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quinta-feira, janeiro 01, 2026

INFANTÁRIO DA AVÓ KYOKO: LIÇÕES DE VIDA E AFECTO

A “avó Mariana”, também conhecida por Kyoko Ky’Eteta, foi prima-irmã da minha mãe. De tanta simpatia e longevidade, tornou-se matriarca da aldeia de Mbango Yo’Teka, assumindo espontaneamente o cuidado das crianças menores cujas mães, por razões diversas, não podiam levá-las às lavras. A sua casa transformou-se num verdadeiro infantário comunitário e ela passou a dedicar-se exclusivamente à infância, isenta das tarefas de busca de lenha, água ou alimentos — bens que lhe eram providenciados pelas mamãs da aldeia em gesto de gratidão.

O funcionamento do infantário era simples e solidário: cada mãe deixava com a avó Kyoko uma pequena panela com funji e conduto, ou ainda jinguba, batata assada, banana e outros alimentos. 

À hora do almoço, a avó reunia as crianças e distribuía os manjares deixados, enquanto as mães trabalhavam despreocupadas, regressando alegres pelos cuidados recebidos pelos seus petizes.

Mas a avó Kyoko não se limitava a alimentar. Ela ensinava: cantavam juntas, ouviam estórias e fábulas e realizavam pequenos trabalhos adaptados à idade — juntar pratos, lavá-los, acender a fogueira, trançar o cabelo, entre outras actividades de pequena monta.

À noite, tornava-se professora das pubertárias, que se reuniam na sua “Kandumba” para receberem lições sobre a vida afectiva, prevenção de gravidez precoce e convivência conjugal. Essas adolescentes, por sua vez, garantiam o sustento da casa: lenha, água e iguarias e ingredientes para a confecção da "wala" [garupa].

A casa da avó Kyoko era também o ponto de encontros e reencontros  entre as jovens e os galanteadores da aldeia e outros vindos de aldeias distantes em busca de um amor — recomendado ou tentando a sorte. 

Esse ambiente, embora simples, era permeado por códigos de respeito e encantamento, onde os olhares se cruzavam sob o olhar atento da matriarca, que sabia distinguir entre o afecto genuíno e a frivolidade passageira.

A casa da avó Kyoko tinha tudo de um pouco para se viver. E tudo acontecia com naturalidade, espontaneidade e afecto. Hoje, faltam casas assim — nas cidades e até nas aldeias. A solidariedade esfumou-se e com ela a busca por amparo e conhecimento. 

É possível resgatar essas práticas? 

Talvez sim. Mas as comunidades precisam de conhecer o passado e reconhecer a eficácia dos bons costumes que o egoísmo, as crendices e o oportunismo estão a matar.

sexta-feira, dezembro 26, 2025

IA, DADOS PESSOAIS E O PONTO DE EQUILÍBRIO

A Inteligência Artificial tornou‑se inevitável na produção e gestão de conteúdos informativos. A sua capacidade de processar grandes volumes de dados, gerar textos em segundos e apoiar a tomada de decisão coloca‑a como ferramenta estratégica em qualquer instituição. Ignorar o seu uso seria abdicar de competitividade e eficiência.  

Todavia, o uso reiterado da IA expõe riscos: a dependência excessiva pode levar à divulgação inadvertida de informação sensível, sobretudo quando prompts ou outputs não são devidamente filtrados.  


A protecção de dados na legislação angolana

Angola dispõe da Lei n.º 22/11, de 17 de Junho, sobre a Protecção de Dados Pessoais, que estabelece princípios fundamentais:  

- Transparência: o titular deve ser informado sobre o tratamento dos seus dados.  

- Licitude e proporcionalidade: os dados só podem ser recolhidos e tratados de forma legal e na medida necessária.  

- Finalidade: os dados devem ser usados apenas para o propósito declarado.  

- Veracidade e conservação limitada: garantir exactidão e evitar retenção indefinida.  

A lei criou ainda a Agência de Protecção de Dados (APD), responsável por fiscalizar e regular o cumprimento das normas.  


O que NÃO deve ser inserido num prompt

Ao elaborar prompts para Inteligência Artificial (IA) é essencial evitar inserir dados sensíveis ou não confirmados publicamente, sob pena de expor informação estratégica ou comprometer a credibilidade institucional. Exemplos:  

- Dados pessoais: nomes completos, números de telefone, moradas, documentos de identificação.  

- Informação financeira confidencial: salários, contratos, valores de transações não divulgados.  

- Agenda de altas entidades: datas e locais de deslocações oficiais não anunciadas publicamente.  

- Decisões internas em curso: projetos ainda em análise, deliberações não aprovadas, negociações em andamento.  

- Conteúdos estratégicos: planos de segurança, relatórios reservados, informações militares ou empresariais sigilosas.  


Reflexão sobre o exemplo da agenda presidencial

Se o comunicador sabe que o Presidente da República vai proceder a uma inauguração dentro de duas semanas, mas a assessoria de imprensa ainda não informou publicamente, esse dado não deve ser inserido no prompt.  

- Razão: a agenda presidencial é dinâmica e pode ser alterada; antecipar informação não oficial pode gerar desinformação ou quebra de protocolo.  

- Boa prática: só utilizar dados já confirmados e divulgados oficialmente. Caso contrário, o prompt deve ser construído em termos genéricos, sem comprometer a confidencialidade.  

 Exemplo seguro: “Elabore um texto sobre a importância das inaugurações presidenciais para o desenvolvimento nacional” (sem mencionar data ou local não divulgados).  


O ponto de equilíbrio

O equilíbrio entre a incontornabilidade da IA e a protecção de dados reside em três pilares:  

- Uso consciente: prompts devem ser redigidos com rigor, evitando inserir dados sensíveis ou não confirmados.  

- Curadoria humana: cabe ao comunicador institucional filtrar, adaptar e validar os conteúdos produzidos pela IA.  

- Conformidade legal: qualquer utilização de dados deve respeitar os princípios da Lei 22/11, garantindo que a inovação não compromete direitos fundamentais.  


Conclusão

A Inteligência Artificial é incontornável e continuará a moldar a comunicação institucional. Porém, o seu uso deve ser acompanhado de prudência e respeito pela Lei de Protecção de Dados Pessoais, sob pena de transformar eficiência em vulnerabilidade.  

O ponto de equilíbrio reside na integração harmoniosa entre máquina e humano: a IA fornece velocidade e escala, enquanto o comunicador garante legitimidade, ética e segurança. Assim, a mensagem institucional não apenas informa, mas preserva a confiança pública e protege os direitos individuais.  

Por: Luciano Canhanga (Soberano Kanyanga)

sábado, dezembro 20, 2025

MINI‑MANUAL PARA CONSTRUÇÃO DE PROMPTS

Princípios fundamentais

- Clareza: o prompt deve ser directo, sem ambiguidades.  

- Objectivo: indicar sempre a finalidade (nota oficial, notícia, resumo, dramatização).  

- Contexto: incluir público‑alvo, tom desejado e enquadramento institucional.  

- Estrutura: organizar em tópicos ou instruções sequenciais.  

- Exemplificação: fornecer modelos ou exemplos ajuda a Inteligência Artificial a alinhar‑se ao estilo pretendido.

  

Elementos a incluir

- Tema central: assunto ou evento a tratar.  

- Formato: nota oficial, notícia, carta, discurso, etc.  

- Tom: formal, jornalístico, educativo, dramatizado.  

- Dados confirmados: datas, locais, nomes e factos já divulgados publicamente.  

- Estilo: adjectivação moderada, linguagem clara e objectiva.  


Elementos a evitar 

- Dados pessoais: números de telefone, moradas, documentos de identificação.  

- Informação financeira confidencial: salários, contratos, valores não divulgados.  

- Agenda de altas entidades não publicada: datas e locais de deslocações oficiais ainda não confirmadas pela assessoria.  

- Decisões internas em curso: projectos em análise, negociações reservadas.  

- Planos estratégicos sensíveis: segurança, relatórios militares ou empresariaes sigilosos.  


Exemplo prático:  

Se o comunicador sabe que o Presidente da República vai inaugurar uma obra dentro de duas semanas, mas a assessoria ainda não divulgou oficialmente, esse dado não deve ser inserido no prompt.  

- Risco: a agenda pode ser alterada e a divulgação antecipada compromete protocolo e credibilidade.  

- Alternativa segura: “Elabore um texto sobre a importância das inaugurações presidenciais para o desenvolvimento nacional” (sem mencionar data ou local não confirmados).  


Boas práticas

- Usar linguagem neutra: evitar juízos de valor ou adjectivos excessivos.  

- Ser específico: quanto mais detalhado o pedido, mais preciso o resultado.  

- Revisar outputs: nunca publicar sem revisão/organização humana.  

- Adaptar ao público: ajustar o tom e o ritmo narrativo conforme o destinatário.  

- Garantir conformidade legal: respeitar a Lei n.º 22/11 sobre Protecção de Dados Pessoais (Angola). 


Conclusão

A construção de prompts é arte e técnica. A Inteligência Artificial é incontornável, mas só produz resultados legítimos e aceitáveis quando guiada por instruções claras, seguras e conformes à lei e ao conhecimento. O comunicador institucional deve assumir o papel de curador/sistematizador, traduzindo a linguagem máquina em mensagem humanizada, protegendo dados e preservando a confiança pública.  

Aqui está uma bibliografia ajustada ao conteúdo do seu mini-manual, organizada por ordem alfabética de autor. Ela cobre temas como engenharia de prompts, comunicação institucional, proteção de dados e boas práticas com IA.


Bibliografia

* Ana Nobre, Guia Completa de Como Criar Prompts Perfeitos Para Modelos de IA: IA & A Educação, 2025;

* Damares Lourenço, Engenharia de Prompt: O Coração da Revolução da Inteligência Artificial, DIO, 2025;

* David Gabriel, Como Escrever Prompts Eficazes Para IA: O Guia Completo Para Obter Resultados Incríveis, Inteligência Futura, 2025;

* Luciano Canhanga (Soberano Kanyanga) | Mini-Manual para Construção de Prompts, Edição própria, www.mesumajikuka.blogspot.com, 2025;

* Pachi Parra, A Comunicação com LLMs: O Poder da Engenharia de Prompts, iMasters, 2025; 

* Portal IA Hoje, Prompt Engineering – Como Comunicar com a Inteligência Artificial,  Inteligência Artificial Hoje,  2025;

* República de Angola, Lei n.º 22/11 – Lei da Protecção de Dados Pessoais, Diário da República / Assembleia Nacional, 201;

* Redação PUCPR, Engenharia de Prompt: Como Maximizar o Potencial da IA, Pós Digital PUCPR, 2025.

quinta-feira, dezembro 11, 2025

A INCONTORNABILIDADE DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA PRODUÇÃO DE TEXTOS INSTITUCIONAIS

Conceitos

A Inteligência Artificial tornou‑se inevitável na comunicação institucional. Permite rapidez, escala e eficiência na produção de textos, sendo hoje instrumento estratégico para qualquer organização que pretenda manter relevância e competitividade.

Texto‑máquina vs. texto humanizado:
- Texto‑máquina: estruturado, lógico, previsível, com gramática impecável, mas impessoal e genérico.
- Texto humanizado: incorpora emoção, oralidade, ritmo narrativo e contexto cultural. Cria proximidade com o público e transmite legitimidade.
- Função do comunicador: O gestor de comunicação não é substituído pela IA, mas torna‑se curador e tradutor da linguagem máquina, garantindo que o conteúdo seja adaptado ao público e reflita identidade institucional.
- Prompt robusto: O prompt é o “briefing” da máquina. Quanto mais claro e estruturado, mais preciso será o resultado. É nele que se define objectivo, público‑alvo, formato e estilo.

Exemplos de Prompts

a) Nota Oficial

Escreva uma nota oficial sobre o lançamento do livro "Amores de Mel’aço", realizado no dia 25 de Maio de 2026, pelo autor Soberano Kanyanga na sede do MIREMPET.
Formato: Nota oficial institucional, tom formal e solene.
Elementos obrigatórios: data e local, presença de representantes das empresas patrocinadoras (Catoca e Sodiam), da editora NHConteúdos e do público (familiares, amigos, colegas, amantes da literatura).
Estilo: Redacção clara, objectiva, sem adjectivação excessiva.

b) Notícia Jornalística

Redija uma notícia jornalística sobre o lançamento do livro "Amores de Mel’aço", ocorrido em 25 de Maio de 2026, pelo autor Soberano Kanyanga, na sede do MIREMPET.
Formato: Notícia jornalística, linguagem informativa e acessível.
Elementos obrigatórios: contexto literário, patrocinadores presentes (Catoca e Sodiam), editora NHConteúdos, público diverso (familiares, amigos, colegas, amantes da literatura).
Estilo: Estrutura jornalística clássica (lead, corpo, citações).

c) Pedido de Cobertura de Evento

Elabore um pedido formal de cobertura jornalística para o lançamento do livro "Amores de Mel’aço", marcado para o dia 25 de Maio de 2026, na sede do MIREMPET.
Formato: Ofício institucional dirigido a órgãos de comunicação social.
Elementos obrigatórios: identificação do evento, patrocinadores (Catoca e Sodiam), editora NHConteúdos, público presente (familiares, amigos, colegas, amantes da literatura), relevância cultural, solicitação explícita de cobertura.
Estilo: Linguagem formal, respeitosa e protocolar.


Exemplos de outputs

a) Nota Oficial
Nota Oficial
O autor Soberano Kanyanga informa que procedeu ao lançamento do seu mais recente livro "Amores de Mel’aço", no dia 25 de Maio de 2026, em Luanda.
O acto contou com a presença de representantes das empresas patrocinadoras Catoca e Sodiam, da editora NHConteúdos, bem como de familiares, amigos, colegas e amantes da literatura.
O lançamento marcou um momento de celebração cultural e literária, reforçando o compromisso do autor e dos parceiros em promover a literatura angolana.

b) Notícia Jornalística
Lançamento do livro "Amores de Mel’aço" celebra literatura angolana
O autor Soberano Kanyanga apresentou ao público, no dia 25 de Maio de 2026, a sua mais recente obra literária com o título "Amores de Mel’aço".
O evento reuniu, na sede do MIREMPET, representantes das empresas patrocinadoras Catoca e Sodiam, a editora NHConteúdos, além de familiares, amigos, colegas e amantes da literatura.
A obra foi recebida como um contributo significativo para a valorização da cultura nacional, destacando‑se pela sua abordagem sensível e pelo impacto esperado junto da comunidade literária.

c) Pedido de Cobertura de Evento
Ofício n.º 02/SK/2026
Exmos. Senhores,
O escritor Soberano Kanyanga, pseudónimo literário do jornalista Luciano Canhanga, tem a elevada honra de solicitar a vossa cobertura jornalística da cerimónia de lançamento do seu mais recente livro "Amores de Mel’aço", a realizar‑se no dia 25 de Maio de 2026, em Luanda, sede do MIREMPET.
O evento contará com a presença de representantes das empresas patrocinadoras Catoca e Sodiam, da editora NHConteúdos, bem como de familiares, amigos, colegas e amantes da literatura.

Trata‑se de um acontecimento de elevada relevância cultural e que reforça o papel da literatura angolana na preservação da memória e na promoção da identidade nacional.

Com os melhores cumprimentos,
Soberano Kanyanga

4. Conclusão
Este exercício demonstra que:
- A Inteligência Artificial (IA) é incontornável na produção de conteúdos, mas não substitui a curadoria humana.
- O prompt robusto é a chave para orientar a máquina e obter resultados consistentes.
- O texto‑máquina fornece estrutura e dados, mas precisa de ser humanizado para ganhar legitimidade, emoção e proximidade com o público.
- O comunicador institucional assume o papel de tradutor da linguagem máquina, garantindo que a mensagem seja culturalmente situada e socialmente relevante.
_ A Inteligência Artificial deve ser vista como ferramenta de apoio, nunca como substituto da sensibilidade humana. O futuro da comunicação institucional será híbrido: máquina para a eficiência, humano para a alma da mensagem.

Por: Luciano Canhanga (Soberano Kanyanga)

quarta-feira, novembro 26, 2025

O KIMBUNDU E UMBUNDU – LÍNGUAS NACIONAIS CODIFICADAS – E O CASO DO NGOYA

1. INTRODUÇÃO

Angola é um país de grande diversidade linguística, onde coexistem o português — língua oficial — e várias línguas nacionais de origem
bantu. Entre estas, destacam-se o Kimbundu e o Umbundu, línguas com tradição oral, produção literária emergente e crescente reconhecimento institucional. O Kibala (ou Ngoya), por sua vez, representa um caso singular de debate linguístico e identitário, situado entre a variante dialectal e a possível língua autónoma.

2. LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA E DISTRIBUIÇÃO DAS LÍNGUAS

2.1. Kimbundu

Falado predominantemente nas províncias de Luanda, Bengo, Cuanza Norte, Malanje e partes do Cuanza Sul e Uige, o Kimbundu é a língua do grupo Ambundu. Com mais de 3 milhões de falantes, apresenta estrutura tonal, sistema de classes nominais e forte prefixação verbal e nominal. É uma das línguas bantu mais estudadas em Angola, com influência lexical no português angolano e brasileiro.

2.2. Umbundu

Predomina nas províncias do Huambo, Bié, Benguela, partes da Huila, Namibe e Cuanza Sul, sendo a língua do grupo Ovimbundu. É a língua nacional mais falada em Angola, com forte presença na educação, cultura e comunicação social. A sua estrutura gramatical e riqueza lexical têm sido objeto de estudos linguísticos e etnográficos.

2.3. Kibala (ou Ngoya)

Falado na região da Kibala, abrangendo localidades como Hebo, Kilenda, Lubolu, Mbwim e Waku, é considerado por alguns estudiosos como uma variante do Kimbundu, enquanto outros defendem a sua autonomia linguística. O termo “Ngoya” é exógeno, usado por comunidades vizinhas, enquanto os falantes se referem à sua língua como “Kimbundu da Kibala” ou "Nosso Kimbundu".

3. INSTRUMENTOS NECESSÁRIOS PARA A AUTONOMIZAÇÃO DE UMA LÍNGUA

A autonomização de uma língua — ou seja, o processo pelo qual uma variante dialectal passa a ser reconhecida como língua independente — é um fenómeno linguístico, político, social e cultural. Não há uma única autoridade que o define, mas sim um conjunto de actores e etapas que contribuem para essa legitimação.

3.1. Codificação e Normalização

  • Gramática própria: Regras definidas de morfologia, sintaxe e fonologia.
  • Ortografia padronizada: Sistema de escrita consensual e estável.
  • Dicionário: Repertório lexical que legitima o vocabulário da língua.

3.2. Produção Escrita e Literária

  • Textos literários, científicos e jornalísticos.
  • Traduções para e a partir da língua, demonstrando sua capacidade de comunicação universal.

3.3. Reconhecimento Institucional

  • Inclusão em currículos escolares, exames e documentos oficiais.
  • Políticas linguísticas de promoção e preservação.

3.4. Uso Social Alargado

  • Comunidade de falantes nativos e fluentes.
  • Presença nos media: rádio, televisão, internet, redes sociais.

3.5. Autonomia Identitária

  • Sentimento de pertença.
  • Distinção funcional em relação a outras variantes.

4. QUEM DEFINE A AUTONOMIZAÇÃO DE UMA LÍNGUA?

  • Comunidade de falantes: O reconhecimento começa internamente, com o sentimento de identidade linguística.
  • Linguistas e académicos: Estudam, descrevem e codificam a variante.
  • Instituições políticas e educativas: Oficializam a língua e promovem sua inclusão nos sistemas de ensino.
  • Organismos internacionais: Como a UNESCO e o ISO, que atribuem códigos linguísticos.

5. COMO SE PROCESSA A AUTONOMIZAÇÃO?

  • Codificação linguística: Elaboração de gramática, ortografia e dicionário.
  • Produção cultural: Literatura, música, teatro, imprensa.
  • Mobilização social: Movimentos culturais e comunitários.
  • Reconhecimento oficial: Declaração como língua nacional, regional ou co-oficial.

6. COMO SE DEFINE O NOME DE UMA LÍNGUA?

O nome pode derivar de:

  • Autodenominação dos falantes (ex.: Umbundu).
  • Topónimo ou região (ex.: Catalão).
  • Grupo étnico ou cultural (ex.: Zulu).
  • Termo histórico ou tradicional (ex.: Latim, Tétum).

Em alguns casos, o nome é disputado ou evolui com o tempo, conforme o reconhecimento político ou académico.

7. O CASO DO NGOYA: LÍNGUA OU VARIANTE?

Kibala (ou Ngoya) representa um exemplo paradigmático do debate sobre a sua denominação e autonomização linguística. Estudos como os de Tomé Grosso, Ndonga Mfwa, Gabriel Vinte e Cinco e Soberano Kanyanga apontam para uma variante do Kimbundu com identidade própria, falada na região da Kibala e zonas contíguas. A sua autonomização depende da aplicação dos instrumentos descritos, bem como do reconhecimento da sua identidade linguística pelos falantes e pelas instituições públicas.

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • Angenot, Jean-Pierre; Mfuwa, Ndonga; Ribeiro, Michela Araújo – As classes nominais do Kibala-Ngoya.
  • Araújo, Paulo Jeferson Pilar; Petter, Margarida – O quimbundo e o português do Libolo.
  • Canhanga, Luciano (Soberano Kanyanga) – A língua dos Kibala – Kimbundu ou Ngoya?
  • Cobbinah, Alexander – Lubolo-Ngoya | Endangered Languages Archive.
  • Grosso, Tomé – Monografia sobre o Dialecto Kibala e o termo Ngoya.
  • Jordan, Linda; Manuel, Isata – Sociolinguistic Survey of Kwanza Sul Province.
  • Kitumba, Evaristo – Problemática linguística da província do Kwanza-Sul.
  • Mfwa, Ndonga – Estudos sobre variantes do Kimbundu e o caso Ngoya.
  • Ndombele, Eduardo David – Reflexão sobre as línguas nacionais no sistema de educação em Angola.
  • O Pais – Colectânea “Letras sobre as Línguas de Angola”.
  • Pinto, Hermenegildo – Umbundu: caminhos para a sua preservação.
  • Ramos, Rui – A Língua Kimbundu.
  • Sacalembe, Júlio – Políticas linguísticas em Angola.
  • SIL International – Sociolinguistic Survey of Kwanza Sul Province.
  • Wikipedia – Ngoya language.

domingo, novembro 02, 2025

ILUKE

(Pseudo-sepultura)

É uma alegoria. Uma imitação do sepulcro real onde repousam os restos do finado.

Uluka=atribuir nome/pseudônimo

Iluke=réplica/homónimo


Nas comunidades rurais do Libolo (e xonas adjacentes), quando alguém morre distante e não é transladado seu corpo para a origem, é feito um pseudo-funeral (iluke) em que se colocam em uma pequena urna pertences do de cujus (pode ser resto de cabelo, unhas etc.) que são sepultados como se de um corpo cadavérico se tratasse.  Tal visa "acalmar os espíritos do defunto" e servir de memória para a comunidade.

Por cima da campa, à semelhança dos sepultamentos reais, é anotado o tempo de vida do "homenageado.

Iluke é uma espécie de túmulo de soldado desconhecido.

quarta-feira, outubro 01, 2025

AS VOZES DO KWANZA-SUL NO MOSAICO LINGUÍSTICO DE ANGOLA

Por: Soberano Kanyanga*


I. Introdução

A província do Kwanza-Sul ocupa uma posição estratégica no mapa etnolinguístico de Angola, situando-se entre dois grandes polos culturais e linguísticos:

  • Polo Ambundu: Luanda, Bengo, Malanje e Kwanza-Norte, onde predomina o Kimbundu.
  • Polo Ovimbundu: Huambo, Bié e Benguela, com predominância do Umbundu.

Esta localização faz do Kwanza-Sul uma zona de transição etnolinguística, onde coexistem variantes do Kimbundu e do Umbundu, além de falares locais que expressam a complexidade histórica, social e identitária dos seus povos.

 II. Zonas de transição etnolinguística: Definição e relevância

As zonas de transição etnolinguística são espaços de contacto entre línguas e culturas, caracterizados por:

  • Multilinguismo funcional
  • Interferência linguística (lexical, fonética, sintática)
  • Identidade linguística fluida
  • Variação dialectal e inovação linguística

Distribuição dos falares por influência dominante:

Grupo de maior influência Ambundu (Kimbundu):

  • Kibala
  • Mussende
  • Kilenda
  • Hebo
  • Lubolu
  • Mbwim (Amboim)
  • Waku

Grupo de maior influência Ovimbundu (Umbundu):

  • Seles
  • Cassongue
  • Sumbe

III. O “Falar” da Kibala: Identidade, resistência e reivindicação

A variante do Kimbundu falada na Kibala e arredores é reconhecida pelos próprios falantes como:

  • Kimbundu
  • Kimbundu ky’Epala
  • Kimbundu kyetu

O termo “ngoya”, usado de forma pejorativa por povos vizinhos, foi indevidamente promovido como designação linguística por meios da comunicação social, sem base científica ou consulta aos verdadeiros detentores do conhecimento ancestral e zeladores da história oral.

Importa sublinhar que a designação de uma língua deve estar em harmonia com o nome do povo que a fala. Assim como se fala da língua portuguesa para o povo português, da língua francesa para os franceses, ou da língua ucokwe para os tucokwe, também se deve respeitar essa lógica no caso da Kibala, onde o povo se identifica como Ambundu e a sua língua como Kimbundu da Kibala.

“Não basta ser soba para confirmar dados históricos. É preciso ter idade e discernimento necessário.”


IV. Quadro comparativo: Povo e Língua

Este quadro serve para ilustrar a coerência entre identidade étnica e designação linguística, desmontando a falácia da chamada “língua ngoya” atribuída ao povo da Kibala:

Povo / Comunidade

Gentílico / Identidade

Designação da Língua

Portugueses

Português

Língua portuguesa

Franceses

Francês

Língua francesa

Tucokwe

Tucokwe

Língua Ucokwe

Bakongo

Bakongo

Língua Kikongo

Ambundu

Ambundu

Língua Kimbundu

Ovimbundu

Ovimbundu

Língua Umbundu

 

V. A Herança colonial e a imposição terminológica

Durante o período colonial, foi imposta uma hierarquia linguística que marginalizou os falares africanos, rotulando-os como “dialectos” ou “línguas menores”. A introdução do termo “ngoya” pela Rádio VORGAN nos anos 80 e pela RNA/Ngola Yetu em 1992 e 2007 não foi precedida por estudos científicos nem por validação de “Agentes Autorizados das Comunidades”.

Min C. Cerqueira, Juiz J. Felismino, Revº Gab Vinte e Cinco e Sob. Kanyanga

Em 9 de Junho de 2012, o então governador Serafim do Prado solicitou à Ministra da Comunicação Social, Carolina Cerqueira, a substituição oficial da designação “ngoya” por “Kimbundu Kyetu”, alinhando-se com a resposta popular à pergunta:

_ Eye oji lyahi wondola (Que língua você fala)?


 VI. Estudos, testemunhos e evidência de campo

  • Tomé Grosso: Na sua monografia "O Dialecto Kibala (Kimbundu) e a Problemática do Termo Ngoya como Dialecto", revela bilinguismo funcional e confusão terminológica entre os jovens, influenciados por meios de comunicação.
  • Soberano Kanyanga: Inquérito com 60 participantes mostra rejeição ao termo “ngoya” e afirmação do Kimbundu da Kibala como língua de identidade.
  • Gabriel Vinte e Cinco, Moisés Malumbu, José Redinha: Confirmam a origem Ambundu dos Kibala e não identificam qualquer referência histórica ou etnográfica à existência de um povo ou língua “ngoya”.
  • Em "AS CLASSES NOMINAIS DO KIBALA-NGOYA, UM FALAR BANTU DE ANGOLA NÃO DOCUMENTADO,NA INTERSECÇÃO DOS GRUPOS KIMBUNDU [H20]E UMBUNDU [R10]!", JEAN-PIERRE ANGENOT / NDONGA MFUWA / MICHELA ARAUJO RIBEIRO, pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia, Universidade Agostinho Neto, Universidade, consideram “O kibala - ou kibala-ngoya – um falar bantu de Angola não-docu-mentado em uso no centro da província de Kwanza Sul, numa área relativa-mente extensa cujas principais localidades são Kibala, Ebo, Wako Kungo, Assango, Cabela, Condé, Quilenda e Mussende. 

Acrescentam que “É propositalmente que recorremos à denominação ‘falar’ ao referir-mos ao kibala na medida em que paira alguma incerteza sobre a questão desaber se é uma variante dialetal assaz distante da língua kimbundu [H21], uma língua autônoma dentro do grupo kimbundu [H20] ou – a priori porque não – do grupo umbundu [R10], ou se se trata de um falar híbrido detransição entre as zonas tipológicas H e R do domínio bantu. O kibala é também – e sobretudo – conhecido como ngoya, um termo pejorativo de origem umbundu com o significado de “bárbaro”, “selvagem”,“imprestável”. ... Contudo, constata-se, notadamente no círculo dos inte-lectuais e políticos oriundos da comunidade, uma reação de repúdio dessa denominação, com proposta de sua substituição oficial por “kibala”, um ter-mo cujo uso até há pouco estava restrito ao meio acadêmico luandense sem real penetração no seio da comunidade dos locutores para os quais a palavra diz somente respeito à principal cidade da região que se chama Kibala e cujos habitantes são chamados “kibalistas”. Recentemente o Instituto de Línguas Nacionais promoveu em Sumbe, capital provinciana do Kwanza Sul, um vasto debate acadêmico-político sobre a realidade sociolinguística da região esobre a adoção da denominação mais adequada entre as denominações concorrentes “ngoya” e “kibala”. De acordo com uma comunicação pessoal do bantuista Vatomene Kukanda, diretor do ILN e decano da Faculdade de Letras da UAN, foi “kibala” que foi recomendado pelos participantes do seminário, entre os quais foram consultados importantes chefes tradicionais”, in PAIA 21(2), p. 253-266, 2011. ISSN 0103-941. 

VII. Propostas para a valorização dos falares locais

  • Educação: Inclusão dos falares locais nos currículos escolares.
  • Cultura: Estímulo à produção artística e literária nas línguas locais.
  • Investigação: Criação de centros provinciais de estudo linguístico.
  • Media: Uso responsável das designações linguísticas, com base em investigação científica e memória histórica comunitária.

 VIII. Conclusão

A valorização dos falares locais é essencial para a preservação da identidade cultural do Kwanza-Sul. Os “falares do Norte e Centro do Kwanza-Sul” são variantes legítimas do Kimbundu e devem ser reconhecidos como tal, com base em evidência histórica, linguística e comunitária.

“Toda a ciência que envolva a antropologia, história e etnografia deve sempre ter o campo como ponto de partida.”Soberano Kanyanga

 Leia mais em: "MESU MAJIKUKA": Resultados da pesquisa para Ngoya 

=

*Formado em Didáctica de História e investigador social.


quarta-feira, setembro 03, 2025

O JORNALISTA, O ASSESSOR E O ADIDO DE IMPRENSA

(Funções, Ética e Intersecções)

Conceitos básicos:

  1. Jornalista é quem exerce o Jornalismo — profissão que, segundo Nelson Traquina (Jornalismo: Teorias e Práticas, 2005), consiste na recolha, selecção, tratamento e divulgação de informações de interesse público, com critérios editoriais próprios. Para mim, é também arte e vício controlável, pois exige sensibilidade, rigor e compromisso com a verdade factual.

  2. Assessor de Imprensa é o profissional de comunicação institucional cuja função é recolher dados, tratá-los conforme o perfil do receptor (media) e disponibilizá-los para posterior divulgação. Como destaca José Marques de Melo, o assessor serve à organização, enquanto o jornalista serve ao público — distinção essencial para compreender os limites éticos e operacionais de cada função.

  3. Adido de Imprensa é, por definição, um Assessor de Imprensa destacado junto de uma missão diplomática, com responsabilidades acrescidas no contexto da comunicação internacional e da representação do Estado.

Intersecções e diferenças

Tanto o jornalista quanto o assessor e o adido de imprensa realizam actividades de recolha, tratamento e distribuição de informação. A diferença reside no destinatário final: o jornalista comunica directamente com o público, enquanto o assessor e o adido comunicam com os media, respeitando os canais institucionais.

A crítica feita por um compatriota — de que seria um “belisco à ética” um assessor entrevistar o seu assessorado e partilhar o conteúdo com jornalistas — revela uma incompreensão sobre os limites e funções da assessoria. A recolha de dados (por entrevista, observação, consulta documental, etc.) é parte legítima da função informativa do assessor, desde que respeite os princípios da transparência e da veracidade.

Segundo Manuel Castells, em Comunicação e Poder (2009), a comunicação institucional é estratégica e visa moldar percepções, mas não deve substituir o papel editorial do jornalista, que continua a deter o monopólio da decisão sobre o que é notícia.


Limites Legais e Éticos

O artigo 5.º do Decreto Presidencial n.º 3/18 de 11 de Janeiro não proíbe que o assessor recolha dados directamente junto do seu assessorado, desde que não os trate como produto jornalístico. Ao fornecer o dado bruto aos jornalistas, o assessor respeita o papel editorial destes, que devem analisar, hierarquizar e decidir sobre a publicação.

Portanto, não é correcto questionar: “Por que o assessor ou o adido entrevistou o seu assessorado e forneceu o dado bruto aos jornalistas?” — desde que o conteúdo não tenha sido editado com fins jornalísticos, mas sim disponibilizado como subsídio informativo.


Reconhecimento Profissional

Importa também reconhecer o trabalho árduo dos diplomatas e seus assessores de imprensa, que muitas vezes sacrificam o descanso e a vida familiar para garantir o bom acolhimento e despedida de delegações oficiais. A assessoria diplomática exige dedicação contínua, jornadas imprevisíveis e uma compreensão profunda da comunicação estratégica.


Conclusão

Em síntese, o jornalista, o assessor e o adido de imprensa operam em campos distintos, mas complementares. O jornalista é o guardião da esfera pública, enquanto o assessor e o adido são mediadores institucionais. A ética na comunicação não se mede apenas pelo canal utilizado, mas pela intenção, transparência e respeito aos papéis definidos.

A assessoria de imprensa, quando exercida com rigor e consciência institucional, não usurpa o papel do jornalista. Pelo contrário, complementa-o, oferecendo subsídios que devem ser tratados com liberdade editorial. É preciso compreender, como diria Traquina, que o jornalismo é uma construção social da realidade, e essa construção começa muitas vezes com dados recolhidos por profissionais da comunicação institucional.


26.02.2022.

quinta-feira, agosto 07, 2025

A COMUNICAÇÃO DA LIDERANÇA DA IECA (PRELEÇÃO)

 Provérbios 15:1: 

"A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira".

Notas prévias

1.Pelas pesquisas que fiz, o Modelo de Comunicação da IECA assenta em três pilares: Evangelização, Educação e Acção Social, cuja ABORDAGEM se resume em alfabetização, saúde e agricultura (nas comunidades rurais) e direitos hiumanos.

2. Em Ciências de Comunicação, as acções e os gestos comunicam. A forma como fui recebido pelo Pastor Lutero e pela Pastora Natália acabaram por diluir todo o conteúdo que tinha preparado para partilhar convosco. Vou, tão somente, partilhar alguns tópicos e esperar que discutamos e encontremos meios-termos.

 Conceitos

a) Liderança é a capacidade de influenciar e guiar pessoas para alcançar objectivos comuns. Ela pode ser baseada em autoridade formal ou em influência natural, e envolve habilidades como visão estratégica, empatia e tomada de decisão.

 b) Liderança Religiosa vai além da gestão organizacional; ela envolve inspiração espiritual, orientação moral e serviço à comunidade. Um líder religioso deve equilibrar autoridade e humildade, promovendo valores como compaixão, justiça e fé.

 c) Comunicação é o processo de transmitir informações, ideias e sentimentos de forma clara e eficaz. Ela pode ser verbal, não verbal, escrita ou visual, e depende de factores como contexto, audiência e objectivo.

 d) Comunicação Religiosa tem um propósito especial: transmitir mensagens espirituais de forma acessível e inspiradora. Ela deve ser clara, respeitosa e adaptada ao público, utilizando linguagem que fortaleça a fé e promova a reflexão.

Técnicas de Comunicação Geral e Religiosa

- Escuta activa: Demonstrar interesse genuíno pelo interlocutor.

- Uso de metáforas e parábolas: Tornar conceitos espirituais mais compreensíveis.

- Adaptação ao público: Ajustar a linguagem conforme o nível de conhecimento e experiência dos ouvintes.

- Expressão corporal: Postura, gestos e contato visual reforçam a mensagem.

- Uso de tecnologia: Recursos audiovisuais podem tornar a comunicação mais envolvente.

 Como desenvolver uma Comunicação Assertiva e Eficaz na Igreja?

- Clareza na mensagem: Evitar ambiguidades e ser direto.

- Empatia: Compreender as necessidades e sentimentos dos ouvintes.

- Consistência: Manter coerência entre discurso e acções.

- Interacção: Incentivar perguntas e participação ativa.

- Feedback: Avaliar constantemente a recepção da mensagem e ajustar conforme necessário.

 O que Priorizar e o que Evitar para Comunicar Melhor?

Priorizar:

- Mensagens inspiradoras e edificantes.

- Linguagem acessível e respeitosa.

- Exemplos práticos e aplicáveis à vida cotidiana.

- Comunicação inclusiva e participativa.

Evitar:

- Uso excessivo de termos técnicos ou teológicos complexos.

- Comunicação autoritária ou impositiva.

- Falta de conexão emocional com o público.

- Mensagens contraditórias ou confusas.

 Como evitar o Efeito Boomerang na Comunicação?

 O efeito boomerang ocorre quando a mensagem tem o efeito contrário ao desejado. Para evitá-lo:

- Evite imposições: Prefira diálogo e persuasão em vez de ordens rígidas.

- Considere o contexto: Certifique-se de que a mensagem é apropriada para o momento e público.

- Evite julgamentos: Mensagens que parecem acusatórias podem afastar em vez de aproximar.

- Teste a recepção: Antes de divulgar amplamente, avalie como a mensagem é interpretada.

 

Muito obrigado e que Deus coninue a nos iluminar!

Luanda, 07.06.2025

sexta-feira, julho 25, 2025

OS GÊMEOS NA COSMOGONIA AFRICANA BANTU(ANGOLA)

CONSTRUCTO

Cosmogonia é o conjunto de narrativas, mitos ou crenças que explicam a origem do universo, da vida e das forças naturais. Nas tradições africanas bantu, especialmente em Angola, a cosmogonia está profundamente ligada à ancestralidade, à natureza e à espiritualidade, revelando-se em símbolos como os gêmeos, os montes, os rios e os nomes sagrados.
Na cosmogonia bantu, os gêmeos ocupam um lugar especial, sendo vistos como manifestações de equilíbrio, dualidade e força espiritual. Essa simbologia aparece em diversas línguas e culturas do território angolano:

Oshiwambo: Weyulu e Ndilokelwa ou Mandume e Hanyangha
Umbundu: Njamba e Ngeve
Kikongo: Nsimba e Nzuzi
Cokwe: Lweji e Cinguli ("Kinguli")
A título de analogia com outros territórios e cosmogonia africanas, na África Oriental, os gêmeos são chamados por Apiyo e Adongo, sendo Apiyo a primeira criança nascida de gêmeos e Adongo a segunda.

No território ancestral do Lubolu — hoje dividido em três circunscrições municipais — junto ao majestoso rio Kwanza, erguem-se dois montes imponentes: Kakulu nyi Kabasa, que personificam gêmeos na tradição local. A ancestralidade Ngola (Ambundu) passou a nomear os gêmeos como Kakulu e Kabasa.

Nem sempre os gêmeos nascem de sexos diferentes. Quando são do mesmo sexo, ainda assim recebem os nomes tradicionais: Kakulu e Kabasa. O filho que nasce logo após os gêmeos é chamado de: Kaxinda ou Fuxi Kimbundu; Kasinda (Umbundu) e Landu (Kikongo).

Na visão ambundu, Kakulu é considerado o primeiro a ver o sol, sendo o mais velho no imaginário tradicional — embora, segundo a ciência, seja o mais novo por nascer depois.

Essas designações revelam como os nomes africanos carregam significados profundos, conectando o indivíduo à sua linhagem, à natureza e ao mundo espiritual. Os gêmeos, em especial, são vistos como mensageiros, guardiões ou manifestações de forças cósmicas, e os filhos que os seguem também ocupam papéis simbólicos importantes.