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quinta-feira, janeiro 01, 2015

A RAZÃO E O CAMINHO


- Hoje atrasei ao serviço através da chuva. - Disse Metuliana quando questionada pelo chefe Kafuringa.
- Através? Como assim? A chuva foi o caminho ou a causa? - Kafuringa tem 4ª classe do "tempo colonial" e não deixa passar descompassos linguísticos daqueles que se dizem técnicos superiores.
- Foi mesmo a causa. O bairro ficou alegado e que na qual não deu para sair. - Respondeu ela ignorante e convicta como se fosse a dona do conhecimento.
- Sim, chefe. Atrasei através das quedas pluviométricas que caíram no Lususu. - Reforçou.
- Metuliana, pluviometria é medição da chuva. O melhor seria dizer quedas pluviais. E mais: o teu bairro terá ficado alagado e não alegado que não soa bem. Também não soa bem a expressão "que na qual". Tens de estudar regência para usar as preposições e conjunções correctas.  – Corrigiu Kafuringa.
- Chefe, eu ando a ouvir a falarem assim na rádio. Será que o chefe sabe mais do que os jornalistas Fulano e Beltrano?
- Nas rádios imperam hoje pessoas que misturam o "tu e você" que, em órgãos sérios, seria inadmissível. Vai à Livraria, compra um dicionário e uma gramática para passarmos a estudar juntos. – Recomendou Kafuringa que continuou com as suas diligências.

segunda-feira, dezembro 01, 2014

FÉ NA CULTURA E NAS LÍNGUAS NACIONAIS


A língua é um dos principais elementos identitários de um povo, estando por isso intrínseco à sua cultura.

Apesar disso, as línguas de origem africana (bantu) sofreram ao longo do último século um ostracismo que as remeteu ao fundo do quintal, ou seja, elas passaram a ser utilizadas apenas nas áreas rurais, e nos subúrbios das cidades ou em conversas privadas, redundando em perda de identidade.

Tal postura, também herdada pelas novas autoridades angolanas emanadas do processo de independência nacional teve alguns fundamentos:

1º Em 1921, Norton de Matos, Governador português de Angola, exarou o decreto nº 77, nº 5 primeira série, de nove de Dezembro, que estipulava, no seu ponto 3, a obrigatoriedade, em qualquer missão cristã, o ensino da Língua Portuguesa. Rezava ainda o decreto, nos pontos adiantes, a vedação do ensino em línguas estrangeiras bem como a proibição (artigos 2 e 3) do ensino das línguas locais. “Não é permitido ensinar nas escolas de qualquer missão, línguas indígenas, sendo as línguas indígenas permitidas apenas catequese”.

2º O “Estatuto dos indígenas das Províncias da Guiné, Angola e Moçambique” adoptado pelas autoridades coloniais (Decreto-lei de 20 de Maio de 1954) que visava a "assimilação" dos nativos africanos na cultura lusitana, foi outra arma contra a locução e ensino das línguas nativas no território da então colónia de Angola, uma vez que para se chegar à categoria de “cidadão português de terceira” ou assimilado, o nativo teria de abdicar de práticas animistas, não se comunicar, em momento algum, em língua nativa e adoptar os hábitos e cultura lusitana. Isso levou, até há bem pouco tempo, que determinadas famílias abdicassem de usar as línguas nativas e, inclusive, proibir os filhos de as aprender.
3º A unidade do povo para a luta contra a presença colonial exigia uma identidade e uma língua comum entre todos os patriotas. Essa necessidade fez com que, naquelas circunstâncias, os Movimentos de Libertação Nacional adoptassem a língua herdada portuguesa (comum a todos) para mobilizar o povo para a luta e projecção de uma Nação que se revisse num instrumento de comunicação geral.
4º Alcançada a independência, embora se tenha reconhecido nas Lei Constitucional o respeito e valorização das Línguas Nacionais, foi a língua herdada da colonização que ganhou o estatuto de idioma principal, relegando para papel secundário as dezenas de outras línguas que se falam no país.
Entretanto, apesar de vilipendiadas ao longo do tempo, as línguas africanas faladas no espaço territorial de Angola não morreram. Elas persistem e vão cada vez mais, buscando o seu merecido lugar. É desta forma que um número, ainda reduzido, de “angolenses” se vai batendo pela valorização e ensino das mesmas, levando-as, inclusive, à literatura, não apenas na transcrição gráfica dos fonemas mas também obedecendo aos instrumentos reguladores das mesmas, como os alfabetos convencionados nacional e internacionalmente.
Olhando para o FENACULT (Festival Nacional de Cultura) decorrido de 31 de Agosto a 20 de Setembro de 2014, dois aspectos configuraram-se transcendentais e aumentaram a minha fé de que um dos elementos primordiais da nossa cultura, as línguas nativas de origem bantu, venham a ter o reconhecimento e valor que encerram para os povos que habitam Angola.

Reunidos na província do Kwandu-Kuvangu (Cuando Cubango, segundo a grafia ressuscitada pelo Ministério da Administração do Território e fornecida aos media públicos), cento e setenta delegados ao V encontro de Línguas Nacionais recomendaram “a necessidade dos topónimos de origem africana serem escritos de acordo com a grafia bantu estabelecida pelo A.F.I. (Alfabeto Fonético Internacional)” e demais convenções do CICIBA (centro de Estudos da Civilização Bantu).
As direcções provinciais da Cultura, segundo os presentes, “devem aprofundar os estudos sobre o mapeamento linguístico das suas províncias, com a supervisão do Instituto de Línguas Nacionais, bem como estabelecer uma parceria técnico-científica com instituições nacionais e estrangeiras afins”.

A esse encontro seguiram-se declarações, não menos importantes, da titular da pasta da Cultura que afirmou, na cerimónia de abertura do III Congresso Internacional de Língua Portuguesa, (19 Outubro) que “Sem qualquer mácula, deve permanecer o diálogo, já que a diversidade linguística do país constitui a sua grande riqueza na validade e diversidade cultural”.

As afirmações da Ministra Rosa Cruz e Silva surge quase que como resposta ao que um pequeno grupo de angolenses vem escrevendo desde que o MAT orientou a alteração da grafia, na media pública, de alguns topónimos angolanos. O discurso da Ministra vem, a meu ver, conferir uma abordagem mais responsável e equilibrada sobre um assunto que não foi encarado com a seriedade necessária, tratando-se de uma questão que mexe com um bom punhado de angolanos, alguns com e outros sem voz audível. É o “vamos conversar que chegaremos a meio termo sem ‘trunguguismos’ a que sempre fomos, eu incluído, apelando em vários escritos nas redes sociais”.

A 26 de Fevereiro de 2014, o Jornal de Angola estampava que “o Ministério da Administração do Território vai levar ao Parlamento, para debate e provável aprovação, uma proposta de Projecto de Lei sobre as denominações das províncias, localidades e municípios do país que está a ser preparada”. Lia-se ainda na notícia que “Bornito de Sousa esclareceu que o seu Ministério vai adoptar novas grafias para algumas províncias, tendo exemplificado a retirada da letra “K” e a introdução do “C”, algo que já se observa nas designações usadas pela media, sobretudo a pública, em cumprimento a uma orientação daquele Departamento Ministerial enviado às redacções e que se baseia em “uma Portaria de 1971, de 12 de Fevereiro, sobre a Divisão Administrativa e Toponímia da então Província Ultramarina de Angola”. Se tal exercício “visou a realização do censo”, é importante que o bom senso e o diálogo prevaleça e que os alfabetos convencionados pelo nosso Governo, através da Resolução 3/87 de 23 de Maio, do Conselho da República sejam aplicados nas designações das nossas circunscrições.

Os topónimos e antropónimos de origem bantu não são meras designações. Encerram sentidos e conotações semânticas que devem ser respeitados tanto na grafia quanto na articulação fonética para que designem aquilo que foi projectado. Não é certo, por exemplo que se diga “Canjala” (relativo à fome) quando se pretende dizer é “Kanjala” (pequena fome), ou Canhanga em vez de Kanhanga, que não são a mesma coisa.

É por essa e outras razões digo: “não há bota, por mais suja e pesada que seja, que vá aniquilar as nossas línguas e a nossa identidade cultural, secular”. É por isso que mantenho a minha Fé na Cultura!


Obs: Texto publicado no Semanário Angolense 

sábado, novembro 01, 2014

EMPRÉSTIMOS, ADOPÇÕES, REJEIÇÕES E DISPENSAS

Como locutor atento de kimbundu (Lubolu) vou notando que muitas palavras utilizadas hoje para designar ideias, coisas e sentimentos/estados não existiam há trinta anos, assim como algumas que ouvi pronunciar na infância estão hoje no armário.

Isso acontece com todas línguas vivas. Há gírias, calões e neologismos que quando popularizados são inseridos "naturalmente" no léxico e outras que, caindo em desuso, se tornam de uso restrito/erudito ou passam para o arquivo.

Palavras como mwangope (alusão à capital angolana Luanda), kangonha (lyamba), kimanda (carabina), ngongwenha (fadinha y'ukange nyi suka), sambwambwa (dilaji), kitata (ndumbu), etc. foram/são utilizadas em kimbundu para designar seres, coisas/objectos e ideias. Umas tornaram-se parte do léxico comum da língua kimbndu, outras não se puderam manter no léxico e algumas são usadas em círculos muito restritos ou por falantes de “fina expressão”.

Este pequeno exercício surge a propósito de uma jovem universitária que estuda "as intrusões de linguas bantu na L.P. em Angola" ter escolhido como obra para análise (o meu) "O Sonho de Kauia", livro rico em expressões kimbundu, umbundu e cokwe.

Perguntava-me se qual era a origem de uma lista de palavras retiradas do texto, mesmo aquelas que têm significado em rodapé.

Depois de uma analise, a conclusão só podia ser esta: alguns lexemas constantes do referido livro e apontados pela estudante foram emprestados/tomados do kimbundu mas são gírias e calões daquela língua, podendo, por isso, ser desconhecidos por alguns falantes do kimbundu noutras regiões.

quarta-feira, outubro 15, 2014

O QUE ACHO DO JORNALISMO PRATICADO EM ANGOLA

Uma estudante do curso superior de Comunicação Social duma universidade privada angola perguntou-me, via face book, sobre o que eu achava do "ensino do jornalismo angolano". Disse que o meu nome tinha sido indicado por um professor que conhece e "reconhece" a minha trajectória de "jogador a comentador" no campo do jornalismo que se pratica em Angolano. A par destes questionamentos que servem para os estudantes fundamentarem os seus trabalhos escolares, tenho também recebido vários pedidos para "ajudar a fazer" isso ou aquilo. São frequentes pedidos do tipo: "Dr., ajude-me a fazer uma agenda, ajude-me a fazer uma notícia, ajude-me a fazer/estruturar uma entrevista, ajude-me a fazer uma crónica, etc.!
 
O que tenho solicitado é que "apliquem primeiro os conhecimentos teóricos aprendidos/explicados pelo docente e depois eu ajudo a dar forma".
 
O que acontece, a posteriori, é que, em muitos dos casos,  nem ortografia sai nem a teoria é aplicada.
 
Decidi, por isso, servir-me do método socrático (maiêutica e refutação) para fornecer a minha resposta à questão supra:

- Há laboratórios para aulas práticas nas universidades?
- Há professores de cadeiras práticas que são reconhecidos como bons praticantes de jornalismo naquela especialidade?

- Um professor de jornalismo que nunca exerceu jornalismo de facto, que nunca esteve numa redacção e que não saiba como se elabora uma agenda ou como se "vive" uma informação noticiosa, um insólito, estará em condições de instruir os da melhor forma alunos?
- Que tipo de jornalistas com curso superior as empresas de media recebem, sobretudo aqueles sem tarimba inicial (que nunca trabalharam antes no ofício)?
- Os neófitos jornalistas, saídos das escolas médias, técnico-profissionais e superiores dominam a(s) língua(s) em que se prestam a trabalhar?
- Temos excelentes jornalistas da nossa praça sem canudo, mas de reconhecida competência técnica e deontológica, como o autor do "Morro da Maianga". Esses têm sido convidados para formar novos jornalistas nas nossas universidades? São no mínimo professores conferencistas? 
 
Convido quem conheça bons exemplos que os partilhe comigo.

quarta-feira, outubro 01, 2014

KYA NGI BONZO

HOMENAGEM A NETO
"kya ngi bonzo" é uma expressão ambundu que significa aborrecível, cansativo, chato… é o que sinto ao ver uma media, abram-se alas à audiovisual, mais virada ao entretenimento do que à formação. Não escreverei neste texto sobre a forma questionável e, às vezes,  parcial, maculando a qualidade das notícias de que tenho sido brindado ao proceder o zapping/sintonização das Tv´s e rádios públicas.
Reporto-me simplesmente à forma parcial, amadora e desrespeitosa como é tratado na nossa media aquele que se convencionou/reconheceu como o Herói nacional.
Não sou adepto de celebrações do tipo da Coreano do Norte. Não peço que Agostinho Neto seja presença diária e obrigatória na media publica e privada, pois nem sempre haverá factos. Mas podem ser feitas rubricas que permitam os jovens e crianças conhecê-lo um pouco mais.
O que me aborrece é ver os dias do ano repartidos em onze meses e vinte e três dias para o Executivo e seus titulares, nos mais diversos graus hierárquicos e regiões, sobrando míseros sete dias de Setembro para se lembrarem de uma figura que já “dorme como pedra lançada ao poço”. Se “a pedra” foi lá parar por obra da natureza humana, não deixemos, pelo menos, que o lago do nosso conhecimento se seque, pois o mesmo Neto da nossa Independência também nos recomendou “a criar, criar amor, com os olhos secos”.
Não vejo em Agostinho Neto um ser que amedronte, que faça concorrência aos vivos, nem aos seus negócios políticos e económicos ou afins.
Lembremo-nos dele nem que seja pelo facto de ter hasteado a bandeira que carregamos orgulhosamente ao peito e nos ter ensinado a cantar um Novo Hino.
Lembremo-nos dele, nem que seja para contar a sua trajectória académica e missionária (filho de professora primária e de pastor Metodista) ou política, pelas cadeias que enfrentou devido à sua relutância em se opor à colonização, quando os seus proventos bem podiam dar-lhe uma vida folgada num território colonizado.
Falar sobre Agostinho Neto, mesmo que uma vez por semana, não seria um favor a ele e a pessoas saudosas como eu. Não peço a deificação dum homem mortal, embora declarado “Guia Imortal”. Entristece-me notar que crianças angolanas que frequentam o ensino primário português conhecem D. Afonso Henriques e as nossas do Ensino Médio, muitas pouco ou nada sabem sobre o Fundador da Nação. Não estará a faltar mais conteúdos nos programas escolares, radiofónicos, televisivos e nas conversas entre pais e filhos?
Que saudade sinto de ouvir Tabonta, os irmãos Kafala e outros “músicos da revolução” evocando e chorando neto nas suas criações artísticas. Que saudades das brigadas jovens de literatura com o “njila ya muxitu”de John Bella!
Para terminar essas súplicas vou me contentar com o “bombas que partem casas não metem medo ao povo unido” de Mwana-a-Kitoko e voltar aos prantos quando tivermos Neto não à dimensão poluidora do antigamente hodierno, mas à dimensão que merece.
 
É tanto esquecimento que me aborrece!

domingo, setembro 14, 2014

RECADO AOS "KANDENGES"

Variadíssimas vezes os universitários são criticados pela forma como "vilipendiam" a escrita da Língua Portuguesa.

Lê muito. Pratica a escrita normativa (fora dos clichés e abreviaturas do face book), faz cópias de livros bem escritos.

Só quem lê passa a conhecer as palavras e a escrevê-las correctamente.

Não será bom que o teu empregador se aperceba de lacunas graves em questões básicas de escrita, interpretação e expressão oral.

É a falar que se aprende a falar. Lê sempre em voz alta para aperfeiçoar esse lado.
Repassa o recado, meu jovem, a todos aqueles que conheces e que ainda não escrevem como deviam.
Um abraço.

segunda-feira, setembro 01, 2014

A ORALIDADE NO MEU PERCURSO COGNITIVO

O Processo cognitivo é um conjunto de factores sociais, que vão dos informais aos formais, a que alguns teóricos acrescentam outros de ordem biológica ou genética. A família (restrita e alargada) a comunidade e os grupos sociais são os primeiros intervenientes no processo cognitivo do ser humano, sendo que no caso da civilização bantu, a oralidade é a via mais expedita para a transmissão de conhecimentos e valores.
Uma das cadeiras da minha primeira instituição de ensino, o Jango, consistia na formulação de perguntas e respostas.
Para além dos mais velhos, os depositários do conhecimento, havia ainda os monitores, senhores e jovens já amancebados ou não, com alguma experiência de vida, conhecimentos comunitários, sociais, antropológicos e históricos que cobriam as ausências do mestre e o auxiliavam na missão de formar os novos seres (masculinos): cantando e ensinando novas canções, contando lendas, estórias e História, explicando aos jovens a ordem social, as árvores genealógicas (paterna e materna), etc. A oralidade era (e é onde a escola moderna convive com a tradicional) a via principal.
Adivinhas e respostas, anedotas, aforismos, adágios e seus sentidos lógicos (pedagógicos), interpretação do tempo (o senso comum também esboça explicações sobre a astrologia e meteorologia) faziam parte do conteúdo programático do Jango.
- Kandundulu bwo!
- Mu museke oxeyenamo?!
Vemos aqui um caso “curioso”(?) em que uma afirmação exclamativa é argumentada com uma pergunta/resposta. Ilógico no pensamento europeu mas lógico no raciocínio bantu (povos ambundu da variante Kibala, Lubolu), na medida em que a pergunta/resposta quer dizer somente que “depois da defecação, não se poder limpar o ânus arrastando as nádegas na areia”.
 Em “a yaya a yatoka!” (uns vão outros vêm), uma adivinha que na acepção do pensamento linear europeu pode ter vários significados, obtemos como resposta “ombundu” (as nuvens).
Fazendo uma adaptação aportuguesada dum aforismo ovimbundu, que me chegou por via do meu confrade Daniel Gociante Patissa, “só à arena é que não íamos, mas o som da música sempre nos chegou ao ouvido”. Embora as nossas línguas bantu não tivessem alfabetos estruturados e conhecidos, até há poucas décadas, conhecimentos sempre tivemos e sempre foram transmitimos por via da oralidade.

sábado, agosto 16, 2014

OS “ENTRETANTO” NA TV

 
TENHO estado a ouvir, com ligeira preocupação, os “entretanto” de alguns locutores da "nossa" Televisão (sobretudo às manhãs), na ligação de notícias.

A definição mais simplista é: conjunções são palavras invariáveis que servem para ligar/articular orações ou ideias. Nesta ligação/articulação há que ter em conta o sentido que as mesmas encerram.
 
Adição (uma notícia com outra) ou adversidade (uma em relação a outra)?
“Entretanto” é conjunção adversativa, expressa a ideia de contraste ou compensação. Não tem (sempre) o mesmo valor que “e” (conjunção copulativa) que indica adição.
Ontem tivemos um mau dia, todavia/contudo/entretanto temos hoje um dia excelente.
No discurso escrito, antes da conjunção adversativa deve ser colocada uma vírgula.

Obs: Constatado e escrito em Junho 2014.
 

sexta-feira, agosto 01, 2014

A MELHOR FORMA DE ENSINAR HISTÓRIA

(Opinião baseada na experiência)

Todas as crianças têm elevada capacidade de absorver estórias e de as poder recontar. Fui bom aluno e estudante de História e pratiquei a docência desta cadeira. A experiência mostrou-me que os alunos/estudantes apreciam professores que ministram aulas de História como se estivessem a contar estórias… Professores quem lhes transmitam imagens e lhes façam viver os acontecimentos históricos.
 
Hoje, o  melhor é situar os eventos em períodos de tempo: último quartel do século XIX,  2ª metade do sec. XX, 1ª década do século XXI, etc, ajuda a concentrar-se nos factos em vez das datas (que não deixam de ser importantes). Porém, o elemento "o Quê=facto" é primordial.
 
Um professor que encarne os factos contando-os como se fosse estórias "vividas" despertará a atenção dos discípulos e mas facilmente estes transformarão a informação recebida em conhecimento acumulado.
 
Não há péssimos alunos de História (sobretudo quando crianças). Pode é haver professores que não encarnem os factos, transmitindo-os como se fossem estórias.

terça-feira, julho 15, 2014

O VALOR DO FEEDBACK NA COMUNICAÇÃO VERBAL

Mais do que um mecanismo que permite confirmar a fiabilidade do canal pelo qual trafega a informação entre o destinador e destinatário, o feedback é troca bi-direccional que elimina distorções ou falhas na comunicacão verbal. Quando essa é realizada de forma oral, o feedback permite assegurar que não houve ruído e que a reacção do destinatário será conforme espectado pelo emissor.
 
A repetição da mensagem pelo receptor ou o resumo da mesma é uma garantia de que houve eficiência na comunicação.
 


O que você faz quando recebe uma mensagem por e-mail, por carta, sms (short message servisse) ou comentário no facebook? 
Quem lhe manda uma mensagem, independentemente do canal e do código, praticou um acto comunicacional. Partilhou ideias, sentimentos ou estado de alma. Ao remeter a mensagem, está também testando o canal. Precisa de ter certeza de que o canal funciona, a mensagem chegou ou destinatário e foi ou não percebida. A percepção é aferida pela qualidade da reacção do recepor. Se esta for a esperada é porque não houve ruído.
 
Como é que o emissor terá essa percepção caso não receba feedback?

 1- Recebeu telefonema e não pôde tender no momento? Dê retorno tão logo seja possível.
2- Recebeu e-mail? Tenha ou não percebido, dê feedback para que se confirme a recepção e percepção da mensagem  ou se melhore a comunicação.
3- Faça o mesmo em relação ao facebook e outros canais ou meios de comunicação verbais (oral e ou escrita), reagindo em função da recepção e da descodificação que fizer da mensagem.
4- Responda sempre com mensagens verbais ou acções esperadas. Dê feedback a cada mensagem que receba, ignorando, como é obvio, o spam viral.
5- Saiba que a comunicação oral (por voz) é mais quente e afectiva do que a escrita, embora a segunda seja mais segura em termos de conservação da mensagem, sobretudo em caso de repasse.