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quarta-feira, março 13, 2013

A ARTE E A LIBERDADE DE INFORMAR EM ANGOLA

O mais recente relatório dos Repórteres Sem Fronteiras, publicado em Janeiro de 2013, aponta que, apesar de ter subido dois lugares no ranking mundial, Angola é ultima, em termos de liberdade de imprensa, entre os países que se expressam em português. Portugal passou do 33° lugar para o 28°, Angola do 132° lugar para o 130°. O Brasil passou do 99° lugar para o 108° e Cabo Verde foi da 9ª à 25ª posição, sendo, contudo, dos países Africanos melhor colocados no ranking da RSF.

Por outro lado, quem ouviu a 29 de Janeiro de 2013, o bastonário da ordem dos advogados de Portugal, Dr. Marinho Pinto, na cerimónia de abertura do ano judicial português, ao referir-se sobre “a má utilização” dos media públicos pelo governo para “fanatizar”a população. Quem tenha comparado a realidade portuguesa com a angolana, com certeza, terá levado as mãos à cabeça.



Marinho Pinto dizia, no seu eloquente discurso, que “o governo enche os media públicos mais com propaganda do que informação isenta e coerente, fazendo com que o povo se esqueça até da sua própria dor”… Que tal de Angola onde até os programas de entretenimento não mais servem senão para “embriagar, dopar e incitar a uma adesão cega e perigosa”?

E já agora, como anda a nossa liberdade de imprensa e serviço dos media públicos ao cidadão?

Aqui, e porque nos faltam conhecimentos sobre direitos e deveres dos cidadãos e dos agentes de informação massiva, a media pública e privada “bem relacionada com os poderes” até servem de canais para ostracizar aqueles que se mostrem desalinhados ou contrários a única forma imposta para ver e entender o país. Leis e tribunais existem mas quem é responsabilizado pelo abuso da liberdade de expressão ou por cercear a liberdade? Quem, entre o porco e o javali, julgará outrem?

E, que tal deixar um recado aos jovens jornalistas?
Aprendi, quando dos meus primeiros passos no jornalismo radiofónico, que a maneira “mais eficaz” de não “tremermos” na entrevista com altas personalidades, como ministros, presidentes e afins, é “sentir-se igual ou superior a ele. Olhando-o nos olhos e sem cometer erros de tratamento (tu em vez de você), colocar as questões”. Receita certa ou falsa, comigo funcionou.

Porém, é importante que o nosso grau de altivez e motivação em busca da verdade ou da informação, não se converta em petulância nem malvadez.
 
O jornalista não deve estar desinformado sobre o tema que aborda nem deve se fazer passar por “um sabe tudo”. O jornalista não faz perguntas quilométricas, nem demonstra desconhecimento do que aborda na entrevista. Não gagueja (sinal de fraqueza ou impreparação), nem dá palpites que possam balizar/condicionar a resposta do entrevistado/interlocutor. As perguntas devem ser abertas, para que se tenha a argumentação do interlocutor, ou fechadas, para que se obtenha a confirmação ou negação de assuntos concretos.
 
Exemplo de P.A: - O que acha da entrada em funcionamento da segunda linha de produção da fábrica de tijolos?
 
Exemplo de P.F: - O Sr. Teve participação neste negócio?

Por outra, é também mister assinalar que muitas vezes os jornalistas principiantes são traídos pelo afã da cacha.

Entre uma peça jornalística bem elaborada, onde todos os intervenientes/interessados são ouvidos, e uma cacha, onde se omitam informações, onde se matem ou condenem inocentes em praça pública (media)a primeira opção deve ser o caminho.

Futuros jornalistas em formação em Saurimo

A teoria jornalística tem como principio elementar a confrontação de dados e de fontes. O jornalista não é juiz, logo não julga nem pode presumir conclusões. Deve, antes de mais, é aclarar situações, descrever passos e elementos para que o destinatário da sua peça jornalistica tire ilações com base nos elementos fornecidos.
Para que o jornalista não induza, com seus juizos de valor, o destinatário da matéria, serve-se muitas vezes de leituras de especialistas para esclarecer questões que aclarem a notícia.
Lembre-se que “até transitar em julgado, todo o indiciado goza do direito de presunção de inocência”. Desde que o jornalista se aprume e saiba diferenciar o género noticiosos do opinativo, não misturando factos com ideias próprias, será possível termos em Angola e emq ualquer parte do mundo, um jornalismo cada vez mais sério e responsável.
 


 
 

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