Aqui deposito algumas reflexões fruto de Vivências e Pesquisas.
Pequenos CONTRIBUTOS para um conhecimento que se constrói com outras contribuições.
Discorde e contribua.
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domingo, janeiro 22, 2017
domingo, janeiro 08, 2017
KIMBUNDU: AULAS 01 a 12
KIMBUNDU: É língua bantu falada por cerca de 10%
de angolanos das províncias de Lwanda, Mbengu, Kwanza-Sul, Kwanza-Norte,
Malanji, Wiji e Lundas (em algumas delas apenas partes, havendo outras línguas
locais, a par do Português).
Eme (eu)
Eme ngadi (comi)
Idya/idyenu (come/comam).
SUBSTANTIVOS INICIADOS POR "D".
Sing__Plur___Sig.Pt
Dibata=mabata (casa)
Dinyangwa=manyangwa
(abóbora)
Dilonga=malonga (prato)
Dyala=mayala (homem)
Dikungu=makungu (buraco,
abismo). Ver dyela.
Dikulusu=makulusu (cruz).
Aqui trata-se de palavra emprestada do Português.
Ditenda=matenda (fábrica,
alambique)
Dibata=mabata (casa)
Dyele=mele (seio/chucha)
Dyesu=mesu (olho)
Dikasa=makasa
(casado/cônjuge)
Dikalu=makalu (carro).
Outro empréstimo.
Diju=maju (dente)
Dinyanga=manyanga
(caçador). Kanyanga é diminutivo de Dinyanga e diferente de nyanga (machadinho)
Dikota=makota (idoso/mais
velho)
Dilonga=malonga (prato).
Phoko (faca) faz plural com jiphoko.
Dibengu=mabengu (rato
doméstico). Puku faz plural com jipuku (rato selvagem)
Dinongwena/nongwena=manongwena
(camaleão)
Dizwi=mazwi (voz-língua)
Dibomo=mabomo (testa)
Dibala=mabala (calvície,
careca)
Ditungi=matungi (músculo,
nádega). Ver tb ditaku=mataku (nádegas)
Dyela=madyela (cova ou
armadilha para apanha de animais. Escava-se um buraco e tapado com palha, onde
os animais caem).
Dimatekenu (início,
prinípio)
Dibito=mabito (porta,
passagem)
Dikamba=makamba (amigo)
Dixita=maxita (lixeira).
Porém, lixo ganha a designação metafórica de dixilo=sujidade ou isaswa=palha
descartável.
Ditadi=matadi (pedra).
Sinónimo de ndanji=jindanji. Veja ndanji-ya-menya (pedra-de-água ou cascata).
Dimá= madimá (limão).
Empréstimo Português
Dyulu (céus)
Dilaji=malaji (maluco)
Dikwaku=mako (mão, braço)
Dikoxi=makoxi(?) Nuca, Occipital
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AULA 2
SUBSTANTIVOS INICIADOS POR "H"
SING>>PLUR>>SIGN Pt
Hima=jihima (macaco)
hoji=jihoji (leão)
henda=jihenda (saudade,
amor, piedade)
hama (mil). Numeral
cardinal
hadi=jihadi (sofrimento)
Hebo (Subst próprio)
derivado de uma patologia (por concluir)
hita (funji), ...?
hako= jihako (alparcatas).
Calculo ser um empréstimo do Umbundu
huma (aceleração cardíaca),
hala= jihala (caranguejo)
hoha=jihoha (gazela?)
hata=mahata (?) rodilha
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AULA 3
SUBSTANTIVOS INICIADOS PORK
SinG. Plural Signif. Em Pt
kitanda = itanda (praça,
mercado)
kinjangu = injangu (catana)
kidingo = idingo
(tubérculo/mandioca/nhame)
kididi = ididi (casa,
lugar)
kibetu = ibeto (porrada)
kimbamba = imbamba (coisa,
trocha)
kimbanda=imbanda (médico,
adivinho, curandeiro)
kyama = yama (animal)
kyanda = yanda (sereia,
balaio)
kilwezu = ilwezu (falha,
percalço)
kilulu = ilulu (fantasma)
kinda = yinda (balaio)
kituxi = ituxi
(culpa/pecado)
kilembu = ilembu (dote)
kambiji (peixinho)= jimbiji
(peixes)
kinama=inama (pé, perna)
kyombo=yombo (javalí)
Não confundir com os adjectivos
Kutola=... pequenice
Kutolola=...
reduzir/derrotar.
Kutoba=... burro/burrice
Nota: Kitadi (dinheiro), que calculo provir de ditadi (pedra/moeda
metálica), não tem plural. É o que os ingleses chamam de "nomes incontáveis".
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KIMBUNDU
AULA 4
SUBSTANTIVOS INICIADOS POR "M"
SING___PLUR___SIG. PT
Mulele=milele (pano)
mundele=mindele (homem
branco)
muloji=maloji, miloji,
aloji (bruxo, feiticeiro. Varia de e acordo a região)mwenge=myenge (cana)
mukondo=mikondo (estar
entristecido=kudikwata mukondo)
mukaji=makaji (esposa)
menya (água)
mukombe=akombe;makombe
(visita)
muxi=mixi (árvore)
muzangala=mizangala (jovem)
mona=mana (filho)
mulawla=malawla (neto)
mwuyngi=mawingi; awingi
(estrahos)
muxitu=mixitu (mata;
floresta)
mulundu=milundu (monte;
montanha)
mumbundu=mambundu (negro)
mukasu=mikasu (sobrancelha)
mukongo=makongo; akongo
(caçador). Diferente de dikongo|makongo=dívida|pendência|problema
Muthu=athu (pessoa)
Mwixi= ...(assobio)
Nota: aberto a
contribuições e correcções, não sendo eu um especialista, mas apenas um curioso
investigador.
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KIMBUNDU
AULA 5
SUSTANTIVOS INICIADOS PELOS
DÍGRAFOS iniciados pelos dígrafos "ng/nj/nh":
Sing>>>>>>>plur>>>>> sig pt
nganga= jinganga (feiticeiro/malfeitor)
ngombe=jingombe (boi)
ngulu=jingulu (porco)
ngimbu=jingimbu (nuca,
occipital). Dikoxi é o sustantivo mais consensual.
njimbu= jinjimbu (anúncio)
ngwingi=jingwingi (bagre)
ngadyama=jingadyama (desgraçado,
pobre)
ngeleja=jingeleja (igreja).
Emprestado do Português
njinda=jijinda (nervo,
raiva)
ngondo=jingondo (porrinho)
ngandu=jingandu (jacaré)
nhoka/nyoka=cobra
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KIMBUNDU
AULA 6
MATU (PESSOAS|Pronomes
pessoais)
eye (tu)
mwene (ele|ela)
etu (nós)
enu (vós)
ene (eles|elas)
KUDYA (comer): Presente
Eme ngidya (eu como)
eye udya (tu comes)
mwene udya (ele|ela come)
etu tudya (nós comkemos)
enu nudya (vós comeis)
ene adya (eles|elas comem)
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AULA 7
KIMBUNDU KYETU
(Nosso Kimbundu)
Depois de termos
apresentado os pronomes pessoais e conjugado o verbo "kudya" (comer)
no indicativo presente, vamos ao pretérito perfeito (passado) do mesmo verbo.
eye wadi (comeste)
mwene wadi (comeu)
etu twadi (comemos)
enu nwadi (comestes)
ene adi (comeram)
Note que o Kimbundu faz o
infinitivo com prefixo "ku" (Kuditemexa, Kudixaxata, kudilowa, etc.),
tal como no inglês os verbos no infinitivo são antecedidos da partícula
"to" (to love, to go, ...).
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AULA 8
KUYE'KO, DIKANGA
(Não vá para lá, é distante)
Vamos tentar conjugar o
mesmo verbo "kudya" (comer) no futuro.
Antes, comecemos pelo
imperativo ou "ordenativo" que é:
Futuro:
Ngandodya (comerei/vou
comer)
wandodya
wandodya
twandodya
nwandodya
andodya
O modo conjuntivo: forma-se
antepondo a partícula "mba"
antes do verbo fleccionado no presente do indicativo. O kimbundu também foi ao
Português emprestar a partícula “se”, algumas vezes usadas em lugar de “mba”.
Veja que no indicativo presente
a conjugação é: ngidya, udya, udya,
tudya, nudya, adya.
Para conjuntivo será:
mba ngidya {se ngidya} (se
comer)
mba udya
mba udya...
...
Kifikidilo (exemplo):
mba
ngidya ngandotona (se comer vou crescer).
...
Gerúndio (presente
contínuo):
ngalodya/ngamudya (estou
comendo)
walodya
walodia
twamudya/twaludya
nwaludya
aludya
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KUDILONGA KIMBUNDU UHETE
WAMBOTE
(aprender kimbundu é bom
exercício)
AULA 9
Verbo Kudya (comer), pretérito imperf. do modo conjuntivo:
mba eme ngadile (se eu
comesse)
mba eye wadile,
mba mwene wadile,
mba etu twadile
mba enu nwadile
mba ene adile
Fufuro do conjuntivo:
se/mba eme ngidya (quando
eu comer)
se/mba eye udya,
se/mba mwene udya,
se/mba etu tudya,
se/mba enu nudya,
se/mba ene adya
Obs: Aguardo contribuições.
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KIMBUNDU
AULA 10
PRONOMES DEMONSTRATIVOS
(Breve tentativa)
dikalu didi (este carro)
muhatu wu (esta mulher)
dyala didi (este homem)
muhatu uná (aquela mulher)
dikalu diná (aquele carro)
njila yi (este caminho)
njila iná (aquele caminho)
dyeso didi (este olho)
dyeso diná (aquele olho)
Kilumba iki (essa jovem)
kitumba kiná (aquele amuleto)
mulundu wu (essa montanha)
mulundu uná (equela montanha)
iki kima kyãe? (o que é isso/isto? ou que coisa é essa?)
mayala enyâ (estes homens)
makalu aná (aqueles carros)
mahatu aná (aquelas mulher)
mayala aná (aqueles homens)
meso awa (esses olhos)
meso aná (aqueles olhos)
milundu iná (aquelas montanhas)
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KIMBUNDU
AULA 11
PRON. POSSESSIVOS
(Breve tentativa)
Wami=meu ou minha: mona wami/mon'ami (meu filho)
dyami=minha: dyele dyami (minha mama)
yami= minha: mbinza yami (minha camisa)
dyaeye/dyê=tua: dibata dyaeye/dyê (tua casa)
dyetu= nosso/nossa: dilonga dyetu (nosso prato); dikaza dyetu (nossa
casada)
dyene = vosso/deles: dikulusu dyene/dya ene (cruz deles/vossa cruz)
metu=nosso: maka metu (nosso problema)
menu =vosso: maka menu (vosso assunto)
Outras frases com pron. possessivos
dibomo dyami=minha testa
mukutu wami=meu corpo
diyala dyaeye (dyê)=teu
marido
dikalu dya mwene (dyene)=
carro dele
dikamba dya etu (dyetu)=
nosso amigo
makamba ma etu (metu)=
nossos amigos
mabesa mâ=bençãos deles
ngalasa yê =graça dele/sua
graça
mukaji wê=mulher dele
mulume wê=esposo dela
mon'etu (mona wetu)=nosso
filha
man'etu (mana a etu)=
nossos filhos
OBS: VENHAM CONTRIBUIÇÕES
sábado, dezembro 31, 2016
PARA QUÊ AVALIAR O COLABORADOR?
Entre Dezembro e Janeiro é o momento em
que alguns organismos realizam a Avaliação de Desempenho dos seus integrantes,
também conhecida na Administração Pública como Notação.
A avaliação é a
aferição do desempenho (técnico e comportamental) do funcionário ou colaborador
em função dos objectivos e das metas traçadas pela organização, devidamente
notificados a quem será avaliado. Ela visa, Entre outros aspectos:
» Favorecer a adaptação e familiarização dos
indivíduos aos cargos e à organização;
» Identificar
o estágio actual e as potencialidades de desenvolvimento profissional de cada
empregado dentro de suas atribuições;» Gerar recursos para a estruturação de projectos de treinamento e desenvolvimento de pessoal;
» Facilitar o levantamento de indicadores de promoção e meritocracia individual de cada colaborador ou funcionário, etc.
A experiência que vamos ganhando diz que há instituições
em que os líderes imediatos ainda não têm a preocupação de fazer anotações, ao
longo do ano, dos pontos fortes e fracos
dos integrantes da sua equipa, deixando tudo para o último mês. Essa falta
de acompanhamento permanente pode, em muitos casos, levar a um “julgamento” errado, centrado apenas no
desempenho técnico e comportamental do anotado (avaliado) nos dias que se
antecedem ao acto. Daí a importância do feedback permanente do líder (chefe)
aos integrantes da equipa, realçando os aspectos positivos, sempre os haja, e
assinalando os ascpectos que devem merecer a correção e ou melhoria.
Podemos transportar para essa
reflexão (leiga) o que se passa com o
docente. O bom professor tem sempre uma caderneta onde tomas as anotações sobre
a assertividade e os “deslizes” dos seus alunos em todas as aulas. Chegados ao
fim do ano, o estudante pode ter um exame escrito mal conseguido, mas se a sua
prestação nas aulas, devidamente seguinte pelo mestre, foi positiva, ele
transita para a classe seguinte.
A notação ou avaliação de desempenho
deve (devia) também ser clara e coerente. Deve se
fundar em quesitos objectivos sobre as Competências Transversais à Organização
e outros objectivos específicos, para cada função, sendo quantificáveis e
mensuráveis. É importante assinalar o que
se espera, por exemplo, de uma funcionária da área de atendimento aos
utentes do serviço e que se espera de um técnico de software. É obvio, que
ambos têm competências comuns ou transversais da organização (pontualidade,
assiduidade, asseio, equidade, etc.), mas a diferença das tarefas que executam
fá-los possuir outras competências distintas ou inerentes à função. Essas devem
ser medidas, com base no rácio entre o que se propõe no descritivo de funções e
o que cada consegue realizar, atribuindo-se notas para cada um dos itens.
Ao abordarmos a questão da notação
(Avaliação de Desempenho), devemos também nos ater ao facto de ela se ter de
realizar de forma transparente. Há organizações que validam a avaliação do líder
imediato e a auto-avaliação do colaborador, tendo cada uma delas o seu peso no
resultado final. As leituras e experiências nos dizem que seja unilateral ou bilateral, a Avaliação de Desempenho deve ser feita de forma
presencial (líder e liderado) e transcorrer num ambiente de troca de pontos de
vista sobre os quesitos em aferição. Vejamos, por exemplo. Se estivermos a
avaliar a pontualidade e a assiduidade do funcionário ou colaborador, temos
de recordar ao nosso avaliado a quantidade de ausências e atrasos ou saídas
antecipadas do serviço, para que, de forma coerente, ele esteja ciente da nota
que se lhe vai ser atribuída e, às vezes, opinar sobre a nota que se lhe ajusta
ao comportamento ou à performance na execução de tarefas.
As avaliações unilaterais, com
resultados em que o avaliado não concorde, têm sido contestadas e fazem com que,
vezes tantas, o notado (avaliado) não assine a ficha. Tal situação cria
embaraços entre o líder (notador) e o liderado, bem como constrangimentos ao
órgão responsável pela Gestão de Pessoas (RH) na conclusão do Processo. Daí,
mais uma vez, a importância do diálogo franco e cordial entre o notador e o
notado, que devem olhar mais para a causa que são os objectivos corporativos,
do que para o Ego pessoal.
Aqui chegados, importa também
referir que A Avaliação de desempenho não visa apenas medir a performance para despoletar promoção ou ausência desta na
carreira do funcionário ou colaborador. Ela visa, sobretudo, corrigir as
Inconformidades do colaborador e do empregador. Visa, por exemplo identificar
que causas do não alcance dos objectivos corporativos são da responsabilidade
do empregador (meios de trabalho, capacitação, etc.) e quais são da responsabilidade
do colaborador ou funcionário (auto-superação conforme a pauta deontológica da
Função Pública, falta de empenho profissional na realização de tarefas, falta
de zelo, ausências e atrasos, desleixo para com a coisa pública, etc.).
A Avaliação de Desempenho deve,
no fim, indicar os gaps (lacunas) a ser superadas
e despoletar ou servir de base para o Programa de Formação do ano seguinte.
Se se identificar que um determinado coIaborador ou funcionário não pôde
cumprir as suas tarefas por falta de treinamento e ou capacitação, dado a
avanço da tecnologia no campo em que actua, o empregador, em principio, deverá
promover a capacitação necessária. Se a Avaliação de Desempenho identificar que,
apesar de o funcionário e ou técnico possuir competências para a função mas não
a executou convenientemente por ausências de meios técnicos e ou recursos para
a sua materialização, o empregador deverá suprir tal lacuna. Se a notação (avaliação)
detectar que aquela função exige upgrade
na formação académica do avaliado (exemplo, para chefes de Departamento
preferencialmente licenciados) será obrigação do Notado ou Avaliado obter a
habilitação literária requerida. Aliás, a Legislação da Administração Pública
já se vai ajustando nesse caminho e as empresas angolanas de médio e grande
porte já fazem esse percurso.
Para aprofundamento e melhor compreensão do tema: https://pt.wikipedia.org/wiki/Avalia%C3%A7%C3%A3o_de_desempenho
Publicada por
Soberano Kanyanga
à(s)
12:00 da manhã
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quinta-feira, dezembro 01, 2016
USOÑONA: O ACTO MATRIMONIAL ENTRE OS LUBOLU, KIBALA E OUTROS AMBUNDU DO K-SUL
(Breve descrição)
Os povos do Lubolu e da Kibala,
municípios da província angolana do Kwanza-Sul, consideram-se kisoko* por isso
mesmo são pacíficos os actos matrimoniais entre estes dois povos do grupo
ambundu.
O acto matrimonial tem início com o
galanteio ou conquista (useka), sendo normalmente o homem quem toma a
iniciativa ou os pais deste, podendo ainda a família contrária propor o mesmo à
família do rapaz.
Normalmente, é na transição entre a
adolescência e juventude que começam os galanteios quando não se tratem de indivíduos
já adultos e em segundas núpcias. A idade biológica é irrelevante, falando mais
a robustez física, atendendo a maturidade precoce ou retardada dos indivíduos.
O desenvolvimento físico na mulher é factor de relevância.
Regra geral, quando chega a puberdade,
as raparigas juntam-se em casa duma idosa para dormitar, pretenciosamente para
dela cuidarem e retirarem lições, com realce à vida sexual e conjugal futura. É
nesta kandumba (caserna) onde os adolescentes e jovens do sexo masculino se
sentem mais à vontade para o desfilar de rosários.
Ter um objecto de uso pessoal da jovem
pretendida, um lenço, um pano, ou uma pulseira é considerado meio caminho
andado para o passo seguinte. Porém, a sociedade/comunidade, que está sempre
atenta, é quem aprova ou reprova esta relação nascente em que jogam
preponderantemente os activos e passivos entre ambas as famílias. Se reprovação
não houver, o passo seguinte será a oferta à tia ou avó (paterna) da pretendida
de uma porção de tabaco, um maço de cigarros ou um valor equivalente.
A aceitação desta oferta será o selo de
que nada obsta o namoro entre os jovens, passando à categoria seguinte de “a
mwibula” que significa estar ocupada ou pretendida.
KWIBULA (pretender ou buscar consentimento)
O acto tem o significado exacto de
pretender a rapariga. Perguntar às famílias se nada obsta. A aceitação da
bouquilha de tabaco ou outro produto correspondente equivale à aceitação do
namoro por parte de quem o recebe e que deverá comunicar aos pais da jovem.
A família da rapariga deve, em seguida,
reunir e analisar os hábitos do rapaz e de sua ascendência, jogando
preponderantemente a amizade ou atritos que haja ou tenha havido entre ambas,
caso sejam de mesma aldeia ou de aldeias próximas.
Ultrapassado favoravelmente este passo,
um emissário é enviado à parte do pretendente, comunicando-lhe a aceitação
formal do namoro, passando o jovem a frequentar a casa dos sogros, idem a jovem
que se deve prestar a alguns serviços domésticos em casa da futura sogra. É o
ensaio.
São esses actos que ajudarão a
determinar se a futura nora é ou não honesta e trabalhadora. Chegados a este
patamar a sociedade jamais permitirá relacionamentos paralelos, sobretudo se
praticados pala nubente, sendo qualquer acção desrespeitosa para com ela
passivel de uma multa pecuniária e, às vezes, castigos físicos, ditados pelo
soba da comunidade. Aqui, a traição feminina é considerada e punida mesmo na
sua forma intencional. Sendo porém ao intruso, aquele que cobiçou a
mulher/noiva alheia, a quem se imputa parte considerável da culpa. Ao lesado é
dada a oportunidade de continuar ou abortar a relação, depois de recebida a
multa.
ULEMBA (alembamento)
É o acto pelo qual a família do jovem
formaliza o noivado através da entrega de bens à família da jovem. Não se trata
de compra, como alguns podem pensar.
É apenas um acto que valoriza a noiva e
que sub entende o costume e o respeito pelas tradições seculares. Imitir-se de
realizar o alembamento é o que se considera anomalia e nunca o contrário.
Nas comunidades rurais mais recônditas a
bebida mais usada é o kaporroto ( bebida destilada). O noivo, ajudado pela
família, deve juntar garrafões de kaporroto em número variável, panos para a
sogra, cobertor para a avós, o dinheiro do alembamento que acompanha a carta de
pedido devidamente forrada em lenço branco e fechada com alfinetes dourados.
Nas comunidades mais iluminadas o
Kaporroto é substituído por garrafões de vinho, whisky, caixas de refrigerantes
e cerveja, cigarros, peças de panos para a sogra, fato para o sogro e outros
bens. Há famílias que enviam uma lista de bens e outras que são liberais.
Geralmente a família do noivo é recebida
em festa, abatendo-se um animal quadrúpede doméstico e outro que é oferecido
vivo à família da noiva em forma de dote.
UWANA (a busca ou o casamento propriamente dito)
A saída da mulher da casa de seus pais é
o acto consumatório da união matrimonial entre os nubentes. Preparada a casa em
que viverá o novo casal, a família do noivo envia um emissário à casa da
família da noiva com a missão de a ir buscar.
O emissário, um tio, uma tia, um kisoko
ou outro individuo de confiança ou amigo comum dos nubentes leva um garrafão de
kaporroto, ou algumas caixas de cerveja e refrigerantes, dependendo do lugar e
das posses.
Deve munir-se de alguma pecúnia de
reserva para em caso de multas devidas a atrasos na chagada ou gravidez em casa
dos pais. Recebido em festa, apresenta o mahezo (conta o motivo da visita) e é
acompanhado com o bater de palmas à medida que discorre o discurso.
Uma tia, amiga ou sua representante
acompanha a noiva ao seu novo lar. Esta vai normalmente de rosto encoberto
destapando o "véu" somente depois de apresentada pela acompanhante à
sua nova família, os sogros.
Manda a tradição que na primeira noite
ambas tias da noiva e do noivo devem confirmar a virgindade da rapariga através
de lençóis novos e brancos que ao raiar do sol são por elas recolhidos devendo
estar ensanguentados, sinónimo de que houve defloramento naquela noite nupcial.
Se se confirmar o defloramento, ambas
tias ou suas representantes rejubilam-se, sendo motivo de orgulho das famílias
por se ter cumprido a norma tradicional da conservação da virgindade até ao
casamento. Há vezes, porém, em que tal acto não passa de uma simples
"montagem" com a conivência de ambas tias. Pegam em uma galinha e
escondem-na no quarto dos nubentes. À noite, sacrificam-na e o sangue é usado
para sujar os lençóis.
A festa de despedida entre a família e
as acompanhantes da noiva é regada de muito kaporroto, vinho e/ou outras
bebidas, dependente dos hábitos de consumo, do local e das posses. Há famílias
que fazem acompanhar a sua filha de um dote (em retribuição ao recebido).
Normalmente uma vaca ou outro animal de médio porte, cuja reprodução deverá ser
seguida na mesma bitola pelo novo casal. Este dote tem, porém, outros significados
importantes a reter: 1- O apreço que os pais da noiva nutrem pelo genro; 2- Que
não maltratem sua filha, pois também têm posses, etc.
UKITA (a procriação)
É o passo seguinte. Ambas famílias
permanecem atentas à primeira gravidez da jovem, sendo motivo de preocupação se
tal não acontecer nos primeiros seis meses de casamento. São mais a vez as tias
e avós que questionam pelo neto ao mesmo tempo que indagam "quem tem
diferença" que deve ser rapidamente resolvida por via da medicina
convencional e ou alternativa.
Há familias que permitem o casamento
entre primos até ao segundo grau, porém, o requerente tem de interpor com um
cabrito ou vaca, sendo hábito as famílias discorrerem sobre as respectivas
árvores genealógicas até enésima geração para encontrarem possíveis cruzamentos
ou tronco comum.
* Kisoko é termo em kimbundu que
significa pessoa ou povos que mantêm um pacto secular de amizade, amor,
fraternidade, relações igualitária, privilegiadas ou íntimas. Entre dois kisoko
até a asneira passa despercebida ou sem agravo.
Texto escrito em Novembro de 2009 e revisto a 23.03.2016. Publicado pelo Jornal de Cultura e Artes em Maio de 2016.
Publicada por
Soberano Kanyanga
à(s)
2:00 da manhã
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