uma fase marcada pela força física, ousadia e energia criativa, que podem ser canalizadas para a construção de uma sociedade mais dinâmica e inovadora.

Em Angola, tanto no período colonial como na contemporaneidade, a questão da ociosidade juvenil tem sido um desafio. Se outrora o regime colonial impunha mecanismos de enquadramento forçado, hoje o problema manifesta‑se na forma de desocupação, marginalidade e tendência para o crime. A reflexão sobre este tema exige uma abordagem científica que articule história, sociologia e políticas públicas.

Segundo Erikson (1968), a juventude é marcada pela busca de identidade e pelo risco de difusão de papéis sociais. A ausência de ocupação produtiva pode gerar sentimentos de vazio e predispor ao desvio social. 

No tempo colonial, o combate à ociosidade era feito por meio de enquadramento compulsório em organizações como a Mocidade Portuguesa, ou através do trabalho forçado em fazendas e obras públicas (estradas e pontes), práticas que visavam disciplinar e controlar os jovens.

Durkheim (1897) já alertava que a falta de integração social aumenta a propensão ao comportamento desviante. 

No contexto actual, milhares de jovens angolanos encontram‑se desocupados, sem acesso a emprego ou educação de qualidade, o que os torna vulneráveis ao crime e ao ócio improdutivo.

Bourdieu (1979) acrescenta que o capital cultural e social são determinantes para a inserção dos jovens na sociedade. A ausência de políticas que promovam esse capital contribui para a reprodução da marginalidade. Assim, é necessário pensar em alternativas que não sejam repressivas, mas inclusivas e emancipadoras.

A juventude, pela sua força e ousadia, pode ser protagonista de mudanças sociais significativas. Como afirma Sen (1999), o desenvolvimento humano passa pela expansão das capacidades. É precisamente essa energia juvenil que deve ser canalizada para projectos produtivos e criativos.

Entre as soluções possíveis destacam‑se:

1.Formação técnica e profissional: cursos práticos que transformem jovens em agentes produtivos e inovadores.

2. Programas culturais e desportivos: ocupam o tempo livre, fortalecem valores comunitários e canalizam a força e ousadia para actividades positivas.

3. Empreendedorismo juvenil: apoiado por microcrédito e incubadoras, gera autonomia económica e sentido de pertença.

4. Serviço comunitário voluntário: promove cidadania e responsabilidade social, criando vínculos positivos entre jovens e comunidade.

À guisa de conclusão, o combate à ociosidade juvenil, outrora imposto de forma autoritária no período colonial, deve hoje ser pensado como um processo democrático e inclusivo. A juventude precisa de oportunidades que ampliem as suas capacidades e fortaleçam a sua integração social.Como afirma Sen (1999), o verdadeiro desenvolvimento é aquele que expande liberdades. Portanto, enfrentar a desocupação juvenil em Angola exige políticas públicas que combinem educação, cultura, desporto e empreendedorismo, transformando o tempo livre em tempo produtivo. Mais do que isso, é necessário reconhecer que a força e ousadia da juventude são recursos estratégicos para o futuro do país, devendo ser orientados para a inovação, a solidariedade e a construção de uma sociedade mais justa e próspera.

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