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quarta-feira, fevereiro 01, 2012

QUO VADIS DIDACTICA DA LINGUA PORTUGUESA NO ENSINO PRIMARIO?

Já desde os meus tempos de aluno primário que, no meu canto, reflectia sobre a qualidade do ensino da língua portuguesa em Angola, país com várias línguas de origem Bantu e  cujas dicções, influenciam a locução do português.
Imagine que tive um professor que em vez de pronunciar divide emitia "divinde"; em vez de combustível, pronunciava "combustíve", em vez de mel dizia "meee", etc.

E eu, influenciado pelo pai e pelo avô de que tinha que ser "um preto-fino" que devesse andar de camisa de mangas compridas e sempre bem-passada... portanto, um negro com polimento europeu, coisas que no passariam somente pela forma de estar mas também pelo que sairia de minha boca. E fiu reflectindo como atingir tais patamares com os professores que fui encontrando.

Antes mesmo de dedcobrir que tais exigências emanavam da Concordata entre o Estado Novo e a Igreja Católica, rubricada nos anos quarenta do século passado (XX), sobre o Ensino e a Cultura Lusitana nas Províncias Ultramarinas e os critérios para a obtenção do Estatuto de Assimilado que meu pais e avô cumpriam sem saber como tinham sido impostos (aprendi isso no curso superior de Ensino da História), optei por aprender a gramática (Sintaxe, Morfologia e Ortografia) com os professores que fui tendo e o Prosódia ou Dicção com aqueles que me pareciam ser "bons falantes" da língua de Camões.

Esta realidade acompanhou-me até aos dias da juventude. Já eu como professor primário fui assistindo, todos os dias, os meus colegas "mutilando" criançaas que, apesar de algumas serem filhos de gente bem instruída,confiava mais nos professores (mesmo mediocres) do que nos próprios pais. Razão: Ficam mais tempo com eles do que com os pais e o professor no ensino primário ainda é tido como o detentor do saber "absoluto".

Havia aqueles que nada entendiam da gramática, conjugação verbal, regência, classe de palavras, substantivos, etc. Pior ainda sobre a dicção correcta das palavras. E o "comboio" seguia (está a seguir até hoje) o seu curso, como se nada de anormalidade houvesse em tudo isso.

Pior ainda nos tempos hodiernos, me parece que nas escolas primárias de Angola desapareceu o rigor  na elabora�o das aulas de língua portuguesa.
- Primeiro porque sabendo ou não os alunos da iniciação à quarta classe já não reprovam.
- Segundo porque os professores primários têm cada vez menos conhecimentos para partilhar com seus alunos, havendo mesmo aqueles que nada têm em relação a meninos e meninas que aos sete anos já dominam as ferramentas de pesquisa e auto-ajuda.
- Terceiro porque temos ainda a mono-docência que abrange a 5ª e 6ª classes que sempre tiveram professores diferencviados para cada disciplina. E assim, aquele que sempre foi professor de matemática, porque era o seu forte, também dá aulas de língua portuguesa que nunca soube, às vezes, nem falar.

Um professor portador de deficiência, como eu, também se tornou em professor de Educação Física (?!). A Monodocência dá nisso...
Toda essa insatisfação pelo ensino que o Estado dá aos nossos filhos leva-me somente a relenmbrar os tempos (não tão bons quanto aos dos que me são mais-velhos) em que para ministrar uma aula de língua portuguesa no ensino primário o mestre teria de obedecer a critérios básicos na elaboração da aula:
- Leitura e interpretação do texto
- Gramática (podiam ser questões sobre sintaxe ou morfologia)
- Ortografia/ditado
- Redacção

Será que os professores de língua portuguesa, no ensino primário público, ainda obedecem a esta elaboração?
É so ver como alguns maltratam (na escrita, conjugação verbal e dicção) a língua veicular...

Nota: uma amiga minha que é professora no ensino primário público em Luanda, a propósito dum debate que suscitei no fb (27.01.2012), dizia que as "amnistias escolares (acto de aprovar todos os alunos, mesmo aqueles que deviam "xumbar") se devem ao facto de existirem poucas escolas e muitos alunos fora do sistema de ensino". Isso, segundo MG, "permite a abertura de vagas e a entrada de outros alunos no sistema". Acrescenta ainda que "se o aluno não aprende a ler na 1ª aprende na 2ª e se tal não acontecer na 2ª será na 3ª ou na 4ª classe".

E, assm se vai deteriorando o nosso ensino público com a cumplicidade/ordem do "Quem-de-Direito".  

2 comentários:

Anónimo disse...

É triste observar quando a qualidade de ensino se deteriora, mas a verdade,é que nem em Portugal o português é bem tratado, tanto os professores como os meios de comunicação que são importantes na aprendizagem da linguagem e da dicção, não falam do modo mais correcto, dizendo "poribido" em vez de proibido, "hades" em vez de hás de e utilizando "prontos" no final de cada afirmação...

"Soberano" Canhanga disse...

Alguem me dizia que uma lingua sem regras eh como um rio sem margens. Desaparece.
E eu digo, ha muita gente quem nao domina nenhuma lingua: nem a portuguesa nem as de origem bantu (no nosso caso).
Triste. Muito triste!