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segunda-feira, maio 10, 2010

LAC: CASA DE FORMAÇÃO E APERFEIÇOAMENTO TÉCNICO DE JORNALISTAS

A Luanda Antena Comercial afirmou-se ao longo dos 18 anos de existência como uma grande "escola" de formação on job e também receptáculo de jovens jornalistas talentosos vindos de outras emissoras, sobretudo das províncias.

A Rádio Comercial de Cabinda já forneceu à LAC Pedro Menezes (falecido) e Paulo Duda (actualmente na Tv Zimbo). A emissora do Lobito "deu" à 95.5 FM Adelina (Quieza) Silvestre e, procedentes do Lubango, a LAC teve  Horvanda Andrade, José Kundi (Tpa) e Norberto Abias (Tv Zimbo). Antes tinha ingressado na LAC, vinda do Huambo, a Carla Castelo Branco (Fany).

Em 1997 a emissora teve uma ousada aposta no forjamento de novos talentos saídos do então curso de jornalismo do Instituto Médio de Economia de Luanda (IMEL), tendo, de uma "fornália" de 25 candidatos submetidos a teste e estágio, despontado nomes como: Luciano Canhanga, José de Assunção, Franscisca Pacavira, Rossana Miranda (Tv Zimbo), Stela Marisa e Marlene Pinto Amaro (as duas últimas actualmente naTPA).

A esta experiência de formação on job seguiram-se outras que comnferiram profissionalismo a Raúl Bias Van-Dúnem, Mateus Gaspar (TV Zimbo), Manuel José, Eurico Kabanga, Sheila Kanumbila, entre outros, também formados numa "escola" que antes dera igualmnte "nome" a Joanine Arriscado, Mário Guerra, Niki Menezes, etc.

Infelizmente, a dinâmica do mercado tem feito da LAC uma porta de passagem para outros "voos" profissionais de jovens jornalistas com outras ambições académicas e laborais, fazendo dela, hoje, uma casa com poucas estrelas ou menos do que devia ter.

Obs: Texto aberto a contribuições .

quarta-feira, abril 21, 2010

A FORMAÇÃO DE JORNALISTAS NA IGREJA METODISTA: DO NÚCLEO AO CLUB

Para que história do nosso jornalismo seja escrita com veracidade é necessário que os actores de hoje deixem "rabiscos" que sirvam de pistas aos futuros historiadores. E se a história da formação de jornalistas em Luanda for escrita, ela não deverá passar ao largo de uma importante iniciativa de jovens "apaixonados" pelo radialismo e jornalismo em geral.

Reporto-me ao Núcleo de Amigos da Rádio criado em princípios dos anos noventa do séc. XX por Eduardo Magalhães e Luciano Manuel da Silva (José Manuel Fançony). Era um espaço onde os dois jovens radialistas da RNA, ainda em início de carreira,  passavam a sua experiência a jovens (da Igreja) como: Manuel Filipe, João Manuel, Tomé Armando, Marinela Fernandes, Domingos Kitumba, Carlos Calongo, Domingos Soares "Ney", Georgina Guinhi (hoje médica), Benvindo Magalhães, Fernando Manuel Fançony "Nandinho", Jota Viage, Domingos Soares "Yoyó", José Ndonga, Jesus Delgado, José Mante, entre outros.

A "escola" foi inaugurada na casa do José Manuel Fançony, ao Cazenga, e só mais tarde, por alegadas questões de segurança, se mudou para o templo de Belém da Igreja Metodista Unida, ao Rangel, pastoreada naquela altura pelo Rev. Gabriel Vinte e Cinco. As aulas consistiam em cultura geral e técnicas de locução, ingrediantes que serviam de base nos concursos públicos realizados pela emissora nacional para a admissão de novos jornalistas.

Com o aumento das responsabilidades profissionais dos formadores, o tempo escasseou e o projecto "esmoreceu", tendo sido recuperado anos mais tarde, em 1999, por Luciano Canhanga (Sec. Geral), João Manuel (Presidente) e Manuel Filipe (Vice-Presidente), contando ainda com conferências dadas por renomados jornalistas da época como: Horácio Pedro, Domingos João e pelos primeiros formados pelo Núcleo, já em actividade laboral  na RNA.

Na sua segunda versão, já com a designação de Clube de Jovens Amigos do Jornalismo da Igreja Metodista, as aulas consistiam no aperfeiçoamento da língua portuguesa, técnicas de reportagem e redacção, locução radiofónica e cultura geral.  Foram/são frutos desta segunda iniciativa jornalistas como: Miguel Kitari (Semanário Económico), Filomena Ebo e Arminda Coimbra (Rádio Escola), Adelina Inácio e Pedro Bica (Jornal de Angola), Zenilda Volola, Adão Tiago e Maria da Costa (Rádio Eclésia), Faustino Hossi Manuel (TPA), Hilário dos Santos (Tv Zimbo), Milonga Bernardo e Aires Francisco (RNA-Viana), Lourenço Miguel (RNA-Benguela), Victória Armando, entre outros nomes da nossa praça jornalística.


Momentos de lazer e teatro faziam também parte do CLUB-JAJIM cujo periódo de vigência, nesta sua segunda versão, foi de aproximadamente quatro anos.

Depois de terem passado por outras "escolas on job" temos hoje muitos destes jovens a darem o seu máximo em diferentes órgãos da comunicação social.
A iniciativa reclama uma nova reoxigenação.   
Obs: texto aberto a contribuições. 

quinta-feira, abril 01, 2010

ECLÉSIA: FORMAÇÃO ON JOB E MOBILIDADE

Pedro Manuel Vieira, Moisés Sachipangue e Gabriel Niva são exemplos de jornalistas que iniciaram carreira na Huila mas que ganharam nome na Eclésia. Se por este motivo o Lubango pode ser considerado o sorvedouro da Emissora Católica de Angola, esta Rádio é por sua vez o “celeiro” da TPA.

Nomes como Neto Júnior, Benedito Joaquim, João Pinto, Moisés Sachipangue, Gabriel Niva, Faustino Hossi (Manuel) Alexandre Cose, Almir Agria, Mário Vaz Contreiras, entre outros, hoje na Televisão Publica passaram pela Eclésia, onde se aperfeiçoaram na arte de informar/noticiar, pontificando-se como exímios senhores do jornalismo angolano. Daí que ser-se jornalista da Eclésia é, hoje por hoje, meio caminho andado para ver franqueadas as portas da Televisão Pública, tendo em conta a mobilidade dos profissionais desta Emissora em direcção à TPA.

Para além dos citados jornalistas, a Emissora Católica deu ainda à Rádio Mais o actual editor-chefe, Arão Gaspar, também procedente do planalto huilano, Rossana Miranda (LAC/Eclésia/TPA/ TV-Zimbo), Teixeira Cândido (Jornal de Angola/ Jornal O País), entre outros  "emigrados".

A formação on job de jovens recém-saídos de cursos médios e básicos tem sido outra aposta da emissora, o que permite um equilíbrio entre os que saiem e aqueles que dão continuidade à obra. Adão Tiago, Walter Cristóvão, Zenilda Volola, entre outros, são exemplos deste esforço de renovação contínua, contando com a formação on job de novos talentos.

OBS: Texto aberto a contribuições

quarta-feira, março 10, 2010

A ADAPTABILIDADE DO METODISMO UNIDO ANGOLANO

O Metodismo Unido, ramo da religião cristã evangélica, nascido nos EUA, chegou a Angola em Março de 1885 com o Bispo William Taylor à cabeça, tendo percorrido, na sua expansão a partir de Luanda, as regiões de Dondo, Nhanga-a-Pepe, Quiôngua, Quessua e Quela, expandindo-se destes pontos para grande parte do país. Tal como afirma o bispo Emílio de Carvalho, no prefácio do Hinário Povo Cantai: (Núcleo, Queluz, 1982), "o metodismo nasceu a cantar...".

Apesar da sua chama sempre activa e acesa, a guerra e as suas consequências demográficas e sociais que o país viveu condicionaram o Metodismo à região Litoral e um pouco pelo Centro, atingindo dificilmente as regiões Leste, Nordeste e Sudeste de Angola, onde os Metodistas Unidos apenas nos últimos decénios marcam os seus primeiros passos. É exemplo desta constatação a Lunda Sul. Fruto deste tardio enraizamento pela região Cokwe e Ngangela assistimos à escassa ou mesmo inexistência da tradução da literatura metodista (hinário, bíblias e códigos litúrgicos) do português para essas línguas à semelhança do Kimbundu, Kikongo e Umbundu que possuem secções musicais no Hinário Povo Cantai.

O Metodismo Unido é, porém,  uma organização cristã que se adapta e que procura os melhores métodos de fazer chegar o evangelho aos confins da terra. No nordeste de Angola, onde não há tradição religiosa (1) cristã, os metodistas associam à música e dança, captados da cultura religiosa dos evangélicos congoleses, aos hinos e cânticos tradicionais do metodismo. Assim, ele cresce e se adapta às características socio-culturais das ovelhas que arregimenta para o seu rebanho. É, em suma, um diálogo entre a matriz básica e as novas tendências ou as exigências do presente para uma evangelização mais humanizante e ao serviço dos homens.

Outra nota dominante no nordeste é o uso do bi-linguismo na pregação do evangelho e outros serviços da Igreja, motivado pela inexistência de bibliografia na língua nativa, o cokwe, e existência de membros leigos que não dominam a língua portuguesa, principal veículo de comunicação em Angola.

A tradução das mensagens (bíblica e anúncios) torna os cultos mais demorados, porém mais inclusivos, abrangentes e educativos, já que as línguas de serviço se tornam em elementos de aprendizagem comum e meditação (português/cokwe e vice-versa). Por outra, é sabido que a mensagem se torna mais incisiva e menos ambígua se transmitida na língua do receptor o que valoriza ainda mais esta experiência.
A inexistência de uma secção em Ucokwe no hinário metodista unido é motivo para se fazer um convite aos linguistas e teólogos de várias denominações religiosas evangélicas do Nordeste a assumirem tal desafio, superando-o, já que o protestantismo, nas suas numerosas manifestações, tem mais elementos comuns do que díspares, incluindo a hinologia. Tal tarefa começaria pela tradução dos hinos conhecidos e cantados em português, kimbundu, umbundo e kikongo, bem como a introdução de novos hinos que não figuram no hinário metodista.

Tal como pregava o finado pastor metodista Teixeira Samuel, "Cantar também é evangelizar". Com esta nova forma de evangelizar, "juntemo-nos e levemos o envangelho do Senhor a todos os moradores da terra"!
_______________________
NOTA: O autor é membro da Igreja Metodista Unida desde 1984, com passagem e convivência com pessoas de outras denominações religiosas cristãs.
1- Grande parte dos habitantes rurais do nordeste acreditam em práticas animistas politeístas, crença metafísica e feiticista, bem como veneram os antepassados

sábado, fevereiro 20, 2010

UM OLHAR AO CARNAVAL DA LUNDA SUL

Informações históricas apontam para a existência de três períodos distintos do Carnaval na região nordeste de Angola que abaixo se seguem:


1- Até 1975: O Carnaval estava circunscrito aos bailes urbanos organizados por elites de origem europeia, seus descendentes e alguns assimilados (negros letrados e com hábitos culturais europeus)

2- De 1977 a 1990: O Carnaval passou a realizar-se a 27 de Março ao invés de Fevereiro, conforme dita a tradição desta festa de origem pagã. A festa ganhou uma carga política e ideológica, popularizou-se e se tornou de carácter quase “obrigatória” em todo o país. Note-se que 27 de Março de 1976 foi a data em que fora expulso do solo angolano o último dos invasores sul-africanos e mercenários que tentaram impossibilitar a proclamação da independência do país pelo MPLA e Agostinho Neto, a 11 de Novembro de 1975, daí que o Presidente Neto propôs a data para a festa da vitória, ganhando a assim a designação de “Carnaval da Vitória”.

3- CARNAVAL “DO EMPATE”: de 1991 à data presente, a festa popular perdeu a carga ideológica, voltou à espontaneidade com maior realce à criatividade na indumentária, dança, canto, alegoria e outros adereços. Ganhou corpo a participação da classe empresarial pública e privada como patrocinadores, o que tende a diminuir gradualmente a responsabilidade do Governo na organização dos grupos. O Carnaval actual evolui, em todo o país e em todos os sentidos, para uma indústria, à semelhança do que se passa noutras cidades e países.

No que se refere ao nordeste de Angola, dois aspectos ressaltam à vista do visitante e do habitante local: a evolução cultural, fruto das vivências e empréstimos culturais com outros povos e a preservação da matriz cultural do povo Cokwe.

Quem assiste ao Carnaval dançado em Saurimo vê duas formas (muitas vezes combinadas) de execução das danças típicas do nordeste, a Cianda e a Cisela. Os grupos carnavalescos da cidade mostram cada vez mais inovações, fruto de influências de outras danças e ritmos, ao passo que os das aldeias periféricas e outros idos de municípios do interior exibem ainda uma dança “mais conservadora”, ao som rítmico do ngoma , executado por menores e adolescentes que são, ao fim e ao cabo, os continuadores da pureza da cultura deste povo.

Assistindo, de forma crítica e interessada, ao Carnaval da Lunda wa kuthu fica-se com a impressão de que qualquer júri nomeado para julgar a festa popular sente dificuldade em eleger o grupo vencedor de qualquer edição e tal acontecerá em 2011. Concorreram para tal dificuldade a evolução cultural e a manutenção da matriz cultural deste povo Cokwe no seu aspecto mais tradicionalista.

O Grupo AMA (vencedor da edição 2010) apresenta-se como o rosto visível de um Carnaval moderno, com todos os adereços que se esperam duma festa que reúna o tradicional e o moderno. Os grupos representantes dos municípios de Mukonda Dala e Kakolo mostram por sua vez que lá está o viveiro da cultura autóctone dos tucôkwe.

É também importante notar que no nordeste de Angola “o Carnaval não tem tradição , sendo os momentos de festa mais marcantes as cerimónias de mukanda , daí que estes povos podem, e a curto trecho, desenvolver uma festa híbrida que englobe o moderno e o tradicional que se pode converter num grande atractivo turístico.


REFERÊNCIAS

1- MANAÇAS, Abreu: entrevista à RNA Lunda Sul, 15/02/10
2- O carnaval que se segue ao da vitória resulta da instauração do multi-partidarismo e perdeu a feição partdária pró MPLA, voltando à espontaneidade popular. Designo-o por carnaval do empate, pois o Presidente Eduardo dos Santos dizia que para a VERDADEIRA reconciliação nacional entre os angolanos era importante que não houvesse nem vencedores nem perdedores.
3- Cianda é dança típica do nordeste de Angola. Outras danças típicas dos tucôkwe são a cisela e a makopo.
3- ngoma é batuque
4- Mukanda é  cerimónia de iniciação: masculina = mukanda ua kandanji e feminina = mukanda ua mwana pwo).

Luciano Canhanga

(Comunicólogo)



quinta-feira, fevereiro 04, 2010

FORMAÇÃO E MOBILIDADE JORNALÍSTICA NAS FM DE LUANDA

= é um fenómeno normal de mercados concorrenciais =
A LAC, criada em Setembro de 1992 antes das primeiras eleições multipartidárias; a Eclésia, ressurgida em 1997; a Despertar, substituta da VORGAN e a Rádio Mais, criada em 2009 constituem as rádios comerciais de Luanda e que emitem em Frequência Modulada. Todas elas subsistem, teoricamente, da comercialização de espaços, campanhas publicitárias e anúncios.

A Rádio Luanda, Rádio Cinco, Rádio FM Stéreo e a Rádio Escola (vinculada ao Ministério da Comunicação Social) estão ligadas umbilicalmente à Emissora Pública Nacional, a RNA.

Em 1992, quando da abertura da LAC, o que o mercado assistiu foi uma fuga dos melhores quadros da RNA para a novel emissora, fruto do factor novidade da sua programação, mais condizente com a realidade política-democrática do momento, e dos atractivos salários que praticava. O país entrava para a concorrência e sopravam ventos de mudança em todos os sentidos. “A camisola tinha sido colocada no roupeiro e o estômago já tomava decisões laborais”.

Assim, vimos jornalistas como Ismael Mateus, Paula Simons, Pedro Correia, José Rodrigues, Mateus Gonçalves, Amélia Pombo (de Aguiar), entre outros, juntarem-se à directora Maria Luisa, na LAC.

A RNA mais se parecia a “uma senhora que perdera os melhores filhos”. A retomada das emissões da Eclésia só viria a complicar ainda mais a situação da RNA que mal se refez do “tufão LAC” viu outros dos seus melhores filhos partirem. Destacam-se nesta “emigração” nomes como os de Mário Vaz (hoje na TPA), Laurinda Tavares, entre outros, que faziam o núcleo áureo das manhãs informativas da Nacional. Até a LAC ganhou concorrência e não deixou de ver jornalistas e sonoplastas “rezarem” na Emissora Católica.

O cenário de Luanda era também vivido nas províncias de Cabinda Benguela e Huila onde as FM Comercial, Morena e 2000 faziam concorrência às apêndices da RNA, as emissoras locais.

Havia esperança de que a abertura democrática do país à economia de mercado de livre concorrência viesse a potenciar a produção e concomitantemente o mercado publicitário que é a grande alavanca financeira da média privada.

O retomar da guerra, porém, e a estagnação da produção nacional veram a criar sérias dificuldades financeiras às emissoras comerciais, o que levou também à estagnação dos investimentos e dos salários, para além de uma tenaz máquina intimidatória contra a média privada e jornalistas mais espevitados que partia do “Edifício da Avenida dos Combatentes”.

Os profissionais do grupo RNA, por sua vez, viram os seus ordenados melhorados, protegidos pelo poder político instituído, graças à informação paternalistas que veiculavam, e ainda bafejados com ofertas de casas, viaturas e postos de chefias. Para este ultimo aspecto, bastará olhar para a estrutura orgânica dos OCS púbicos, havendo nalguns casos chefes sem subordinados.

Estes factores pesaram bastante para o retorno de muitos profissionais que tinham emigrado, levando consigo jovens recém-formados pelas FM privadas.

A melhoria dos salários, as viagens ao exterior, a estabilidade do emprego, entre outras regalias, foram “armas decisivas” para a inversão do fenómeno migratório a favor da média pública.

As comerciais passaram à condição de simples formadores de mão-de-obra que uma vez experiente viam partir, fruto do assédio da media pública que tinha igualmente interesse em esvazia as FM e diminuir o seu poder de influenciar a opinião pública. A TPA, RNA e o Jornal de Angola estão hoje repletos destes jovens (do meu tempo e de tempos mais próximos).

Hoje, o tempo médio de permanência de um jovem numa comercial vai até um ano, o que corresponde exactamente ao período de um estágio bem sucedido. Esse factor levou também à depreciação da qualidade do serviço jornalístico destas emissoras que, embora conservem alguns “mais velhos” que definem as políticas editoriais e os conteúdos programáticos, se vêem forçados a trabalhar com executores inexperientes e com fraco domínio da língua e das técnicas.

Se as comerciais precisam hoje de jovens inexperientes, por serem pouco exigentes quanto ao salário, estes jovens também precisam das comerciais como trampolim para outros vôos. É nelas que rapidamente se afirmam e encontram, o mais cedo possível, quem para eles acene. Essa é a realidade nas redacções jornalísticas da media privada, em geral, onde a mobilidade é tão grande, chegando a haver renovação completa em apenas 24 meses ou menos, sendo destino a comunicação social pública, a Nova Media (de capitais híbridos), a assessoria de imprensa e afins.

Outro factor que propicia a constante mobilidade dos jovens jornalistas tem sido a elevação da formação académica em áreas não relacionadas com o jornalismo e as ciências da comunicação. Uma vez terminadas as licenciaturas, os jovens partem para a aplicação prática dos seus conhecimentos académicos. Assim, o jornalismo radiofónico, em particular, tornou-se numa porta de passagem para outros destinos bem mais remunerados e valorizados, deixando de ser, a arte de informar, um ofício atrativo para muitos jovens com reforçado apego ao dinheiro e estabilidade material.

Fruto desta situação, assistimos também à carência, no mercado angolano, de jornalistas de grande gabarito e performances para as mais díspares necessidades. Os grandes gurus vêem-se sem discípulos sérios para legar conhecimentos, devido à efêmera estadia dos jovens nas redacções, e o mercado externo começa a ser a solução para o preenchimento de vagas nas redações. Estes expatriados, nem todos de boa qualidade, acabam por inflacionar o mercado, “colonizar” o nosso espaço mediático com vícios de outras paragens e jargões que não se adaptam nem ao nosso “linguajar”, nem ao nosso ser e estar.

Que solução?

_ A palavra é sua. Comente!

sexta-feira, janeiro 15, 2010

A MOBILIDADE NAS REDACÇÕES E O PAPEL DOS ASSESSORES


Fazer uma boa assessoria de imprensa implica possuir uma boa lista de contactos junto das redacções. A imagem das empresas e das instituições passa pelos Media que são, ao fim e ao cabo, os grandes difusores dos activos e passivos das instituições públicas e privadas.

Possuir uma boa agenda, como dizia, não passa apenas pelo contacto telefónico e/ou pelo correio electrónico. É preciso criar laços de aproximação física. O conhecimento pessoal dos profissionais dos O.C.S. e dos secretariados das redações.

Sabendo que as redacções dos media estão em constante renovação, o assessor vê-se também "forçado" pelo seu trabalho a renovar, vezes sem conta, os seus contactos, sem se apartar dos antigos profissionais. "Uns saiem de uma casa e entram noutra" é preciso manter a amizade e criar novas amizades com aqueles que lhes preenchem os lugares deixados vagos.

O assessor tem de conhecer as redacções e os jornalistas. Hoje não basta escrever e enviar Press Release ou Nota de Cobertura... É preciso criar uma "intimidade" com estes "mandões" da media, os homens que hierarquisam as Notícias e as Instituições.

Luciano Canhanga

domingo, dezembro 27, 2009

MARKETING AMBULANTE

_“Com licença família, bom dia! A empresa vai fazer uma pequena revisão”.
Os passageiros pensam num fiscal da transportadora ou da autoridade de transportes de Luanda. Mas o intruso prossegue o discurso:
_"Está aqui o menthol para combater a gripe, ciúme, irritação na garganta, cansaço e até engarrafamento (estress)”.

Só assim os passageiros do autocarro privado que faz a rota 1º de Maio/Rocha Pinto se apercebem tratar-se de um ambulante, bem-falante e marketizando o seu pequeno negócio que na "brincadeira" ganha cada vez mais adesão. O pregão do ambulante, que aproveita o congestionamento do transito automóvel nas imediações do hipermercado Jumbo, na Avenida Deolinda Rodrigues, ganha consistência e aos poucos “despacha” o negócio.

Este grande “marketeiro” que nem sequer a 4ª classe possui, terá, na calada duma noite qualquer ou se calhar numa tarde de panelas vazias, estudado a melhor forma de angariar prosélitos para os seus reboçados . E é nos autocarros e taxis carregados de mulheres, no engarrafamento matinal ou vespertino, que encontra o seu nicho de vendas.

_ Vendedor como ele poucos haverá, desabafam satisfeitas as clientes, à saída do “comerciante”, levando consigo os últimos trocos: dez, cinquenta, cem ou duzentos kuanzas.

O clima parece agora estar mais ameno e com um novo motivo para comentários. Lá se foi o estress, pelo menos por alguns intantes.

Luciano Canhanga

quarta-feira, dezembro 02, 2009

O VALOR DA DESCRIÇÃO, DA PRECISÃO E DA IMAGEM NA COMUNICAÇÃO

A trilogia representa o que é hoje a media, ou seja, a imprensa descritiva, a rádio exacta no uso da palavra certa e o peso da imagem televisiva.

Dizia, e com razão, um meu antigo editor que "os jornais descobrem os assuntos", pois, tradicionalmente, é para lá que iam/vão as cartas e os telefonemas sobre novos assuntos. Hoje o cenário pode ter mudado, mas os jornais ainda continuam a ser aqueles que com maior profundidade descrevem os factos. Até porque têm de dizer por palavras escritas até aquilo que apenas se sente. Dizer, por exemplo, que fazia frio, que as pessoas estavam exaltadas, que fazia poeira, que o ruído era ensurdecedor, ou que os actores mostravam inabilidade, etc.

As rádios, embora se tenham colado às funções tradicionais da imprensa, têm igualmente os seus campos próprios. Isso faz e fez com que o surgimento das rádios não acabasse com os jornais e a televisão não se arruinasse com a aparição das rádios, nem a multimedia conseguisse acabar com os primeiros. E dizia o meu editor, Zé Rodrigues, que se os jornais descobrem para depois descreverem, "a rádio aprofunda". Ela, a rádio, dá outras vozes aos assuntos. Explora outras dimensões do problema. Traz à ribalta novos actores. Complementa o jornal, usando palavras precisas e de significação inconfusa. Ela diz o máximo num mínimo de palavras e de tempo auxiliada pelo som. Mas não é tudo. Falta mostrar.

É aqui que surge a tv. Ela não precisa extender-se no texto, nem na palavra, ou no pormenor. O assunto já foi lido e ouvido. A curiosidade humana está agora aguçada para a visão. Falta mostrar e a tv cumpre o seu papel mostrando. Aqui se materializa também o velho, mas sempre sábio, ditado chinês: Uma boa imagem vale mais do que mil palavras.
As palavras escritas são para a imprensa, a voz para a rádio e a imagem para a Tv.

NB: Um texto conciso é aquele que consegue transmitir um máximo de informações com um mínimo de palavras. A clareza deve ser a qualidade básica de todo o texto. Para que ela exista concorrem: a impessoalidade, que evita a duplicidade de interpretações que poderia decorrer de um tratamento personalista dado ao texto; o uso do padrão culto de linguagem, em princípio, de entendimento geral e por definição avesso a vocábulos de circulação restrita, como a gíria e o jargão; a formalidade e a padronização, que possibilitam a imprescindível uniformidade dos textos e a concisão que faz desaparecer do texto os excessos linguísticos que nada lhe acrescentam.

Luciano Canhanga

quinta-feira, novembro 19, 2009

O MELHOR DIA PARA UMA NOTA DE IMPRENSA

Quando o assunto é temporal, quando se torna inadiável levar o assunto institucional à esfera pública, não há escolha de tempo. O melhor dia seria “ontem”.

Porém, quando pode haver a escolha do melhor momento, quando se quer e pode dar maior amplitude e noticiabilidade ao facto, qual a melhor altura para “soltar” uma Nota de Imprensa/Press Release?

Da minha experiência jornalística notei que à segunda-feira, fruto da “improdutividade” do fim-de-semana, as redacções estão carentes de notícias. As redaçcões precisam de factos novos. Daí que o aproveitamento de uma press release é quase que generalizada e total. A adesão é maior e melhor.

Quanto à redacção da nota de impensa, é melhor aquela em que os jornalistas não só encontrem respostas aos clássicos elementos do lead, como também se ajuste ao estilo redactorial da casa, daí quem não será um exercício vazio rescrever a nota, indo de acordo ao estilo de redacção de cada receptor. Regra geral, os jornalistas gostam de ver facilitada a sua tarefa. É importante que os elementos que satisfaçam ao lead estejam no princípio da press release.

O título da press release deve ser atractivo aos jornalistas, pois "se o pregão for mal efectuado, por melhor que seja o produto, poucos ou ninguém a ele chegará". Se a nota de imprensa for enviada por e-mail, será importante ligar aos receptores, para confirmarem a recepção. Apesar da cultura, há jornalistas que ainda não abrem com regularidade ou à chegada à redacção os seus correios electrónicos.

Os conselhos acima aplicam-se às notas e pedidos de cobertura noticiosa.
Motivo, Local, Data e Hora, para além de outros elementos periféricos, são importantes.

Note que as Rádios precisam de som e, se alguém estiver habilitado a falar de véspera, o ideal seria colocar na Nota o contacto deste "porta-voz".

Luciano Canhanga