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quarta-feira, julho 01, 2015

EM KIMBUNDU TB NOS ENTENDEMOS I

EM KIMBUNDU TB NOS ENTENDEMOS I
Pronomes pessoais (associados ao verbo kudya equivalente ao comer, indicativo, presente)
Eme - ngidya
Eye - udya
Mwene - udya...
Etu - tudya
Enu - mudya
Ene - adya



Fonte: MULELE, S/D.
 

segunda-feira, junho 15, 2015

O PLURAL DOS NOMES EM KIMBUNDU

- Ngala utunda kudibya (venho da lavra);
- Wala utunda ku mabya (vem das lavras);
- Twala utunda kumabya (vimos das lavras).
Em kimbundu, o plural (dos nomes e verbos) faz-se prefixando os determinantes aos nomes e verbos para fazê-los concordar em número.

segunda-feira, junho 01, 2015

AO ENCONTRO DE KAMUXIBA

Kamuxiba
Hoje começo com um pedido clemência aos antropólogos angolanos e busco harmonização do percurso etimológico do lexema supra.
Não sei se haverá entre os bakongu, donos da "zanga" (parece que a Samba era de Ngola ao contrário da ilha que era a casa de tesouro de Ntotila), vocábulo cuja raiz esteja na origem de kamuxiba. Por isso, vou divagar em kimbundu.
Muxiba=veia, pelanca, carne flácida e ou imprópria para consumo, (também extensivo à) canal de irrigação/desaguadouro.
Tal leva-me a deduzir que terá havido na área um canal fluvial desaguando sobre o grande "kalunga-lwiji", sendo ka=diminutivo e Muxiba=veia ou canal irrigador/desaguador.
Outra hipótese leva-me à existência de um povoado Muxiba (?), sendo os pescadores ou primeiros habitantes da praia pesqueira de Kamuxiba, em Luanda, originários de tal agrupamento populacional de  Muxiba.
Aqui, kamuxiba seria corruptela de "mukwa Muxiba" ou "akwa Muxiba" (originário/originários de Muxiba).
Convido os actuais akwa muxiba e os ana-a-zanga, vizinhos, aí no istmo, para darem consistência a mais uma divagação dum mukwa Lubolu.

segunda-feira, maio 25, 2015

HOJ'ETU!

Quem é o rei da selva?
Uns dizem ser o elefante. Outros dizem ser o leão.
Lembro-me que o meu avô materno, Canhanga, Soberano dos povos de Kuteka (Libolo), era tratado por seus súbditos por "Hoj'etu ou Hoji yetu" que traduzido do Kimbundu para Português equivale a "Nosso Leão, Nosso Rei".
"Sesa, Hoj'etu!"

sexta-feira, maio 01, 2015

DIVAGANDO À BEIRA DA PRAIA

Mabunda é o nome da praia pesqueira de Luanda, junto à Samba.
Tentei encontrar o sentido semântico do termo, levando-me à divagação etimológica.
Étimos mais próximos de mabunda são:
a) dibunda/mabunda, vocábulos ambundu (Kimbundu) equivalentes em português a trocha, embrulho/trochas, embrulhos.
b) mbunda/jimbunda: equivalentes à nádega/nádegas.
o Topónimo mabunda estará ligado (origem) a trochas das senhoras que vão à compra de peixe ou às  imbambas nas canoas dos pescadores que vão à faina?

quarta-feira, abril 15, 2015

MINIATURAS QUE FAZEM A DIFERENÇA


Nos meus tempos de infância era um ouvinte permanente da RNA e, principalmente, dos seus noticiários e do programa ANGOLA COMBATENTE. Nessa altura, era frequente ouvir-se os correspondentes da Rádio a usarem a expressão "desde Kalulu recebam os cumprimentos do Soberano Kajila". Felizmente, hoje já não se ouve em toda a antena a troca da preposição "de" pelo advérbio de tempo "desde". Calculo que tenha sido emitida uma portaria proibitiva: "não se diz desde XXXX. Diga-se da Maianga para o mundo ou do Huambo para Luanda".
E foi bom que assim tenha acontecido, devendo repetir-se a dose em relação a outros percalços linguísticos ainda reincidentes.
Mudando de assunto, há estudantes universitários que ainda não se consciencializaram que até nós, os jornalistas, também "lutamos com a Língua de Camões", não sendo ela o objecto de estudo específico do jornalista, embora a deva dominar para melhor comunicar. Muitos não deram conta ainda que o jornalista que "sabe tudo ou sabe muito" é um migo. Não existe. Não é o facto de o indivíduo ser jornalista que o torna muito culto ou dominador da Língua Portuguesa.

Oiço muitos estudantes, na academia, a justificarem que "no rodapé da TPA escreveram Lunda-Norte (com hífen) ou a palavra tal de forma Xis". Outros dizem que na minuta de requerimento que se encontra afixado na Administração "está escrito assim e não como o mestre ensina". Nunca os passou pela cabeça pensar que o funcionário da Administração ou o homem que escreve os oráculos na TPA podem ter menos conhecimentos linguísticos do que eles, podendo ser eles, os estudantes,  os agentes de mudança de quem se espera.
 
Furtam-se da dúvida e refugiam-se num argumento reducionista da sua própria capacidade intelectiva. René Descartes recomenda a dúvida metódica: "não ter tudo como verdade acabada". Desconfie. Duvide. Questione. Investigue. Compare. Aprofunde o conhecimento.

Lembro que os conhecimentos específicos (Geografia, História, Direito, etc.) são apenas o "camião carregado" que para chegarem ao destino (serem aplicados com coerência) precisam de uma estrada (uma língua que se domine razoavelmente).
E para terminar, meus amigos (estudantes de LP), quando mesmo é que devemos grafar as palavras com iniciais maiúsculas?
É que, nas pequenas redacções escritas à mão, vejo maiúsculas até no meio da palavra.

quarta-feira, abril 01, 2015

KALIEMATOGI MOUTAIN

 Situa-se a 1040m acima do nível médio do mar. É assim que a geografia o regista.
Falta conhecer quem atribuiu o topónimo e que razões estiveram na origem de tão "estranho nome" que muito se parece a uma expressão em Kimbundu, língua falada pelos povos de Kalulu (Libolo).
Vejamos: kalye/kadye matuji (coma fezes; vai comer fezes).
Para mim, são duas as hipóteses (a confirmar através do estudo da tradição oral) que terão levado à atribuição do topónimo:
 a) Existência (no início da edificação da vila de Kalulu) de fezes de canta-pedras no cimo da montanha pedregosa (quem quisesse lá chegar teria de "comer" muito matuji daqueles animais);
-b) Existência de fezes humanas, na base da montanha, junto à estrada Kalulu-Munenga-Ndondu (situa-se próximo de Musafu, primeiro bairro, e aqueles que não tinham/ têm WC se dirigem ao mato para as necessidades maiores).
Existirá outra causa para a atribuição do topónimo kaliematogi à montanha que é ex-libris de Kalulu?

segunda-feira, março 23, 2015

TODOS E TODAS SEM CRASE


Tenho lido em textos, alguns até jornalísticos, passagens como "que à todos diz respeito".
Crasear é ainda um dos "problemas que estamos com ele".
Frequentei, em 2002 ou 2003, um curso propedêutico de L. Portuguesa, facultado pelo SJA e ministrado na Universidade Católica de Angola no qual aprendi esse detalhe da Nossa Língua.
Só há crase quando estamos em presença de um nome (substantivo) antecedido por um determinante feminino e uma preposição "a". Logo, "a"(preposição)+ "a"(determinante/artigo)="à" (contração da preposição com artigo feminino).
Em "à todos" não há nem nome feminino, nem determinante. Existe apenas uma preposição (que nos dá a ideia de movimento para...).
Em suma, a redação deve ser: que a todos diz respeito.

domingo, março 01, 2015

NUANCES DA LÍNGUA


Num dos restaurantes da FIL, depois do almoço de despedida da equipa que esteve a trabalhar em uma exposição, pergunto à proprietária a quem havia pago valores adiantados:
- Nosso saldo é positivo ou negativo?
- Positivo, filho.
- Em quanto está nossa conta?
- Dezasseis mil.
- Então dê-nos mais sumos até "bater" Kz. 17700 que é meu saldo.
Na hora do fecho, a conta estava deficitária para mim em kz. 18 mil.
- Então, há pouco, a senhora disse que o meu saldo era positivo. Como é que um sumo e um café elevaram a conta para uma dívida de Kz. 18 mil?
- Não filho, eu disse (saldo) positivo do meu lado!

domingo, fevereiro 01, 2015

O JORNALISMO QUE VAMOS TENDO

Numa "conversa", comunicação virtual (teclagem), o meu amigo Tazuary Nkeita depois de uma estupenda entrevista que concedeu à ANGOP: (http://ads.portalangop.co.ao), 07 Dezembro de 2014 | 11h42 - Lazer e Cultura), que considerei "digna de ser levada aos estudantes e jornalistas juniores", colocou-me algumas perguntas/provocações que, no seu entender, deviam ser objecto de uma discussão profunda antes de as levar aos estudantes.


Reproduzo-as com as minhas respostas:

Jornalismo em Angola
- Que jornalismo temos?
            LC:      O possível. O que se deixa fazer.

- Somos jornalistas ou somos assessores deste e daquele?
            LC:      Mais assessores do que jornalistas (jornalistas contam-se.
Jornalismo também se conta aos dedos. A assessoria é mais presente).


- Somos equidistantes e podemos sê-lo no dia a dia? Porquê ?
            LC:      A equidistância está por ser conseguida.
Somente quando houver mais jornalistas do que assessores ou a clara distinção entre assessoria e jornalismo puro.
Não tem havido equidistância porque a propaganda e propagandear acções institucionais se confunde ainda com a informação objectiva e isenta de "maquilhagem" jornalística.


- Que diferenças existem entre imprensa estatal/pública e imprensa privada e porquê?
            LC:      Uma é, por via de norma, a tutelada pelo Estado.
É pública e patrocinada com o dinheiro de todos. Outra é fruto de iniciativa privada para diversificar a informação e, como empresas, lucrarem tratando informação que é acompanhada de propaganda publicitária (paga). Noutro prisma, uma publicita os órgãos do poder e outra (entre noticias) publicitam as empresas.
Há muito que se diga sobre esse tema.


- Há fosso? Como reduzir esse fosso?
LC:      O fosso se pode reduzir através de formação e acções de credibilização da media quer pública quer privada (com ou sem objectivo indirecto de alcançar ou manter os poderes instituídos). A autorregulação também pode contribuir para um jornalismo mais responsável (com cassação de carteira, caso houvesse, etc.). Ainda vamos longe e temos de labutar arduamente para que tenhamos um jornalismo ideal. Ou ficaremos apenas pelo "jornalismo angolano/à moda angolana".


- Devemos imitar ou assimilar e processar os conhecimentos?
LC:      Sou pela absorção e processamento de conhecimentos universais. Jornalismo puro será como a arquitectura, economia ou sociologia pura (ajusta-se aos aspectos particulares do país, mas não perde a essência).


- Os jovens (jornalistas ou não) têm futuro em Angola?
LC:      Os jovens terão o futuro que nós os mais velhos lhes permitirem ter. Têm as oportunidades (não tantas) que também lhes permitimos ter. Ontem fui jovem e hoje adulto, um pai de jovem, mas vou ainda reclamando as oportunidades que não tive. Se isso vai melhorar ou piorar, não sei. Houve um tempo que as lojas não tinham nada mas todos tinham emprego na função pública e na tropa. Hoje para se ir à tropa já se diz que é preciso cunha. Os empregos dependem ainda do desenvolvimento da indústria, da agricultura e dos serviços (isso abrirá oportunidades aos jovens). A função pública vai "desengordando", o que é bom mas há ainda instalações e instituições sem quadros qualificados. E que tal reflectir tb sobre o tipo de educação e ensino que temos? Isso fará nos próximos anos a diferença.


- Têm oportunidades?
LC:      Muitos terão diplomas sem conhecimentos. Outros (poucos) terão conhecimentos sólidos e esses disputarão as poucas oportunidades que surgirem. Os demais ficarão a lamentar-se com os diplomas vazios de conhecimentos na mão.