No seu "Manual de aprendizagem de Kimbundu"*, sem data, que me chegou às mãos em 1993, MULELE, diz que os substantivos comuns, em Kimbundo, subdividem-se em seis classes que fazem o singular e plural de forma distinta.
Ei-los, seguidos de exemplos nos dois números.
1ª- classe: mu-a (muthu-athu)- pessoa
2ª- classe: mu-mi (mundele-mindele) - branco
3ª- classe: ki-i (kima- ima; kyama-yama)- coisa; animal
4ª- classe: di-ma (dibengu-mabengu) - ratazana
5ª- classe: i-ji (ingo-jingo) - onça
6ª- classe: ka-tu (kambonga-tumbonga) - criança.
Nota: nesta obra, que suponho anterior ao alfabeto convencionado pelo Instituto de Linguas Nacionais, em 1984, o autor já usa K em vez que Q embora não transforme "U em W" e "I em Y" quando essas vogais se encontrem diante das demais vogais "a, e, i, o, u".
O autor explica ainda que "G", antes de "E e I", terá sempre o som de "gue". Os sons portugueses equivalentes ao "ch" são representados pela letra "X".
* título de minha autoria pois o dactilografado de Mulele não apresenta a capa.
Aqui deposito algumas reflexões fruto de Vivências e Pesquisas.
Pequenos CONTRIBUTOS para um conhecimento que se constrói com outras contribuições.
Discorde e contribua.
® Reservados todos os direitos ao autor deste Blog =
sábado, agosto 01, 2015
quarta-feira, julho 15, 2015
A REALIZAÇÃO DO PRONOME REFLEXO EM LÍNGUAS COMO KIMBUNDU E UKOKWE
Estive a fazer um pequeno estudo comparado entre o Kimbundu e Ucokwe, línguas faladas em Angola (oeste e leste).
Quando perguntei às minhas turmas de L. Portuguesa (uma da Universidade Lueji A Nkonde e três do Inst. Sup. Polit. Lusíada da Lunda Sul) como traduzir para Português as expressões em Ucokwe "mukwatenu, mulambenu e mulilenu", as respostas dos estudantes falantes de Ucokwe foram: lhe agarram, lhe batem, lhe chorem.
As expressões bantu acima mencionadas pouco diferem do Kimbundu "mukwatenu, mubetenu e mudilenu ou murilenu" (agarrem-no, batam-no e chorem-no".
Em Kimbundu e Ucokwe, a pronominalização é realizada pela anteposição do pronome que se torna prefixo do verbo.
Assim: dá-lhe é, em Kimbundu "mubane". Ngwece (pronuncia-se nguetche) é largue-me/larga-me em Ucokwe.
=
Já em Língua Portuguesa, a expressão “cumprimentar-lhe”, por exemplo, está errada, pois o verbo “cumprimentar” é transitivo directo, ou seja, exige complemento sem preposição.
Quando perguntei às minhas turmas de L. Portuguesa (uma da Universidade Lueji A Nkonde e três do Inst. Sup. Polit. Lusíada da Lunda Sul) como traduzir para Português as expressões em Ucokwe "mukwatenu, mulambenu e mulilenu", as respostas dos estudantes falantes de Ucokwe foram: lhe agarram, lhe batem, lhe chorem.
As expressões bantu acima mencionadas pouco diferem do Kimbundu "mukwatenu, mubetenu e mudilenu ou murilenu" (agarrem-no, batam-no e chorem-no".
Em Kimbundu e Ucokwe, a pronominalização é realizada pela anteposição do pronome que se torna prefixo do verbo.
Assim: dá-lhe é, em Kimbundu "mubane". Ngwece (pronuncia-se nguetche) é largue-me/larga-me em Ucokwe.
=
Em termos de uso do pronome oblíquo “lhe” na pronominalização, é míster assinalar que ele substitui o complemento indirecto, ou seja, aqueles regidos de preposição, enquanto os pronomes o, a, os, as e variações como lo, la são complementos directos.
Já em Língua Portuguesa, a expressão “cumprimentar-lhe”, por exemplo, está errada, pois o verbo “cumprimentar” é transitivo directo, ou seja, exige complemento sem preposição.
a) Quero cumprimentar o meu pai pelo esforço empreendido. Quero cumprimentá-lo pelo esforço empreendido.
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quarta-feira, julho 01, 2015
EM KIMBUNDU TB NOS ENTENDEMOS I
EM KIMBUNDU TB NOS ENTENDEMOS I
Pronomes pessoais (associados ao verbo kudya equivalente ao comer, indicativo, presente)
Eme - ngidya
Eye - udya
Mwene - udya...
Etu - tudya
Enu - mudya
Ene - adya
Fonte: MULELE, S/D.
Pronomes pessoais (associados ao verbo kudya equivalente ao comer, indicativo, presente)
Eme - ngidya
Eye - udya
Mwene - udya...
Etu - tudya
Enu - mudya
Ene - adya
Fonte: MULELE, S/D.
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segunda-feira, junho 15, 2015
O PLURAL DOS NOMES EM KIMBUNDU
- Ngala utunda kudibya (venho da lavra);
- Wala utunda ku mabya (vem das lavras);
- Twala utunda kumabya (vimos das lavras).
Em kimbundu, o plural (dos nomes e verbos) faz-se prefixando os determinantes aos nomes e verbos para fazê-los concordar em número.
- Wala utunda ku mabya (vem das lavras);
- Twala utunda kumabya (vimos das lavras).
Em kimbundu, o plural (dos nomes e verbos) faz-se prefixando os determinantes aos nomes e verbos para fazê-los concordar em número.
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segunda-feira, junho 01, 2015
AO ENCONTRO DE KAMUXIBA
Kamuxiba
Hoje começo com um pedido clemência aos antropólogos angolanos e busco harmonização do percurso etimológico do lexema supra.
Não sei se haverá entre os bakongu, donos da "zanga" (parece que a Samba era de Ngola ao contrário da ilha que era a casa de tesouro de Ntotila), vocábulo cuja raiz esteja na origem de kamuxiba. Por isso, vou divagar em kimbundu.
Muxiba=veia, pelanca, carne flácida e ou imprópria para consumo, (também extensivo à) canal de irrigação/desaguadouro.
Tal leva-me a deduzir que terá havido na área um canal fluvial desaguando sobre o grande "kalunga-lwiji", sendo ka=diminutivo e Muxiba=veia ou canal irrigador/desaguador.
Outra hipótese leva-me à existência de um povoado Muxiba (?), sendo os pescadores ou primeiros habitantes da praia pesqueira de Kamuxiba, em Luanda, originários de tal agrupamento populacional de Muxiba.
Aqui, kamuxiba seria corruptela de "mukwa Muxiba" ou "akwa Muxiba" (originário/originários de Muxiba).
Convido os actuais akwa muxiba e os ana-a-zanga, vizinhos, aí no istmo, para darem consistência a mais uma divagação dum mukwa Lubolu.
Hoje começo com um pedido clemência aos antropólogos angolanos e busco harmonização do percurso etimológico do lexema supra.
Não sei se haverá entre os bakongu, donos da "zanga" (parece que a Samba era de Ngola ao contrário da ilha que era a casa de tesouro de Ntotila), vocábulo cuja raiz esteja na origem de kamuxiba. Por isso, vou divagar em kimbundu.
Muxiba=veia, pelanca, carne flácida e ou imprópria para consumo, (também extensivo à) canal de irrigação/desaguadouro.
Tal leva-me a deduzir que terá havido na área um canal fluvial desaguando sobre o grande "kalunga-lwiji", sendo ka=diminutivo e Muxiba=veia ou canal irrigador/desaguador.
Outra hipótese leva-me à existência de um povoado Muxiba (?), sendo os pescadores ou primeiros habitantes da praia pesqueira de Kamuxiba, em Luanda, originários de tal agrupamento populacional de Muxiba.
Aqui, kamuxiba seria corruptela de "mukwa Muxiba" ou "akwa Muxiba" (originário/originários de Muxiba).
Convido os actuais akwa muxiba e os ana-a-zanga, vizinhos, aí no istmo, para darem consistência a mais uma divagação dum mukwa Lubolu.
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segunda-feira, maio 25, 2015
HOJ'ETU!
Quem é o rei da selva?
Uns dizem ser o elefante. Outros dizem ser o leão.
Lembro-me que o meu avô materno, Canhanga, Soberano dos povos de Kuteka (Libolo), era tratado por seus súbditos por "Hoj'etu ou Hoji yetu" que traduzido do Kimbundu para Português equivale a "Nosso Leão, Nosso Rei".
"Sesa, Hoj'etu!"
Uns dizem ser o elefante. Outros dizem ser o leão.
Lembro-me que o meu avô materno, Canhanga, Soberano dos povos de Kuteka (Libolo), era tratado por seus súbditos por "Hoj'etu ou Hoji yetu" que traduzido do Kimbundu para Português equivale a "Nosso Leão, Nosso Rei".
"Sesa, Hoj'etu!"
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7:53 da manhã
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sexta-feira, maio 01, 2015
DIVAGANDO À BEIRA DA PRAIA
Mabunda é o nome da praia pesqueira de Luanda, junto à Samba.
Tentei encontrar o sentido semântico do termo, levando-me à divagação etimológica.
Étimos mais próximos de mabunda são:
Tentei encontrar o sentido semântico do termo, levando-me à divagação etimológica.
Étimos mais próximos de mabunda são:
a) dibunda/mabunda, vocábulos ambundu (Kimbundu) equivalentes em português a trocha, embrulho/trochas, embrulhos.
b) mbunda/jimbunda: equivalentes à nádega/nádegas.
b) mbunda/jimbunda: equivalentes à nádega/nádegas.
o Topónimo mabunda estará ligado (origem) a trochas das senhoras que vão à compra de peixe ou às imbambas nas canoas dos pescadores que vão à faina?
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quarta-feira, abril 15, 2015
MINIATURAS QUE FAZEM A DIFERENÇA
Nos meus tempos de infância
era um ouvinte permanente da RNA e, principalmente, dos seus noticiários e do
programa ANGOLA COMBATENTE. Nessa altura, era frequente ouvir-se os
correspondentes da Rádio a usarem a expressão "desde Kalulu recebam os
cumprimentos do Soberano Kajila". Felizmente, hoje já não se ouve em toda
a antena a troca da preposição "de" pelo advérbio de tempo
"desde". Calculo que tenha sido emitida uma portaria proibitiva:
"não se diz desde XXXX. Diga-se da Maianga para o mundo ou do Huambo para
Luanda".
E foi bom que assim tenha acontecido, devendo
repetir-se a dose em relação a outros percalços linguísticos ainda
reincidentes.
Mudando de assunto, há estudantes universitários que ainda não se consciencializaram que até nós, os jornalistas, também "lutamos com a Língua de Camões", não sendo ela o objecto de estudo específico do jornalista, embora a deva dominar para melhor comunicar. Muitos não deram conta ainda que o jornalista que "sabe tudo ou sabe muito" é um migo. Não existe. Não é o facto de o indivíduo ser jornalista que o torna muito culto ou dominador da Língua Portuguesa.
Mudando de assunto, há estudantes universitários que ainda não se consciencializaram que até nós, os jornalistas, também "lutamos com a Língua de Camões", não sendo ela o objecto de estudo específico do jornalista, embora a deva dominar para melhor comunicar. Muitos não deram conta ainda que o jornalista que "sabe tudo ou sabe muito" é um migo. Não existe. Não é o facto de o indivíduo ser jornalista que o torna muito culto ou dominador da Língua Portuguesa.
Oiço muitos estudantes, na academia, a justificarem que "no rodapé da TPA escreveram Lunda-Norte (com hífen) ou a palavra tal de forma Xis". Outros dizem que na minuta de requerimento que se encontra afixado na Administração "está escrito assim e não como o mestre ensina". Nunca os passou pela cabeça pensar que o funcionário da Administração ou o homem que escreve os oráculos na TPA podem ter menos conhecimentos linguísticos do que eles, podendo ser eles, os estudantes, os agentes de mudança de quem se espera.
Furtam-se da dúvida e refugiam-se num argumento
reducionista da sua própria capacidade intelectiva. René Descartes recomenda a
dúvida metódica: "não ter tudo como verdade acabada". Desconfie.
Duvide. Questione. Investigue. Compare. Aprofunde o conhecimento.
Lembro que os conhecimentos específicos (Geografia, História, Direito, etc.) são apenas o "camião carregado" que para chegarem ao destino (serem aplicados com coerência) precisam de uma estrada (uma língua que se domine razoavelmente).
E para terminar, meus amigos (estudantes de LP), quando mesmo é que devemos grafar as palavras com iniciais maiúsculas?
É que, nas pequenas redacções escritas à mão, vejo maiúsculas até no meio da palavra.
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quarta-feira, abril 01, 2015
KALIEMATOGI MOUTAIN
Situa-se a 1040m acima do nível médio do mar. É assim que a geografia o regista.
Falta conhecer quem atribuiu o topónimo e que razões estiveram na origem de tão "estranho nome" que muito se parece a uma expressão em Kimbundu, língua falada pelos povos de Kalulu (Libolo).
Vejamos: kalye/kadye matuji (coma fezes; vai comer fezes).
Para mim, são duas as hipóteses (a confirmar através do estudo da tradição oral) que terão levado à atribuição do topónimo:
a) Existência (no início da edificação da vila de Kalulu) de fezes de canta-pedras no cimo da montanha pedregosa (quem quisesse lá chegar teria de "comer" muito matuji daqueles animais);
-b) Existência de fezes humanas, na base da montanha, junto à estrada Kalulu-Munenga-Ndondu (situa-se próximo de Musafu, primeiro bairro, e aqueles que não tinham/ têm WC se dirigem ao mato para as necessidades maiores).
Existirá outra causa para a atribuição do topónimo kaliematogi à montanha que é ex-libris de Kalulu?
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segunda-feira, março 23, 2015
TODOS E TODAS SEM CRASE
Tenho lido em textos, alguns até jornalísticos, passagens como "que à todos diz respeito".
Crasear é ainda um dos "problemas que estamos com ele".
Frequentei, em 2002 ou 2003, um curso propedêutico de L. Portuguesa, facultado pelo SJA e ministrado na Universidade Católica de Angola no qual aprendi esse detalhe da Nossa Língua.
Só há crase quando estamos em presença de um nome (substantivo) antecedido por um determinante feminino e uma preposição "a". Logo, "a"(preposição)+ "a"(determinante/artigo)="à" (contração da preposição com artigo feminino).
Em "à todos" não há nem nome feminino, nem determinante. Existe apenas uma preposição (que nos dá a ideia de movimento para...).
Em suma, a redação deve ser: que a todos diz respeito.
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