Número total de visualizações de página

sexta-feira, março 14, 2014

O CARNAVAL DO RANGEL E A HOMENAGEM QUE FALTA A MAM-BRÁS

"Mamá, atuzemba. Atuzemba, atuzembel´anhi?! (Mamã, não gostam de nós. Por que não gostam de nós?!) Quando vai aí, Atuzemba está com o povo. Quando vem aqui, Atuzemba está com todos"
O refrão que já leva muitas décadas pertence ao grupo carnavalesco ATUZEMBA, do distrito urbano do Rangel, em Luanda. Não venceu o desfile central enem sei se desceu à nova marginal para dançar sob os olhar silencioso (sob olhos secos) do Camarada Manguxi que repousa ali no seu mausoléu...

A coroa do carnaval de Luanda voltou, em 2014, ao Rangel, mercê da soberba actuação do União Sagrada Esperança, do bairro (agora distrito urbano) que me viu crescer e fazer-me homem. Foi no Rangel, entre a Rua da Ambaca, da Saúde, Comandante Cantiga, Rua do Paraná, Rua da Mão e do Povo, entre outras, que tomei contacto com o carnaval luandense, ainda no tempo do já finado “carnaval da vitória” que se realizava em Março, para assinalar a saída do último “carcamano sul-africano-racista” do solo pátrio, a 27 de Março de 1976, depois da invasão estrangeira que visava inviabilizar a proclamação da independência de Angla pelo MPLA.


No Rangel, dançávamos ao carnaval da vitória com o Grupo Atu Zemba, União Estrela do Kaputu (Zona 15), União Mãe Ya Ndengue, Andorinhas, União Povo do Rangel, União Juventude, e tantos outros que animavam o município inteiro, antes e nos dias do desfile. Agradava-me assistir aos ensaios e ver aquela gente alegre. Alegria espontânea e não comprada ou a troco de alguma distinção à marginal. E dançávamos eufóricos ao som da ngoma de lata, reco-reco, puíta, chocalho, etc. O rei e sua rainha vestiam-se à moda angolana e exibiam coroas feitas a base de ferros recortados e outros metais. Era tudo a base do improviso e da espontaneidade. A criatividade também morava connosco e já se dizia que corria no sangue.

Mas quem mais alegria dava aos munícipes todos, em especial às mamãs peixeiras e outras quitandeiras da praça das Corridas (hoje mais conhecida como praça do Tunga Ngó) e da Praça Nova (defronte a administração comunal do Rangel) e aos meninos e meninas da minha infância “rangelina”, era o Mam-Brás, exímio vocalista de carnaval, dançarino e tocador de ngoma e puita. Mam-Brás sofria de algum distúrbio mental que não cheguei a definir e alimentava-se frequentemente de carne que lhe era ofertada pelas quintandeiras que apreciavam os seus toques e retoques de dança carnavalesca.

Depois da exibição, perguntava sempre:


- Há uma gordurinha? - O homem referia-se a miudezas que voluntariamente lhe eram ofertadas.

 Seguindo o som do seu batuque, muitas crianças chegavam a se perder, dando lugar a outro tocar de lata, desta vez, por parte das famílias cujos petizes se perdiam no rasto da ngoma do Mam-Braz que continua o seu percurso.
- Nanhi wa ngi bongela kamona ka dyal'ê?! (Quem terá encontrado  uma criança de sexo masculino?!)

Fruto disso, muitas mães preferiam mandar parar o Mam-Brás e tocar por alguns minutos à porta de casa, oferecendo-lhe depois aquilo que houvesse. Assim, as crianças deixavam de o acompanhar. Mas não era a mesma coisa ver o Mam-Braz tocar à porta de nossa casa e vê-lo exibir-se em rua livre ou na Praça das Corridas.
Mam-Brás foi um feitor e zelador do nosso carnaval de bairro. Carnaval alegre, sem preço, sem patrocínios, sem contrapartidas e que não era encomendado por ninguém. Mam-Brás corporizava essa alegria de quem estava e sentia-se livre na sua terra.
O Mam-Brás vivia na Rua Pernanbuco, também conhecida nos últimos tempos por rua do “ti Avelino dos Santos”. Pernambuco, a Joana, era uma exímia dançarina cuja história não me atrevo relatar por falta e precisão de dados. Mas que foi tão boa a dançar ao ponto de ganhar o nome de uma das ruas do Rangel, isso ela foi.
Apesar de sofrer de distúrbio mental, Mam-Brás tinha o reconhecimento e respeito de todos. Era prendado pelas mamãs que gostavam do som do seu tambor, da voz do seu canto e dos toques da sua dança, quer na rua ou nos mercados onde preferencialmente se fazia exibir. Nada cobrava. Apenas recebia o que lhe era dado de oferta no momento da exibição e fazendo do seu carnaval, sem época, o seu ganha-pão.
 
Mam-Brás, que ainda faz ecoar no meu ouvido a nossa alegria de criança esboçada com o refrão: Mam-Bragéé-é, Mam-Bragéé-é!,  e o meu homenageado neste carnaval de 2014, cujo vencedor, em Luanda foi o União Sagrada Esperança do Rangel que homenageou a Rainha Njinga Mbandi.
Que o próximo homenageado seja o Mam-Bragéé-é, Mam-Bragéé-é!
 

sábado, março 01, 2014

ALÔ, SENHOR DEPUTADO, GRAFIA DAS CIDADES VAI AO PARLAMENTO

Acabei de ler no jornal de Angola (edição de 26 de Fev. 2014) que o Ministério da Administração do Território vai levar ao Parlamento, para debate e provável aprovação, uma proposta de Projecto de Lei sobre as denominações das províncias, localidades e municípios do país que está a ser preparada.

Lê-se na notícia que Bornito de Sousa, o Ministro, falava durante um encontro com jornalistas e esclareceu que o seu Ministério vai adoptar novas grafias para algumas províncias, tendo exemplificado a retirada da letra k e a introdução do c.

O Ministro informou ainda, cito o Jornal de Angola, que os topónimos para as comunas, municípios e localidades “têm como base a grafia em português, a língua oficial”.
Uma fonte conhecedora do assunto escreveu (F.B., 26.02.2014) que o que o MAT orientou aos media para aplicação rigorosa é “uma Portaria de 1971, de 12 de Fevereiro, sobre a Divisão Administrativa e Toponímia da então Província Ultramarina de Angola, a fim de buscar uma harmonização da grafia”, sendo que, segundo ainda a mesma fonte, “o MAT está a querer ser apenas rigoroso e agir em conformidade com o que está legislado”.
Na busca de uma Lei nova que esteja adequada com a nossa realidade actual, com a nossa cultura, segue a fonte, o MAT está a preparar o projecto de Lei sobre a Toponímia que será trazida a debate público para as contribuições de todos e, desta forma, em conjunto, encontrar-se a melhor solução para este problema.
Três  perguntas:
- Por que foi “impingida” aos órgãos da comunicação social a aplicação rigorosa de uma lei de 1971 que corrige para pior determinados topónimos surgidos ou já rectificados no pós-independência? Coloco aqui o exemplo do Kuando Kubango e Kwanzas Norte e Sul.
- Afinal de contas, que documento o MAT pretende levar ao poder legislativo? O projecto de lei ainda desconhecido ou a Portaria de 1971 que não admite a utilização das letras K, W e Y (constantes dos alfabetos convencionados pelo nosso Governo através da Resolução 3/87 de 23 de Maio, do Conselho da República)?
- Na eventualidade de se pretender levar ao Parlamento ou a uma consulta mais alargada uma nova proposta de lei, com que contribuições, dos mais distintos círculos da sociedade angolana, conta o MAT na fase de elaboração do documento?
Pedido aos ilustres representantes do povo à Assembleia Nacional
 Senhor Deputado, a grafia das cidades vai ao parlamento. A decisão está no seu voto.
Kumbi lyu tunga zemba lyu xika mwixi! (O dia de construir o palácio é o de assobiar!). Não se pode perder uma oportunidade singular.
 Se você é um deputado defensor dos valores africanos de origem bantu, defensor das nossas origens, da grafia dos nossos nomes de acordo aos significados que encerram e a nossa identidade cultural, sei que vai votar CERTO.
 Basta reflectir no seguinte: o nosso maior rio de Angola que dá nome à nossa moeda deve escrever-se com CU ou com KW?
·      Espero que até à chegada da proposta de lei ao poder legislativo, os representantes do povo consultem sociólogos, linguistas, antropólogos e historiadores, para que o trabalho de casa esteja feito. Que os deputados da maioria e da minoria não cumpram apenas a "disciplina Partidária”. Estudem o assunto, busquem consultoria, façam o “dever de casa” e votem em consciência representando os vossos eleitores.
Até lá, até que se esclareça se o que vai ao Parlamento é a Portaria de 1971 ou uma Nova Lei, espero que consigamos (opinion makers) influenciar os Governantes e Legisladores, discutindo e opinando de forma aberta, alargada e desapaixonada. Vamos buscar consensos. Vamos buscar posições que não nos levem a mudar de leis quando um dia vierem outros homens a governar Angola. O Partido pode ser o mesmo mas os homens e as mentalidades, tenho certeza,  serão diferentes.
Seja o que for e venha o que vier. É preciso investigar, idoneamente! 

sexta-feira, fevereiro 14, 2014

A "GUERRA" DOS TOPÓNIMOS: FINALMENTE FOI DADO UM PASSO

O aeroporto do Namibe deixou de se chamar Yuri Gagarin e foi rebaptizado com o nome de Welwitchia Mirabilis. Em rigor, apenas homenageou-se um austríaco em vez dum russo, pois a  planta que existe no deserto já era designada pelos nativos por ntumbo, tendo sido cadastrada pelo botânico Fredrich Welwitch com a designação de Tumboa. Apenas depois da sua morte, e em sua homenagem, a planta rara ganhou o nome actual  (Reginaldo Silva, fb, 13.02.2014).

Apesar de se ter apenas mudado o nome de um russo para um austríaco, tomei nota, com bastante agrado essa evolução no pensamento político-cultural dos governantes angolano. Chego à conclusão de que, afinal de contas, sempre será possível rebaptizar os topónimos angolanos de origem bantu, atribuídos e registados, muitos de forma errónea e ao acaso,  pelos portugueses. Para os povos  bantu, cada substantivo/nome encerra um significado. E mais, o CICIBA (Centro de Investigação das Civilizações Bantu), e mesmo as autoridades angolanas (Resolução 3/87 de 23 de Maio, do Conselho da República) convencionaram alfabetos para as nossas línguas, devendo os topónimos e antropónimos bantu obedecer a estas convenções.

Continuo a considerar que os topónimos angolanos cujos registos não correspondem à redacção correcta, nem ao significado que encerram devem seguir o “caminho do aeroporto do Namibe”, ou seja rebaptizados.
O estudo da Direcção Nacional de Organização do Território, Ministério da Administração do Território, sobre Divisão Política-Administrativa e Toponímia de Angola apenas ganha os meus elogios por ter enumerado e codificado as províncias, os municípios e as comunas do país, sendo necessário também serem “provisoriamente” nomeados, dada a ausência de um estudo e discussão abrangentes sobre a redacção exacta dos topónimos de origem bantu, obedecendo-se, neste caso, às designações da administração colonial.
Com todo o respeito que me reservam os responsáveis do MAT, com quem tenho uma comunicação aceitável, não me revejo na obrigatoriedade dos media angolanos adoptarem essa redacção colonial como se o “documento em construção”  tivesse força de lei.
Haverá incapacidade, de nossa parte, para se fazer um estudo etimológico dos nomes bantu da nossa toponímia? Reitero. Não aceito que a nossa moeda, de que todos nos orgulhamos, o Kwanza, seja grafado com KW e o rio de quem ganha o nome seja CU.
À semelhança do aeroporto Yuri Gagarin, que passou a chamar-se Welwitchia Mirabilis , espero que as províncias que ladeiam o rio Kwanza sejam grafadas como deve ser ou que a nossa moeda se escreva Cuanza em vez do habitual Kwanza.
Que a capital da Lunda Sul seja Sawlimbo e que a província do sudeste de Angola seja Kwando-Kubango e a sua capital Vunonge.
Que um dos municípios do Wambu (Huambo) seja Cikala Co Lohanga e que a antiga cidade de Silva Porto seja escrita Kwitu-Vye…
Pode ser que o tempo me derrote, mas não custa nada debater e buscar consensos alargados. O país, a sua história e futuro, a todos diz respeito.

sábado, fevereiro 01, 2014

KWANZA-SUL OU CUANZA-SUL?

Em conversa no chat do face book, o meu amigo Isidoro Natalício colocou-me a questão da grafia dos nomes de origem bantu (topónimos e antropónimos). Referia-se o amigo Isidoro que a TPA tem-nos escrito de forma diferente àquela que eu uso na grafia dos "nossos" nomes.

Tendo em conta a importância do assunto, ainda que o debate e as conclusões sejam superficiais, julguei oportuno partilhar as ideias que defendi nesta página que é menos volátil ao tempo.
 
1º - Os topónimos obedecem, para além da atribuição da designação, a um registo. Esse registo é válido até que o topónimo mude de designação ou se corrija a grafia. Para exemplificar, devo dizer que nos cadastros, a província angolana a sul do rio Kwanza está registada "erroneamente" como "Cuanza-Sul" em vez do que seria expectável, Kwanza-Sul. O mesmo se pode aplicar ao meu nome, Canhanga, que devia grafar-se Kanhanga para obedecer ao alfabeto convencionado pelo CICIBA (Centro de Investigação das Civilizações Bantu), combinado com a Resolução 3/87 de 23 de Maio, do Conselho da Revolução. 
 
2º - As regras do CICIBA para a ortografia das línguas bantu diz que a letra C tem o fonema equivalente ao dígrafo Tx e ainda pelos grupos consonânticos TCH e TSH. Exemplos: Cikala-Cyolohanga, Cindjendje, Citembu, Civingiru, Citende Cya Zango, Cipalavela, etc.

Sempre que as vogais I e U estejam  junto de outras, as primeiras devem mudar para Y e W. Exemplo: "muanha" (sol) deve grafar-se correctamente "mwanha); "diniangua" (abóbora) deve grafar-se "dinyangwa"; "kizua"=kizwa, etc. 

Para obtermos o fonema equivalente em Português a "C" devemos grafar "K". Kanhanga, Kambundi-Katembu, Kalulu, Kahála.
 
Não sou telespectador atento da TPA e não sei dizer se grafam de acordo aos registos portugueses ou se de acordo ao alfabeto das língua bantu. De uma coisa, porém, tenho certeza: É preciso corrigir urgentemente os registos dos nossos topónimos (calculo que o MAT- Ministério da Administração do Território-  tenha já um projecto nesse sentido) e passar-se a exigir que haja uma grafia correcta dos topónimos de origem bantu.

Não se pode aceitar que a nossa moeda seja Kwanza e o rio que lhe dá o nome ainda se designe Cuanza. O que se passa hoje é que não há rigor. Cada escreve como bem entende. Eu que sou adepto da grafia segundo a originalidade dos nomes, tenho grafado como será no futuro. Para o presente, pode ser que alguém considere o meu procedimento errado.

Obs: 
A 30.01.2014 tive acesso ao documento "Divisão Política Administrativa e Topínímia de Angola", elaborado pela Direcção Nacional de Organização do Território. O mesmo retoma apenas os "baptismos" coloniais e não propõe alterações à redação dos topónimos de origem bantu.

Vim ainda a saber, de um amigo internauta (comentários ao artigo publicado no Club-K), que o MAT remeteu essa lista aos Órgãos de Comunicação Social, públicos e privados que, de imediato, passaram a grafar os topónimos angolanos segundo os cadastros coloniais.
A título de exemplo, a minha circunscrição natal, Munenga, é condificada como: MUNENGA, COMUNA DO LIBOLO, CUANZA SUL (AOCS70 60 02).
      AOCS070602
-Munenga

sexta-feira, janeiro 17, 2014

COMO SE PRONUNCIAM OS NÚMEROS DECIMAIS?

Kz 1,2 milhão de ou Kz 1,2 milhões?

Olha, tratando-se de números decimais, a palavra seguinte (ao número decimal) deve concordar em número(singular ou plural) com o primeiro algarismo (o que está antes da vírgula).

Ou seja, deve dizer-se: 1,2 milhão de Kwanzas; 2,1 milhões de Kwanzas.

quarta-feira, janeiro 01, 2014

COMO E QUANDO USAR A CRASE (à)

«Vou à Luanda» está errado. Deve escrever-se «Vou a Luanda». - Diz Rui Ramos na sua página de face book  e prossegue:
 
«Vou ao Cacuaco, vou a Caxito, vou a Benguela, vou ao Uíge, vou ao Cuito Cuanavale, vou à Camama, vou a Benfica, vou ao bairro de Benfica, vou À Huila».
Os brasileiros escrevem «vou em Luanda». Nós não escrevemos assim. Em Angola escreve-se «vou a Luanda».
Em todas as informações escritas que vejo espalhadas pelas cidades angolanas e principalmente em Luanda profunda leio «Realiza-se..., Conserta-se..., Faz-se...» e muito bem, pois nós não seguimos a grafia brasileira «se realiza, se faz, se conserta».
E atenção... os brasileirismos «demanda» e «renda» aqui dizem-se «procura» e «rendimento» (renda é renda de casa)...
Quanto ao uso da crase, se persistir dúvida, faça o seguinte exercício:
Venho de/da/do (Luanda, Huila, Huambo)
Nasci em/na/no (Benguela, Munenga, Libolo)
Vou a/à/ao (Catoca, Kibala, Sumbe)
Preposições DE e EM equivalem a topónimos que não se podem considerar masculinos nem femininos. Aqueles que não são precedidos de artigo (a/o).
 
Venho de Saurimo/nasci em Saurimo/Vou a Saurimo
 
Obs: sempre que estiver em presença de "à", lembre-se que se trata de contração de preposição "a" com artigo definido feminino "a". Logo, à=a+a.
 
 
Luciano Canhanga com Rui Ramos (in face book,12.08.2013)

quarta-feira, dezembro 25, 2013

Embora ela não "contasse" ou embora ela não "conta-se"

Desde que leu a primeira aula no face book que a Márcia não pára de expor dúvidas. É próprio de quem reconhece fraquezas e que aprender. Isso é sinónimo de nobreza.
E, desta vez, ela pergunta:
 
Como escrever correctamente as frases abaixo?
“Desliga ainda, mais tarde telefonarei-te. Ok?”
“Ela engravidou e embora não conta-se com a gravidez está tão feliz”.     
 
Márcia, ambas frases estão mal escritas.

Veja bem:
Por uma questão de boa educação, é preciso pedir "por favor" e depois conjugar bem os verbos. O ideal seria:
- Por favor, não podemos conversar agora. Ligar-te-ei mais tarde.
No segundo caso, o ideal seria grafar assim: Ela engravidou. Mas, embora não contasse com a gravidez, está tão feliz.
 
Nota que aqui (segunda frase/ideia) não se trata de uma conjugação pronominal reflexa. Trata-se do modo conjuntivo (se eu contasse, se tu contasses, se ele contasse, se nós contássemos, se vós contásseis, se eles contassem).
 
 

domingo, dezembro 01, 2013

No fb também se aprende ou também aprende-se?

Uma amiga que fazia um elogio às minhas publicações no face Book exclamou:

"uau, gostei de saber que no facebook, além de rir e chorar, também aprende-se a escrever e a falar corectamente".

A minha amiga, que omito o nome, pediu-me na mesma mensagem que fizesse uma análise dos seus escritos.

Ei-los:
1-Considerei normal que não tenha escrito uau com U. Mas é ponto acente que o início de uma frase tem de ser com letra maiúscula.

2-Considerei uma gralha e não exactamente um erro a não duplicação da letra R em "correctamente" pois vc grafou bem uma outra palavra em que surgem 2R´s. A palavra "correcção".

3- Nas conjugações pronominais reflexas, sempre que o verbo é antecedido por uma palavra invaviável, o agente/pronome reflexivo passa para antes do verbo.

Logo, a grafia ideal seria: "Uau! Gostei de saber que no facebook, além de rir e chorar, também se aprende a escrever e a falar correctamente".

quarta-feira, novembro 20, 2013

FALTAR COM RESPEITO OU FALTAR AO RESPEITO?

A grande questão reside no uso da preposição, o que se chama de regência.
- De que preposição é regida (antecedida) a palavra "respeito", quando nos referimos à falta deste?
1- A preposição "Com" indica companhia. Ex- Estive com o João na reunião da escola.
2- A preposição "ao" é uma contracção da preposição A e artigo O. Exemplo: faltei ao encontro marcado com o professor de Geografia.
Indo de acordo à questãocolocada: "Faltar ao respeito ou faltar com respeito"?
- A resposta é "faltar ao respeito".
(Nunca faltei a si o respeito que lhe devo).
 

sexta-feira, novembro 01, 2013

CONFLITOS ENTRE ÁREA JORNALÍSTICA E COMERCIAL NUM MEDIA PRIVADO

 
AS NOTÍCIAS são, regra geral, o principal produto dum órgão de comunicação social convencional, sendo, por via da qualidade/quantidade e precisão com que são divulgadas que se aumenta o share (quota aparente de mercado) do referido órgão.

Essa quota mediática é que atrai ou não maior ou menor adesão dos anunciantes publicitários ou a compra de espaços no órgão.
Acontece, por outro lado, que as noticias não são, na verdadeira essência, vendáveis e , mesmo na media imprensa, as vendas dos jornais mal pagam a gráfica e muito menos os salários dos jornalistas e outros trabalhadores.
Apesar de as noticias serem o grande atrativo para a publicidade, é esta que suporta as despesas em salários, matéria-prima, equipamentos, etc., tratando-se de órgãos de comunicação social que vivam de rendimentos próprios.
Para além das questões de fórum legal (incompatibilidades prescritas no Estatuto do Jornalista e Lei de Imprensa), é aqui que surge o problema/choque de interesses entre os jornalistas e os zeladores de publicidade. Há antagonismos funcionais entre os dois Departamentos (Jornalismo e Publicidade) num órgão, devido ao conflito de interesses.
Os jornalistas estão comprometidos com a verdade e as noticias, independentemente de quem as produza(seja anunciante ou não).
Os zeladores de publicidade estão mais preocupados em manter os contratos com os anunciantes e de manter as boas relações com estes, evitando qualquer ruído na relação que possa beliscar o negócio.
O que acontece quando um grande anunciante é protagonista duma notícia a ele desfavorável e difundida pelo Departamento de Jornalismo?
1-      O anunciante queixa-se ao seu parceiro comercial, Departamento de Publicidade, atestando deselegância do órgão em não o ter protegido e ameaça retira a publicidade.
2-      O Departamento de publicidade atira-se contra o Departamento de Jornalismo alegando interferência negativa no negócio.
    
     3- A busca de equilíbrio entre a necessidade de manter o contrato com o cliente/anunciante e a satisfação da reclamação deste leva, algumas vezes a sacrificar o jornalista com processos disciplinares forjados e sua retirada temporária do espaço mediático.

EXPERIENCIA PESSOAL
 

Uma vez (terá sido em Julho de 2002), quando me encontrava diante duma agência do BFE (actual BFA), apareceram numa carrinha homens da EDEL e polícias com mandado para proceder ao corte de energia naquela agência, situada na Joaquim Capango, em Luanda.

Enquanto jornalista e editor da Comercial, entendi que se tratava de um caso quase insólito (os factos ganham relevo noticioso pelo insólito). O banco tinha anunciado dias antes a doação de meio milhão de dólares americanos para ajudar o processo de paz iniciado a 04 de Abril, um mês depois da morte de Savimbi.
Servindo-me do telefone, fiz uma peça que foi transmitida no noticiário principal (12h30).  Na peça, para além dos clientes do banco que estavam “passados” com a situação (note que na altura eram enormes as filas nos bancos), ainda foi ouvido o chefe daquele piquete e abordado o gerente que não quis prestar depoimentos.
O pior da história foi que o citado banco era anunciante na rádio e o seu PCA (actualmente num banco concorrente surgido anos depois) ligou ao chefe de produção (área comercial da rádio) ameaçando que retiraria a publicidade por não ter sido resguardada a imagem da sua instituição.
Eu que, jornalisticamente, tinha vivenciado o facto e observado o contraditório, ouvindo as partes e testemunhas, acabei sendo julgado pelo “meu chefe” como culpado da situação, e tratado como mentiroso. Um processo disciplinar foi-me instaurado e suspenso das minhas funções daquele dia até à conclusão do processo conduzido por alguém com habilitações literárias inferiores às minhas e sem conhecimento específico sobre a ciência jurídica.
Quinze dias depois, saiu o veredicto:
- Perde a condição de Editor
- Fica sem o subsidio de editor (que nunca tive antes do caso)
- Censura registada.
Esta crónica vem a propósito dum post do meu amigo Yuri Simão, no face book, sobre empresas gigantes com contas de água por saldar.
Há gigantes financeiros com muitas continhas por saldar. E pior é que não entendem ser direito do credor proceder ao corte do fornecimento.
Vezes há em que arranjam um bode expiatório para as suas distrações, como foi o caso.