Número total de visualizações de página

terça-feira, agosto 15, 2017

POR QUÊ MUDAR?


 
No dia primeiro de Junho/2017 tivemos a honra de representar o titular deste Departamento Ministerial num evento organizado pelo INITI, Instituto Nacional de Inovação e Tecnologias Industriais, sob o lema: Pensar Indústria – O Desafio da Inovação para a Competitividade da Indústria Nacional:
Numa primeira leitura, se pode deduzir que as discussões sobre competitividade se tenham restringido aos fornecedores de produtos, ou seja à indústria. Não! A Competitividade é transversal aos fornecedores de serviços aos utentes, como é o nosso caso, Funcionários Públicos.
 
E não foi em vão que foi formulado um apelo a todos os presentes (representantes de ministérios e serviços da administração directa e indirecta do Estado) no sentido de promover e disseminar a inovação ou as boas práticas em termos de produtos (indústria) e serviços (administração), procurando fazer mais com menos recursos humanos, temporais e financeiros.
 
Os organismos também foram instados a “olhar para fora da caixa” no que tange a capacitação de seus integrantes, de modo a se mitigarem os males que inibem a criatividade e a inovação.
 
Inovar é: introduzir algo novo ou modificar algo já existente para melhora-lo. Por isso, a busca incessante de inovações ou melhores resultados deve perseguir o funcionário público no seu dia-a-dia. É preciso fugir dos modelos antigos, pouco produtivos, e introduzir novas rotinas que resultem em melhorias contínuas dos processos de acolhimento, atendimento e formulação de respostas, reduzindo o tempo, emprego de homens que realizem a mesma tarefa, etc.
 
Inovação é, em suma, melhorar o desempenho das pessoas (funcionários) e das organizações. Daí que os profissionais não devem estar presos às velhas práticas, defendendo-se, como se ouve com frequência, que “aqui sempre fizemos assim”. Devemos sempre tentar fazer diferente.
 
As lideranças devem ouvir os integrantes de suas equipas. A melhor ideia para revolucionar um procedimento pode vir de um assistente de limpeza ou de quem menos se espera.
 
Já dizia Albert Einstein que “tolice é fazer sempre do mesmo jeito e esperar por resultados diferentes".
 
Sendo a resistência à mudança um dos problemas que emperra a inovação nas organizações públicas e privadas, o apelo vai para o seguinte: é importante ter em conta que mudar ou afinar os procedimentos não é recuar nem buscar o impossível. Se é resistente à mudança, saiba que você tem apenas dois caminhos: ou você muda ou você é mudado(a), pois num ambiente competitivo a mudança é irreversível.
Pense nisso e se é resistente às inovações mude enquanto é cedo!
 
 

terça-feira, agosto 01, 2017

VENDO BEM... Os nomes

- Na Pasa; Sa Lutenda; Mama ly´Atimba; Tata lya Juá... não passam de nomes que ganham os progenitores depois do nascimento do(a) primeiro(a) filho (a). Era assim antigamente a atribuição de antropónimos (nomes de pessoas). 

Para a comunidade rural angolana, sendo a paternidade/maternidade um marco muito importante, o(a) genitor(a) passava a ser chamado(a) pelo nome do(a) filho(a), antecedido do prefixo equivalente na língua local a palavra pai (sa em Cokwe e tata em kimbundu), passando-se o mesmo com a genitora (na ou mama nas duas línguas em que fiz a pesquisa) passando a "mãe de fulano (a).

Situações semelhantes verifiquei no Mali e Guiné-Konacri. Já para os europeus, os antropónimos e depois os apelidos surgiram para diferenciar os indivíduos em função da ocupação. Assim, surge o Pedro (pedreiro), diferente do Jardim (jardineiro), do Backer (padeiro em inglês), etc. 

Entre os Bantu, o homem social ganhava estatuto depois de se tornar pai/mãe.

sábado, julho 15, 2017

MALAVU OU LUNGILA?

Essa é uma pergunta comum quem visita as aldeias interiores do Uige. O café também conhecido como bago vermelho é, sem dúvida, o ex-libris do Songo e outros municípios do Uije. Mas, não é tudo. No Songo, por exemplo, também se vêem montanhas que desafiam os céus como na aldeia de Zulumongu (o céu é a montanha) e se bebe malavu (designação do vinho de palma em Kikongu)ou lungila (aturem-me em Kikongu) que é um fermentado a base de sumo de cana de açúcar.
- Então, vai uma bebida?
- Sim. Sirva Lungila!
Nesta viagem turística e exploratória sobre os usos e costumes dos nossos povos, também pude constatar que os topónimos, no Uige, regra geral emergem de hidropónimos, de antropónimos de fundadores das comunidades ou de eventos sociais, culturais ou naturais relevantes, uma característica que se pode dizer: geral em Angola, sem muita margem de erro.
 
Exemplos:
Zulumongu (o céu é montanha), Uije.
Kipala kya Samba (rosto de Samba), Kwanza-Sul.
Kambambi (friozinho), Kwanza-Norte
Baixo Longa (rio Longa) no Kwandu nyi Kuvangu
Ngonguembo (Ngonga yo wembu) Kwanza-Norte
babaera/Ovav'ayela (água límpida/cascata) Ganda/Benguela
Pedra Escrita (anúncio publicitário feito em pedra deu nome à aldeia) no Libolo), etc.
Outra constatação, cuja reflexão se espera melhor desenvolvida e fundamentada, tem a ver com as línguas faladas na extensão do Uije e as zonas de "penumbra linguística". Busco aqui uma analogia com a física, uma ciência da natureza para procurar explicar o que se passa com as imagináveis fronteiras linguísticas cujos marcos (inexistentes) nada têm a ver com as fronteiras político-administrativas. Se para separar os territórios das aldeias, comunas, distritos urbanos (têm estatuto semelhante às comunas rurais), município e províncias servem como separadores as ruas, avenidas, elevações, rios, cadeias montanhosas, etc., com as línguas, seja no Uije ou outro território, acontece de forma diferente. Não há fronteiras tangíveis. no Negaje, por exemplo fala-se Kimbundu! No Noroeste do Uije locuciona-se em Ucokwe ou língua aparentada. Na zona de fronteira imaginária entre dois grupos etnolinguísticos há sempre uma zona de transição que é, nada mais do que, a fusão de elementos lexicais dos dois grupos predominantes, sendo que essa "penumbra" se vai dissipando enquanto mais nos aproximarmos do núcleo de uma determinada língua.
 
Por isso, política é política. Entre os do Uije nem todos são bakongu!


Texto publicado pelo jornal Nova Gazeta

sábado, julho 01, 2017

RESPONSABILIDADE SOCIAL E MARKETING FUTURISTA


Uma dada indústria vocacionada à produção de água, sumos, refrigerantes, detergentes diversos e finalmente cerveja decide agregar ao seu marketing de resultados futuristas a já assinalável Responsabilidade Social Corporativa.



Entre várias façanhas de elevado mérito, decide apoiar crianças, adolescentes e jovens acolhidos por centros sociais. Tem o "pacote cervejeiro" como aquele que inspira maior investimento em termos de marketing imediato e mediato, dada a fasquia de mercado que as cervejeiras tradicionais ocupam e a renhida "batalha" que há entre as cervejeiras tradicionais do mercado, as emergentes e ainda as marcas internacionais, todas procurando conquistar os novos consumidores.



A indústria que elegemos como estudo, no âmbito da sua responsabilidade social corporativa,, trabalha com crianças, jovens e adolescentes. Responsáveis e técnicos têm metalizados os aspectos morais, éticos e legais de que não se deve publicitar explicitamente bebidas alcoólicas entre menores de idade. Porém, escolhe a "praça do tigre", que homenageia a sua marca cervejeira, para uma palestra orientada por um escritor que aborda "a importância da leitura e do domínio das línguas para o sucesso escolar e desenvolvimento intelectual".



Na "praça" onde os produtos líquidos bebíveis pleiteiam espaço é a alcoólica que mais invade os olhos. Mas dela não se fala, senão no final da aplaudida e concorrida palestra.

Perante refrigeradores repletos de bebidas sortidas, as crianças e adolescentes quase se perdem no exercício de fazer gosto à sede e ao paladar. Mas a coordenadora da actividade solta a voz e aconselha:



- Bebam tudo, menos cerveja.

- Sim. Não bebam cerveja. Há tempo para tudo. Não tenham pressa. Desfrutem. Sem olhos para o álcool. - Acrescentou o palestrante, também ele atendo e preocupado.


Talvez contrariados, talvez não, os mais crescidos. Mas todos acataram e declararam "guerra à água que era pura, aos refrigerantes e aos sumos. Os dentes também tiveram trabalho para triturar os docinhos e salgadinhos. Depois, foram apenas arrotos.



Propositado ou não, os homens do marketing sabem que devem investir em captar consumidores para hoje, amanhã e sempre. É por isso que oferecem águas, sumos e gasosas mas, quase sempre, mostrando a cerveja entre esses produtos. As crianças e adolescentes de hoje serão, com certeza, os destinatários da cerveja do amanhã. Por tal facto, agregam a responsabilidade social corporativa ao marketing de resultados futuristas.



SC: 22.04.2017

quinta-feira, junho 15, 2017

UMA CARTA AO FUNCIONÁRIO PÚBLICO

Desde Frederick Taylor, considerado "o pai" da Administração Científica, que a ciência da administração e da gestão de pessoas no trabalho vem sofrendo uma evolução sem precedentes.


Para Taylor, a primazia recaía na tarefa. Homem-tarefa-ferramenta. Cada um procurava executar, com o máximo de destreza, a tarefa única que lhe era incumbida, chegando a executá-la de olhos fechados; a produção industrial ganhava corpo. Charles Chaplin satirizou essa época.


Henry Ford,
fundador da Ford Motor Company, e o primeiro empresário a aplicar a montagem em série de forma a produzir em massa automóveis em menos tempo e a um menor custo, encarou o homem como ser pensante, social, com desejos e anseios. Teorizou que o homem devia ser o centro da atenção e não apenas a tarefa e a ferramenta de trabalho.


Já Max Webber,
considerado um dos fundadores do estudo sociológico moderno, foi mais além, afirmando: “O homem formado, capacitado, motivado e remunerado à medida do seu desempenho é factor de produção e criação de lucro que proporciona o crescimento das organizações e das sociedades”. Porém, que tal se os procedimentos para a execução da tarefa fossem descritos em uma pauta, de tal sorte que qualquer que venha contratado possa executar a mesma tarefa sem desperdício de tempo para a aprendizagem e sem margem para grandes erros na execução da actividade que estava acometida a uma outra pessoa? A pauta ou a sistematização de Webber constitui-se num avanço à ciência da administração.


Olhando para esse percurso histórico de mais de três séculos, notamos, entretanto, que todas as teorias não se anulam entre si. Antes, se complementam.

O pensamento moderno leva-nos a valorizar a equipa ou o grupo. Tanto mais que em muitas organizações fazem-se contratos de trabalho em grupo, criam-se organizações que velam pelo grupo, e mesmo na realização de tarefas a primazia vai para o trabalho colectivo, cujo resultado deve ser mais do que a soma de todas as partes (cada uma tem tarefas específicas, interage com outros integrantes da equipa, comparticipa noutras tarefas, sugere, etc.).

Mesmo assim, o foco na tarefa, de Taylor, não ficou ultrapassado, pois, nos dias que correm, escasseiam pessoas que executem tarefas no tempo certo, com o resultado ansiado e sem inundar o líder de exigências e questionamentos prévios.


Essa reflexão induz-nos a revisitar o livro de Elbert Hubbard “Uma carta para Garcia”, que é somente um dos cinco livros mais vendidos em todo o mundo:

“Estava-se em finais do século XIX, e desenvolvia-se a luta pela emancipação de Cuba. Os Estados Unidos estavam em guerra com a Espanha (potência colonizadora de Cuba). Garcia era o general cubano revoltoso contra Espanha, suposto aliado dos EUA que também guerreavam Espanha por uma outra causa. Com a Espanha sufocada, os EUA pretendiam encontrar Garcia que se encontrava incerto nas montanhas interiores da ilha. Que fazer? O Presidente dos EUA precisava de um emissário que levasse a carta a Garcia que se achava em sítio incógnito. O homem que lhe foi apresentado, simplesmente pegou a carta, a impermeou, pegou numa canoa e, onde não pôde navegar, meteu-se no sertão até encontrar Garcia”.

Quantos de nós ainda cumprem tarefas sem questionamentos e exigências prévias?
Homens assim, que “levam a carta ao Garcia”, são ou não imprescindíveis à organização?

“Uma carta para Garcia” é também a nossa sugestão complementar de leitura.



 

quinta-feira, junho 01, 2017

A ESTÓRIA SOBRE AS MANAS KIMONE E SAMBA

Conta a lenda: duas manas, Kimone e Samba, saídas das terras banhadas pelas águas do Lukala e Kwanza, lá pelas bandas de Kakulu nyi Kabasa, decidiram distanciar-se e constituírem seus “reinos”. Kimone correu em direcção à rota do Sol e fixou-se no médio Kwanza. Samba foi para sul, percorrendo a rota oposta à trajectória do sol, e encontrou terra vastas de vegetação farta que indiciavam ser de elevada fertilidade. Encontrou também sossego entre o Longa e Nyiha. Fazendo-se ao centro daquele território de água e caça abundantes, fixou nele a sua morada.

Com o correr do tempo, a saudade, quer de uma quer de outra, foi aumentando, chegando quase à exaustão. Recadistas não havia e aqueles que transmitiam “mensagens de ouvir contar” também rareavam. A travessia dos rios, em tempo chuvoso, era penosa. Kimone, a irmã mais velha, possuída de saudade, fez-se ao sertão, à procura da irmã. Terá sido em tempo de queimadas, normalmente entre Agosto e Outubro. Viam-se as planuras, as montanhas, os contornos dos rios, e os animais ferozes estavam distantes de terrenos lavrados pelo fogo.

Quando se achavam próximos da aldeia fundada pela irmã, Kimone mandou um emissário confirmar se o povoado à vista era o de Samba, ao que ergueu uma tenda onde aguardou pela resposta que veio afirmativa.

Samba, o emissário de Kimone e mais uns tantos aldeões saíram carregados de presentes e ali mesmo, onde Samba mandara erguer uma tenda para descansar e aguardar pela confirmação, se fez uma grande festa de recepção.

Para levar à posteridade aquele momento ímpar, no local foi construída uma casota que evoluiu até se constituir em aldeia, ganhando o nome da irmã visitante.

Kimone permaneceu na aldeia fundada pela irmã mais nova algum tempo. Dizem mesmo que foi quase um ano, nova época de queimadas, até afogar a saudade.

De regresso à casa, quando perguntada sobre "onde estivera todo aquele tempo", ela simplesmente respondeu:

- Ngwe(nde)le kumona ipala kya Samba (fui ver o rosto de Samba).

A terra conquistada por Samba ficou conhecida, até hoje, por Kipala-kya-Samba (Kibala). No local onde Kimone descansara surgiu uma aldeia registada com o seu nome. Antes da vila da Kibala (Quibala) está a aldeia de Kimone que possui um templo da Igreja Metodista Unida em Angola, baptizado por Boa Esperança-Kimone.

NB: Texto recriado por mim e publicado pelo Jornal Nova Gazeta.

quinta-feira, maio 25, 2017

PESQUIZANDO ORIGENS


Muitas vezes fui abordado, por cibernautas e amigos reais, por que adoptei o pseudónimo literário de Soberano Canhanga?

Quanto à minha origem materna já escrevi e expliquei. Faltava o lado paterno, pouco divulgada nos meus escritos.

A minha mãe (Maria Canhanga) conta que o meu avó Ñana Muryangu (Fernando Ndambi como ficou registado no civil) era procedente de Karyangu, aglomerado populacional que conheci aos 39 anos. 

- Kukwi mungwa mbonge Yaryangu!- Diz sempre que questionada sobre o assunto (vosso avô era procedente da sede de Kariangu).

Lendo http://francismundo.comunidades.net/origem-dos-kibala-1sintese (01.02.2017), sobre a origem e alguns ritos dos povos Kibala, chegei a algumas conclusões, não pouco importantes, sobre aquele que terá sido Fernando Ndambi, bem como algumas práticas por ele evidenciadas.

Vejamos:

“Sempre que um homem tomava uma mulher, era aconselhado ir viver num outro ponto do território para terem filhos e formar uma família lá, criando tribos e clãs com o prepósito de expandir o reinado de kipala o “Ñana Inene” e o seu povo. Não há evidência de que este povo era tributário há um determinado reino”...

O Meu avô, já em terceiras núpcias, abandonou o seu homeland e migrou para a região de Kuteka, onde já tinha alguns parentes também eles migrados. Mas não se juntou na comunidade parental. Procurou um sitio com mata serrada e água abundante, atraindo caça, local propenso ao desenvolvimento de uma agricultura que propiciasse boas colheitas. Ao rio Kitumbulu, que encontro sem peixe, fez questão de povoar, pescando no Sangana e descarregando os peixes à montante do Kitumbulu.

“... Kipala Kia Samba teve 15 filhos, dos quais seis (06) eram com sua primeira mulher “Nzumba Muriango, muñambo-a-Čipala”. Cada filho ía tomando a sua mulher conforme os rituais e a levava já concebida a uma outra terra para formar a sua família... Depois da morte de seu marido passou a ser chamada de Nzumba Čipala (Nzumba Epala), fazendo papel de rainha”...
O sobrenome Muriangu que configurava o título nobilístico de meu  avô, indicia ter descendido directamente da linhagem de Nzumba Muryangu ou Nzumba-Epala (Nunba-esposa de Cipala). Pois o título nobilístico de Ñana Muryangu, nunca viria do nada e jamais lhe seria atribuído e reconhecido, se não fosse do grupo dos herdeiros de Cipala kya Samba saídos do ventre de Zumba Muryangu.

Portanto, sou um libolense, de Kuteka, onde meu avô materno, Ñana Ngunji,(Canhanga) era o regedor (soba grande) do Kuteka (margens do Longa), e sou igualmente descendente da nobreza de Cipala kya Samba (Kibala).

segunda-feira, maio 01, 2017

FÉRIAS, DISPENSAS PRÉ-NATAIS E AMAMENTAÇÃO

O Decreto 10|94 de 24 de Junho estabelece o regime a observar na Função Pública, em matéria de concessão de férias licenças e tratamento a dar às faltas ao serviço. Havendo algum desconhecimento desse instrumento regulador, bem como incompreensões na materialização de alguns postulados do mesmo Decreto, revisitamo-lo para retomar algumas passagens:
 
O artigo 4º regula o Direito a férias e diz que (3.) "O Direito a férias vence no dia 01 de Janeiro de cada ano e reporta-se ao serviço prestado no ano anterior".
 
O ponto 3 do artigo 6º diz que "as ferias podem ser gozadas seguidas (30 dias) ou interpoladamente, nao podendo cada um dos períodos ser inferior a metade dos dias de férias a que o funcionário tenha direito". Significa que quem tem direito a trinta dias pode goza-los apenas em duas parcelas de 15 dias cada e não com outros intervalos ou parcelas.
 
O outro direito que também vale a penas rememorar é o que tem a ver com as dispensas pré-natais e amamentação, reguladas no artigo 27º. 1. "As funcionárias grávidas têm direito a dispensa do serviço para consultas pré-natais pelo tempo e número de vezes clinicamente determinados". Aqui, o legislador concede facilidades à futura mãe mas deixa claro que as idas à clinica devem ser aquelas determinadas pelo médico.
 
Quanto à dispensa para amamentar, o dispositivo legal atesta que (2) "A mãe que comprovadamente amamente o filho tem direito a ser dispensada em cada dia de trabalho por dois períodos distintos de duração máxima de uma hora cada uma para o cumprimento dessa obrigação, enquanto durar e até o filho perfazer 18 meses". Portanto, esse direito de chegar ligeiramente tarde ou sair mais cedo cessa quando o filho tiver um ano e meio. É mister assinalar que ao tempo em que o Decreto foi elaborado a função publica trabalhava em dois períodos (manhã e tarde) com folga para almoço. Hoje, o período laboral é único e contínuo. Para um equilíbrio entre os direitos da funcionária e do patronato (entidade pública), o ideal seria encontrar-se uma definição sobre o melhor período em que a funcionária deve beneficiar desse direito (se entra ligeiramente mais tarde, saindo à hora normal, ou entra às 8h00, saindo ligeiramente mais cedo).
 
Agradecemos que os colegas nos coloquem outras preocupações (pela via oral ou escrita e possamos, com a ajuda da Lei e especialistas, discorrer sobre matérias de interesse.
 
Dir. GRH do MGM

sábado, abril 15, 2017

O DESAFIO DE GESTÃO DE PESSOAS EM 2017

Expressões como "temos de nos habituar a um novo normal" ou "o futuro é de muitas reservas quanto ao ambiente macroeconómico" já fazem parte do nosso léxico diário. Na verdade, quem era adulto nos anos oitenta e início da década de noventa lembra-se do quanto se apertava o cinto e quanto esforço faziam o Estado e as famílias para nos mantermos íntegros e vivos.
 
A paz, a democracia multipartidária e a melhoria do preço das nossas comodities trouxeram um outro "normal" que se traduziu em crescimento e desenvolvimento do país e das famílias. A vida é um ciclo, um percurso com altos e baixos. Há "recuos" que permitem reajustar o modus vivendi e proporcionam saltos quantitativos e qualitativos. Pode ser que este "normal" que vivemos nos leve a melhorias futuras.
 
Pretendemos trazer aqui algumas orientações que nos foram transmitidas no encontro mantido a 23.02, com o Maptss e MINFIN, sobre materialização das disposições contidas no Dedo. Presid. 314/16 e Dec. Presid. 1/17 que aprova o OGE em curso.
 
Uma grande expectativa gira à volta de promoções e eventuais admissões na função publica.
Para já, é ponto assente que todas as movimentações a fazer terão de cingir-se ao que está actualmente orçado com Pessoal, não se podendo aumentar despesa com o capital humano.
 
Apenas o valor financeiro correspondente as vagas abertas em 2016 (aposentações, óbitos, destacamentos prolongados, despedimentos) será utilizado para toda a "engenharia" de gestão do crescimento do pessoal, num exercício que se estenderá até Setembro. Portanto, é preciso, agora, contabilizar quantas vagas temos, quanto representa em dinheiro e que movimentações permitirá fazer em termos de acesso, ingresso e possíveis admissões de pessoal que esteja já vinculado à administração pública por contratos a termo certo ou comissão de serviço (apenas nesses termos).
 
Embora matéria sensível, pela expectativa criada ao longo de 04 anos sem movimentação do capital humano, os técnicos do GRH estão ao dispor para detalhes sobre o assunto.
 
Escrito para e publicado no InfoGeoMinas, Março|17 

sábado, abril 01, 2017

A COMPLEXIDADE DA LIDERANÇA

Elegi hoje Maxwell e Renato Brandão para discorrer um pouco sobre a complexidade da liderança e tomada de decisões numa organização.

A natureza racional do homem, mais do que facilitar, aumenta a complexidade quer da gestão das organizações quer do exercício da liderança.

Diferente da chefia, a liderança é um processo que leva à adesão voluntária dos liderados (equipa), sendo mais fundada em valores do que em meios coercivos (primado da lei, regulamentos, autoridade formal, etc.).

Segundo Brandão, muitos “líderes” de organizações servem-se do poder ou da patente que lhes foi dada para atingir os seus objectivos ou os da corporação, não sendo esse o mais alto nível de liderança.

O autor prossegue que “um líder carismático, verdadeiro, focado e consciente é muito mais respeitado que um autoritário”. Não que a autoridade não funcione ou não tenha valor. Ela é importante, mas sozinha não eleva ninguém acima do que é básico. Uma boa liderança deve enxergar para além do óbvio.

John Maxwell, renomado cientista da Administração, destaca 5 níveis de liderança:

5º Nível – Auge: está relacionado com o Respeito.  As pessoas seguem pelo que o líder é e pelo que representa. É pelos exemplos que dá, pela participação nas tarefas que se reconhece a qualidade do líder (sobretudo no nível de gestão operacional).

4º Nível – Desenvolvimento de pessoas: aponta para a Reprodução. As pessoas seguem pelo que o líder faz ou fez por elas. Ser atencioso, não só aos aspectos laborais, mas também pessoais dos liderados faz com que estes ganhem estima pelo seu “pastor”.

3º Nível – Produção: Está direcionado para os Resultados. As pessoas seguem pelo que você faz ou fez pela organização. Se o líder for dedicado em melhorar o trabalho e a reputação da organização (Direcção ou Departamento), maior será a adesão dos seus liderados a esses valores.

2º Nível – Consentimento: Está ligado ao Relacionamento. As pessoas seguem porque querem. Tem a ver com o lado consciente do indivíduo e pelas opções.

1º Nível – Posição: Está interligado com a Obrigatoriedade ou o poder formal. As pessoas seguem porque elas são obrigadas a fazê-lo. É aqui que se exerce a chefia, propriamente dita, que é um dos atributos que deriva do poder delegado.

O exercício da liderança é um privilégio e uma responsabilidade que não se estende a todos. Os líderes são responsáveis pela eficácia (fazer as coisas certas) e a eficiência (fazer as coisas da maneira certa) da organização.

Segundo Maxwell, citado por Brandão, espera-se que os líderes sejam líderes, isto é, tenham no mínimo, uma visão clara do futuro para aonde conduzem os seus liderados, uma sensibilidade aguçada para que este futuro seja fruto dos sonhos e anseios dos liderados e um senso de responsabilidade para com a organização/organismo, pois os líderes não são servos dos liderados, mas servos da visão comum. Servir os liderados é a maneira como os líderes servem à visão, e não a sua finalidade essencial.

Três capacidades são enumeradas pelos cientistas da Administração para que um líder execute com alguma perfeição as responsabilidades acima elencadas:

1- A capacidade de conviver com a solidão. Líderes são líderes porque enxergam, percebem, sentem, sabem, estão dispostos a sacrifícios, possuem paixão diferenciados em relação aos liderados. Um líder na média dos seus liderados é um liderado que está no lugar errado, ocupando a posição de líder.

 2- A capacidade de tomar decisões impopulares. John Kennedy disse que o segredo do fracasso é “tentar agradar todo mundo”. O líder deve sempre tentar construir consenso, mas deve ter coragem para tomar decisões e assumir responsabilidades. Caso contrário, será um “facilitador de discussões”, e não um líder de facto.

3- A capacidade de conviver com críticas. Diz-se entre os cristãos  que “nem Jesus Cristo agradou todo mundo”. Nesse caso, uma vez que o líder se posiciona, assumindo sua responsabilidade de levar os liderados rumo ao bem comum, certamente contrariará interesses particulares, e consequentemente será alvo de palavras duras e imerecidas.

Por último, importa revisitar os níveis de decisão e comportamento para que nos saibamos reposicionar.

A ciência da Administração aponta o Nível Estratégico (liderança de topo): toma as decisões estratégicas da organização e faz o planeamento estratégico. Se pretendermos fazer uma analogia com a nossa Organização, aqui posicionamos os Membros do Governo (Ministro e seus dois Coadjutores); Nível Tático (liderança intermédia que toma decisões táticas e faz planeamento tático): é aquele que se situa entre a alta hierarquia a e liderança das equipas operacionais (no nosso caso os Departamentos e Secções). Podemos colocar aqui a Secretária Geral e os Directores. Estes recebem as orientações estratégicas da Liderança de Topo, as interpretam, distribuem ao nível inferior e fazem o PDCA (do inglês: PLAN - DO - CHECK - ACT ou Adjust: é um método iterativo de gestão de quatro passos, utilizado para o controle e melhoria contínua); Nível Operacional (chefias de Departamento e de Secções): tomam decisões operacionais e faz planeamento operacional, materializam as decisões estratégicas, convenientemente interpretadas e ajustadas pela liderança intermédia. A esses se exige presença física nas instalações da organização, participação no labor das equipas, controlo da qualidade e correcção.

Em linguagem menos tecnicista, podemos comparar a hierarquia e responsabilidades dos Níveis de Decisão com o que acontece numa fazenda: o Proprietário tomas as decisões estratégicas sobre como aumentar o negócio. O Gerente interpreta e transmite as linhas estratégicas ao pastor, planificando, acompanhando e checando a sua implementação. O Pastor trabalha todos os dias com as “ovelhas”, levando-as ao bom pasto.

Suporte: http://www.dicasprofissionais.com.br/lideranca/, acesso a 07.01.2016.