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domingo, dezembro 12, 2010

O PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E A CRUCIFICAÇÃO DO INOCENTE

Sou jornalista de profissão e também caí algumas vezes no exercício da profissão, tida como uma das mais perigosas do mundo. Das vezes em que passei ao lado da lisura foi por desconhecimento dos princípios e normas do jornalismo responsável, isto no início da profissão, que fui aperfeiçoando com formações e autodidactismo. É porém importante que o desconhecimento das normas não desresponsabiliza o jornalista pelas gaffes cometidas.

Vezes sem conta tenho cruzado com notícias incompletas do ponto de vista de apuramento da verdade que é o caval;o de batalha do jornalismo sério.É preocupante a inobserv6ancia do princípio do contraditório que quando aplicado à actividade jornalística, contribui para a elaboração de parâmetros de racionalidade que auxiliam no desempenho ético da imprensa e no cumprimento do seu papel de guardião da democracia contemporânea. A imprensa livre é necessária à democracia. Porém, não se trata de uma liberdade ilimitada e irresponsável.

Jurídicamente, ninguém pode ser processado por um esquema que não seja previamente estabelecido. Ou seja, as normas em que se desenrolam as actividades persecutória e judiciária do Estado e a de defesa do acusado não podem extrapolar aquilo que está legalmente cominado.

Significa que o acusado deve ter a oportunidade de se explicar, mesmo que seja notoriamente culpado de um fato que lhe é imputado.

O princípio do contraditório é o que se traduz em : sempre ouvir a outra parte. Trata-se de não somente ouvir as partes mas também constar as versões concernentes ao facto, tanto por parte de quem acusa, como por parte de quem se defende e ainda a parte intermédia (de recurso) se esta existir.

Explicado em miúdos e tomando como exemplo o jornalista que acusa uma empresa de despedir trabalhadores. Que deve ele fazer antes de divulgar?

1- Ouvir os que reclamam (trabalhadores que se dizem despedidos).


2- Ouvir a empresa acusada de despedir


3- Ouvir a entidade reguladora (se tem conhecimento, se foram tomadas as providências regulamentares e o parecer que emite sobre o assunto).

Infelizmente, há casos em que o escriba se baseia apenas no relato de uma das partes da contenda, quando não lhe acrescenta elementos (inexistentes), evitando a consulta aos acusados/referenciados e/ou escudando-se na já velha moleta: "esta estação tentou contacta a área de imagem ou a direcção da empresa mas todos os esforços foram gorados", como se issso bastasse. E a entidade reguladora?

A imprensa num País republicano e democrático como Angola é livre, porém, não acima da Lei, nem superior à dignidade inerente a todas as pessoas. Portanto, os jornalistas não podem agir ao seu bel-prazer. Há de se elaborar um método que forneça ao operador noticioso um parâmetro de racionalidade que resguarde as pessoas de eventuais abusos cometidos no exercício da profissão jornalística.

O ordenamento jurídico angolano (Constituição da República e Lei de Imprensa) estipulam nos seus articulados o Direito de resposta e o Direito de rectificação que muitas vezes não são concedido às partes que se sentem lesadas pelos jornalistas e pela media.
 
Com recurso ao site da Ordem dos Advogados do Brasil

terça-feira, novembro 30, 2010

COMO ARBITRAR SEM SABER JOGAR?

Este mes recebi com agrado e preocupação, um convite da direcção provincial da cultura da Lunda Sul para presidir ao juri do concurso de danças tradicionais.

Agradado porque o convite surgiu como reconhecimento às minhas reflexões sobre a cultura local. Um dos textos que terá estado na origem do convite foi publicado na Revista Lusango editada pelo Governo da Lunda Sul.

Preocupado porque nunca fui bom dançarino (nem mesmo de kizomba) e nem sou natural do leste/nordeste de Angola, região em que trabalho há já cinco anos e com uma grande interação com as comunidades.

E tal como me mostrei inquieto, perguntando-me, sem negar ao convite, por que terei de ser eu a preisidir ao juri, muitos também se terão questionado: por que razão um mukuakuiza com tantos peritos que há por cá?

Após reflexão, achei por bem usar uma postura de liderança. Os líderes não têm de ser necessáriamente peritos em tudo. Têm é de estar bem ladeados e bem aconselhados. E foi o que fiz. Documentei-me o suficiente sobre as indumentárias que acompanham as danças tradicionais locais (com realce para a Cianda e Cisela e makopo), os instrumentos musicais, os movimentos e sua descrição, sendo o resto ciência: Entoação, harmonia, coreografia, enquadramento, movimentos, tempo de exibição, etc.

E foi uma bela experiência. Tudo o que o corpo de jurado (seis integrantes) e a assistência poderam ver é que nenhum dos grupos fugiu à modernidade, inovando aqui ou alí nalgum pequeno detalhe. Vimo-lo nas indumentárias, nas coreaografias, nas entoações musicais, etc.

Uns, os grupos dos municipios do interior (Dala e Muconda), conservando a ainda a matriz identitária das danças tradicionais e outros, os grupos do municipio sede (Saurimo), com uma grande propensão para a fusão de vários elementos culturais (empréstimos com outras danças contemporâneas), o que na verdade tornou difícial a missão de escolher quem representará a província no concurso nacional a acontecer no Huambo.

Um dos elementos a ter em conta é que sendo danças tradicionais a matriz deve ser no máximo protegida (mesmo sabendoo-se que nenhuma cultura é estanque e que os empréstimos são inevitáveis). A indumentária (incluindo as coberturas ou chapéus) deve ser rigorosa: Ou toda a tender para o modernismo ou toda ela confeccionada com materiais tradicionais o que lhe confere um aspecto mais rústico e indentitário com o passado; os toques devem ser originais…

A transmissão nas escolas deve obedecer ao tradicional para que não se mate o passado. Aprendido o original, deve partir-se para as inovações que se acharem pertinentes, já que a cultura é um bem comercial e turístico.

Assistido ao concurso em que despontaram grupos formados por pessoas adultas e experientes, e jovens e adolescentes com potencial, um dos questionamentos que me coloquei foi: Quem devia ir representar a Lunda Sul, visto que escolhendo “o aluno” poder-se-ia desencorajar “o professor”, sendo válido o posto?

A votação individual em todas as categorias, obedecendo-se ao principio de que “ganha quem mais pontos somar” resolveu a questão.

A título individual, e neste espaço sou porém a recomendar: O representante da província deve ser rigosoro na observância da indumentária (conforme acima exposto), no comando do grupo e acatamento das ordens dadas pelos executantes dos instrumentos, no cumprimento dos tempo para exibição, na execução ordenada dos passos (entrada e saída do palco) e noutros quesitos. Se assim for, o grupo escolhido pelo juri pode trazer uma medalha do Huambo.

Texto tb.publicado no blog http://www.mesumajikuka.blogspot.com/

sábado, outubro 30, 2010

A MISSÃO EVANGELIZADORA (NA I.M.U.A.)

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HINO Nro 63 em Kimbundu (Hinário Povo Cantai!)
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Nas sagradas escrituras a missão evangelizadora da igreja está intimamente relacionada à história da salvação, que é a vontade de Deus de que "todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade." (segundo narrado em ITm 2:4-5)

Por isso a missão está ligada ao envio de hiomens e mulheres ao encontro de novas ovelhas para o rebalho do Senhor. Em Mt 28:19-20, Jesus ordenava a seus discipulos: "Ide, fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, ensinando-os a observar tudo quanto vos mandei." É esse envio justifica e motiva a missão da comunidade cristã.

A evangelização exprime a identidade, a vocação própria da Igreja, sua missão essencial: "Evangelizar constitui a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade."Por isso, a evangelização é o núcleo central da missão da Igreja. Sem esse trabalho, a Igreja não passaria de uma qualquer associação ou "clube de amigos".

É fundamental que toda a igreja, todos os membros, homens, mulheres e crianças, tomemos consciência de que toda a Igrejatem esta missão.

Os cristãos não podem permanecer passivos, reduzindo a sua relação com a igreja as momentos rituais de domingo. É preciso colocar toda a Igreja em "estado permanente de missão".

Olhemos à nossa volta:

Por que haverá tamanha distância, em termos de adesão de novos prosélitos, entre as comunidades religiosas tradicionais e as ditas emergentes se todos pregam a felicidade?

- Uns pregam a felicidade na terra onde vivemos hoje e onde temos carências materiais e espirituais: A mensagem que se tem passado é de que viver bem (de forma desafogada materialmente e cristã) tem de ser aqui (terra). Incute-se nos homens e nas mulheres a necessidade de servir a Deus com fé e obra material (Tg. 2:18) para que esta, a última, se multiplique e redunde em saúde e bem-estar material. E os homens e mulheres são apelados a trabalhar e a ofertar cada vez mais, buscando a sua própria realização (espiritual e material) e com as doações proporcionarem também o bem-estar material das suas confissões religiosas (templos bem acabados e ornamentados) e dos seus líderes religiosos (aparentemente ricos). Os adeptos da felicidade em vida presente e na terra apoiam-se de instrumentos modernos de persuasão (publicidade e marketing e às vezes até da propaganda) para chegarem aos grandes contribuintes e moldadores de consciências (figuras publicas e políticas) que por sequência lógica acabam arrastando os seus admiradores e dependentes.

- Outros pregam a felicidade celestial o que pressupõe que a verdadeira felicidade seria/será aquela a viver na vida ultra tumba. Para tal a mensagem tem sido a de viver uma vida imaterial na terra (Lc. 18:25) para gozar de uma vida celestial sem carências junto de Cristo. Os homens e mulheres são apelados a seguir a Cristo, com vida modesta, sem apego material na terra para usufruir de uma vida abundante nos céus. Note-se, porém, que quando o plantio (busca por bens materiais) é escasso, escassa será também a colheita material (ofertas para o trabalho da igreja). Daí que estas igrejas tradicionais vivem hoje uma carência financeira.

Tudo isso, caros irmãos deve levar-nos à reflexão: As sociedades moldam-se com o passar dos tempos. O cristão é um ser social como os demais e deve estar a par de todas as transformações, independentemente dos dogmas que defenda. Uma conduta demasiadamente ortodoxa pode levar o cristão a recuar no tempo. Não é lícito que fiquemos a lamentar a falta de membros nas nossas comunidades religiosas assistindo impávidos as outras que se tornam cada vez mais cheias. Não devemos lamentar a falta de obras nas nossas igrejas quando as outras estão cada vez mais ricas.

Devemos sim, encontra os caminhos expeditos para fazer uma concorrencia leal e sadia ao nosso vizinho: evangelizar, pregar a santa palavra, trazendo novas ovelhas para o rebanho do Senhor (independentemente do que são e do que fazem) e moldá-las à vida cristã. Juntar e não discriminar.

Deus requer a nossa fé e as nossas obras e não a forma como nos apresentamos (se bem vestidos ou rotos, se bem-falantes ou mal-falantes de determinadas línguas, se ricos ou pobres). Todos somos poucos para a grande obra que a nós se impõe.

A grande missão da Igreja concretiza-se na preocupação com a pessoa humana em sua totalidade. Não é preocupação com uma salvação abstrata, mas compromisso de fé com o ser humano, com seu crescimento no seguimento de Jesus e com sua plena realização em todos os sentidos.

NOTA: O autor é membro da Igreja Metodista Unida em Angola desde 1984. O texto supra foi o suporte de uma pregação/dissertação sua feita no culto de domingo, 31/10/2010, na Igreja Central de Saurimo (Angola).

sexta-feira, setembro 24, 2010

CARTA A UM CONTERRÂNEO

Caro amigo Abrantes,
É para mim um imenso prazer comunicar consigo.

Olhando para o mapa das migrações dos povos bantu, notamos que os povos que habitam o actual território do Kuanza-Sul vieram do nordeste, ou seja, da actual região de Malanje (apud Vinte e Cinco e Malumbo). Significa que os nossos ancestrais falavam kimbundu. Chegar a esta conclusão é ainda fácil, mesmo nos dias hodiernos. Basta fazer um inquérito a pessoas de elevada idade sobre "que língua fala".

Por outro lado, muitos dos povos que habitavam o território (actual) do K-Sul migraram para sul e lá fundaram outros reinos e Estados independentes como o Vye (Bié), Ndulo (Andulo), etc. O intercâmbio linguístico entre os povos que falam umbundu e kimbundu (linguas vizinhas) criou uma língua franca (intermédia) a que precisamos atribuir um nome, pois os que vivem mais a sul do K-Sul consideram-se, e são, falantes de umbundu. Os que estão mais a norte do K-Sul falam kimbundu (ex. os Libolo). Os Kibala também se consideram falantes de kimbundu, embora empreguem termos que fogem fonéticamente a esta língua.

No caso, e respondendo à sua questão, o meu caro amigo Abranmtes também é kimbundo (no conceito ancestral). Temos, porém, de encontrar um denominador comum para todos os povos do K-Sul. E é este o esforço em curso.

Atenciosamente,
Luciano Canhanga

A CARTA (e-mail) que originou a resposta supraescrita.

Oi senhor Canhanga,
Aqui é o da-estrela. Trabalho com a língua ngoya.Quero saber se antes do nome ngoya, como se chamava o que os nossos bisavôs falavam? Eu quero fazer um dicionário da minha língua, ngoya, e preciso da tua ajuda.

Eu sou do EBO bairro da Caluanda.

sábado, agosto 28, 2010

QUEM DEVE FORJAR A IMAGEM POSITIVA DE UMA INSTITUIÇÃO?

À partida todos. As altas lideranças devem definir as linhas orientadoras. As lideranças intermédias fiscalizar a aplicação dos objectivos tendo como porta-bandeiras todos os colaboradores directos e indirectos da instituição.

As instituições empresariais devem ser cuidadas como a nossa própria casa: Limpa, arejada, pintada, respeitosa e respeitada.

Cada um de nós é e deve sentir-se um forjador da imagem empresarial através das suas acções: difundindo o papel positivo da empresa, transmitindo o orgulho de nela pertencer, preservando o seu património corpóreo e incorpóreo, a sua cultura corporativa, manuseando de forma correcta os seus instrumentos de comunicação interior e exterior, mantendo uma relação sadia com os públicos, entre outros aspectos.

É preciso ter em conta que a forma como cuidamos de nós, da nossa casa e ou da nossa empresa tem reflexos directos no modo como as pessoas e a sociedade nos recebem e nos encaram.

Castro Neves, renomado consultor em imagem escreve no seu site, www.imagemempresarial.com, que “Em geral, as instituições não têm boa imagem na sociedade… Os poderes públicos, as empresas, e muitas das profissões não têm boa reputação. As razões são várias. A mais importante é a comunicação inexistente ou inadequada”. Para as empresas, imagem deficiente significa perda de competitividade, menos investimentos, redução da oferta de empregos, preços maiores para os consumidores, menores dividendos para os accionistas, menos impostos para o governo. Enfim, quem acaba pagando a conta é a própria sociedade.

A criação de uma imagem empresarial positiva, que se enquadre dentro dos valores e anseios dos seus públicos corresponde potencialmente a um retorno, igualmente positivo, destes públicos relativamente às iniciativas desenvolvidas pela empresa, sendo o ponto-chave para o sucesso de qualquer entidade empresarial. Paralelamente é o ponto de partida para a criação e manutenção de uma relação estável e duradoura, o que corresponde à fidelização dos seus públicos.

Paulo Figueiredo, outro autor, afirma que para a criação de uma imagem positiva há a reter 5 factores essenciais:

1-Factores de Imagem Visual: Correspondem a todos os suportes através dos quais uma empresa se manifesta e apresenta visualmente ao público (nome da empresa, marca, logótipo, slogan, web site, sinalética, estacionário, cartões e fardamento).

2-Acções de Comunicação: Nestas Incluem-se todas as actividades utilizadas pela empresa para comunicar com o público (Publicidade, Força de Vendas, Promoção de Vendas, Marketing Directo e Relações Públicas).

3- Suportes Físicos: Compreendem todos os locais onde a empresa desenvolve a sua actividade (instalações, escritórios, fábricas, e respectivos equipamentos de apoio).

4-Organização: É o conjunto de factores que caracterizam a empresa em termos de forma de actuação e estrutura (estrutura e organização, missão da empresa, valores partilhados, sentido de eficácia e responsabilidade perante o mercado e a sociedade).

5-Pessoal de Contacto: Engloba todos os funcionários ou elementos da empresa que a representam junto do público (dirigentes e quadros, recepcionistas, atendimento a clientes, etc.).

Cabe a cada (liderança da) empresa fazer uma análise de como se manifesta em cada um dos aspectos citados e averiguar quais os seus pontos fortes e quais aqueles em que necessariamente terá de apostar de modo a posicionar-se correctamente no mercado e desta forma conseguir captar os públicos que pretende e simultaneamente concretizar os seus objectivos corporativos.

Importa referir que a Imagem Institucional é percepção que uma empresa/corporação transmite e pela qual é reconhecida pelos seus públicos.A boa imagem da empresa na sociedade é transmitida através de todas as acções que esta efectua, tudo aquilo que consegue realizar e demonstrar, ou seja, tudo o que faz e que a sociedade valoriza. A imagem da empresa depende daquilo que a empresa é, e do que a empresa parece ser.


Os elementos que influenciam a imagem Institucional podem ser descritos como: humano, físico, psicossociológico, qualidade, identidade visual e campanhas de comunicação.

Luciano Canhanga


Consultas:
http://comunicacaomarketing.blogspot.com/

http://www.imagemempresarial.com/

terça-feira, julho 20, 2010

A LÍNGUA DA KIBALA E A CARTA QUE SUBSCREVO

Ponto prévio:

O esforço dos intelectuais, filhos e amigos do Kuanza-Sul, que se debruçam sobre o banimento do termo Ngoia, como nome da língua que se fala em grande parte daquele território, não visa criar uma nova língua, nem criar uma forma de elevação ou sublevação, tão pouco desprestigiar quem quer que seja.

É tão somente a conformação técnica, cultural e histórica de um facto. No caso vertente, a atribuição de uma designação que vá de encontro a um instrumento de comunicação usado por milhares de angolanos (de primeira, como todos os demais). É apenas a busca de um reencontro com a nossa história, a de Angola, habitada e cohabitada por diferentes agrupamentos etnolinguísticos. O esforço visa a promoção do debate que nos leve a uma solução ou posição equilibrada, definitiva, abrangente e inclusiva.
LC

"Prezado irmão Luciano Canhanga,
Com os nossos melhores cumprimentos.

Em resposta a sua reação sobre o tema publicado no Portal do Club-K. datado de 1 de Junho do ano em curso, sobre a "Problemática Línguistica da Província do Kwanza-Sul" (também publicado no Angolense na sua Ediçaõ de 19 à 26 do mês passado), na qual inquires para saber qual é o nome da língua da localidade em que o Sr. Canhanga nasceu; transcrevemos a sua própria pergunta:

"Eu que nasci nas margens do Longa, no Libolo, quero saber qual é a minha língua. Alguém sabe como ela se chama?"

Somos a vos responder o seguinte:
Antes de passarmos a resposta, é oportuno aclarar o que nos anima neste projecto.

Mais de 6 anos passaram, quando se decidiu denominar (erradamente) a língua falada no Kwanza-sul como “Ngoya”.

“Ngoya” para os povos locais da nossa região significa tudo que diminui a qualidade humana dos indivíduos ou um (1) grupo social, pois significa: Glutão, porco, egoísta, em fim... tudo que queira significar “Anti-social”. Para economizarmos os bytes, recordamos ao prezado irmão que volte a consultar a primeira parte do trabalhado publicado no mesmo portal, onde foi (claramente) explicada a origem da referida palavra. Assim sendo, aproveitamos responder ao nosso irmão Canhanga que a nossa intenção é fazer com que a língua falada na nossa província deixe de ser chamada com tal epíteto, pois que, em nada nos dignifica.

E como não podia ser um compatriota doutra Região a se investir (...) neste debate, achamos que tinha que ser nós mesmos, filhos nativos da província a levar este debate em fórum nacional, para que superiormente se adopte uma denominação linguística que reflita a realidade etnoluinguistica dos nossos povos naquela região; uma denominação onde os dois maiores grupos etnolinguisticos (Ambundu e Umbundu) se revejam. Este é o espírito que nutre a nossa iniciativa e ponto final.

Agora respondendo especificamente a sua pergunta, somos a informar que:

1- Cientificamente explicando, Libolo fala a língua “Mbolo” mas que de acordo com a regra etnolinguistica, esta denominação não pode funcionar porque Libolo provem da Kibala. Logo fala a variante “Mbala” que por sua vez achamos cientificamente denominá-la de «Mbundu» como língua Franca da Província do Kwanza-Sul, ou língua de unidade desta província. Esta denominação é resultado da formula que segue, visto termos algumas unidades geográficas da província que fala a variante Umbundu. Assim:

(Ki)mbudu + (U)mbundu

=Mbundu

Se verificar bem, retiramos apenas os prefixos e para evitar rendundancias, uma única palavra, sintetiza tudo; pois que Mbundu significa: Ser humano, gente, povo, africano, negro!

Em Kimbundu como em Umbundu, esta palavra (com uma ou outra variação) tem sim, a mesma significação!

E para não se alongar muito, devemos dizer sómente que foram as investigações do Dr W. H. I. Bleek que estão na origem das denominações das línguas faladas na região su-sahariana do nosso Continente como sendo (Línguas Bantu). Isso porque, para se dizer: pessoa, ser humano; falamos muntthu, manthu, Bantu, manu etc, etc, mesmo com algumas diferenças fonologicas, mas que elas se unem para dizer a mesma coisa!

É assim oportuno dizer que: T=d; D=t; …

Também, a mesma palavra Muntu ou munthu, é que deu a origem em diversas línguas a palavra: Mundo, Monde, Mundi, pois quem fala de mundo, implicitamente esta querendo dizer: pessoas, seres humanos, gente.

2- Kibala, aparece na região da província em referência, como uma etnia e os outros 7 municípios que falam a mesma variante, são sub-etnias, porque todos eles são provenientes da Kibala e Kibala é proveniente do Pungu-a-Ndongu!

3- A província do K. Sul, fala dois dialectos: Kimbundu e Umbundu.

A denominação actual é falsa e sem sustento etnolinguistico e cultural que se preze, razão pela qual a mesma (denominação) é contestada pela a esmagadora maioria da população da província.

Neste quadro, há toda uma necessidade de se encontrar uma denominação que tenha um sustento cientifico e etnolinguistico, na qual todas as unidades geográficas da província falantes do Mbala e as outras falantes de Umbundu, se revejam.

Prezado irmão Canhanga,

Sendo você mesmo, homem de cultura, do exposto acima, poderá concluir que o que nos anima é sem mais, nem menos, o desejo de que a denominação da língua falada na nossa província, não tenha o epíteto que ofenda as nossas qualidades humanas.

Por isso, dizemos que venham as propostas para a denominação respeitável da língua franca da nossa província, menos o “NGOYA”!

REMATE:
A denominação que propomos, passará necessariamente pela a aprovação da população (não só pelos especialistas) o que não foi o caso com a denominação actual e esta proposta chama-se MBUNDU; Pelo que , uma pedagogia cientifica e sobretudo linguística se impõe, parque nos façamos respeitar nós mesmos.

Mais uma vez, com as nossas sinceras saudações de irmandade
Kitumba Evaristo
António Panguila
Avelino A. Kalunda"
 
Obs: Os destaques e negritados são meus (Luciano Canhanga).

quarta-feira, julho 07, 2010

A IMPORTÂNCIA DA EMPATIA NA RECOLHA DE INFORMAÇÕES

COMUNICAR: Não é mais do que manter o intercâmbio de informação entre sujeitos ou objectos. A comunicação humana é um processo que envolve a troca de informações e utiliza os sistemas simbólicos como suporte para este fim.

Indubitavelmente a língua é dos elementos imprescindíveis para o exercício da comunicação. Para um colector de informação dominar a língua do seu informante é uma grande “arma para atingir o alvo". Porém, para além da língua é importante buscar a empatia que é “o conhecimento de outrem especialmente no seio social”.

Assim sendo, é preciso encontrar, antes da colheita de informações, um clima de confiança entre o entrevistador e o entrevistado, de modo que a conversa flua sem constrangimentos. Para buscar empatia bastará identificar elementos comuns entre ambos, tais como uma mesma procedência, mesma língua, semelhança de elementos culturais, mesma nacionalidade, ancestralidade, etc.

As pessoas gostam de ser tratados de acordo aos ditames da sua cultura, religião, hábitos e costumes. Adaptar-se a eles é o melhor caminho para uma comunicação fluída e sem ressentimentos.

Embora a comunicação possa ser feita numa língua que o entrevistado domine pouco (por não ser a língua de comunicação habitual), uma saudação na língua local, uma vénia habitual ou o cumprimento de um ritual da região são elementos aproximadores e desinibidores.

quinta-feira, junho 17, 2010

A MINHA LUTA PELO "KIBALÊS"

Tomei conhecimento, via Klub-K, da (prosa do confrade Kitumba Evaristo) de um estudo realizado no Kuanza-Sul e que é chancelado pelos Senhores Dr. António Panguila (Historiador e Escritor) e Avelino António Kalunda (Consultor Técnico), datado de Luanda 16 de Junho de 2010, cuja conclusão é: “… No Kuanza-Sul, a  Língua é denominada em função do nome de cada município; assim, os da Kibala, dizem que falam a língua Kibala; os do Ebo, dizem que falam a língua Ebo; os de Mussende, dizem que falam a língua Sende; os da Gabela, dizem que falam a língua Mboim, etc. De qualquer maneira, a variante Kibala é a mais falada como dialecto do Kimbundu, falado nos oito (8) Municípios da província (Kibala, Libolo, Mussende, Waku-Kungu, Ebo, Gabela, Kilenda e Porta-Amboim) com a excepção dos municípios do Sumbe Konda, Uku-Seles e Kassongue, que falam o dialecto do Umbundu.

Atendendo que a Província do Kwanza-Sul possui dois (2) grandes grupos etnolinguísticos isto é, o grupo Ambundu e o grupo Ovimbundu, que motivaram a fala do Dialecto do Kimbundu e o de Umbundu, para se encontrar uma denominação ideal da língua da referida região, passa necessariamente em aglutinar as denominações «KIMBUNDU e UMBUNDU» (Kimbundu + Umbundu = à Kimbundubundu), dois (2) dialectos falados na referida região, dando origem a palavra «Kimbundubundu», proposta como nome único da Língua Franca da província do Kwanza-Sul, de tal modo que se salvaguarde o equilíbrio étnico da região, capaz de proporcionar a unidade etnolinguística e cultural da Província…”.


OS MEUS ARGUMENTOS

O estudo (que abaixo transcrevo) me parece tecnicamente bem elaborado e com (alguma) cientificidade. Porém, discordo da nomenclatura proposta para designar uma língua "comum” inexistente (já que são dois subgrupos que derivam do ambundu e umbundu) juntando as matrizes das variantes principais que se falam no Kuanza-Sul.



As línguas não possuem fronteiras estanques. Os habitantes da fronteira (zona de confluência linguística entre Portugal e Espanha) não falam oficialmente portunhol.


As línguas de cada povo ou aglomerado etnolinguístico têm, geralmente, como designação o gentílico deste povo. Portugueses falam português, chineses falam chinês, não vejo por que razão falarão os povos do Kuanza-sul o proposto kimbundumbundu, nem vejo a razão de fundir as duas vertentes (uma do umbundu e outra do kimbundu) em apenas uma, fazendo dela a língua do Kuanza-Sul que sempre teve as suas línguas (in)dependentes, umas das outras.
Daí que difícilmente um falante de kimbundu aceitará ser considerado falante de "Kimbundumbundu", o nome proposto, tão menos os homens do sul da província, que se comunica fluentemente em umbundu, o consentirão.

Em “Ngoya ou Kibala eis a questão”, publicado nesta e noutras páginas, tenho os argumentos de razão que complementam esta dissertação.


E já agora, se se considerar como válida a proposta, qual seria o gentílico dos povos falantes desta “nova língua”?.



_ Kimbundumbundês?


O estudo em questão
Fonte: Club-k.net: Quarta, 16 Junho 2010 23:27

Problematica línguistica da província do Kwanza-Sul - Kitumba Evaristo

"Kwanza-Sul - Introdução: A língua, é veículo sócio – divino da alma; é caminho do pensamento e sentimento humano e transumanos; é também motivo de suma importância visto que, as condições sociais do contacto partem da necessidade de comunicação entre diferentes grupos etnolinguísticos através da língua.

Proposta da denominação ideal da língua
De qualquer maneira, não é possível desenvolver uma determinada sociedade sem estabelecer intenso contactos económicos, políticos e culturais. Por este motivo, temos vindo a desenvolver uma intensa actividade de investigação científica, na tentativa de encontrar a verdadeira e ideal denominação da Língua Franca da Província do Kwanza-Sul.

A nossa grande preocupação reside no facto de a grande maioria da população reagir negativamente e com íra em relação ao termo “Ngoya” como nome da Língua da Província do Kwanza-Sul. Esta denominação foi dada sem contudo, se realizar um trabalho de investigação científica numa província, onde uma só língua tem muitos nomes.

A denominação certa de uma determinada língua baseia-se em critério sociolinguístico, pois deve ser determinada pela consciência colectiva correspondente, que consiste pelo facto dos falantes terem o conhecimento da língua que falam e concordarem com a denominação da mesma.

Origem da grande maioria da população do Kwanza-Sul (breve historial)
Com base nos dados recolhidos, dá-se conta que até 1930, os nativos da Kibala, falavam fluentemente a Língua Kimbundu, tal como se fala em Malange, motivo pelo qual, a referida população nativa, ter origem do Reino do Pungu-a-Ndongo.

O irmão do Ngola Kiluanji-Kya-Samba, chamado Kipala-Kya-Samba, por ordem do seu Soberano irmão aqui já referido, provavelmente, antes do Século XV, deixa o Pungu-a-Ndongo e parte com um grande grupo de homens e mulheres, atravessam o Rio Kwanza, na área chamada “Salto de Cavalo” e entram na região do Kwanza-Sul, ocupando a área da Kibala; o nome “Kibala” tem como termo original «kipala», por uma questão fonética da língua portuguesa, foi alterada para o termo «Kibala»; Kipala, significa “Rosto”; Kibala, é nome do seu fundador, o primeiro Soba da Kibala.

Depois da ocupação efectiva da Região da Kibala pelo seu primeiro Soba, Kipala-Kya-Samba (o que Significa filho da Samba), um dos membros desta Comunidade, chamado Katyavala Buíla, sem dar satisfação as autoridades politicas da Kibala, retira-se com um grande grupo de mulheres e homens e, funda o Reino do Bailundu, com toda a autoridade estabelecida, o que não contentou o Soba Kipala-Kya-Samba, anos depois, este organiza o seu Exército e invade o Bailundu, pondo em debandada as autoridades politicas daquele Reino, o que resultou a captura de mulheres e homens levados para Kibala como Reféns; o próprio Rei Katyavala, saiu deste ataque incólume tendo restabelecido novamente a sua autoridade politica. Assim sendo, com a presença dos reféns nativos do Bailundu em Kibala, que mais tarde deixaram de ser escravos, a língua Kimbundu funde-se com a língua Umbundu dando origem aos dialectos do Kimbundu e Umbundu falados na Província do Kwanza-Sul.

As autoridades da Kibala, não voltaram a atacar o Bailundu, pois o próprio Soba arrependeu-se de ter proporcionado guerra contra o Bailundu, uma vez que o seu fundador é seu parente.

O Governo da Kibala era composto pelo Soba, Ministro de Guerra que residia na Aldeia de Muxingi na região de Kitambi 37 Km da Sede Municipal da Kibala e o Ministro da agricultura que residia na região do Tari, à trinta (30) Km da Sede Municipal da Kibala, com o poder do domínio da chuva em todo território nacional, este tinha o Título de Kwkwa-Kioko, e dava instruções mágicas a toda região do Kwanza-Sul assim como também em Malange, sobre as técnicas de como se faz parar a chuva.

Ainda dados também recolhidos, dá-nos conta que em 1914, os colonialistas portugueses, para criar dificuldades à população nativa, decidiram ocupar todas as terras férteis em toda província do Kwanza-Sul, de tal forma que os Autóctones tiveram que praticar a agricultura de subsistência nas montanhas, o que provocou uma grande penúria alimentar. O governo dos colonizados da Kibala, se reuniu estrategicamente em Muxingi, o Ministro da Guerra recebe ordens de atacar o Exército Colonial e destruir todos os objectivos económicos.

O Exército Colonial sofreu grandes baixas em campo de batalha, obrigado a negociar com o Soba Kandimba do Bailundu, que lhes deu o apoio militar e que conseguiu desvendar o segredo mágico do Ministro da Guerra da Kibala, chamdo Kapanga-a-Lunga, que depois disto já não conseguiam vitórias nas operações militares.

A ajuda que o Bailundu prestou aos invasores Portugueses, foi interpretada pelas autoridades da Kibala como traição à Pátria e aos interesses dos Negros, porque o Soba Kandimba mandou o seu Exército atacar e matar Negros iguais. Esta acção, minou o relacionamento entre a população da Kibala e a do Bailundu, em que quando se encotravam nas htongas (Grandes Rossas de cafeiros), os Kibalas não conversavam nem comiam com os Bailundu. Estes enfurecidos diziam: (Ove olo ngoya), o que significa dizer, “estes são gulosos por isso é que não aceitam conviver connosco.”

Ngoya, é um termo pejorativo com que os Bailundu insultavam e chamavam os Kibala, que na Língua Umbundu, significa: Guloso, oportunista ou individualista, pelo que não é nome de uma língua, aliás, nenhuma Língua Africana tem esta denominação, outrossim também é nome de uma montanha que fica situada na fronteira entre o Município do Waku-Kungu e o do Bailundu.

Assim sendo, o Exército do Kapanga-a-Alunga foi vencido, ele e outros seus oficiais foram apanhados vivos, obrigados a lenharem e com as mesmas lenhas foram queimados numa pedra chamada Dand-ya-Kyawle (pedra onde o Kapanga-a-Alunga e os seus Oficiais foram queimados). Estes dados foram fornecidos pelo Ñgana-Ekete (que significa Anti-bala ou Senhor duro como ferro), e pelo Soba Kitumba de Kitambi, sendo o primeiro Ex-Oficial e sobrevivente da guerra do Kapanga-a-Alunga, também conhecida de guerra de Kandimba. Antigamente, isto é no período pré-colonial, o chefe Máximo da Kibala, não tinha o Título de Rei porque dependia já de um outro Rei, o Rei Ngola Kiluanji-Kya-Samba isto é, dependia do reino do Ndongo; em caso da morte do Soba da Kibala, o seu sucessor, tinha de ser empossado pelas Autoridades do Pungu-a-Ndongo, ao passo que todos os oito (8) Municípios que falam a variante Kibala, os seus Sobas eram empossados pelas autoridades da Kibala com excepção dos Municípios do Sumbe, Konda, Uku-Seles e Kassongue, que foram constituídos mais tarde e que falam o dialecto do Umbundu".

segunda-feira, maio 10, 2010

LAC: CASA DE FORMAÇÃO E APERFEIÇOAMENTO TÉCNICO DE JORNALISTAS

A Luanda Antena Comercial afirmou-se ao longo dos 18 anos de existência como uma grande "escola" de formação on job e também receptáculo de jovens jornalistas talentosos vindos de outras emissoras, sobretudo das províncias.

A Rádio Comercial de Cabinda já forneceu à LAC Pedro Menezes (falecido) e Paulo Duda (actualmente na Tv Zimbo). A emissora do Lobito "deu" à 95.5 FM Adelina (Quieza) Silvestre e, procedentes do Lubango, a LAC teve  Horvanda Andrade, José Kundi (Tpa) e Norberto Abias (Tv Zimbo). Antes tinha ingressado na LAC, vinda do Huambo, a Carla Castelo Branco (Fany).

Em 1997 a emissora teve uma ousada aposta no forjamento de novos talentos saídos do então curso de jornalismo do Instituto Médio de Economia de Luanda (IMEL), tendo, de uma "fornália" de 25 candidatos submetidos a teste e estágio, despontado nomes como: Luciano Canhanga, José de Assunção, Franscisca Pacavira, Rossana Miranda (Tv Zimbo), Stela Marisa e Marlene Pinto Amaro (as duas últimas actualmente naTPA).

A esta experiência de formação on job seguiram-se outras que comnferiram profissionalismo a Raúl Bias Van-Dúnem, Mateus Gaspar (TV Zimbo), Manuel José, Eurico Kabanga, Sheila Kanumbila, entre outros, também formados numa "escola" que antes dera igualmnte "nome" a Joanine Arriscado, Mário Guerra, Niki Menezes, etc.

Infelizmente, a dinâmica do mercado tem feito da LAC uma porta de passagem para outros "voos" profissionais de jovens jornalistas com outras ambições académicas e laborais, fazendo dela, hoje, uma casa com poucas estrelas ou menos do que devia ter.

Obs: Texto aberto a contribuições .

quarta-feira, abril 21, 2010

A FORMAÇÃO DE JORNALISTAS NA IGREJA METODISTA: DO NÚCLEO AO CLUB

Para que história do nosso jornalismo seja escrita com veracidade é necessário que os actores de hoje deixem "rabiscos" que sirvam de pistas aos futuros historiadores. E se a história da formação de jornalistas em Luanda for escrita, ela não deverá passar ao largo de uma importante iniciativa de jovens "apaixonados" pelo radialismo e jornalismo em geral.

Reporto-me ao Núcleo de Amigos da Rádio criado em princípios dos anos noventa do séc. XX por Eduardo Magalhães e Luciano Manuel da Silva (José Manuel Fançony). Era um espaço onde os dois jovens radialistas da RNA, ainda em início de carreira,  passavam a sua experiência a jovens (da Igreja) como: Manuel Filipe, João Manuel, Tomé Armando, Marinela Fernandes, Domingos Kitumba, Carlos Calongo, Domingos Soares "Ney", Georgina Guinhi (hoje médica), Benvindo Magalhães, Fernando Manuel Fançony "Nandinho", Jota Viage, Domingos Soares "Yoyó", José Ndonga, Jesus Delgado, José Mante, entre outros.

A "escola" foi inaugurada na casa do José Manuel Fançony, ao Cazenga, e só mais tarde, por alegadas questões de segurança, se mudou para o templo de Belém da Igreja Metodista Unida, ao Rangel, pastoreada naquela altura pelo Rev. Gabriel Vinte e Cinco. As aulas consistiam em cultura geral e técnicas de locução, ingrediantes que serviam de base nos concursos públicos realizados pela emissora nacional para a admissão de novos jornalistas.

Com o aumento das responsabilidades profissionais dos formadores, o tempo escasseou e o projecto "esmoreceu", tendo sido recuperado anos mais tarde, em 1999, por Luciano Canhanga (Sec. Geral), João Manuel (presidente) e Manuel Filipe (Vice-Presid.), contando ainda com conferências dadas por renomados jornalistas da época como: Horácio Pedro, Domingos João e pelos primeiros formados pelo Núcleo, já em actividade laboral  na RNA.

Na sua segunda versão, já com a designação de Clube de Jovens Amigos do Jornalismo da Igreja Metodista, as aulas consistiam no aperfeiçoamento da língua portuguesa, técnicas de reportagem e redacção, locução radiofónica e cultura geral.  Foram/são frutos desta segunda iniciativa jornalistas como: Miguel Kitari (Semanário Económico), Filomena Ebo e Arminda Coimbra (Rádio Escola), Adelina Inácio e Pedro Bica (Jornal de Angola), Zenilda Volola, Adão Tiago e Maria da Costa (Rádio Eclésia), Faustino Hossi Manuel (TPA), Hilário dos Santos (Tv Zimbo), Milonga Bernardo e Aires Francisco (RNA-Viana), Lourenço Miguel (RNA-Benguela), Victória Armando, entre outros nomes da nossa praça jornalística.

Momentos de lazer e teatro faziam também parte do CLUB-JAJIM cujo periódo de vigência, nesta sua segunda versão, foi de aproximadamente quatro anos.

Depois de terem passado por outras "escolas on job" temos hoje muitos destes jovens a darem o seu máximo em diferentes órgãos da comunicação social.
A iniciativa reclama uma nova reoxigenação.   
Obs: texto aberto a contribuições. 

quinta-feira, abril 01, 2010

ECLÉSIA: FORMAÇÃO ON JOB E MOBILIDADE

Pedro Manuel Vieira, Moisés Sachipangue e Gabriel Niva são exemplos de jornalistas que iniciaram carreira na Huila mas que ganharam nome na Eclésia. Se por este motivo o Lubango pode ser considerado o sorvedouro da Emissora Católica de Angola, esta Rádio é por sua vez o “celeiro” da TPA.

Nomes como Neto Júnior, Benedito Joaquim, João Pinto, Moisés Sachipangue, Gabriel Niva, Faustino Hossi (Manuel) Alexandre Cose, Almir Agria, Mário Vaz Contreiras, entre outros, hoje na Televisão Publica passaram pela Eclésia, onde se aperfeiçoaram na arte de informar/noticiar, pontificando-se como exímios senhores do jornalismo angolano. Daí que ser-se jornalista da Eclésia é, hoje por hoje, meio caminho andado para ver franqueadas as portas da Televisão Pública, tendo em conta a mobilidade dos profissionais desta Emissora em direcção à TPA.

Para além dos citados jornalistas, a Emissora Católica deu ainda à Rádio Mais o actual editor-chefe, Arão Gaspar, também procedente do planalto huilano, Rossana Miranda (LAC/Eclésia/TPA/ TV-Zimbo), Teixeira Cândido (Jornal de Angola/ Jornal O País), entre outros  "emigrados".

A formação on job de jovens recém-saídos de cursos médios e básicos tem sido outra aposta da emissora, o que permite um equilíbrio entre os que saiem e aqueles que dão continuidade à obra. Adão Tiago, Walter Cristóvão, Zenilda Volola, entre outros, são exemplos deste esforço de renovação contínua, contando com a formação on job de novos talentos.

OBS: Texto aberto a contribuições

quarta-feira, março 10, 2010

A ADAPTABILIDADE DO METODISMO UNIDO ANGOLANO

O Metodismo Unido, ramo da religião cristã evangélica, nascido nos EUA, chegou a Angola em Março de 1885 com o Bispo William Taylor à cabeça, tendo percorrido, na sua expansão a partir de Luanda, as regiões de Dondo, Nhanga-a-Pepe, Quiôngua, Quessua e Quela, expandindo-se destes pontos para grande parte do país. Tal como afirma o bispo Emílio de Carvalho, no prefácio do Hinário Povo Cantai: (Núcleo, Queluz, 1982), "o metodismo nasceu a cantar...".

Apesar da sua chama sempre activa e acesa, a guerra e as suas consequências demográficas e sociais que o país viveu condicionaram o Metodismo à região Litoral e um pouco pelo Centro, atingindo dificilmente as regiões Leste, Nordeste e Sudeste de Angola, onde os Metodistas Unidos apenas nos últimos decénios marcam os seus primeiros passos. É exemplo desta comnstatação a Lunda Sul. Fruto deste tardio enraizamento pela região Cokwe e Nganguela assistimos à escassa ou mesmo inexistência da tradução da literatura metodista (hinário, bíblias e códigos litúrgicos) do portugês para essas línguas à semelhança do Kimbundu, Kikongo e Umbundu que possuem secções musicais no Hinário Povo Cantai.

O Metodismo Unido é, porém,  uma organização cristã que se adapta e que procura os melhores métodos de fazer chegar o evangelho aos confins da terra. No nordeste de Angola, onde não há tradição religiosa (1) cristã, os metodistas associam à música e dança, captados da cultura religiosa dos evangélicos congoleses, aos hinos e cânticos tradicionais do metodismo. Assim, ele cresce e se adapta às características socio-culturais das ovelhas que arregimenta para o seu rebanho. É, em suma, um diálogo entre a matriz básica e as novas tendências ou as exigências do presente para uma evangelização mais humanizante e ao serviço dos homens.

Outra nota dominante no nordeste é o uso do bi-linguismo na pregação do evangelho e outros serviços da Igreja, motivado pela inexistência de bibliografia na língua nativa, o cokwe, e existência de membros leigos que não dominam a língua portuguesa, principal veículo de comunicação em Angola.

A tradução das mensagens (bíblica e anúncios) torna os cultos mais demorados, porém mais inclusivos, abrangentes e educativos, já que as línguas de serviço se tornam em elementos de aprendizagem comum e meditação (português/cokwe e vice-versa). Por outra, é sabido que a mensagem se torna mais incisiva e menos ambígua se transmitida na língua do receptor o que valoriza ainda mais esta experiência.
A inexistência de uma secção em cokwe no hinário metodista unido é motivo para se fazer um convite aos linguistas e teólogos de várias denominações religiosas evangélicas do nordeste a assumirem tal desafio, superando-o, já que o protestantismo, nas suas numerosas manifestações, tem mais elementos comuns dos que díspares, incluindo a hinologia. Tal tarefa começaria pela tradução dos hinos conhecidos e cantados em português, kimbundu, umbundo e kikongo, bem como a introdução de novos hinos que não figuram no hinário metodista.

Tal como pregava o finado pastor metodista Teixeira Samuel, "Cantar também é evangelizar". Com esta nova forma de evangelizar, "juntemo-nos e levemos o envangelho do Senhor a todos os moradores da terra"!
_______________________
NOTA: O autor é membro da Igreja Metodista Unida desde 1984, com passagem e convivência com pessoas de outras denominações religiosas cristãs.
1- Grande parte dos habitantes rurais do nordeste acreditam em práticas animistas politeístas, crença metafísica e feiticista, bem como veneram os antepassados

sábado, fevereiro 20, 2010

UM OLHAR AO CARNAVAL DA LUNDA SUL

Informações históricas apontam para a existência de três períodos distintos do Carnaval na região nordeste de Angola que abaixo se seguem:


1- Até 1975: O Carnaval estava circunscrito aos bailes urbanos organizados por elites de origem europeia, seus descendentes e alguns assimilados (negros letrados e com hábitos culturais europeus)

2- De 1977 a 1990: O Carnaval passou a realizar-se a 27 de Março ao invés de Fevereiro, conforme dita a tradição desta festa de origem pagã. A festa ganhou uma carga política e ideológica, popularizou-se e se tornou de carácter quase “obrigatória” em todo o país. Note-se que 27 de Março de 1976 foi a data em que fora expulso do solo angolano o último dos invasores sul-africanos e mercenários que tentaram impossibilitar a proclamação da independência do país pelo MPLA e Agostinho Neto, a 11 de Novembro de 1975, daí que o Presidente Neto propôs a data para a festa da vitória, ganhando a assim a designação de “Carnaval da Vitória”.

3- CARNAVAL “DO EMPATE”: de 1991 à data presente, a festa popular perdeu a carga ideológica, voltou à espontaneidade com maior realce à criatividade na indumentária, dança, canto, alegoria e outros adereços. Ganhou corpo a participação da classe empresarial pública e privada como patrocinadores, o que tende a diminuir gradualmente a responsabilidade do Governo na organização dos grupos. O Carnaval actual evolui, em todo o país e em todos os sentidos, para uma indústria, à semelhança do que se passa noutras cidades e países.

No que se refere ao nordeste de Angola, dois aspectos ressaltam à vista do visitante e do habitante local: a evolução cultural, fruto das vivências e empréstimos culturais com outros povos e a preservação da matriz cultural do povo Cokwe.

Quem assiste ao Carnaval dançado em Saurimo vê duas formas (muitas vezes combinadas) de execução das danças típicas do nordeste, a Cianda e a Cisela. Os grupos carnavalescos da cidade mostram cada vez mais inovações, fruto de influências de outras danças e ritmos, ao passo que os das aldeias periféricas e outros idos de municípios do interior exibem ainda uma dança “mais conservadora”, ao som rítmico do ngoma , executado por menores e adolescentes que são, ao fim e ao cabo, os continuadores da pureza da cultura deste povo.

Assistindo, de forma crítica e interessada, ao Carnaval da Lunda wa kuthu fica-se com a impressão de que qualquer júri nomeado para julgar a festa popular sente dificuldade em eleger o grupo vencedor de qualquer edição e tal acontecerá em 2011. Concorreram para tal dificuldade a evolução cultural e a manutenção da matriz cultural deste povo Cokwe no seu aspecto mais tradicionalista.

O Grupo AMA (vencedor da edição 2010) apresenta-se como o rosto visível de um Carnaval moderno, com todos os adereços que se esperam duma festa que reúna o tradicional e o moderno. Os grupos representantes dos municípios de Mukonda Dala e Kakolo mostram por sua vez que lá está o viveiro da cultura autóctone dos tucôkwe.

É também importante notar que no nordeste de Angola “o Carnaval não tem tradição , sendo os momentos de festa mais marcantes as cerimónias de mukanda , daí que estes povos podem, e a curto trecho, desenvolver uma festa híbrida que englobe o moderno e o tradicional que se pode converter num grande atractivo turístico.


REFERÊNCIAS

1- MANAÇAS, Abreu: entrevista à RNA Lunda Sul, 15/02/10
2- O carnaval que se segue ao da vitória resulta da instauração do multi-partidarismo e perdeu a feição partdária pró MPLA, voltando à espontaneidade popular. Designo-o por carnaval do empate, pois o Presidente Eduardo dos Santos dizia que para a VERDADEIRA reconciliação nacional entre os angolanos era importante que não houvesse nem vencedores nem perdedores.
3- Cianda é dança típica do nordeste de Angola. Outras danças típicas dos tucôkwe são a cisela e a makopo.
3- ngoma é batuque
4- Mukanda é  cerimónia de iniciação: masculina = mukanda ua kandanji e feminina = mukanda ua mwana pwo).

Luciano Canhanga

(Comunicólogo)



quinta-feira, fevereiro 04, 2010

FORMAÇÃO E MOBILIDADE JORNALÍSTICA NAS FM DE LUANDA

= é um fenómeno normal de mercados concorrenciais =
A LAC, criada em Setembro de 1992 antes das primeiras eleições multipartidárias; a Eclésia, ressurgida em 1997; a Despertar, substituta da VORGAN e a Rádio Mais, criada em 2009 constituem as rádios comerciais de Luanda e que emitem em Frequência Modulada. Todas elas subsistem, teoricamente, da comercialização de espaços, campanhas publicitárias e anúncios.

A Rádio Luanda, Rádio Cinco, Rádio FM Stéreo e a Rádio Escola (vinculada ao Ministério da Comunicação Social) estão ligadas umbilicalmente à Emissora Pública Nacional, a RNA.

Em 1992, quando da abertura da LAC, o que o mercado assistiu foi uma fuga dos melhores quadros da RNA para a novel emissora, fruto do factor novidade da sua programação, mais condizente com a realidade política-democrática do momento, e dos atractivos salários que praticava. O país entrava para a concorrência e sopravam ventos de mudança em todos os sentidos. “A camisola tinha sido colocada no roupeiro e o estômago já tomava decisões laborais”.

Assim, vimos jornalistas como Ismael Mateus, Paula Simons, Pedro Correia, José Rodrigues, Mateus Gonçalves, Amélia Pombo (de Aguiar), entre outros, juntarem-se à directora Maria Luisa, na LAC.

A RNA mais se parecia a “uma senhora que perdera os melhores filhos”. A retomada das emissões da Eclésia só viria a complicar ainda mais a situação da RNA que mal se refez do “tufão LAC” viu outros dos seus melhores filhos partirem. Destacam-se nesta “emigração” nomes como os de Mário Vaz (hoje na TPA), Laurinda Tavares, entre outros, que faziam o núcleo áureo das manhãs informativas da Nacional. Até a LAC ganhou concorrência e não deixou de ver jornalistas e sonoplastas “rezarem” na Emissora Católica.

O cenário de Luanda era também vivido nas províncias de Cabinda Benguela e Huila onde as FM Comercial, Morena e 2000 faziam concorrência às apêndices da RNA, as emissoras locais.

Havia esperança de que a abertura democrática do país à economia de mercado de livre concorrência viesse a potenciar a produção e concomitantemente o mercado publicitário que é a grande alavanca financeira da média privada.

O retomar da guerra, porém, e a estagnação da produção nacional veram a criar sérias dificuldades financeiras às emissoras comerciais, o que levou também à estagnação dos investimentos e dos salários, para além de uma tenaz máquina intimidatória contra a média privada e jornalistas mais espevitados que partia do “Edifício da Avenida dos Combatentes”.

Os profissionais do grupo RNA, por sua vez, viram os seus ordenados melhorados, protegidos pelo poder político instituído, graças à informação paternalistas que veiculavam, e ainda bafejados com ofertas de casas, viaturas e postos de chefias. Para este ultimo aspecto, bastará olhar para a estrutura orgânica dos OCS púbicos, havendo nalguns casos chefes sem subordinados.

Estes factores pesaram bastante para o retorno de muitos profissionais que tinham emigrado, levando consigo jovens recém-formados pelas FM privadas.

A melhoria dos salários, as viagens ao exterior, a estabilidade do emprego, entre outras regalias, foram “armas decisivas” para a inversão do fenómeno migratório a favor da média pública.

As comerciais passaram à condição de simples formadores de mão-de-obra que uma vez experiente viam partir, fruto do assédio da media pública que tinha igualmente interesse em esvazia as FM e diminuir o seu poder de influenciar a opinião pública. A TPA, RNA e o Jornal de Angola estão hoje repletos destes jovens (do meu tempo e de tempos mais próximos).

Hoje, o tempo médio de permanência de um jovem numa comercial vai até um ano, o que corresponde exactamente ao período de um estágio bem sucedido. Esse factor levou também à depreciação da qualidade do serviço jornalístico destas emissoras que, embora conservem alguns “mais velhos” que definem as políticas editoriais e os conteúdos programáticos, se vêem forçados a trabalhar com executores inexperientes e com fraco domínio da língua e das técnicas.

Se as comerciais precisam hoje de jovens inexperientes, por serem pouco exigentes quanto ao salário, estes jovens também precisam das comerciais como trampolim para outros vôos. É nelas que rapidamente se afirmam e encontram, o mais cedo possível, quem para eles acene. Essa é a realidade nas redacções jornalísticas da media privada, em geral, onde a mobilidade é tão grande, chegando a haver renovação completa em apenas 24 meses ou menos, sendo destino a comunicação social pública, a Nova Media (de capitais híbridos), a assessoria de imprensa e afins.

Outro factor que propicia a constante mobilidade dos jovens jornalistas tem sido a elevação da formação académica em áreas não relacionadas com o jornalismo e as ciências da comunicação. Uma vez terminadas as licenciaturas, os jovens partem para a aplicação prática dos seus conhecimentos académicos. Assim, o jornalismo radiofónico, em particular, tornou-se numa porta de passagem para outros destinos bem mais remunerados e valorizados, deixando de ser, a arte de informar, um ofício atrativo para muitos jovens com reforçado apego ao dinheiro e estabilidade material.

Fruto desta situação, assistimos também à carência, no mercado angolano, de jornalistas de grande gabarito e performances para as mais díspares necessidades. Os grandes gurus vêem-se sem discípulos sérios para legar conhecimentos, devido à efêmera estadia dos jovens nas redacções, e o mercado externo começa a ser a solução para o preenchimento de vagas nas redações. Estes expatriados, nem todos de boa qualidade, acabam por inflacionar o mercado, “colonizar” o nosso espaço mediático com vícios de outras paragens e jargões que não se adaptam nem ao nosso “linguajar”, nem ao nosso ser e estar.

Que solução?

_ A palavra é sua. Comente!

sexta-feira, janeiro 15, 2010

A MOBILIDADE NAS REDACÇÕES E O PAPEL DOS ASSESSORES


Fazer uma boa assessoria de imprensa implica possuir uma boa lista de contactos junto das redacções. A imagem das empresas e das instituições passa pelos Media que são, ao fim e ao cabo, os grandes difusores dos activos e passivos das instituições públicas e privadas.

Possuir uma boa agenda, como dizia, não passa apenas pelo contacto telefónico e/ou pelo correio electrónico. É preciso criar laços de aproximação física. O conhecimento pessoal dos profissionais dos O.C.S. e dos secretariados das redações.

Sabendo que as redacções dos media estão em constante renovação, o assessor vê-se também "forçado" pelo seu trabalho a renovar, vezes sem conta, os seus contactos, sem se apartar dos antigos profissionais. "Uns saiem de uma casa e entram noutra" é preciso manter a amizade e criar novas amizades com aqueles que lhes preenchem os lugares deixados vagos.

O assessor tem de conhecer as redacções e os jornalistas. Hoje não basta escrever e enviar Press Release ou Nota de Cobertura... É preciso criar uma "intimidade" com estes "mandões" da media, os homens que hierarquisam as Notícias e as Instituições.

Luciano Canhanga