Aqui deposito algumas reflexões fruto de Vivências e Pesquisas.
Pequenos CONTRIBUTOS para um conhecimento que se constrói com outras contribuições.
Discorde e contribua.
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terça-feira, março 01, 2016
FUBA DE BOMBOM OU DE BOMBÓ?
Questionou-me alguém conhecido em mensagem escrita ao telefone.
Tendo tomado como pertinentes a pergunta colocada e a resposta que me veio repentinamente, sou a partilhar com os demais interessados.
Ora bem, o que designamos por fuba (termo derivado do Kimbundu suba) é farinha, em Português. Pode ser farinha de milho, de mandioca, de trigo, de peixe, de batata, de banana, etc.
Bombó provém do Kimbundu mbomba (mandioca demolhada).
Fuba de bombó é uma expressão (nome) angolana que, em Português, equivale a farinha de mandioca.
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Soberano Kanyanga
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terça-feira, fevereiro 02, 2016
UM GRITO PELA FORTALEZA DE KALULU
Construída
sobre o Monte Lukulu, que estará na origem da designação da vila de Kalulu,
vila sede do Libolo, no Kwanza-Sul, a Fortaleza de Kalulu (ou Calulo nome
oficializado nos registos topográficos) foi um dos maiores bastiões da
resistência nativa à fixação dos europeus nas terras de Ngola até ao século XX.
Nos
tempos da minha infância e adolescência, na década de noventa do século XX, ela
cumpria ainda o seu papel militar, sendo o local onde se concentravam as melhores
peças de artilharia do exército governamental que fazia face a uma rebelião
armada e, por isso, seu último reduto. O entrar e sair de militares era sempre
tido como sinal de algum alerta de que o cheio a pólvora podia estar próximo ou
sinónimo de novas aquisições em termos de tecnologia militar. Basta ver que o Palácio
do Administrador está erguido à entrada do forte.
No
tempo da guerra civis entre angolanos a Fortaleza de Kalulu era um local
inacessivel a civis comuns, sendo quase místico para a miudagem do meu tempo o que
havia e ou acontecia no seu interior, para além das "armas pesadas" e
dos "tropas mais cacimbados" que entravam e saíam. Das raras vezes
que vi o seu controlo a mudar de mãos, mesmo que fosse por curtos minutos,
senti parte da derrota, assim como sentia dor ao ver pedaços de pedra a ela
arrancados à força de canhões e morteiros. Mas, dia depois, retornados duma
fuga forçada, lá estávamos de novo, a curar as feridas, apagar as cinzas e a
contemplar a dureza da nossa Fortaleza contra a qual, infelizmente, a acção
voraz do tempo tem sido implacável.
A
abertura da Fortaleza de Kalulu ao público aconteceu nos anos de paz efectiva, isto
é, depois de 2002. Com a desmilitarização da vila de Kalulu a fortaleza passou a
acolher as antenas reprodutoras dos sinais da Televisão Pública de Angola e da
Rádio Nacional de Angola.
Embora
seja considerada pelos nativos do Kwanza-Sul e por muitos historiadores, que
leram sobre ela ou a visitaram, como um "local
de memória colectiva", desconheço a existência de um diploma legal que
a eleva a património Histórico Nacional, como acontece com outros edifícios
classificados, pois não vi nenhuma placa com tal indicação, nem à entrada nem
no seu interior.
De
uma coisa, porém, tenho plena certeza: a
Fortaleza de Kalulu é memória colectiva dos angolanos sobre a resistência
oferecida pelos nativos à presença europeia, levando os invasores portugueses a
erguer na elevação que se acha no interior da vila um forte em pedra bruta para
melhor se defenderem e desferir fogo de artilharia contra os nativos que se revoltavam
de tempo em tempo. No seu silêncio, ela conta também o estoicismo dos povos
do Lubolu (Libolo) e arredores contra a usurpação de suas terras, subalternização da sua
cultura e mutilação de seus usos e costumes. Um povo fraco e submisso que
tivesse renunciado a sua organização política, social e cultural não teria merecido
tamanha honra dos conterrâneos de Paulo de Navais.
Sobre
os anos das refregas entre movimentos desavindos ao sair de Alvor e, depois,
entre o Governo instituído no país e a rebelião armada, a Fortaleza de Kalulu
guarda outra História e estórias. Vai daí também a necessidade de se redigir
tudo quanto ela registou, formar-se jovens guias que recontem estes episódios
aos visitantes da sede administrativa do Lubolu que vai conhecendo um
crescimento do número de visitantes, sobretudo nos dias de Futebol que é
animado em semanas intercaladas pela equipa do Clube Recreativo do Libolo que está na 1ª divisão, ostentando já
quatro títulos de campeão nacional.
Depois
de ter sido reduzida a depositária das antenas que reproduzem os sinas da Rádio
e Televisão Públicas, que caso fossem colocados na elevação maior, Kaliematuji,
até dariam maior serventia em termos de alcance dos referidos sinais, a Fortaleza
de Kalulu cai aos bocados, como facilmente observará quem para lá se desloca, não
se observando movimentação no sentido do seu restauro e ou uma mera reposição
dos blocos que se desprenderam do muro, fruto de continuada acção humana ao
tempo das refregas e da acção do tempo.
Sabendo
que o Palácio do Administrador municipal, que fica à sombra da escadaria da
centenária fortaleza, beneficia de restauro, aproveito lançar um SNF (Salvem a
Nossa Fortaleza) , procurando que seja lido e alguma alma com poder e apego à
memória colectiva se lembre de exercitar a magistratura de influência
positiva junto dos poderes político e económico ou mesmo leve mão ao bolso para
que se preserve a Fortaleza de Kalulu.
Já
perdemos, com esse andar despreocupado, o Fortim da Kibala cujas pedras foram
emprestar força aos alicerces das casas de adobe, não faltando muito para que o
mesmo destino seja dado aos blocos que compões a Fortaleza de Kalulu.
Segundo
o investigador Carlos Figueiredo, também ele um libolense a prestar docência em
Universidades de Macau e Brasil, que se juntou a esse apelo, "...com a perda do Fortim da Kibala,
infelizmente, apagou-se também uma página importante da História do Libolo. Na
altura em que o fortim foi construído, a Kibala era parte integrante do
Município do Libolo. No final do séc. XIX e princípio do séc. XX, a localização
estratégica de Calulo foi importantíssima. Na Fortaleza de Calulo estava
instalado o Posto Militar que funcionava como centro de todas as operações
expedicionárias tanto na área do Libolo como nas circunscrições vizinhas da
KisSama, do Seles e do Bailundo. O fortim da Kibala foi construído para dar
apoio a essas expedições e servir como testa de ferro aos ataques dos nativos
da região do Seles e do vale do Longa. O Município da Kibala só foi desanexado
do Libolo em 1921, depois de concluída a pacificação da região".
Tornam-se,
por isso, imperiosos a responsabilidade moral e o dever histórico-patriótico de
todas as mulheres e homens conscientes de toda Angolas que devem unir esforços
para a preservação do nosso passado comum, em Kalulu e em outros cantos do
nosso país.
NB: texto publicado na última edição do Semanário Angolense em Janeiro de 2016.
NB: texto publicado na última edição do Semanário Angolense em Janeiro de 2016.
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Soberano Kanyanga
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4:04 da tarde
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sexta-feira, janeiro 01, 2016
FAZER DA CRISE UMA OPORTUNIDADE DE MELHORIA
(MAHEZU 1)
A vida das pessoas e das organizações é caracterizada por um trajecto curvilíneo, com altos e baixos. Nos momentos altos dos nossos rendimentos e usufruto tendemos a atingir o ponto de acomodação e elaboramos a nossa estrutura de custos em função dos rendimentos, sendo, às vezes, menos atentos à poupança e a investimentos para suprir as dificuldades dos tempos de crise. Até as ideias inovadoras nem sempre surgem PORQUE ATINGIMOS A ZONA DE CONFORTO. Mas, porque a vida é um ciclo com subidas e quedas, é no momento da pressão financeira, da falta de meios e de fontes de arrecadação e da crise que surgem os "ais" e os grandes homens, aqueles que fazem do mar de dificuldades oportunidades de melhoria e de exploração de novas soluções e uso de meios e técnicas legais até à data inimagináveis ou relegados a planos secundários.
Fruto da diminuição dos encaixes em moeda estrangeira pelo país, derivada pela baixa do preço do petróleo, uma commodity cujo valor é regulado pelo mercado internacional, o Estado e as organizações empresariais vivem uma pressão financeira com origem externa. O equilíbrio da nossa balança de pagamentos externos para a aquisição de alimentos, medicamentos, máquinas, vestuários, produtos e serviços diversos não proporcionados pelo mercado interno demandam moeda estrangeira. Não sendo muito diversificada a nossa carteira de exportações, há toda uma necessidade de se pouparem os poucos dólares que entram e diminuir os consumos. É isso que faz até o Kwanza escassear. Perante o quadro, é importante racionalizar ao máximo, evitar também ao máximo todos os desperdícios, aumentar a produção e a eficácia e eficiência dos métodos. Os meios de trabalho e os materiais devem ser rentabilizados ao máximo, evitando-se a ociosidade. Para quê ter, por exemplo, em uso privado uma viatura que durante a jornada laboral fica mais de 50% do tempo parada quando uma outra pertencente ao Departamento vizinho fica o mesmo tempo ociosa? Se os dois Departamentos usarem uma só viatura, de forma coordenada, estarão a rentabilizar melhor o meio de trabalho e o tempo.
Vários outros exemplos podem ser elencados. Na era da digitalização, a tramitação de documentos, a redundância de cópias em papel precisa ser revista. Diminuir a impressão e optar pela digitalização pode ser outra oportunidade de capturas financeiras em termos de custos (papel e tonel).
E que tal da rentabilização das pessoas e do seu desempenho? Mais do que estar no local de serviço, o fundamental é trabalhar, evitar o absentismo, a lassidão e a ociosidade. Porém, é preciso cuidar da presença das pessoas cuja prestação e resultados não possam ser executados à distância. O controlo rigoroso das frequências torna-se fundamental para incutir uma cultura de disciplina, responsabilidade e de meritocracia. O controlo de frequências centralizado ou biométrico é apontado como caminho. É preciso premiar os presentes e produtivos com o salário completo e outras regalias ou incentivos que possam existir. E se é legal e moralmente aceitável que quem mais trabalhe melhor seja recompensado, não será injusto isentar os faltosos e improdutivos com a inadiplência a alguns incentivos que as organizações tenham ou venham a ter.
É preciso que líderes e liderados encaremos a crise como um desafio a vencer e uma oportunidade de melhoria dos nossos processos, retirando dela as melhores lições para o aperfeiçoamento dos nossos métodos de gestão (caseira e institucional).
Dita a tradição bantu que "é na pobreza e nas desgraças que as pessoas mais se unem". Façamos desta crise financeira um motivo de união, na busca das melhores ideias que nos levem às melhores soluções, busca de um maior comprometimento com a organização e com o trabalho para que, enquanto menos se espera, possamos cantar bem alto: fui parte da solução!
É que "os desafios e os problemas nos são impostos" mas as soluções dependem de nós.
A vida das pessoas e das organizações é caracterizada por um trajecto curvilíneo, com altos e baixos. Nos momentos altos dos nossos rendimentos e usufruto tendemos a atingir o ponto de acomodação e elaboramos a nossa estrutura de custos em função dos rendimentos, sendo, às vezes, menos atentos à poupança e a investimentos para suprir as dificuldades dos tempos de crise. Até as ideias inovadoras nem sempre surgem PORQUE ATINGIMOS A ZONA DE CONFORTO. Mas, porque a vida é um ciclo com subidas e quedas, é no momento da pressão financeira, da falta de meios e de fontes de arrecadação e da crise que surgem os "ais" e os grandes homens, aqueles que fazem do mar de dificuldades oportunidades de melhoria e de exploração de novas soluções e uso de meios e técnicas legais até à data inimagináveis ou relegados a planos secundários.
Fruto da diminuição dos encaixes em moeda estrangeira pelo país, derivada pela baixa do preço do petróleo, uma commodity cujo valor é regulado pelo mercado internacional, o Estado e as organizações empresariais vivem uma pressão financeira com origem externa. O equilíbrio da nossa balança de pagamentos externos para a aquisição de alimentos, medicamentos, máquinas, vestuários, produtos e serviços diversos não proporcionados pelo mercado interno demandam moeda estrangeira. Não sendo muito diversificada a nossa carteira de exportações, há toda uma necessidade de se pouparem os poucos dólares que entram e diminuir os consumos. É isso que faz até o Kwanza escassear. Perante o quadro, é importante racionalizar ao máximo, evitar também ao máximo todos os desperdícios, aumentar a produção e a eficácia e eficiência dos métodos. Os meios de trabalho e os materiais devem ser rentabilizados ao máximo, evitando-se a ociosidade. Para quê ter, por exemplo, em uso privado uma viatura que durante a jornada laboral fica mais de 50% do tempo parada quando uma outra pertencente ao Departamento vizinho fica o mesmo tempo ociosa? Se os dois Departamentos usarem uma só viatura, de forma coordenada, estarão a rentabilizar melhor o meio de trabalho e o tempo.
Vários outros exemplos podem ser elencados. Na era da digitalização, a tramitação de documentos, a redundância de cópias em papel precisa ser revista. Diminuir a impressão e optar pela digitalização pode ser outra oportunidade de capturas financeiras em termos de custos (papel e tonel).
E que tal da rentabilização das pessoas e do seu desempenho? Mais do que estar no local de serviço, o fundamental é trabalhar, evitar o absentismo, a lassidão e a ociosidade. Porém, é preciso cuidar da presença das pessoas cuja prestação e resultados não possam ser executados à distância. O controlo rigoroso das frequências torna-se fundamental para incutir uma cultura de disciplina, responsabilidade e de meritocracia. O controlo de frequências centralizado ou biométrico é apontado como caminho. É preciso premiar os presentes e produtivos com o salário completo e outras regalias ou incentivos que possam existir. E se é legal e moralmente aceitável que quem mais trabalhe melhor seja recompensado, não será injusto isentar os faltosos e improdutivos com a inadiplência a alguns incentivos que as organizações tenham ou venham a ter.
É preciso que líderes e liderados encaremos a crise como um desafio a vencer e uma oportunidade de melhoria dos nossos processos, retirando dela as melhores lições para o aperfeiçoamento dos nossos métodos de gestão (caseira e institucional).
Dita a tradição bantu que "é na pobreza e nas desgraças que as pessoas mais se unem". Façamos desta crise financeira um motivo de união, na busca das melhores ideias que nos levem às melhores soluções, busca de um maior comprometimento com a organização e com o trabalho para que, enquanto menos se espera, possamos cantar bem alto: fui parte da solução!
É que "os desafios e os problemas nos são impostos" mas as soluções dependem de nós.
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domingo, dezembro 20, 2015
UMA PARAGEM NA PEDRA ESCRITA DO LIBOLO
Reza a história (recurso à combinação entre oralidade e vestígios de escrita) que um mestiço cabo-verdiano entendeu construir uma pousada na rota entre Dondo e Kibala, estrada nacional 120. E fê-lo exactamente a quatro quilómetros do rio Longa que separa os municípios do Libolo e Kibala. O ano da construção está perdido na memória, mas ainda por aí estão os que participaram da construção do imóvel, cuja parte frontal foi poupada pela guerra. Dizem ter sido nos anos sessenta do século XX.
Olímpio de seu nome, assim também se chama(va) o seu herdeiro que dirigiu a pousada nos anos oitenta e noventa do século passado, entendeu publicitar o seu investimento e escolheu a maior pedra daquele troço.
A dez quilómetros de Lususu, onde ergueu a pousada, encontrou uma grande pedra, do lado esquerdo de quem trafega no sentido Dondo-Kibala. Com audácia e engenho, os homens pegaram em tinta e pincéis e gravaram a meio do pedregulho que deve medir uns trinta ou mais metros de altura:
“Lussusso
Estalagem Boa Viagem”
De lá para cá, quer a pedra quer a aldeia que emergiu nas redondezas do já quase monumento, nos anos oitenta, são tratados por “Pedra Escrita”.
A estalagem de que só resta a parte do restaurante, pois os aposentos traseiros não foram poupados pela acção devastadora do tempo e sabotagem casada com a guerra civil, é conhecida por “Bar do Olímpio”.
O bar do Olímpio é o único ainda intacto e em funcionamento em Lussusso, dos três que existiam nos anos 80 do século XX, nomeadamente: Bar do Falção e Bar do Miguel Neto.
O bar do Olímpio é o único ainda intacto e em funcionamento em Lussusso, dos três que existiam nos anos 80 do século XX, nomeadamente: Bar do Falção e Bar do Miguel Neto.
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Soberano Kanyanga
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domingo, novembro 01, 2015
GERINDO HOMENS E RECICLANDO VASSOURAS
Geralmente, as pessoas chegam às organizações empresariais super motivadas, mesmo não ganhando tanto quanto gostariam ou tanto quanto a sua carteira de custos demanda. Estão motivadas porque ocorre-lhes mostrar o que sabem, aprender o que lhes falta e encarnar o ADN ou cultura da organização. Mostram-se propensos a fazer mais do que aquilo que deles se espera ou se lhes exige, sendo por isso tratados na gíria das organizações como "vassouras novas".
Sempre que numa organização as coisas estagnaram em relação ao desempenho do Capital Humano, a primeira ideia da gerência vai para a contratação de um novo integrante, com provas dadas e super motivado para reforçar e oxigenar a equipa em aparente apatia. É a chamada "vassoura nova" que varre tudo quanto seja trabalho que lhe seja delegado. Comumente, os novos integrantes, por desconhecerem ainda a casa, surgem sem grandes vícios de absentismo laboral e, por conseguinte, não se entregam à ociosidade.
Quem nunca passou por essa experiência na condição de novo reforço de uma equipa ou, na qualidade de Gestor, recorrendo à contratação de uma "vassoura nova"? Mesmo nos nossos domicílios, costuma-se dizer, e com dose de razão, que "uma nova vassoura varre melhor". Porém, mais prudente será aquele que fizer o reaproveitamento inteligente de todas as vassouras antigas que tiver. Trocando os cabos, invertendo as bases, reforçando os palitos naquelas em que a moldura se apresente vazia, etc. Assim também é na Gestão de Pessoas.
Com o tempo, a ausência ou atraso na progressão de carreira, o incumprimento da expectativa inicial quanto ao incremento da remuneração, a falta de respeito pelo seu trabalho e, às vezes, a falta de consideração por parte das lideranças e dos integrantes da equipa, acabam desmoronando todo aquele edifício motivacional, caindo na rotina e acomodando-se na zona de conforto. Tal como nos nossos domicílios, a "vassoura nova" se junta as antigas e reforça o exército das que pouco ou nada fazem em prol da organização.
Se o causa da apatia do Capital Humano tiver que ver com desajustes institucionais e não meramente com a acomodação na zona de conforto, a "nova vassoura" começa a funcionar tal qual varrem as outras: a trabalhar com brechas, com falta de atenção, com falta de precisão e desatenção ao tempo de entrega dos produtos e ou serviços, prejudicando os prazos do patrão ou da liderança. O descontentamento, a desmotivação, e espírito de deixa andar ou deixa fazer e outros comportamentos negativos começam a invadir a sua mente.
- Já fiz a minha parte. Fiz o máximo. Pensei e inovei o quanto pude. Agora que venham outros! – Diz-se vezes sem conta nas instituições. Pessoas jovens, muitas vezes, se entregam ao desleixo de nada fazer. Gastam dinheiro nos transportes para ir e voltar do local se serviço, deixam filhos e família manhã cedo e regressam à noite, com o pretexto de que vão trabalhar, quando as oito horas diárias são passadas no trabalho e não a trabalhar.
Nesse estágio, quando os casos se generalizam, há que se fazer um diagnóstico sobre a situação geral e conter ou mitigar as causas.
Já se sabe que não é destruindo todas as penelas velhas e comprando outras substitutas que se obtém a boa comida, pois o tucokwe (povos do leste e nordeste de Angola) dizem, e bem, que "doho ikulu ikateleka kulya cipema!" (A panela velha faz boa comida!).
Como fazer da "vassoura velha", aquela que limpa com brechas, uma "vassoura renovada" e que se renove todos os dias?
Não sendo esse exercício um ensaio científico e com suficiente suporte bibliográfico, mas baseado tão somente na experiência que o autor vai acumulando, eis algumas dicas:
- Formação e capacitação do Capital Humano (quer seja on job ou fora do local de serviço): cursos de especialização, formação académica, palestras seminários, conferências e outros eventos correlacionados podem servir de balões oxigenadores.
- Política de Incentivos e Recompensas: Instituir uma jornada que seja por objectivos e resultados e não por mera presença física. Há quem é assíduo e pontual mas que não produz como haverá gente sem assiduidade, nem pontualidade que produza mais. Distribuindo tarefas concretas, objectivos e metas bem delineadas pode ser um caminho. De seguida, serão (re)compensados aqueles que venham a superar as metas, o que incentiva os demais a seguirem-lhes o exemplo. Quem mais produz deve ganhar mais. E, retenha-se o ganhar mais nem sempre se deve traduzir em dinheiro. Há muitas formas de motivar ou recompensar as pessoas. Elogios em público (criticas em privado), um novo meio de trabalho, beneficiar de viagem de serviço, participar de uma reunião em que apenas os líderes fazem parte, representar a organização em eventos, são pequenos gestos e acções que podem motivar e galvanizar o Capital Humano para mais empenho e chamar os outro ao bom exemplo.
- Rotação e ajustamento em novas tarefas (mobilidade interna): o curso do tempo de trabalho numa organização leva as pessoas a terem novas preferências em termos de tarefas. Há ainda aqueles que ganham novas habilidades. Torna-se, por isso, importante estar-se atento a isso. Quem beneficiou de uma nova formação on job, distinta da inicial, procurará implementar o seu novo conhecimento. O mesmo se dirá em relação a quem tenha concluído um novo ciclo académico ou tenha uma nova formação distinta daquela que possuía quando foi recrutado. Daí a necessidade do estudo da composição do capital humano da organização, de tempo em tempo, para aferir as principais mudanças ocorridas e fazer os ajustamentos pertinentes. Toda a mobilidade, mesmo interna, redundará sempre em vassouras novas ou vassouras renovadas que devem ser cuidadas e com energias renovadas para que nunca percam o vigor e o bem fazer.
Sendo o Capital Humano dotado de uma complexidade psíquica e intelectual, geri-lo é das tarefas mais difíceis, exigindo a interdisciplinaridade e a participação de todos os Gestores da Organização. É, destarte, a Gestão de Recursos Humanos ou Capital Humano uma tarefa transversal a toda a Organização e não apenas da área encarregue de gerir os processos administrativos de Recursos Humanos.
Sempre que numa organização as coisas estagnaram em relação ao desempenho do Capital Humano, a primeira ideia da gerência vai para a contratação de um novo integrante, com provas dadas e super motivado para reforçar e oxigenar a equipa em aparente apatia. É a chamada "vassoura nova" que varre tudo quanto seja trabalho que lhe seja delegado. Comumente, os novos integrantes, por desconhecerem ainda a casa, surgem sem grandes vícios de absentismo laboral e, por conseguinte, não se entregam à ociosidade.
Quem nunca passou por essa experiência na condição de novo reforço de uma equipa ou, na qualidade de Gestor, recorrendo à contratação de uma "vassoura nova"? Mesmo nos nossos domicílios, costuma-se dizer, e com dose de razão, que "uma nova vassoura varre melhor". Porém, mais prudente será aquele que fizer o reaproveitamento inteligente de todas as vassouras antigas que tiver. Trocando os cabos, invertendo as bases, reforçando os palitos naquelas em que a moldura se apresente vazia, etc. Assim também é na Gestão de Pessoas.
Com o tempo, a ausência ou atraso na progressão de carreira, o incumprimento da expectativa inicial quanto ao incremento da remuneração, a falta de respeito pelo seu trabalho e, às vezes, a falta de consideração por parte das lideranças e dos integrantes da equipa, acabam desmoronando todo aquele edifício motivacional, caindo na rotina e acomodando-se na zona de conforto. Tal como nos nossos domicílios, a "vassoura nova" se junta as antigas e reforça o exército das que pouco ou nada fazem em prol da organização.
Se o causa da apatia do Capital Humano tiver que ver com desajustes institucionais e não meramente com a acomodação na zona de conforto, a "nova vassoura" começa a funcionar tal qual varrem as outras: a trabalhar com brechas, com falta de atenção, com falta de precisão e desatenção ao tempo de entrega dos produtos e ou serviços, prejudicando os prazos do patrão ou da liderança. O descontentamento, a desmotivação, e espírito de deixa andar ou deixa fazer e outros comportamentos negativos começam a invadir a sua mente.
- Já fiz a minha parte. Fiz o máximo. Pensei e inovei o quanto pude. Agora que venham outros! – Diz-se vezes sem conta nas instituições. Pessoas jovens, muitas vezes, se entregam ao desleixo de nada fazer. Gastam dinheiro nos transportes para ir e voltar do local se serviço, deixam filhos e família manhã cedo e regressam à noite, com o pretexto de que vão trabalhar, quando as oito horas diárias são passadas no trabalho e não a trabalhar.
Nesse estágio, quando os casos se generalizam, há que se fazer um diagnóstico sobre a situação geral e conter ou mitigar as causas.
Já se sabe que não é destruindo todas as penelas velhas e comprando outras substitutas que se obtém a boa comida, pois o tucokwe (povos do leste e nordeste de Angola) dizem, e bem, que "doho ikulu ikateleka kulya cipema!" (A panela velha faz boa comida!).
Como fazer da "vassoura velha", aquela que limpa com brechas, uma "vassoura renovada" e que se renove todos os dias?
Não sendo esse exercício um ensaio científico e com suficiente suporte bibliográfico, mas baseado tão somente na experiência que o autor vai acumulando, eis algumas dicas:
- Formação e capacitação do Capital Humano (quer seja on job ou fora do local de serviço): cursos de especialização, formação académica, palestras seminários, conferências e outros eventos correlacionados podem servir de balões oxigenadores.
- Política de Incentivos e Recompensas: Instituir uma jornada que seja por objectivos e resultados e não por mera presença física. Há quem é assíduo e pontual mas que não produz como haverá gente sem assiduidade, nem pontualidade que produza mais. Distribuindo tarefas concretas, objectivos e metas bem delineadas pode ser um caminho. De seguida, serão (re)compensados aqueles que venham a superar as metas, o que incentiva os demais a seguirem-lhes o exemplo. Quem mais produz deve ganhar mais. E, retenha-se o ganhar mais nem sempre se deve traduzir em dinheiro. Há muitas formas de motivar ou recompensar as pessoas. Elogios em público (criticas em privado), um novo meio de trabalho, beneficiar de viagem de serviço, participar de uma reunião em que apenas os líderes fazem parte, representar a organização em eventos, são pequenos gestos e acções que podem motivar e galvanizar o Capital Humano para mais empenho e chamar os outro ao bom exemplo.
- Rotação e ajustamento em novas tarefas (mobilidade interna): o curso do tempo de trabalho numa organização leva as pessoas a terem novas preferências em termos de tarefas. Há ainda aqueles que ganham novas habilidades. Torna-se, por isso, importante estar-se atento a isso. Quem beneficiou de uma nova formação on job, distinta da inicial, procurará implementar o seu novo conhecimento. O mesmo se dirá em relação a quem tenha concluído um novo ciclo académico ou tenha uma nova formação distinta daquela que possuía quando foi recrutado. Daí a necessidade do estudo da composição do capital humano da organização, de tempo em tempo, para aferir as principais mudanças ocorridas e fazer os ajustamentos pertinentes. Toda a mobilidade, mesmo interna, redundará sempre em vassouras novas ou vassouras renovadas que devem ser cuidadas e com energias renovadas para que nunca percam o vigor e o bem fazer.
Sendo o Capital Humano dotado de uma complexidade psíquica e intelectual, geri-lo é das tarefas mais difíceis, exigindo a interdisciplinaridade e a participação de todos os Gestores da Organização. É, destarte, a Gestão de Recursos Humanos ou Capital Humano uma tarefa transversal a toda a Organização e não apenas da área encarregue de gerir os processos administrativos de Recursos Humanos.
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quinta-feira, outubro 01, 2015
HOMÓNIMAS EM KIMBUNDU
Divagando em Kimbundu, "língua dos meus papás, "que não devo esquecer"!
Kuzola:
a) verbo intransitivo equivalente em português a rir.
b) verbo transitivo directo equivalente a gostar/amar.
- Ngala utala ngo mathu ala uzola/ Ima wala uzwela ya bolo. Ngandala kuzola.
> Assisto apenas as pessoas a rirem. As coisas que dizes não prestam. Dá-me vontade de rir/quero rir.
> Assisto apenas as pessoas a rirem. As coisas que dizes não prestam. Dá-me vontade de rir/quero rir.
...
- Kalumba yo nga muzolo kyavulu.
> Gosto/amo muito (d)aquela moça/rapariga.
> Gosto/amo muito (d)aquela moça/rapariga.
- Kuzola kituxi.
> Amar/gostar é pecado/crime.
> Amar/gostar é pecado/crime.
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terça-feira, setembro 01, 2015
EM KIMBUNDU TB NOS ENTENDEMOS III
Na Língua bantu Kimbundu, todos os verbos na forma infinitiva começam invariavelmente pelo prefixo "ku", correspondente ao "to" do inglês: (to be, to see, to love).
Temos assim, em Kimbundu: kulesa (lamber), kwenda (andar), kukamba nguzu (fraquejar), kwya (ir), kwiza (vir), kubiluka (virar), kuxaxata (apalpar), kudilonga (aprender), kufuta (pagar), kukema (gemer), kudya (comer), etc.
Fonte: Adaptado do tipografado de MULELE, S/D.
Temos assim, em Kimbundu: kulesa (lamber), kwenda (andar), kukamba nguzu (fraquejar), kwya (ir), kwiza (vir), kubiluka (virar), kuxaxata (apalpar), kudilonga (aprender), kufuta (pagar), kukema (gemer), kudya (comer), etc.
Fonte: Adaptado do tipografado de MULELE, S/D.
sábado, agosto 01, 2015
EM KIMBUNDU TAMBÉM NOS ENTENDEMOS II
No seu "Manual de aprendizagem de Kimbundu"*, sem data, que me chegou às mãos em 1993, MULELE, diz que os substantivos comuns, em Kimbundo, subdividem-se em seis classes que fazem o singular e plural de forma distinta.
Ei-los, seguidos de exemplos nos dois números.
1ª- classe: mu-a (muthu-athu)- pessoa
2ª- classe: mu-mi (mundele-mindele) - branco
3ª- classe: ki-i (kima- ima; kyama-yama)- coisa; animal
4ª- classe: di-ma (dibengu-mabengu) - ratazana
5ª- classe: i-ji (ingo-jingo) - onça
6ª- classe: ka-tu (kambonga-tumbonga) - criança.
Nota: nesta obra, que suponho anterior ao alfabeto convencionado pelo Instituto de Linguas Nacionais, em 1984, o autor já usa K em vez que Q embora não transforme "U em W" e "I em Y" quando essas vogais se encontrem diante das demais vogais "a, e, i, o, u".
O autor explica ainda que "G", antes de "E e I", terá sempre o som de "gue". Os sons portugueses equivalentes ao "ch" são representados pela letra "X".
* título de minha autoria pois o dactilografado de Mulele não apresenta a capa.
Ei-los, seguidos de exemplos nos dois números.
1ª- classe: mu-a (muthu-athu)- pessoa
2ª- classe: mu-mi (mundele-mindele) - branco
3ª- classe: ki-i (kima- ima; kyama-yama)- coisa; animal
4ª- classe: di-ma (dibengu-mabengu) - ratazana
5ª- classe: i-ji (ingo-jingo) - onça
6ª- classe: ka-tu (kambonga-tumbonga) - criança.
Nota: nesta obra, que suponho anterior ao alfabeto convencionado pelo Instituto de Linguas Nacionais, em 1984, o autor já usa K em vez que Q embora não transforme "U em W" e "I em Y" quando essas vogais se encontrem diante das demais vogais "a, e, i, o, u".
O autor explica ainda que "G", antes de "E e I", terá sempre o som de "gue". Os sons portugueses equivalentes ao "ch" são representados pela letra "X".
* título de minha autoria pois o dactilografado de Mulele não apresenta a capa.
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quarta-feira, julho 15, 2015
A REALIZAÇÃO DO PRONOME REFLEXO EM LÍNGUAS COMO KIMBUNDU E UKOKWE
Estive a fazer um pequeno estudo comparado entre o Kimbundu e Ucokwe, línguas faladas em Angola (oeste e leste).
Quando perguntei às minhas turmas de L. Portuguesa (uma da Universidade Lueji A Nkonde e três do Inst. Sup. Polit. Lusíada da Lunda Sul) como traduzir para Português as expressões em Ucokwe "mukwatenu, mulambenu e mulilenu", as respostas dos estudantes falantes de Ucokwe foram: lhe agarram, lhe batem, lhe chorem.
As expressões bantu acima mencionadas pouco diferem do Kimbundu "mukwatenu, mubetenu e mudilenu ou murilenu" (agarrem-no, batam-no e chorem-no".
Em Kimbundu e Ucokwe, a pronominalização é realizada pela anteposição do pronome que se torna prefixo do verbo.
Assim: dá-lhe é, em Kimbundu "mubane". Ngwece (pronuncia-se nguetche) é largue-me/larga-me em Ucokwe.
=
Já em Língua Portuguesa, a expressão “cumprimentar-lhe”, por exemplo, está errada, pois o verbo “cumprimentar” é transitivo directo, ou seja, exige complemento sem preposição.
Quando perguntei às minhas turmas de L. Portuguesa (uma da Universidade Lueji A Nkonde e três do Inst. Sup. Polit. Lusíada da Lunda Sul) como traduzir para Português as expressões em Ucokwe "mukwatenu, mulambenu e mulilenu", as respostas dos estudantes falantes de Ucokwe foram: lhe agarram, lhe batem, lhe chorem.
As expressões bantu acima mencionadas pouco diferem do Kimbundu "mukwatenu, mubetenu e mudilenu ou murilenu" (agarrem-no, batam-no e chorem-no".
Em Kimbundu e Ucokwe, a pronominalização é realizada pela anteposição do pronome que se torna prefixo do verbo.
Assim: dá-lhe é, em Kimbundu "mubane". Ngwece (pronuncia-se nguetche) é largue-me/larga-me em Ucokwe.
=
Em termos de uso do pronome oblíquo “lhe” na pronominalização, é míster assinalar que ele substitui o complemento indirecto, ou seja, aqueles regidos de preposição, enquanto os pronomes o, a, os, as e variações como lo, la são complementos directos.
Já em Língua Portuguesa, a expressão “cumprimentar-lhe”, por exemplo, está errada, pois o verbo “cumprimentar” é transitivo directo, ou seja, exige complemento sem preposição.
a) Quero cumprimentar o meu pai pelo esforço empreendido. Quero cumprimentá-lo pelo esforço empreendido.
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quarta-feira, julho 01, 2015
EM KIMBUNDU TB NOS ENTENDEMOS I
EM KIMBUNDU TB NOS ENTENDEMOS I
Pronomes pessoais (associados ao verbo kudya equivalente ao comer, indicativo, presente)
Eme - ngidya
Eye - udya
Mwene - udya...
Etu - tudya
Enu - mudya
Ene - adya
Fonte: MULELE, S/D.
Pronomes pessoais (associados ao verbo kudya equivalente ao comer, indicativo, presente)
Eme - ngidya
Eye - udya
Mwene - udya...
Etu - tudya
Enu - mudya
Ene - adya
Fonte: MULELE, S/D.
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