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quinta-feira, outubro 01, 2015

HOMÓNIMAS EM KIMBUNDU


Divagando em Kimbundu, "língua dos meus papás, "que não devo esquecer"!

Kuzola:
a) verbo intransitivo equivalente em português a rir.
b) verbo transitivo directo equivalente a gostar/amar.




- Ngala utala ngo mathu ala uzola/ Ima wala uzwela ya bolo. Ngandala kuzola.
 > Assisto apenas as pessoas a rirem. As coisas que dizes não prestam. Dá-me vontade de rir/quero rir.
...
- Kalumba yo nga muzolo kyavulu.
> Gosto/amo muito (d)aquela moça/rapariga.

- Kuzola kituxi.
> Amar/gostar é pecado/crime.

terça-feira, setembro 01, 2015

EM KIMBUNDU TB NOS ENTENDEMOS III

Na Língua bantu Kimbundu, todos os verbos na forma infinitiva começam invariavelmente pelo prefixo "ku", correspondente ao "to" do inglês: (to be, to see, to love).
Temos assim, em Kimbundu: kulesa (lamber), kwenda (andar), kukamba nguzu (fraquejar), kwya (ir), kwiza (vir), kubiluka (virar), kuxaxata (apalpar), kudilonga (aprender), kufuta (pagar), kukema (gemer), kudya (comer), etc.

 Fonte: Adaptado do tipografado de MULELE, S/D.

sábado, agosto 01, 2015

EM KIMBUNDU TAMBÉM NOS ENTENDEMOS II

No seu "Manual de aprendizagem de Kimbundu"*, sem data, que me chegou às mãos em 1993, MULELE, diz que os substantivos comuns, em Kimbundo, subdividem-se em seis classes que fazem o singular e plural de forma distinta.
Ei-los, seguidos de exemplos nos dois números.
1ª- classe: mu-a (muthu-athu)- pessoa
2ª- classe: mu-mi (mundele-mindele) - branco
3ª- classe: ki-i (kima- ima; kyama-yama)- coisa; animal
4ª- classe: di-ma (dibengu-mabengu) - ratazana
5ª- classe: i-ji (ingo-jingo) - onça
6ª- classe: ka-tu (kambonga-tumbonga) - criança.
Nota: nesta obra, que suponho anterior ao alfabeto convencionado pelo Instituto de Linguas Nacionais, em 1984, o autor já usa K em vez que Q embora não transforme "U em W" e "I em Y" quando essas vogais se encontrem diante das demais vogais "a, e, i, o, u".
O autor explica ainda que "G", antes de "E e I", terá sempre o som de "gue". Os sons portugueses equivalentes ao "ch" são representados pela letra "X".


* título de minha autoria pois o dactilografado de Mulele não apresenta a capa.

quarta-feira, julho 15, 2015

A REALIZAÇÃO DO PRONOME REFLEXO EM LÍNGUAS COMO KIMBUNDU E UKOKWE


Estive a fazer um pequeno estudo comparado entre o Kimbundu e Ucokwe, línguas faladas em Angola (oeste e leste).
Quando perguntei às minhas turmas de L. Portuguesa (uma da Universidade Lueji A Nkonde e três do Inst. Sup. Polit. Lusíada da Lunda Sul) como traduzir para Português as expressões em Ucokwe "mukwatenu, mulambenu e mulilenu", as respostas dos estudantes falantes de Ucokwe foram: lhe agarram, lhe batem, lhe chorem.

As expressões bantu acima mencionadas pouco diferem do Kimbundu "mukwatenu, mubetenu e mudilenu ou murilenu" (agarrem-no, batam-no e chorem-no".
Em Kimbundu e Ucokwe, a pronominalização é realizada pela anteposição do pronome que se torna prefixo do verbo.
Assim: dá-lhe é, em Kimbundu "mubane". Ngwece (pronuncia-se nguetche) é largue-me/larga-me em Ucokwe.
=
Em termos de uso do pronome oblíquo “lhe” na pronominalização, é míster assinalar que ele substitui o complemento indirecto, ou seja, aqueles regidos de preposição, enquanto os pronomes o, a, os, as e variações como lo, la são complementos directos.

Já em Língua Portuguesa, a expressão “cumprimentar-lhe”, por exemplo, está errada, pois o verbo “cumprimentar” é transitivo directo, ou seja, exige complemento sem preposição.
a) Quero cumprimentar o meu pai pelo esforço empreendido. Quero cumprimentá-lo pelo esforço empreendido.
 

quarta-feira, julho 01, 2015

EM KIMBUNDU TB NOS ENTENDEMOS I

EM KIMBUNDU TB NOS ENTENDEMOS I
Pronomes pessoais (associados ao verbo kudya equivalente ao comer, indicativo, presente)
Eme - ngidya
Eye - udya
Mwene - udya...
Etu - tudya
Enu - mudya
Ene - adya



Fonte: MULELE, S/D.
 

segunda-feira, junho 15, 2015

O PLURAL DOS NOMES EM KIMBUNDU

- Ngala utunda kudibya (venho da lavra);
- Wala utunda ku mabya (vem das lavras);
- Twala utunda kumabya (vimos das lavras).
Em kimbundu, o plural (dos nomes e verbos) faz-se prefixando os determinantes aos nomes e verbos para fazê-los concordar em número.

segunda-feira, junho 01, 2015

AO ENCONTRO DE KAMUXIBA

Kamuxiba
Hoje começo com um pedido clemência aos antropólogos angolanos e busco harmonização do percurso etimológico do lexema supra.
Não sei se haverá entre os bakongu, donos da "zanga" (parece que a Samba era de Ngola ao contrário da ilha que era a casa de tesouro de Ntotila), vocábulo cuja raiz esteja na origem de kamuxiba. Por isso, vou divagar em kimbundu.
Muxiba=veia, pelanca, carne flácida e ou imprópria para consumo, (também extensivo à) canal de irrigação/desaguadouro.
Tal leva-me a deduzir que terá havido na área um canal fluvial desaguando sobre o grande "kalunga-lwiji", sendo ka=diminutivo e Muxiba=veia ou canal irrigador/desaguador.
Outra hipótese leva-me à existência de um povoado Muxiba (?), sendo os pescadores ou primeiros habitantes da praia pesqueira de Kamuxiba, em Luanda, originários de tal agrupamento populacional de  Muxiba.
Aqui, kamuxiba seria corruptela de "mukwa Muxiba" ou "akwa Muxiba" (originário/originários de Muxiba).
Convido os actuais akwa muxiba e os ana-a-zanga, vizinhos, aí no istmo, para darem consistência a mais uma divagação dum mukwa Lubolu.

segunda-feira, maio 25, 2015

HOJ'ETU!

Quem é o rei da selva?
Uns dizem ser o elefante. Outros dizem ser o leão.
Lembro-me que o meu avô materno, Canhanga, Soberano dos povos de Kuteka (Libolo), era tratado por seus súbditos por "Hoj'etu ou Hoji yetu" que traduzido do Kimbundu para Português equivale a "Nosso Leão, Nosso Rei".
"Sesa, Hoj'etu!"

sexta-feira, maio 01, 2015

DIVAGANDO À BEIRA DA PRAIA

Mabunda é o nome da praia pesqueira de Luanda, junto à Samba.
Tentei encontrar o sentido semântico do termo, levando-me à divagação etimológica.
Étimos mais próximos de mabunda são:
a) dibunda/mabunda, vocábulos ambundu (Kimbundu) equivalentes em português a trocha, embrulho/trochas, embrulhos.
b) mbunda/jimbunda: equivalentes à nádega/nádegas.
o Topónimo mabunda estará ligado (origem) a trochas das senhoras que vão à compra de peixe ou às  imbambas nas canoas dos pescadores que vão à faina?

quarta-feira, abril 15, 2015

MINIATURAS QUE FAZEM A DIFERENÇA


Nos meus tempos de infância era um ouvinte permanente da RNA e, principalmente, dos seus noticiários e do programa ANGOLA COMBATENTE. Nessa altura, era frequente ouvir-se os correspondentes da Rádio a usarem a expressão "desde Kalulu recebam os cumprimentos do Soberano Kajila". Felizmente, hoje já não se ouve em toda a antena a troca da preposição "de" pelo advérbio de tempo "desde". Calculo que tenha sido emitida uma portaria proibitiva: "não se diz desde XXXX. Diga-se da Maianga para o mundo ou do Huambo para Luanda".
E foi bom que assim tenha acontecido, devendo repetir-se a dose em relação a outros percalços linguísticos ainda reincidentes.
Mudando de assunto, há estudantes universitários que ainda não se consciencializaram que até nós, os jornalistas, também "lutamos com a Língua de Camões", não sendo ela o objecto de estudo específico do jornalista, embora a deva dominar para melhor comunicar. Muitos não deram conta ainda que o jornalista que "sabe tudo ou sabe muito" é um migo. Não existe. Não é o facto de o indivíduo ser jornalista que o torna muito culto ou dominador da Língua Portuguesa.

Oiço muitos estudantes, na academia, a justificarem que "no rodapé da TPA escreveram Lunda-Norte (com hífen) ou a palavra tal de forma Xis". Outros dizem que na minuta de requerimento que se encontra afixado na Administração "está escrito assim e não como o mestre ensina". Nunca os passou pela cabeça pensar que o funcionário da Administração ou o homem que escreve os oráculos na TPA podem ter menos conhecimentos linguísticos do que eles, podendo ser eles, os estudantes,  os agentes de mudança de quem se espera.
 
Furtam-se da dúvida e refugiam-se num argumento reducionista da sua própria capacidade intelectiva. René Descartes recomenda a dúvida metódica: "não ter tudo como verdade acabada". Desconfie. Duvide. Questione. Investigue. Compare. Aprofunde o conhecimento.

Lembro que os conhecimentos específicos (Geografia, História, Direito, etc.) são apenas o "camião carregado" que para chegarem ao destino (serem aplicados com coerência) precisam de uma estrada (uma língua que se domine razoavelmente).
E para terminar, meus amigos (estudantes de LP), quando mesmo é que devemos grafar as palavras com iniciais maiúsculas?
É que, nas pequenas redacções escritas à mão, vejo maiúsculas até no meio da palavra.