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terça-feira, julho 20, 2010

A LÍNGUA DA KIBALA E A CARTA QUE SUBSCREVO

Ponto prévio:

O esforço dos intelectuais, filhos e amigos do Kuanza-Sul, que se debruçam sobre o banimento do termo Ngoia, como nome da língua que se fala em grande parte daquele território, não visa criar uma nova língua, nem criar uma forma de elevação ou sublevação, tão pouco desprestigiar quem quer que seja.

É tão somente a conformação técnica, cultural e histórica de um facto. No caso vertente, a atribuição de uma designação que vá de encontro a um instrumento de comunicação usado por milhares de angolanos (de primeira, como todos os demais). É apenas a busca de um reencontro com a nossa história, a de Angola, habitada e cohabitada por diferentes agrupamentos etnolinguísticos. O esforço visa a promoção do debate que nos leve a uma solução ou posição equilibrada, definitiva, abrangente e inclusiva.
LC

"Prezado irmão Luciano Canhanga,
Com os nossos melhores cumprimentos.

Em resposta a sua reação sobre o tema publicado no Portal do Club-K. datado de 1 de Junho do ano em curso, sobre a "Problemática Línguistica da Província do Kwanza-Sul" (também publicado no Angolense na sua Ediçaõ de 19 à 26 do mês passado), na qual inquires para saber qual é o nome da língua da localidade em que o Sr. Canhanga nasceu; transcrevemos a sua própria pergunta:

"Eu que nasci nas margens do Longa, no Libolo, quero saber qual é a minha língua. Alguém sabe como ela se chama?"

Somos a vos responder o seguinte:
Antes de passarmos a resposta, é oportuno aclarar o que nos anima neste projecto.

Mais de 6 anos passaram, quando se decidiu denominar (erradamente) a língua falada no Kwanza-sul como “Ngoya”.

“Ngoya” para os povos locais da nossa região significa tudo que diminui a qualidade humana dos indivíduos ou um (1) grupo social, pois significa: Glutão, porco, egoísta, em fim... tudo que queira significar “Anti-social”. Para economizarmos os bytes, recordamos ao prezado irmão que volte a consultar a primeira parte do trabalhado publicado no mesmo portal, onde foi (claramente) explicada a origem da referida palavra. Assim sendo, aproveitamos responder ao nosso irmão Canhanga que a nossa intenção é fazer com que a língua falada na nossa província deixe de ser chamada com tal epíteto, pois que, em nada nos dignifica.

E como não podia ser um compatriota doutra Região a se investir (...) neste debate, achamos que tinha que ser nós mesmos, filhos nativos da província a levar este debate em fórum nacional, para que superiormente se adopte uma denominação linguística que reflita a realidade etnoluinguistica dos nossos povos naquela região; uma denominação onde os dois maiores grupos etnolinguisticos (Ambundu e Umbundu) se revejam. Este é o espírito que nutre a nossa iniciativa e ponto final.

Agora respondendo especificamente a sua pergunta, somos a informar que:

1- Cientificamente explicando, Libolo fala a língua “Mbolo” mas que de acordo com a regra etnolinguistica, esta denominação não pode funcionar porque Libolo provem da Kibala. Logo fala a variante “Mbala” que por sua vez achamos cientificamente denominá-la de «Mbundu» como língua Franca da Província do Kwanza-Sul, ou língua de unidade desta província. Esta denominação é resultado da formula que segue, visto termos algumas unidades geográficas da província que fala a variante Umbundu. Assim:

(Ki)mbudu + (U)mbundu

=Mbundu

Se verificar bem, retiramos apenas os prefixos e para evitar rendundancias, uma única palavra, sintetiza tudo; pois que Mbundu significa: Ser humano, gente, povo, africano, negro!

Em Kimbundu como em Umbundu, esta palavra (com uma ou outra variação) tem sim, a mesma significação!

E para não se alongar muito, devemos dizer sómente que foram as investigações do Dr W. H. I. Bleek que estão na origem das denominações das línguas faladas na região su-sahariana do nosso Continente como sendo (Línguas Bantu). Isso porque, para se dizer: pessoa, ser humano; falamos muntthu, manthu, Bantu, manu etc, etc, mesmo com algumas diferenças fonologicas, mas que elas se unem para dizer a mesma coisa!

É assim oportuno dizer que: T=d; D=t; …

Também, a mesma palavra Muntu ou munthu, é que deu a origem em diversas línguas a palavra: Mundo, Monde, Mundi, pois quem fala de mundo, implicitamente esta querendo dizer: pessoas, seres humanos, gente.

2- Kibala, aparece na região da província em referência, como uma etnia e os outros 7 municípios que falam a mesma variante, são sub-etnias, porque todos eles são provenientes da Kibala e Kibala é proveniente do Pungu-a-Ndongu!

3- A província do K. Sul, fala dois dialectos: Kimbundu e Umbundu.

A denominação actual é falsa e sem sustento etnolinguistico e cultural que se preze, razão pela qual a mesma (denominação) é contestada pela a esmagadora maioria da população da província.

Neste quadro, há toda uma necessidade de se encontrar uma denominação que tenha um sustento cientifico e etnolinguistico, na qual todas as unidades geográficas da província falantes do Mbala e as outras falantes de Umbundu, se revejam.

Prezado irmão Canhanga,

Sendo você mesmo, homem de cultura, do exposto acima, poderá concluir que o que nos anima é sem mais, nem menos, o desejo de que a denominação da língua falada na nossa província, não tenha o epíteto que ofenda as nossas qualidades humanas.

Por isso, dizemos que venham as propostas para a denominação respeitável da língua franca da nossa província, menos o “NGOYA”!

REMATE:
A denominação que propomos, passará necessariamente pela a aprovação da população (não só pelos especialistas) o que não foi o caso com a denominação actual e esta proposta chama-se MBUNDU; Pelo que , uma pedagogia cientifica e sobretudo linguística se impõe, parque nos façamos respeitar nós mesmos.

Mais uma vez, com as nossas sinceras saudações de irmandade
Kitumba Evaristo
António Panguila
Avelino A. Kalunda"
 
Obs: Os destaques e negritados são meus (Luciano Canhanga).

quarta-feira, julho 07, 2010

A IMPORTÂNCIA DA EMPATIA NA RECOLHA DE INFORMAÇÕES

COMUNICAR: Não é mais do que manter o intercâmbio de informação entre sujeitos ou objectos. A comunicação humana é um processo que envolve a troca de informações e utiliza os sistemas simbólicos como suporte para este fim.

Indubitavelmente a língua é dos elementos imprescindíveis para o exercício da comunicação. Para um colector de informação dominar a língua do seu informante é uma grande “arma para atingir o alvo". Porém, para além da língua é importante buscar a empatia que é “o conhecimento de outrem especialmente no seio social”.

Assim sendo, é preciso encontrar, antes da colheita de informações, um clima de confiança entre o entrevistador e o entrevistado, de modo que a conversa flua sem constrangimentos. Para buscar empatia bastará identificar elementos comuns entre ambos, tais como uma mesma procedência, mesma língua, semelhança de elementos culturais, mesma nacionalidade, ancestralidade, etc.

As pessoas gostam de ser tratados de acordo aos ditames da sua cultura, religião, hábitos e costumes. Adaptar-se a eles é o melhor caminho para uma comunicação fluída e sem ressentimentos.

Embora a comunicação possa ser feita numa língua que o entrevistado domine pouco (por não ser a língua de comunicação habitual), uma saudação na língua local, uma vénia habitual ou o cumprimento de um ritual da região são elementos aproximadores e desinibidores.