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segunda-feira, dezembro 01, 2014

FÉ NA CULTURA E NAS LÍNGUAS NACIONAIS


A língua é um dos principais elementos identitários de um povo, estando por isso intrínseco à sua cultura.

Apesar disso, as línguas de origem africana (bantu) sofreram ao longo do último século um ostracismo que as remeteu ao fundo do quintal, ou seja, elas passaram a ser utilizadas apenas nas áreas rurais, e nos subúrbios das cidades ou em conversas privadas, redundando em perda de identidade.

Tal postura, também herdada pelas novas autoridades angolanas emanadas do processo de independência nacional teve alguns fundamentos:

1º Em 1921, Norton de Matos, Governador português de Angola, exarou o decreto nº 77, nº 5 primeira série, de nove de Dezembro, que estipulava, no seu ponto 3, a obrigatoriedade, em qualquer missão cristã, o ensino da Língua Portuguesa. Rezava ainda o decreto, nos pontos adiantes, a vedação do ensino em línguas estrangeiras bem como a proibição (artigos 2 e 3) do ensino das línguas locais. “Não é permitido ensinar nas escolas de qualquer missão, línguas indígenas, sendo as línguas indígenas permitidas apenas catequese”.

2º O “Estatuto dos indígenas das Províncias da Guiné, Angola e Moçambique” adoptado pelas autoridades coloniais (Decreto-lei de 20 de Maio de 1954) que visava a "assimilação" dos nativos africanos na cultura lusitana, foi outra arma contra a locução e ensino das línguas nativas no território da então colónia de Angola, uma vez que para se chegar à categoria de “cidadão português de terceira” ou assimilado, o nativo teria de abdicar de práticas animistas, não se comunicar, em momento algum, em língua nativa e adoptar os hábitos e cultura lusitana. Isso levou, até há bem pouco tempo, que determinadas famílias abdicassem de usar as línguas nativas e, inclusive, proibir os filhos de as aprender.
3º A unidade do povo para a luta contra a presença colonial exigia uma identidade e uma língua comum entre todos os patriotas. Essa necessidade fez com que, naquelas circunstâncias, os Movimentos de Libertação Nacional adoptassem a língua herdada portuguesa (comum a todos) para mobilizar o povo para a luta e projecção de uma Nação que se revisse num instrumento de comunicação geral.
4º Alcançada a independência, embora se tenha reconhecido nas Lei Constitucional o respeito e valorização das Línguas Nacionais, foi a língua herdada da colonização que ganhou o estatuto de idioma principal, relegando para papel secundário as dezenas de outras línguas que se falam no país.
Entretanto, apesar de vilipendiadas ao longo do tempo, as línguas africanas faladas no espaço territorial de Angola não morreram. Elas persistem e vão cada vez mais, buscando o seu merecido lugar. É desta forma que um número, ainda reduzido, de “angolenses” se vai batendo pela valorização e ensino das mesmas, levando-as, inclusive, à literatura, não apenas na transcrição gráfica dos fonemas mas também obedecendo aos instrumentos reguladores das mesmas, como os alfabetos convencionados nacional e internacionalmente.
Olhando para o FENACULT (Festival Nacional de Cultura) decorrido de 31 de Agosto a 20 de Setembro de 2014, dois aspectos configuraram-se transcendentais e aumentaram a minha fé de que um dos elementos primordiais da nossa cultura, as línguas nativas de origem bantu, venham a ter o reconhecimento e valor que encerram para os povos que habitam Angola.

Reunidos na província do Kwandu-Kuvangu (Cuando Cubango, segundo a grafia ressuscitada pelo Ministério da Administração do Território e fornecida aos media públicos), cento e setenta delegados ao V encontro de Línguas Nacionais recomendaram “a necessidade dos topónimos de origem africana serem escritos de acordo com a grafia bantu estabelecida pelo A.F.I. (Alfabeto Fonético Internacional)” e demais convenções do CICIBA (centro de Estudos da Civilização Bantu).
As direcções provinciais da Cultura, segundo os presentes, “devem aprofundar os estudos sobre o mapeamento linguístico das suas províncias, com a supervisão do Instituto de Línguas Nacionais, bem como estabelecer uma parceria técnico-científica com instituições nacionais e estrangeiras afins”.

A esse encontro seguiram-se declarações, não menos importantes, da titular da pasta da Cultura que afirmou, na cerimónia de abertura do III Congresso Internacional de Língua Portuguesa, (19 Outubro) que “Sem qualquer mácula, deve permanecer o diálogo, já que a diversidade linguística do país constitui a sua grande riqueza na validade e diversidade cultural”.

As afirmações da Ministra Rosa Cruz e Silva surge quase que como resposta ao que um pequeno grupo de angolenses vem escrevendo desde que o MAT orientou a alteração da grafia, na media pública, de alguns topónimos angolanos. O discurso da Ministra vem, a meu ver, conferir uma abordagem mais responsável e equilibrada sobre um assunto que não foi encarado com a seriedade necessária, tratando-se de uma questão que mexe com um bom punhado de angolanos, alguns com e outros sem voz audível. É o “vamos conversar que chegaremos a meio termo sem ‘trunguguismos’ a que sempre fomos, eu incluído, apelando em vários escritos nas redes sociais”.

A 26 de Fevereiro de 2014, o Jornal de Angola estampava que “o Ministério da Administração do Território vai levar ao Parlamento, para debate e provável aprovação, uma proposta de Projecto de Lei sobre as denominações das províncias, localidades e municípios do país que está a ser preparada”. Lia-se ainda na notícia que “Bornito de Sousa esclareceu que o seu Ministério vai adoptar novas grafias para algumas províncias, tendo exemplificado a retirada da letra “K” e a introdução do “C”, algo que já se observa nas designações usadas pela media, sobretudo a pública, em cumprimento a uma orientação daquele Departamento Ministerial enviado às redacções e que se baseia em “uma Portaria de 1971, de 12 de Fevereiro, sobre a Divisão Administrativa e Toponímia da então Província Ultramarina de Angola”. Se tal exercício “visou a realização do censo”, é importante que o bom senso e o diálogo prevaleça e que os alfabetos convencionados pelo nosso Governo, através da Resolução 3/87 de 23 de Maio, do Conselho da República sejam aplicados nas designações das nossas circunscrições.

Os topónimos e antropónimos de origem bantu não são meras designações. Encerram sentidos e conotações semânticas que devem ser respeitados tanto na grafia quanto na articulação fonética para que designem aquilo que foi projectado. Não é certo, por exemplo que se diga “Canjala” (relativo à fome) quando se pretende dizer é “Kanjala” (pequena fome), ou Canhanga em vez de Kanhanga, que não são a mesma coisa.

É por essa e outras razões digo: “não há bota, por mais suja e pesada que seja, que vá aniquilar as nossas línguas e a nossa identidade cultural, secular”. É por isso que mantenho a minha Fé na Cultura!


Obs: Texto publicado no Semanário Angolense 

sábado, novembro 01, 2014

EMPRÉSTIMOS, ADOPÇÕES, REJEIÇÕES E DISPENSAS

Como locutor atento de kimbundu (Lubolu) vou notando que muitas palavras utilizadas hoje para designar ideias, coisas e sentimentos/estados não existiam há trinta anos, assim como algumas que ouvi pronunciar na infância estão hoje no armário.

Isso acontece com todas línguas vivas. Há gírias, calões e neologismos que quando popularizados são inseridos "naturalmente" no léxico e outras que, caindo em desuso, se tornam de uso restrito/erudito ou passam para o arquivo.

Palavras como mwangope (alusão à capital angolana Luanda), kangonha (lyamba), kimanda (carabina), ngongwenha (fadinha y'ukange nyi suka), sambwambwa (dilaji), kitata (ndumbu), etc. foram/são utilizadas em kimbundu para designar seres, coisas/objectos e ideias. Umas tornaram-se parte do léxico comum da língua kimbndu, outras não se puderam manter no léxico e algumas são usadas em círculos muito restritos ou por falantes de “fina expressão”.

Este pequeno exercício surge a propósito de uma jovem universitária que estuda "as intrusões de linguas bantu na L.P. em Angola" ter escolhido como obra para análise (o meu) "O Sonho de Kauia", livro rico em expressões kimbundu, umbundu e cokwe.

Perguntava-me se qual era a origem de uma lista de palavras retiradas do texto, mesmo aquelas que têm significado em rodapé.

Depois de uma analise, a conclusão só podia ser esta: alguns lexemas constantes do referido livro e apontados pela estudante foram emprestados/tomados do kimbundu mas são gírias e calões daquela língua, podendo, por isso, ser desconhecidos por alguns falantes do kimbundu noutras regiões.

quarta-feira, outubro 15, 2014

O QUE ACHO DO JORNALISMO PRATICADO EM ANGOLA

Uma estudante do curso superior de Comunicação Social duma universidade privada angola perguntou-me, via face book, sobre o que eu achava do "ensino do jornalismo angolano". Disse que o meu nome tinha sido indicado por um professor que conhece e "reconhece" a minha trajectória de "jogador a comentador" no campo do jornalismo que se pratica em Angolano. A par destes questionamentos que servem para os estudantes fundamentarem os seus trabalhos escolares, tenho também recebido vários pedidos para "ajudar a fazer" isso ou aquilo. São frequentes pedidos do tipo: "Dr., ajude-me a fazer uma agenda, ajude-me a fazer uma notícia, ajude-me a fazer/estruturar uma entrevista, ajude-me a fazer uma crónica, etc.!
 
O que tenho solicitado é que "apliquem primeiro os conhecimentos teóricos aprendidos/explicados pelo docente e depois eu ajudo a dar forma".
 
O que acontece, a posteriori, é que, em muitos dos casos,  nem ortografia sai nem a teoria é aplicada.
 
Decidi, por isso, servir-me do método socrático (maiêutica e refutação) para fornecer a minha resposta à questão supra:

- Há laboratórios para aulas práticas nas universidades?
- Há professores de cadeiras práticas que são reconhecidos como bons praticantes de jornalismo naquela especialidade?

- Um professor de jornalismo que nunca exerceu jornalismo de facto, que nunca esteve numa redacção e que não saiba como se elabora uma agenda ou como se "vive" uma informação noticiosa, um insólito, estará em condições de instruir os da melhor forma alunos?
- Que tipo de jornalistas com curso superior as empresas de media recebem, sobretudo aqueles sem tarimba inicial (que nunca trabalharam antes no ofício)?
- Os neófitos jornalistas, saídos das escolas médias, técnico-profissionais e superiores dominam a(s) língua(s) em que se prestam a trabalhar?
- Temos excelentes jornalistas da nossa praça sem canudo, mas de reconhecida competência técnica e deontológica, como o autor do "Morro da Maianga". Esses têm sido convidados para formar novos jornalistas nas nossas universidades? São no mínimo professores conferencistas? 
 
Convido quem conheça bons exemplos que os partilhe comigo.

quarta-feira, outubro 01, 2014

KYA NGI BONZO

HOMENAGEM A NETO
"kya ngi bonzo" é uma expressão ambundu que significa aborrecível, cansativo, chato… é o que sinto ao ver uma media, abram-se alas à audiovisual, mais virada ao entretenimento do que à formação. Não escreverei neste texto sobre a forma questionável e, às vezes,  parcial, maculando a qualidade das notícias de que tenho sido brindado ao proceder o zapping/sintonização das Tv´s e rádios públicas.
Reporto-me simplesmente à forma parcial, amadora e desrespeitosa como é tratado na nossa media aquele que se convencionou/reconheceu como o Herói nacional.
Não sou adepto de celebrações do tipo da Coreano do Norte. Não peço que Agostinho Neto seja presença diária e obrigatória na media publica e privada, pois nem sempre haverá factos. Mas podem ser feitas rubricas que permitam os jovens e crianças conhecê-lo um pouco mais.
O que me aborrece é ver os dias do ano repartidos em onze meses e vinte e três dias para o Executivo e seus titulares, nos mais diversos graus hierárquicos e regiões, sobrando míseros sete dias de Setembro para se lembrarem de uma figura que já “dorme como pedra lançada ao poço”. Se “a pedra” foi lá parar por obra da natureza humana, não deixemos, pelo menos, que o lago do nosso conhecimento se seque, pois o mesmo Neto da nossa Independência também nos recomendou “a criar, criar amor, com os olhos secos”.
Não vejo em Agostinho Neto um ser que amedronte, que faça concorrência aos vivos, nem aos seus negócios políticos e económicos ou afins.
Lembremo-nos dele nem que seja pelo facto de ter hasteado a bandeira que carregamos orgulhosamente ao peito e nos ter ensinado a cantar um Novo Hino.
Lembremo-nos dele, nem que seja para contar a sua trajectória académica e missionária (filho de professora primária e de pastor Metodista) ou política, pelas cadeias que enfrentou devido à sua relutância em se opor à colonização, quando os seus proventos bem podiam dar-lhe uma vida folgada num território colonizado.
Falar sobre Agostinho Neto, mesmo que uma vez por semana, não seria um favor a ele e a pessoas saudosas como eu. Não peço a deificação dum homem mortal, embora declarado “Guia Imortal”. Entristece-me notar que crianças angolanas que frequentam o ensino primário português conhecem D. Afonso Henriques e as nossas do Ensino Médio, muitas pouco ou nada sabem sobre o Fundador da Nação. Não estará a faltar mais conteúdos nos programas escolares, radiofónicos, televisivos e nas conversas entre pais e filhos?
Que saudade sinto de ouvir Tabonta, os irmãos Kafala e outros “músicos da revolução” evocando e chorando neto nas suas criações artísticas. Que saudades das brigadas jovens de literatura com o “njila ya muxitu”de John Bella!
Para terminar essas súplicas vou me contentar com o “bombas que partem casas não metem medo ao povo unido” de Mwana-a-Kitoko e voltar aos prantos quando tivermos Neto não à dimensão poluidora do antigamente hodierno, mas à dimensão que merece.
 
É tanto esquecimento que me aborrece!

domingo, setembro 14, 2014

RECADO AOS "KANDENGES"

Variadíssimas vezes os universitários são criticados pela forma como "vilipendiam" a escrita da Língua Portuguesa.

Lê muito. Pratica a escrita normativa (fora dos clichés e abreviaturas do face book), faz cópias de livros bem escritos.

Só quem lê passa a conhecer as palavras e a escrevê-las correctamente.

Não será bom que o teu empregador se aperceba de lacunas graves em questões básicas de escrita, interpretação e expressão oral.

É a falar que se aprende a falar. Lê sempre em voz alta para aperfeiçoar esse lado.
Repassa o recado, meu jovem, a todos aqueles que conheces e que ainda não escrevem como deviam.
Um abraço.

segunda-feira, setembro 01, 2014

A ORALIDADE NO MEU PERCURSO COGNITIVO

O Processo cognitivo é um conjunto de factores sociais, que vão dos informais aos formais, a que alguns teóricos acrescentam outros de ordem biológica ou genética. A família (restrita e alargada) a comunidade e os grupos sociais são os primeiros intervenientes no processo cognitivo do ser humano, sendo que no caso da civilização bantu, a oralidade é a via mais expedita para a transmissão de conhecimentos e valores.
Uma das cadeiras da minha primeira instituição de ensino, o Jango, consistia na formulação de perguntas e respostas.
Para além dos mais velhos, os depositários do conhecimento, havia ainda os monitores, senhores e jovens já amancebados ou não, com alguma experiência de vida, conhecimentos comunitários, sociais, antropológicos e históricos que cobriam as ausências do mestre e o auxiliavam na missão de formar os novos seres (masculinos): cantando e ensinando novas canções, contando lendas, estórias e História, explicando aos jovens a ordem social, as árvores genealógicas (paterna e materna), etc. A oralidade era (e é onde a escola moderna convive com a tradicional) a via principal.
Adivinhas e respostas, anedotas, aforismos, adágios e seus sentidos lógicos (pedagógicos), interpretação do tempo (o senso comum também esboça explicações sobre a astrologia e meteorologia) faziam parte do conteúdo programático do Jango.
- Kandundulu bwo!
- Mu museke oxeyenamo?!
Vemos aqui um caso “curioso”(?) em que uma afirmação exclamativa é argumentada com uma pergunta/resposta. Ilógico no pensamento europeu mas lógico no raciocínio bantu (povos ambundu da variante Kibala, Lubolu), na medida em que a pergunta/resposta quer dizer somente que “depois da defecação, não se poder limpar o ânus arrastando as nádegas na areia”.
 Em “a yaya a yatoka!” (uns vão outros vêm), uma adivinha que na acepção do pensamento linear europeu pode ter vários significados, obtemos como resposta “ombundu” (as nuvens).
Fazendo uma adaptação aportuguesada dum aforismo ovimbundu, que me chegou por via do meu confrade Daniel Gociante Patissa, “só à arena é que não íamos, mas o som da música sempre nos chegou ao ouvido”. Embora as nossas línguas bantu não tivessem alfabetos estruturados e conhecidos, até há poucas décadas, conhecimentos sempre tivemos e sempre foram transmitimos por via da oralidade.

sábado, agosto 16, 2014

OS “ENTRETANTO” NA TV

 
TENHO estado a ouvir, com ligeira preocupação, os “entretanto” de alguns locutores da "nossa" Televisão (sobretudo às manhãs), na ligação de notícias.

A definição mais simplista é: conjunções são palavras invariáveis que servem para ligar/articular orações ou ideias. Nesta ligação/articulação há que ter em conta o sentido que as mesmas encerram.
 
Adição (uma notícia com outra) ou adversidade (uma em relação a outra)?
“Entretanto” é conjunção adversativa, expressa a ideia de contraste ou compensação. Não tem (sempre) o mesmo valor que “e” (conjunção copulativa) que indica adição.
Ontem tivemos um mau dia, todavia/contudo/entretanto temos hoje um dia excelente.
No discurso escrito, antes da conjunção adversativa deve ser colocada uma vírgula.

Obs: Constatado e escrito em Junho 2014.
 

sexta-feira, agosto 01, 2014

A MELHOR FORMA DE ENSINAR HISTÓRIA

(Opinião baseada na experiência)

Todas as crianças têm elevada capacidade de absorver estórias e de as poder recontar. Fui bom aluno e estudante de História e pratiquei a docência desta cadeira. A experiência mostrou-me que os alunos/estudantes apreciam professores que ministram aulas de História como se estivessem a contar estórias… Professores quem lhes transmitam imagens e lhes façam viver os acontecimentos históricos.
 
Hoje, o  melhor é situar os eventos em períodos de tempo: último quartel do século XIX,  2ª metade do sec. XX, 1ª década do século XXI, etc, ajuda a concentrar-se nos factos em vez das datas (que não deixam de ser importantes). Porém, o elemento "o Quê=facto" é primordial.
 
Um professor que encarne os factos contando-os como se fosse estórias "vividas" despertará a atenção dos discípulos e mas facilmente estes transformarão a informação recebida em conhecimento acumulado.
 
Não há péssimos alunos de História (sobretudo quando crianças). Pode é haver professores que não encarnem os factos, transmitindo-os como se fossem estórias.

terça-feira, julho 15, 2014

O VALOR DO FEEDBACK NA COMUNICAÇÃO VERBAL

Mais do que um mecanismo que permite confirmar a fiabilidade do canal pelo qual trafega a informação entre o destinador e destinatário, o feedback é troca bi-direccional que elimina distorções ou falhas na comunicacão verbal. Quando essa é realizada de forma oral, o feedback permite assegurar que não houve ruído e que a reacção do destinatário será conforme espectado pelo emissor.
 
A repetição da mensagem pelo receptor ou o resumo da mesma é uma garantia de que houve eficiência na comunicação.
 


O que você faz quando recebe uma mensagem por e-mail, por carta, sms (short message servisse) ou comentário no facebook? 
Quem lhe manda uma mensagem, independentemente do canal e do código, praticou um acto comunicacional. Partilhou ideias, sentimentos ou estado de alma. Ao remeter a mensagem, está também testando o canal. Precisa de ter certeza de que o canal funciona, a mensagem chegou ou destinatário e foi ou não percebida. A percepção é aferida pela qualidade da reacção do recepor. Se esta for a esperada é porque não houve ruído.
 
Como é que o emissor terá essa percepção caso não receba feedback?

 1- Recebeu telefonema e não pôde tender no momento? Dê retorno tão logo seja possível.
2- Recebeu e-mail? Tenha ou não percebido, dê feedback para que se confirme a recepção e percepção da mensagem  ou se melhore a comunicação.
3- Faça o mesmo em relação ao facebook e outros canais ou meios de comunicação verbais (oral e ou escrita), reagindo em função da recepção e da descodificação que fizer da mensagem.
4- Responda sempre com mensagens verbais ou acções esperadas. Dê feedback a cada mensagem que receba, ignorando, como é obvio, o spam viral.
5- Saiba que a comunicação oral (por voz) é mais quente e afectiva do que a escrita, embora a segunda seja mais segura em termos de conservação da mensagem, sobretudo em caso de repasse.
 
 

terça-feira, julho 01, 2014

OS CAMINHOS ÍNVIOS DO NOSSO PORTUGUÊS

Nota Prévia: A presente reflexão foi solicitada pelo Semanário Angolense, a propósito dos 800 anos da L.P., assinalados a 27.06.2014.

Os desvios à norma (uso popular ou vulgar da língua) coabitarão com o uso normativo, sem que para tal surja uma nova língua ou essa desarticulação da norma pode levar a nova forma de comunicar (por oralidade e escrita)?  Os excessivos desvios, os empréstimos/importações de outras línguas africanas (angolanas) e o génio criador/inventivo de novos vocábulos (neologismos) levarão ao surgimento do "Angolês"? Poderá ou não surgir em Angola, dentro de séculos, uma língua distinta do Português Europeu e da miríade de idiomas expressos no universo angolano?
Partindo de estudos sincrónicos e diacrónicos (evolução histórica) das línguas, atentos às tendências, autores como Carlos Figueiredo, Francisco Edmundo,  G. Bender, Amélia Mingas, entre outros, apontam os desvios visíveis na utilização da Língua Portuguesa em Angola como propiciadores do surgimento de uma "nova" língua a que designam por "Angolês, Português Angolano", etc.

Atendendo que as línguas têm sempre diferentes níveis de utilização (vulgar/popular, padrão/norma e erudito/científico), evolução transformação e gestação de novas identidades linguísticas, urge tecer algumas considerações a propósito da Língua de Camões falada em Angola.

O idioma Português não é mais do que a evolução de um conjunto de idiomas ibéricos que parte dos Celta, do Latim, do Castelhano, etc. que em contacto com realidades linguísticas (morfológicas e fonológicas ) africanas, americanas e asiáticas delas tomou empréstimos e ganhou amplitude. O caminho trilhado pelas línguas ibéricas, até se chegar aos idiomas actuais, será, com o tempo, replicado nos países em que o Português chegou por via da colonização/imposição. Essa tendência pode ser observada em Cabo Verde onde do Português e as Línguas africanas da África Ocidental levaram ao surgimento do crioulo cabo-verdiano que já é língua nacional daquele país, coabitando com o Português, língua oficial. Por mais que defendamos a pureza da língua de Camões, teremos de nos vergar, um dia, à evidência e reconhecer facto semelhante em Angola.
O "Angolês" ou outra designação que lhe for atribuída, será apenas uma questão de tempo, de maior criatividade dos falantes, uniformidade semântica dos vocábulos em todo o território e criação de um instrumento morfológico e sintáctico distinto das línguas que lhe dão origem (Português Europeu e línguas bantu e não bantu do território angolano).
Há hoje um novo paradigma linguístico que emerge nos nossos bairros, nas nossas sanzalas, nas aldeias, nas falas do povo que sente “ser mais importante comunicar do que as críticas dos gramáticos”. Há uma nova língua que se vai distanciando cada vez mais da norma, que se expande através música e da literatura, uma língua que é falada e que facilita a comunicação, que já é lida e muito cantada.
Vejamos o caso da expressão “Ontem levei uma torra de katrungugu e fiquei malayke”. Será isso Português, uma gíria ou emergência de uma nova forma de comunicar que se populariza cada vez mais?
Autores como Carlos Figueiredo (em “Projeto Libolo/Português de Angola”) acentuam nos seus estudos que o “Angolese” ou Português de Angola “é  já um facto. Ele já existe e só os conservadores, que continuam presos à norma europeia, é que não querem admitir isso”. Figueiredo atesta ainda que “a confirmação científica do uso de desvios fixa definitivamente a mudança na língua (paradigma dominante), o que constatam já os estudos existentes em sociolinguística quantitativa”. Em Angola, sustenta, o desvio sistemático à norma padrão faz com que se passe de facto social a fenómeno (abrangente) ou seja de algo pontual para algo sistemático.
Angola como Nação que já temos à mão precisa de uma nova identidade, distinta daquela desenhada pela potência colonial. Tal passará também, a meu ver, pela tangibilidade da comunicação. A função primeira da língua é comunicar ou passar a mensagem. Durante largos anos os portugueses incutiram aos angolanos a ideia de que as línguas bantu eram sinónimo de desprestígio social. A nossa identidade milenar que não se perdeu ao longo dos 500 anos de presença europeia refundar-se numa nova forma de articulação oral que passa para a escrita e daí para uma nova norma.
É a consciencialização do “homo angolensis” que se reflecte nos verdadeiros usos de fala de milhões de pessoas. O “Angolense” é e será tão somente o “resgate da  a heranças dos nossos antepassados africanos que foi maltratada, vilipendiada e subvertida durante séculos”. Essa é a homenagem que todos nós lhes devemos.
Posto isso, as questão que coloco são: temos razões para continuar a alinharmos com a norma internacional da Língua Portuguesa? Aqui a resposta é SIM.
Vamos a tempo de escolarizar todos os angolanos ao ponto de falarem o Português "camoniano"? A minha resposta é NÃO.
Teremos cada vez mais angolanos (escolarizados ou não) a falarem a LP com laivos de africanismo? A resposta é SIM.
Que discurso deve levar hoje à escola/universidade um professor de Língua Portuguesa? Do meu ponto de vista,  dizer que já temos uma nova língua (ainda não pautada/normatizada) pode parecer um pouco arriscado. O melhor caminho é ir alertando (gradualismo) que há uma eminência que se vai clarificando com os estudos  que se realizam neste domínio. Os estudantes de hoje serão os cientistas de amanhã. Quando tivermos estudos suficientes e um quórum que permita a apresentação do paradigma, ai sim sairemos (sairão) a público os anunciantes da nova língua que espero caminhe em paralelo com aquela herdada da imposição colonial e que, felizmente, nos permite nesses dias, construir uma Nuno Alberto Nacao num diverso mosaico cultural e etnolinguístico.
Em remate: vão coexistir os que tenderão para o "Português Europeu" e tantos outros (maioria) a marcarem a sua identidade milenar na língua oficial que falam, imposta pelo antigo colonizador, resultando num crioulo. A preocupação de alguns escritores angolanos de levarem, de forma explícita, essa identidade (antes representada apenas nas falas dos personagens) para o discurso escrito, marca já um ponto de ruptura ou anunciação de uma nova realidade tangível e inexpurgável. Há hoje a preocupação de os escritores não só escreverem as pronúncias (redacção difusa), mas atentos à grafia correcta, de acordo aos idiomas bantu e à semântica que encerra.

Quando os estudiosos definirem uma pauta sobre: como se deverão escrever as palavras (léxico próprio), quais as construções sintácticas, como se vocaliza e quais os significados (semântica) aí teremos uma nova língua, distinta daquelas que lhe deram origem, e não levará milénios para acontecer.
Nota: Essa reflexão contou com subsídios de vários amigos do face book e podem ser lidos em www.mesumajikuka.blogspot.com
 

quinta-feira, junho 12, 2014

A importância sociohistórica e linguísticocultural do Município do Libolo

Por: Prof. Dr.Carlos Filipe G. Figueiredo, no âmbito do Projecto do Libolo

A importância sociohistórica e linguísticocultural do Município do Libolo surge intimamente relacionada com as suas origens. A forte resistência, por parte dos chefes indígenas e suas populações, à fixação de colonos e políticas de aculturação da região determinadas pela administração portuguesa, são atestadas desde o século XVI, ou seja, desde os primórdios da chegada dos portugueses a Angola. Os pesquisadores do actual projecto acreditam que esta resistência tem também, na sua base, a defesa da população contra o resgate de escravos efectuado na região, que seriam enviados depois para a zona costeira (Amboim e barra do Cuanza), antes de serem embarcados para o entreposto de São Tomé e remetidos para o Brasil e América Caraíba.  O modo como se terá processado este resgate e o comércio que o sustentou está longe de se encontrar devidamente documentado, o que constitui um aliciante incontornável para os estudos científicos sobre a rica história da região do Libolo. A confirmar-se o historial de resgate e comércio esclavagista no Libolo, estar-se-á a contribuir com dados históricos inovadores e precisos não só para o estudo do tráfico desenvolvido entre os dois lados do Atlântico, sobretudo nos séculos XVII e XVIII, em que foi intenso o envio de negros da zona banta angolana para o Brasil, mas também para um melhor entendimento acerca dos traços linguísticos e fenómenos culturais transplantados para o Brasil e América Caraíba, via língua e hábitos dos escravos resgatados em África.
Paralelamente, como os confrontos entre nativos e forças armadas coloniais foram bastante intensos e duradouros, tendo a pacificação da região acontecido apenas no primeiro terço do século XX, com a razia de sanzalas e apagamento físico dos sobas sublevados, este aspecto revelou-se fundamental para a preservação de traços linguístico-culturais nativos, que darão igualmente um contributo valioso para o estudo diacrónico da antropologia da região, por um lado, e análise aprofundada das características quer do português como primeira língua (L1) quer do português como segunda língua (L2) falados no Município, por outro lado. O fato de existirem também falantes do quimbundo L1 nas Comunas do Libolo é igualmente de importância extrema para a recolha de dados da língua nativa do Município, que permitirão trazer mais luz sobre os fenómenos de transferência semântica, fonológica e morfossintática para o português L2 adquirido por contacto, por um lado, e sua cadeia de preservação quer no português L1 do Libolo quer nas falas do Brasil, tanto quilombolas como do próprio português do Brasil, por outro lado. Indícios sobre estas particularidades foram já atestados no trabalho apresentado pelos investigadores nos congressos de São Paulo Natal. Assim, e num momento em que Angola começa a ganhar consciência sobre as tendências e singularidades da variedade de português falada no país e a necessidade do reconhecimento do seu estatuto como variedade nacional, os estudos linguísticos a levar a cabo no Libolo, e sua articulação com a vertente do ensino, serão cruciais quer para a formação de docentes quer para a elaboração de materiais e instrumentos didácticos que dêem resposta adequada às extensões de uso do “português angolano”. De facto, só assim se facultará um ensino/aprendizagem da língua consentâneo com as realidades sócio-afectivas e culturais contidas no idioma oficial do país e que reflectem a força do seu pulsar actual.
Depois da pacificação do Libolo no primeiro terço do século XX, e salvaguardando os acontecimentos relacionados com as acções repressivas levadas a cabo pelas autoridades coloniais no início da década de 60 do mesmo século, a região permaneceu em paz até à altura da independência de Angola, em 11 de Novembro de 1975, multiplicando-se o aparecimento de casas de comércio na vila, onde se instalaram também escolas primárias e uma Escola Técnica. A economia prosperou, assente em grandes instalações agro-pecuárias e extensas fazendas, sobretudo de café e sisal. O envio massivo de “contratados” para trabalharem nestas fazendas constitui outra fase da história das “modernas formas de escravidão” no Município, que se encontra por documentar.
Como por documentar estão também as últimas páginas da história mais contemporânea do região, já que após a independência de Angola e instauração da guerra civil, que opôs os partidários do Governo (MPLA) à União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) e à Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), o Libolo, dada a sua relativa proximidade ao Bailundo, onde a UNITA instalara o quartel-general, foi alvo de várias incursões por parte das tropas deste movimento, que chegaram a instalar-se na povoação de Calulo e a dominar praticamente todo o Município, em determinados períodos da história da guerra civil angolana. O abandono das fazendas e instalações agro-pecuárias, por parte dos colonos, a que se aliaram os efeitos da guerra civil, fez ruir o sistema económico-produtivo, educacional e rodoviário do Município. A povoação de Calulo, onde se sediaram as tropas do Governo durante o período da guerra civil, representava o único ponto de segurança para a população das Comunas do Libolo. O êxodo da população das outras Comunas para a sede do Município ocorreu em grande escala e originou uma nova conjuntura socio-económica, com a redistribuição geográfica da massa de habitantes das Comunas do Libolo. O Quissongo, a Cabuta e a Munenga desertificaram-se e a sede do município enfrentou uma explosão demográfica para a qual as suas debilitadas infraestruturas não estavam preparadas. Os bairros periféricos aumentaram consideravelmente e actualmente, uma década volvida sobre a morte do líder da UNITA e instalação da paz em Angola, as Comunas desertificadas enfrentam dificuldades de repovoamento, que as continuam a afetar social e economicamente. De acordo com dados dos censos da região, recolhidos pelo Prof. Dr. Carlos Figueiredo durante o trabalho de campo em 2011, junto da Comissão Executiva Municipal para o Processo Eleitoral do Município do Libolo,o percentual de habitantes que ainda não tinham atingido a idade de votar era de 46.5%, um valor que atesta estarmos em presença de uma população bastante jovem no Libolo. A distribuição dos habitantes e votantes por Comuna era a seguinte:
(1)                Comuna de Calulo: 52736 habitantes, dos quais 22179 em idade de votar (42.0%);
(2)                Comuna da Cabuta: 12906 habitantes, dos quais 8607 em idade de votar (66.7%);
(3)                Comuna da Munenga: 14567 habitantes, dos quais 4453 em idade de votar (30.6%);
(4)                Comuna do Quissongo: 5244 habitantes, dos quais 4454 em idade de votar (84.9%).
Presentemente, pode considerar-se que apenas a povoação de Calulo possui infraestruturas a funcionar, embora de forma limitada. As oportunidades de emprego são escassas na região, sobretudo para os mais jovens, e as escolas do Município encontram-se a laborar enfrentando dificuldades materiais e de recursos humanos. Calulo está ligado a Luanda por uma via asfaltada de boa qualidade, que atravessa a Comuna da Munenga, mas a estrada que faz a conexão entre Calulo e a Cabuta possui apenas cerca de quatro quilómetros de asfalto, até ao local onde está instalado o pequeno aeroporto do Município. O resto do piso é em terra batida e não está em bom estado de conservação. Por seu lado, a ligação de terra batida às áreas mais afastadas da Comuna do Quissongo apresenta-se bastante comprometida, sobretudo na estação das chuvas.
O percentual dos habitantes em idade de votar dá-nos uma ideia acerca do envelhecimento da população nas diferentes Comunas administrativas. Como se pode verificar, nas Comunas de Calulo e da Munenga, servidas pela estrada asfaltada que liga a Luanda, a população é bastante jovem, já que o percentual de habitantes em idade de votar é inferior à dos que ainda não atingiram essa idade. Contrariamente, as Comunas da Cabuta e do Quissongo, mais isoladas, registam um percentual de votantes mais alto do que o dos não votantes, comprovando-se o envelhecimento da população e a recusa dos mais jovens em abandonarem a sede do Município, onde muitos se fixaram e outros terão já nascido. No caso concreto do Quissongo, a mais extensa Comuna do Município, a situação é mesmo periclitante, já que evidencia um número diminuto de habitantes, com um percentual de envelhecimento extremamente elevado. Resta referir que, à exceção de Calulo, o ensino em todas as outras Comunas administrativas é bastante limitado e ministrado quase apenas por alfabetizadores e alguns professores do ensino primário.

domingo, junho 01, 2014

A IMPACTO DO CONSUMISMO NA ECONOMIA DOMÉSTICA

(A reflexão de sempre)
Acordei tropeçando em sapatos que raras vezes uso. Abri o roupeiro e deparei-me com muita roupa que uso de vez em quando ou quase nunca.

- Vivemos comprando coisas que não precisamos,
- Com o dinheiro que não é nosso (créditos bancários).
- Para parecer que somos o que não somos (financeiramente folgados).
É óbvio que não precisamos de viver no limite das possibilidades, tendo apenas o estritamente necessário. Não precisamos de ter “a máquina” no limite de potência, entrando em descompasso caso um “equipamento” entre inesperadamente em actividade. Mas, que tal ser mais comedidos nas compras?
Os especialistas em marketing sempre nos impingirão a comprar cada vez mais e satisfazerem, desta forma o desejo dos vendedores e prestadores de serviços para quem trabalham. Os fabricantes e prestadores de serviços (combinados ou desagregados) vivem da produção e venda. É o consumo que gera crescimento. Mais consumo resulta em mais dinheiro e mais investimentos. Hoje, os produtos e até os serviços que se prestam são dimensionados no tempo. Desvalorizam-se à velocidade da criatividade e da moda tornando muito efémera a sua duração. Você compra um veículo cujo design é atraente. Seis meses depois sai um novo modelo com um design “irresistível”. Você precisa de veículo em bom estado técnico para se locomover ou precisa de andar naquele com novo design?

Quem segue a moda apenas vai dançando a música dos produtores, amplificada pelos homens da promoção. Você será o homem ou a mulher que sempre estará na praça, comprando a qualquer preço, com o dinheiro que (ainda) não é seu. E vai trabalhar cada vez mais para pagar o que você deve ao banco que também lucra com os juros.

Ou você descarta a moda que o leva a usar "produtos perecíveis" ou sentir-se-á como eu que, mesmo estando desalinhado com a moda, me sinto cheio de coisas que me parecem estar a mais.

domingo, maio 25, 2014

CRISTO: CONDIÇÃO PARA A PAZ E CRESCIMENTO SOCIAL


06.04.2014
 
Ø Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um, derrubando a parede de separação que estava no meio.

Ø Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenança, para criar em si mesmo, dos dois, um novo homem, fazendo a PAZ.
 
Ø Oração. Perdão e agradecimentos pela paz.
Ø Agradecimento ao gabinete pastoral e direcção da Igreja

 Queridas irmãs e irmãos, trago como tema: CRISTO CONDIÇÃO PARA A PAZ E CRESCIMENTO SOCIAL.

Trata-se duma reflexão actual, tendo em conta o dia que assinalamos na sexta-feira, e que se inspira na epístola de Paulo à comunidade de Efésios 02:14-16.

 Ø Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um, derrubando a parede de separação que estava no meio.

 Antes de 2002, todas as mães e pais, que tivessem filhos próximo dos 18 anos, viviam tempos de amargura, tempos de angústia. Nas cidades, 18anos era a idade para se ir à tropa fazer a guerra. Nas zonas rurais, os rapazes eram levados ao arbítrio daqueles que comandavam as unidades militares. Em qualquer parte onde estivessem, os jovens eram os objectos da guerra. A carne para canhão. Uns partiam e não mais voltavam. Outros voltavam estropiados.

Filhos de mesma casa, de mesma aldeia ou bairro, irmãos de mesma igreja estiveram separados pelo véu da ideologia e da guerra. Uns tiveram de encontrar refúgio em terras e países distantes.
 
A guerra que já é passado transformou o homem angolano num animal quase irracional. Vivemos uma infra-vida. Partiu-se o pouco que havia. Minaram-se os caminhos e as lavras. As escolas e os hospitais deixaram de existir para todos os angolanos.

Olhemos agora à nossa volta e comparemos os tempos. Os tempos do conflito armado com os tempos das flores brancas da PAZ.

Nos tempos em que cantei no coro, na igreja Metodista Unida de Moisés, em Luanda, grande parte dos nossos louvores e hinos de marcha eram sobre a necessidade da paz. Pedíamos a Deus que derramasse sobre Angola a mesma bênção que só outros povos tinham… A bênção da PAZ.

Quão doce é a paz entre os irmãos.

Suplicamos e Deus, na sua misericórdia e graça, nos atendeu, queridos irmãos. Já temos doze anos sem o tri-ti-ti das armas.

Que temos então de fazer queridas irmãs e irmãos para que essa pomba não se aparte de nós?

- Vamos cuidar dela.

- Vamos replicar (vamos multiplicar).

- Vamos expandi-la ao Congo, à Republica Centro Africana, a Nigéria onde Muçulmanos e cristãos estão em guerra aberta. Vamos transmitir aos nossos irmãos a dureza e o fel dos tempos de guerra e doçura da Paz que temos, graças ao nosso bom Deus.
 Aleluia!

Ø Na sua carne desfez a inimizade, para criar dos dois um novo homem, fazendo a PAZ.
No campo espiritual e social, queridas irmãs e irmãos,
Basta lembrar os exímios homens de Deus, como o Reverendo Teixeira Samuel, cujos hinos de sua autoria constam do nosso Hinário Povo Cantai, que perderam a vida, quando cumpriam a missão da igreja que é a expansão do Evangelho.

- Quantos templos vimos destruídos pela acção directa ou indirecta da guerra?

 - Quantas igrejas deixamos de construir por insegurança ou incapacidade de realizar as obras, devido aos efeitos da guerra?

Quanta miséria a nossa igreja, as nossas famílias e a nossa sociedade enfrentaram?

Ø Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenança, para criar em si mesmo, dos dois um novo homem, fazendo a PAZ.
 
Vamos transformar toda a ira em fraternidade. Enterremo-la. Plantemos compaixão. Plantemos o entendimento e o equilíbrio na família, no emprego, na igreja e onde quer que estejamos, para que venhamos a colher os frutos doces da paz e da tranquilidade. Espalhemos todos o amor. Porque segundo o sábio Rei Salomão, em provérbios 30:33, o mexer do leite produz manteiga. O espremer do nariz produz sangue e o forçar da contenda produz a ira.
 
Quem está irado, seja consigo mesmo, seja com a igreja ou com a irmã ou irmão da igreja, seja com o colega de serviço, com o vizinho ou com qualquer um, torna-se num potencial fazedor da guerra.

- Vamos aprender a perdoar. E perdoemos 70 vezes 70 vezes.
 
O Salmos 133:01 diz-nos” Quão Bom e quão suave é que os irmãos vivam em união”. Para estarmos unidos, de quê que precisamos, queridos irmãos?

- Precisamos d'A paz de Deus que excede todo o entendimento e que guardará os nossos corações e os nossos sentimentos em Cristo Jesus”, segundo se lê em Filipenses 04:07.

 
Para terminar, gostaria que a Igreja repetisse comigo o texto de Mateus 05:09 e o guardássemos connosco.

Ø Bem-aventurados os pacificadores porque eles serão chamados filhos de Deus.
 
Deus abençoe a sua palavra.

Amem!

quinta-feira, maio 01, 2014

COM TUDO OU CONTUDO?

COM TUDO OU CONTUDO?
Se tem duvida em como usar as expressões supra, preste atenção às frases.
- Com tudo perdido, Maria Katumbu fez a mala a partiu para Luanda, levando Kaúia e as irmãs. Meses depois, puxou, contudo, as ultimas forças e refez a vida perdida no campo (S.Canhanga, in “O Sonho de Kauia” -2010).


Contudo indica adversidade. É conjunção adversativa.
 Com tudo indica quantidade. Com=advérbio de companhia; tudo=advérbio de quantidade (indefinida).
Aplique-se na com tudo na aprendizagem da Língua Portuguesa, contudo não tenha tudo como verdade. Duvide sempre!

segunda-feira, abril 14, 2014

A IDEIA É… OU O OBJECTIVO É?

Tornou-se corriqueiro ouvir jornalistas, políticos, gestores e até académicos a utilizarem a expressão “a ideia é… para se referir aos objectivos que norteiam uma determinada realização.

Ideia e objectivo são sinónimos perfeitos? Vejamos o que nos explica um dicionário simples, no caso, o wikipédia (internet).

Ideia: O termo é usado em duas acepções. Como sinónimo de conceito ou, num sentido mais lato, como expressão que traz implícita uma presença de intencionalidade. A palavra deriva do grego idea ou  eidea, cuja raiz etimológica é eidosimagem.

Objectivo: O termo diz respeito a um fim que se quer atingir, e nesse sentido é sinónimo de alvo tanto como fim a tingir.

terça-feira, abril 01, 2014

O QUE É QUE REALMENTE VENDE O JORNAL?


Muitos comerciantes perguntam-se "como é que suas lojas que possuem prateleiras melhor arrumadas e mais apetrechadas que outras, em termos de oferta de produtos, registam menor clientela.
-  Não será a forma como os proprietários e ou os seus funcionários soltam o pregão (1) a razão que as diferencia?

Há no comércio uma máxima que reza: “Vender todos podem, porém vender muito só os mais hábeis”. Tal acontece também com os órgãos da comunicação social.
Muitas rádios, muitos jornais, muitas televisões, mesmos assuntos de reportagem e, às vezes, mesmos profissionais no caso de grandes empresas de comunicação (2).  Porém, as vendas e as audiências são diferentes. Porquê?
Talvez disséssemos que os recursos humanos são peça importante. O grau de instrução, nomes sonantes ou não , experiência profissional, etc. - Mas que tal de mesmos profissionais que trabalham para mesma Holding?

- Quantas boas e grandes notícias ficam por ler ou ouvir porque foram mal tituladas?

- Quantos jornais voltam à casa, para o "museu" ou arquivo, não por serem mal escritos ou por não possuírem boas notícias, mas porque estas foram mal publicitadas?

A forma como veiculamos a notícia e como os órgãos se relacionam com o seu público constituem-se nos grandes pregões. São como a peixeira que lança o seu pregão e contacta todos os dias os seus clientes sobre eventuais necessidades. "O cliente gosta de ser surpreendido com o que quer, mas é preciso saber anunciar o que se tem". - Diz um velho livro de marketing.
Em rádio bons títulos e bem geridos levam o ouvinte, por mais pressa que tenha, até ao fim do noticiário. Tal acontece também em televisão onde as imagens falam mais do que as palavras. Na imprensa um bom título ainda que isolado, oco ou mal suportado no seu interior vende o jornal. (3)

Titular, porém, não se afigura como tarefa fácil. Porque todos podem ser excelentes repórteres e exímios redactores, mas titular é uma especificidade do jornalismo moderno. Aqui são chamados ou deveriam ser chamados os mais hábeis e experimentados, já que “é o pregão mais forte quem mais vende”. Na ausência de especialistas, o ideal seria ouvir as sugestões do conjunto de jornalistas da redacção.

- Quantas vezes um bom título é sugerido pelo motorista?

- Sem nos esquecermos da “relação de pertença ou de cumplicidade”(4) que se estabelece entre os órgãos da comunicação social e os seus receptores, "criar interesse e levar à acção”, como aconselha a publicidade, deve ser tarefa do indivíduo que titula. Se assim acontecer HÁ COMUNICAÇÃO.

==
1-Pregão é aqui entendido como a forma como são geridas as relações com o público e a forma como é feito o marketing.
2-Há conglomerados como a Media Capital ou Impresa em Portugal que por si só juntam rádio, imprensa e televisão, reproduzindo as mesmas matérias nos diferentes órgãos que compões a holding.
3- Há títulos únicos que vendem o jornal por inteiro. Também há títulos que falam mais do que as notícias e aqueles que não dizem o que anunciam.
Sobre estes dois últimos aspectos deve ler: o artigo “Títulos que dizem mais dos que as notícias” desta série.
4- É importante que órgão tenha o feedback e saiba na medida do possível satisfazer a expectativa dos seus ouvintes, leitores, telespectadores que são, ao fim e ao cabo, os seus clientes.

 (Escrito em 2005)

sexta-feira, março 14, 2014

O CARNAVAL DO RANGEL E A HOMENAGEM QUE FALTA A MAM-BRÁS

"Mamá, atuzemba. Atuzemba, atuzembel´anhi?! (Mamã, não gostam de nós. Por que não gostam de nós?!) Quando vai aí, Atuzemba está com o povo. Quando vem aqui, Atuzemba está com todos"
O refrão que já leva muitas décadas pertence ao grupo carnavalesco ATUZEMBA, do distrito urbano do Rangel, em Luanda. Não venceu o desfile central enem sei se desceu à nova marginal para dançar sob os olhar silencioso (sob olhos secos) do Camarada Manguxi que repousa ali no seu mausoléu...

A coroa do carnaval de Luanda voltou, em 2014, ao Rangel, mercê da soberba actuação do União Sagrada Esperança, do bairro (agora distrito urbano) que me viu crescer e fazer-me homem. Foi no Rangel, entre a Rua da Ambaca, da Saúde, Comandante Cantiga, Rua do Paraná, Rua da Mão e do Povo, entre outras, que tomei contacto com o carnaval luandense, ainda no tempo do já finado “carnaval da vitória” que se realizava em Março, para assinalar a saída do último “carcamano sul-africano-racista” do solo pátrio, a 27 de Março de 1976, depois da invasão estrangeira que visava inviabilizar a proclamação da independência de Angla pelo MPLA.


No Rangel, dançávamos ao carnaval da vitória com o Grupo Atu Zemba, União Estrela do Kaputu (Zona 15), União Mãe Ya Ndengue, Andorinhas, União Povo do Rangel, União Juventude, e tantos outros que animavam o município inteiro, antes e nos dias do desfile. Agradava-me assistir aos ensaios e ver aquela gente alegre. Alegria espontânea e não comprada ou a troco de alguma distinção à marginal. E dançávamos eufóricos ao som da ngoma de lata, reco-reco, puíta, chocalho, etc. O rei e sua rainha vestiam-se à moda angolana e exibiam coroas feitas a base de ferros recortados e outros metais. Era tudo a base do improviso e da espontaneidade. A criatividade também morava connosco e já se dizia que corria no sangue.

Mas quem mais alegria dava aos munícipes todos, em especial às mamãs peixeiras e outras quitandeiras da praça das Corridas (hoje mais conhecida como praça do Tunga Ngó) e da Praça Nova (defronte a administração comunal do Rangel) e aos meninos e meninas da minha infância “rangelina”, era o Mam-Brás, exímio vocalista de carnaval, dançarino e tocador de ngoma e puita. Mam-Brás sofria de algum distúrbio mental que não cheguei a definir e alimentava-se frequentemente de carne que lhe era ofertada pelas quintandeiras que apreciavam os seus toques e retoques de dança carnavalesca.

Depois da exibição, perguntava sempre:


- Há uma gordurinha? - O homem referia-se a miudezas que voluntariamente lhe eram ofertadas.

 Seguindo o som do seu batuque, muitas crianças chegavam a se perder, dando lugar a outro tocar de lata, desta vez, por parte das famílias cujos petizes se perdiam no rasto da ngoma do Mam-Braz que continua o seu percurso.
- Nanhi wa ngi bongela kamona ka dyal'ê?! (Quem terá encontrado  uma criança de sexo masculino?!)

Fruto disso, muitas mães preferiam mandar parar o Mam-Brás e tocar por alguns minutos à porta de casa, oferecendo-lhe depois aquilo que houvesse. Assim, as crianças deixavam de o acompanhar. Mas não era a mesma coisa ver o Mam-Braz tocar à porta de nossa casa e vê-lo exibir-se em rua livre ou na Praça das Corridas.
Mam-Brás foi um feitor e zelador do nosso carnaval de bairro. Carnaval alegre, sem preço, sem patrocínios, sem contrapartidas e que não era encomendado por ninguém. Mam-Brás corporizava essa alegria de quem estava e sentia-se livre na sua terra.
O Mam-Brás vivia na Rua Pernanbuco, também conhecida nos últimos tempos por rua do “ti Avelino dos Santos”. Pernambuco, a Joana, era uma exímia dançarina cuja história não me atrevo relatar por falta e precisão de dados. Mas que foi tão boa a dançar ao ponto de ganhar o nome de uma das ruas do Rangel, isso ela foi.
Apesar de sofrer de distúrbio mental, Mam-Brás tinha o reconhecimento e respeito de todos. Era prendado pelas mamãs que gostavam do som do seu tambor, da voz do seu canto e dos toques da sua dança, quer na rua ou nos mercados onde preferencialmente se fazia exibir. Nada cobrava. Apenas recebia o que lhe era dado de oferta no momento da exibição e fazendo do seu carnaval, sem época, o seu ganha-pão.
 
Mam-Brás, que ainda faz ecoar no meu ouvido a nossa alegria de criança esboçada com o refrão: Mam-Bragéé-é, Mam-Bragéé-é!,  e o meu homenageado neste carnaval de 2014, cujo vencedor, em Luanda foi o União Sagrada Esperança do Rangel que homenageou a Rainha Njinga Mbandi.
Que o próximo homenageado seja o Mam-Bragéé-é, Mam-Bragéé-é!
 

sábado, março 01, 2014

ALÔ, SENHOR DEPUTADO, GRAFIA DAS CIDADES VAI AO PARLAMENTO

Acabei de ler no jornal de Angola (edição de 26 de Fev. 2014) que o Ministério da Administração do Território vai levar ao Parlamento, para debate e provável aprovação, uma proposta de Projecto de Lei sobre as denominações das províncias, localidades e municípios do país que está a ser preparada.

Lê-se na notícia que Bornito de Sousa, o Ministro, falava durante um encontro com jornalistas e esclareceu que o seu Ministério vai adoptar novas grafias para algumas províncias, tendo exemplificado a retirada da letra k e a introdução do c.

O Ministro informou ainda, cito o Jornal de Angola, que os topónimos para as comunas, municípios e localidades “têm como base a grafia em português, a língua oficial”.
Uma fonte conhecedora do assunto escreveu (F.B., 26.02.2014) que o que o MAT orientou aos media para aplicação rigorosa é “uma Portaria de 1971, de 12 de Fevereiro, sobre a Divisão Administrativa e Toponímia da então Província Ultramarina de Angola, a fim de buscar uma harmonização da grafia”, sendo que, segundo ainda a mesma fonte, “o MAT está a querer ser apenas rigoroso e agir em conformidade com o que está legislado”.
Na busca de uma Lei nova que esteja adequada com a nossa realidade actual, com a nossa cultura, segue a fonte, o MAT está a preparar o projecto de Lei sobre a Toponímia que será trazida a debate público para as contribuições de todos e, desta forma, em conjunto, encontrar-se a melhor solução para este problema.
Três  perguntas:
- Por que foi “impingida” aos órgãos da comunicação social a aplicação rigorosa de uma lei de 1971 que corrige para pior determinados topónimos surgidos ou já rectificados no pós-independência? Coloco aqui o exemplo do Kuando Kubango e Kwanzas Norte e Sul.
- Afinal de contas, que documento o MAT pretende levar ao poder legislativo? O projecto de lei ainda desconhecido ou a Portaria de 1971 que não admite a utilização das letras K, W e Y (constantes dos alfabetos convencionados pelo nosso Governo através da Resolução 3/87 de 23 de Maio, do Conselho da República)?
- Na eventualidade de se pretender levar ao Parlamento ou a uma consulta mais alargada uma nova proposta de lei, com que contribuições, dos mais distintos círculos da sociedade angolana, conta o MAT na fase de elaboração do documento?
Pedido aos ilustres representantes do povo à Assembleia Nacional
 Senhor Deputado, a grafia das cidades vai ao parlamento. A decisão está no seu voto.
Kumbi lyu tunga zemba lyu xika mwixi! (O dia de construir o palácio é o de assobiar!). Não se pode perder uma oportunidade singular.
 Se você é um deputado defensor dos valores africanos de origem bantu, defensor das nossas origens, da grafia dos nossos nomes de acordo aos significados que encerram e a nossa identidade cultural, sei que vai votar CERTO.
 Basta reflectir no seguinte: o nosso maior rio de Angola que dá nome à nossa moeda deve escrever-se com CU ou com KW?
·      Espero que até à chegada da proposta de lei ao poder legislativo, os representantes do povo consultem sociólogos, linguistas, antropólogos e historiadores, para que o trabalho de casa esteja feito. Que os deputados da maioria e da minoria não cumpram apenas a "disciplina Partidária”. Estudem o assunto, busquem consultoria, façam o “dever de casa” e votem em consciência representando os vossos eleitores.
Até lá, até que se esclareça se o que vai ao Parlamento é a Portaria de 1971 ou uma Nova Lei, espero que consigamos (opinion makers) influenciar os Governantes e Legisladores, discutindo e opinando de forma aberta, alargada e desapaixonada. Vamos buscar consensos. Vamos buscar posições que não nos levem a mudar de leis quando um dia vierem outros homens a governar Angola. O Partido pode ser o mesmo mas os homens e as mentalidades, tenho certeza,  serão diferentes.
Seja o que for e venha o que vier. É preciso investigar, idoneamente!