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domingo, fevereiro 01, 2026

PAI RAIMUNDO

Era assim que eu o tratava. Era irmão mais velho (primo nos dias deturpados de hoje) do meu pai António Fernando. Tinham o mesmo bisavô. Desde muito cedo que estavam juntos. Para além do parentesco, eram amigos, sendo o mais velho conselheiro do mais novo.

Já em finais da década de setenta do séc. XX, decidiram abandonar a região de Kuteka. O pai Raimundo era soba da aldeia de Mbango yo'Teka e o meu pai vivia com o seu progenitor na fazenda, em Kitumbulu.
Mudaram-se, inicialmente, para a Fazenda Israel (perto da actual aldeia de Pedra Escrita). O pai Raimundo era tractorista e o António Fernando um trabalhador braçal como os demais que encontrou (maioritariamente ovimbundu).

Dois anos depois, foram fixar-se no Limbe (dois quilómetros a oeste de Pedra Escrita, EN 120), onde fizeram suas lavras, à medida que se foram desligando da fazenda que entrou em decadência. Depois da morte do meu pai, em 1982, o pai Raimundo cuidou de nós até ao nosso recuo para Luanda, em 1984.

Aprendi com ele a arte de produzir armadilhas de caça, manejar o fole, destilar kapuka, distinguir os sons, ler o comportamento do tempo, ser homem (embora fosse ainda criança).

O seu nome completo era Raimundo Manuel Carlos. Os outros cognomes eram Kambondondo (baixo), Xika Yangu, Soba Xika.

Em Luanda, o destino "entregou-me" a seu filho Arnaldo Carlos como meu mentor, a quem, desde o Limbe, a minha mãe encarregou a missão de "me endireitar e me educar".

quinta-feira, janeiro 01, 2026

INFANTÁRIO DA AVÓ KYOKO: LIÇÕES DE VIDA E AFECTO

A “avó Mariana”, também conhecida por Kyoko Ky’Eteta, foi prima-irmã da minha mãe. De tanta simpatia e longevidade, tornou-se matriarca da aldeia de Mbango Yo’Teka, assumindo espontaneamente o cuidado das crianças menores cujas mães, por razões diversas, não podiam levá-las às lavras. A sua casa transformou-se num verdadeiro infantário comunitário e ela passou a dedicar-se exclusivamente à infância, isenta das tarefas de busca de lenha, água ou alimentos — bens que lhe eram providenciados pelas mamãs da aldeia em gesto de gratidão.

O funcionamento do infantário era simples e solidário: cada mãe deixava com a avó Kyoko uma pequena panela com funji e conduto, ou ainda jinguba, batata assada, banana e outros alimentos. 

À hora do almoço, a avó reunia as crianças e distribuía os manjares deixados, enquanto as mães trabalhavam despreocupadas, regressando alegres pelos cuidados recebidos pelos seus petizes.

Mas a avó Kyoko não se limitava a alimentar. Ela ensinava: cantavam juntas, ouviam estórias e fábulas e realizavam pequenos trabalhos adaptados à idade — juntar pratos, lavá-los, acender a fogueira, trançar o cabelo, entre outras actividades de pequena monta.

À noite, tornava-se professora das pubertárias, que se reuniam na sua “Kandumba” para receberem lições sobre a vida afectiva, prevenção de gravidez precoce e convivência conjugal. Essas adolescentes, por sua vez, garantiam o sustento da casa: lenha, água e iguarias e ingredientes para a confecção da "wala" [garupa].

A casa da avó Kyoko era também o ponto de encontros e reencontros  entre as jovens e os galanteadores da aldeia e outros vindos de aldeias distantes em busca de um amor — recomendado ou tentando a sorte. 

Esse ambiente, embora simples, era permeado por códigos de respeito e encantamento, onde os olhares se cruzavam sob o olhar atento da matriarca, que sabia distinguir entre o afecto genuíno e a frivolidade passageira.

A casa da avó Kyoko tinha tudo de um pouco para se viver. E tudo acontecia com naturalidade, espontaneidade e afecto. Hoje, faltam casas assim — nas cidades e até nas aldeias. A solidariedade esfumou-se e com ela a busca por amparo e conhecimento. 

É possível resgatar essas práticas? 

Talvez sim. Mas as comunidades precisam de conhecer o passado e reconhecer a eficácia dos bons costumes que o egoísmo, as crendices e o oportunismo estão a matar.

CURRICULUM VITAE (RESUMO)

 

LUCIANO ANTÓNIO CANHANGA

Vila de Viana, Vila Nova, R. Comandante Bravo, S/N

E-mail: lcanhanga@hotmail.com | Móvel: 923558651

Agente Adm. Público (AO) nº 9788496 | Angolano | Nascido aos 25/05/1976 | Casado

Perfil Profissional

Profissional com sólida formação académica em Ciências Empresariais, Gestão Empresarial,

Comunicação Institucional e ampla experiência em administração pública e gestão organizacional.

1. Formação Relevante

• Gestão e Fiscalização do Sector Empresarial Público (MINFIN & ENAPP, 2024)

• Procedimentos Legais e Análise de Contas Financeira e Fiscais (AS e MIREMPET, 2025)

2. Formação Académica Estruturante

• Mestre em Ciências Empresariais – Universidade Fernando Pessoa (2020)

• Pós-graduação em Gestão Empresarial com Foco em Pessoas – Faculdade de Agudos (2015)

• Licenciatura em Comunicação Social – Universidade Privada de Angola

3. Experiência Profissional Relevante na Administração Pública

• Director do GTICI – MIREMPET (desde 2020)

• Director do GCII – MIREMPET (2018–2020)

• Director do GRH – Ministério da Geologia e Minas (2015–2018)

4. Experiência Corporativa – Sociedade Mineira de Catoca

(2006–2017)

• Consultor do Conselho de Gerência para a Comunicação Corporativa (2015–2017)

• Chefe do Sector de Comunicação Institucional (2006–2015)

·         4.1. LAC-Luanda Antena Comerical_ Jornalista/Editor de notícias, 1997-2006

5. Outras Formações Complementares

• Curso de Economia Moderna – ENAPP, 2022

• Introdução à Administração Pública – ENAD, 2015

• Gestão de RH na Administração Pública – ENAD, 2016

• Planificação e Gestão da Formação – ENAD, 2017

• Mini-MBA em Administração e Gestão de Empresas – Catoca & Vantagem Mais, 2010

6. Activos Adicionais

• Forte capacidade analítica e produção técnica de relatórios.

• Experiência no sector empresarial privado e órgãos de direcção pública.

• Domínio das línguas portuguesa e inglesa.

• Actividade docente universitária e produção literária (pseudónimo: Soberano Kanyanga.