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terça-feira, setembro 17, 2013

UM POUCO DE HISTÓRIA: QUANDO COMEÇARAM AS ACÇÕES SUBVERSIVAS CONTRA PORTUGAL?

Fonte: Agostinho Neto e a Libertação de Angola, Vol. V, Pg. 66-67
A DGS (PIDE), num relatório sobre “Reconciliação MPLA/FNLA”, em Dez 1972, diz que o MPLA realizou acções terroristas em Luanda a 4Fev 61 e a UPA a 15Mar 61.
O relatório diz ainda que em Abr 61, o MPLA, UPA, ALIANZO e MLEC reuniram em Kinshasa para criar uma Frente Única que não se efectivou porque a UPA que gozava de grande influência nos países anti-colonialistas pretendeu a integração de outros movimentos. Antes, segue o relatório da PIDE, em Jan 60, no espírito da conferencia de Bandung (1955) e Accra (1958), o MPLA representado em Leopoldoville (Kinshasa) por Mário Pinto lemos de Andrade, propôs á UPA a criação de uma Frente Única participada pelos dois movimentos. Holdem Roberto rejeitou.
Em Mar 62, continuamos a citar  documento, UPA e PDA fundem-se em FNLA e criam em Abr 62 o GRAE (Governo Revolucionário de Angola no Exílio). Em Mai 62 Cleophas Kamitatu, ministro do interior da RDC (assim já se chamava o ex-Zaire) tentou uma unificação entre MPLA e FNLA recusada pela FNLA. Nova tentativa dá-se em JUn 62 por Kwame krumah, sem sucesso. Em Jan 63, uma comissão de bons ofícios da OUA reconheceu a FNLA como movimento representantivo da luta do povo angolano, sendo o MPLA considerado apenas um Movimento político por não possuir, à data, combatentes no interior. Desta data em diante, é à FNLA que passa a aniquilar os guerrilheiros do MPLA nos Dembos onde Ferraz Bomboko se mantinha fiel ao Movimento (op cit. 67).
Em Mai 63, a OUA reconhece o GRAE e este começa a perseguição ao MPLA na RDC. Em Jun 63, Viriat Cruz insatisfeito com a conferencia nacional do seu MPLA que dera a presidência a Agostinho Neto tenta um golpe para chegar à liderança. Fracassado o golpe, V.Cruz e partidários integram-se na FNLA como “MPLA ala V. Cruz”. Em Jul 63, Agostinho Neto expulsa do MPLA V.Cruz e seus apoiantes e cria, em Brazaville, a FDLA, integrada pelo MPLA, MNA, GWIZAKO e UNTA. Finalmente, a 13 Dez 72 é assinado um acordo de unificação dos esforços de guerra entre MPLA/FNLA (op cit. 77), criando o CSLA (Conselho Superior de Libertação de Angola, liderado por H.Roberto, e um órgão militar, CMU - Comando Militar Unificado, liderado por neto.
Se ler o livro que cito no topo em que estão todos os relatórios da DGS sobre os esforços e desinteligências entre os Movimentos de libertação de Angola, você saberá porque razão o CSLA não vincou.

quarta-feira, setembro 04, 2013

QUANDO ACONTECE A SEPARAÇÃO DA FUNÇÃO DO NOME?

O nome só fica entre vírgulas quando apenas uma pessoa pode ocupar o cargo mencionado:

 O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, foi a Espanha.

 O Primeiro-Ministro, José Sócrates, correu a maratona de Lisboa.

O Ministro da Economia, Abraão Gourgel, anunciou novas medidas económicas.

O deputado Abel Chivukuvuku (deputado é uma função plural).

 O vereador José Caetano.

 O juiz António Felício

 O médico João Alberto

 O advogado Francisco António

 O ex-Presidente Joaquim Chissano (ex-presidente podem ser vários)

 O ex-primeiro-ministro angolano França Van-Dúnem é deputado.

 
Luciano Canhanga com Rui Ramos (captado do fb).

quinta-feira, agosto 15, 2013

O PAPEL DA AUTORIDADE TRADICIONAL NO PERÍODO COLONIAL

Nos anos 50 e 60 do séc. XX, oficialmente já sem a escravatura, abolida no séc. XIX, quando Portugal decidiu investir nas rodovias para consolidar o domínio efectivo do território que lhe havia sido reconhecido/entregue pelas potencias, reunidas em conferencia em Berlim (Dez 1894-Jan 1895), o recurso ao trabalho sob a forma de contrato precário, onde as pessoas eram recrutadas pelo soba da aldeia, forçado a levar os seus aldeões jovens (homens e mulheres) ao posto administrativo, sob pena de apanhar palmatoadas e outros castigos corporais, foi o caminho encontrado pelo colonizador.
Antes, para que o soba tivesse mão de obra na aldeia, as aldeolas familiares foram aglutinadas à força, sendo nelas instalados alguns equipamentos sociais (atractivos) como capela católica, fontanário e cantina comercial, a primeira e última, excelentes elementos de penetração colonial e subjugação dos povos autóctones.
Depois de seis ou mais meses de trabalhos forçados e mal remunerados, eram descontados os vales ( fiados), o imposto indígena e o que restava chegava apenas para comprar um pano para a mulher ou a mãe ou um cobertor.
Como encaixar hoje o direito positivo e o consuetudinário (costume) exercido pelas autoridades tradicionais  na norma que (deve) rege(r) o país?
 

O soba, naquele tempo, servia apenas como mobilizador de mão de obra barata das aldeias, não lhe sendo reconhecido qualquer valor ou autoridade (paritária ou auxiliar) junto da administração colonial. Os ditos contratados, mal alimentados e sempre tratados como  objectos, nunca se podiam queixar do sol que lhes assava o dorso, tão pouco da chuva, da nudez ou do peixe e fuba podres que lhes eram dados como mantimentos ou mesmo reclamar dos mau tratos dos cacapatazes  e cipaios (agentes africanos ao serviço da administração colonial) e dos colonos brancos investidos de poder até para massacrar autóctones.
Assim se fez o desenvolvimento da colónia: trabalho forçado, não remunerado, suor e sangue.
 
 

quinta-feira, agosto 01, 2013

"EU SÓ HOMEM" OU "EU SOU HOMEM"?

- “Eu só uma pessoa muito amorosa”, disse-me certa vez uma jovem bem aparentada, quando teclava comigo no face book”.
- “A minha mulher disse-me que sou o seu preferido”.
- “Só te levo para a escola se me deres antes um beijo, disse o Manuel Katala-Hari que só tem um carro”.

: é sinónimo de apenas; unicamente.
Exemplo: Só escrevo estas coisas porque quero ajudar a miudagem

Sou: é forma conjugada do verbo ser, modo indicativo, tempo presente.
Exemplo: Eu sou um aprendiz de professor.

Logo, a primeira frase, “Eu uma pessoa muito amorosa”, está errada.

quarta-feira, julho 17, 2013

Seje/esteje/veje: está correcto?


O imperativo dos verbos Ser, estar e ver na (forma de tratamento “você”) 3ª pessoa do singular é: seja, esteja e veja.
Logo, é errado dizer/escrever “Seje/esteje/veje”.
- Veja bem, esteja atento a essas situações e seja um bom falante da língua portuguesa.

segunda-feira, julho 01, 2013

POR QUE É QUE OS JORNALISTAS NÃO DEVEM PUBLICAR QUALQUER FOTO?

Um jornalista escreve uma peça sobre demência e, para ilustrar a referida matéria, publica, sem meu consentimento, uma minha fotografia em que estou num hospital comum.
Sem tomar conhecimento de tal ocorrência, noto que na rua enquanto evitam contactar-me, outros, os mais audazes, me dão um abraço e me dizem para ter coragem nas consultas porque não se trata de uma doença insarável. Só mais tarde dou conta que a minha imagem foi associada a uma matéria sobre a quantidade de pessoas que recorre a consultas no Hospital Psiquiátrico.
- Devo ou não demandar O JORNALISTA E O JORNAL?
- Que passos a seguir para reclamar do direito ao bom nome, à i
magem e à reputação, que gozam de protecção assegurada legalmente?
Antes de apresentar o que dizem os jurisconsultos sobre a matéria, gostaria de agradecer ao jornalista Juvenis Paulo (também jurista)pelo parececer abaixo transcrito.
JP: Nos termos conjugados dos números 3 do artigo 40 da Constituição e alínea b) do n. 1 do artigo 7 da Lei de Imprensa, (in situ violados):
1) O lesado tem o direito de contactar a direcção do jornal para reclamar do direito de resposta ou de rectificação, à luz do n. 1 do artigo 64 da Lei de Imprensa. Accionando este direito, o jornal deve fazer uma errata assumindo publicamente o erro de ter publicado a foto, desculpando-se ao lesado.
2) O lesado tem ainda o direito de intentar uma acção judicial (cível) e apelar à indemnização por: - dano emergente: por prejuízo moral ou material, efectivo, concreto e provado, que a matéria o tenha causado (artigo 483, 562, 601 CC).
3- Parece-me não haver lugar à indemnização por lucro cessante, pelo facto de o lesado apenas alegar que se sente constrangido perante à reacção das pessoas na rua, e não por um eventual dano que consista na privação de um ganho (aumento) patrimonial esperado.
O que é afinal o direito à imagem?

É um dos direitos da personalidade dos quais todos os seres humanos gozam, facultando-lhes o controle do uso de sua imagem, seja a representação fiel de seus aspectos físicos (fotografia, retratos pintados, gravuras etc.), como o usufruto da representação de sua aparência individual e distinguível, concreta ou abstracta.

O direito à imagem, como atributo irrenunciável da personalidade, não se confunde com o do direito autoral do fotógrafo ou do criador intelectual da representação da imagem (concreta ou abstracta) de um indivíduo. Logo, o direito do criador da imagem diz respeito à autoria, já o direito do retratado encontra-se no uso de sua imagem, sendo dois direitos distintos, exercidos por pessoas distintas e com existência jurídica distinta.

O uso da imagem de um indivíduo pela media deve ocorrer quando:
 1.mediante pagamento e com consentimento tácito, sendo permitido a gratuidade com consentimento tácito
 2.mediante pagamento e com consentimento expresso, sendo permitido a gratuidade com consentimento expresso
 3.paga mediante consentimento condicionado à gratificação financeira

A primeira modalidade de uso (paga ou gratuita com consentimento tácito) ocorre quando a imagem é utilizada por veículos de informação (periódicos, emissoras de televisão, livros) e representa personalidades públicas ou notórias (e pessoas que estejam por sua livre vontade próxima a elas, quando o consentimento é presumido).

Olhando bem, podemos evitar as erratas e os morosos processos em tribunais que acabam, às vezes, por ser muito desgastantes. Basta estar atentos ao que publicamos.


sábado, junho 15, 2013

TESTEMUNHA OU TESTEMUNHO?


Testemunho é um substantivo masculino que pode ser: Testemunho (direito): depoimento; Testemunho (atletismo):  objecto que o corredor passa ao outro; Testemunho (cristianismo): depoimento, boa-nova, revelação.

Significa: 1. Depoimento de testemunha em juízo. 2. [Figurado] Fé; prova; sinal; indício; vestígio. 3. [Popular] Calúnia.

Testemunhar é um verbo transitivo: dar testemunho de. 2. Confirmar, atestar, afirmar; declarar ter visto, ouvido ou conhecido. 3. [Figurado] Manifestar, revelar. 4. Dar provas ou aparências de. 5. Ver, presenciar, verificar.

- Fui à igreja testemunhar as maravilhas que acontecem na minha vida.

Testemunha: Substantivo feminino: indivíduo que presenciou um determinado evento e pode relatá-lo.

- Vou chamar o Miguel que é testemunha da contenda.

Testemunha deriva do  latim “TESTIMONIUM” (TER, “três”), através da noção de esta seria uma terceira parte, em princípio desinteressada, em relação às outras duas.

sábado, junho 01, 2013

DESVIOS NA RADIO FAZEM RECLAMAR OMBUNDSMAN

Quem não tem conhecimentos sobre a ciência jornalística/radiofónica e que oiça a rádio que se faz hoje em Luanda pode vir a pensar que aquilo que se faz se constitui no auge do bom radialismo.

Programas interactivos com ouvintes, informação sobre o transito automóvel fornecida na hora pelos ouvintes, deficiente componente formação e ausência de informação rigorosa, fracas reportagens (quase todas eles de circunstância), e, às vezes, linguagem menos cordata para com os ouvintes…

Um radialista que se preze em ofender os seus ouvintes, tratando-os de acéfalos ou mentecaptos está, a meu ver, a agir em contra-mão.
Infelizmente, é isso o que a juventude ouve. São esses os elementos de referência para quem queira seguir radialismo.

Hoje, se se perguntar a uma criança que queira ser jornalista “tu queres ser como Maria Luisa, Rui Carvalho ou como o ´fulano da nova vaga´, com certeza que a resposta será: quero ser como o fulano da nova vaga.

Se por um lado as inovações na rádio são úteis e a tornam dinâmica, trazendo o ouvinte como actor do processo de radiodifusão, é também de mister utilidade urbanizar a linguagem, apostar na formação através da rádio e não deixar perder a vertente informação rigorosa, porque a rádio não é apenas entretenimento.

Também entendo que devia haver, no nosso caso, uma entidade ou instituição que velasse por corrigir os desvios, ainda que sob a forma de apelos: uma provedoria dos ouvintes, se calhar.

sábado, maio 25, 2013

CRIANÇAS A LER É MINHA ALEGRIA

Alegria maior não teria em dia de aniversário.
Primeiro as felicitações antecipadas dos meus amigos factuais e virtuais. Depois a materialização de um sonho que era oferecer livros a uma biblioteca infantil comunitária da Lunda Sul.
Escrevi  o livro "Manongo-Nongo" com a pretensão de angariar um patrocínio e oferecer toda a tiragem a bibliotecas infantis. Não obtive patrocínio mas custeei a produção de 1000 exemplares e metade foram vendidos, estando a outra metade em ofertas sucessivas.
 
Ontem, 24 de Maio, fiz a primeira oferta em média escala. Mais de cinquenta livros oferecidos à Biblioteca Infantil Comunitária que catoca (meu patrão do momento) inaugurou na aldeia de Caxita-Mwandonji, município de Saurimo. Foi o realizar de um sonho.
Quem me dera ter algo para ler na minha primeira infância!
 

quarta-feira, maio 15, 2013

O PRAZER DE FORMAR NOVOS JORNALISTAS

Depois de uma experiência que deu muitos frutos que foi o Clube de Jovens Amigos de Jornalismo afecto à Igreja Metodista Unida de Moisés, em Luanda, nos idos de 1999-202, voltei a transmitir os “parcos” conhecimentos que possuo a jovens candidatos a jornalistas.

Desta vez, 14-16 Mar.2013, a curta formação foi para jovens da Lunda Sul, a pedido da Comissão de Comunicação da Diocese de Saurimo que se prepara para a eventualidade de ter uma rádio diocesana. Dez jovens, na flor da idade, ávidos de conhecer o “A,B,C” do jornalismo radiofónico (radialismo), uma área em que trabalhei cerca de dez anos na LAC.
Depois de uma parte introdutória onde abordamos os conceitos de Jornalismo, radialismo, notícia, entrevista, Reportagem, etc., entramos para a parte teórico-prática.
_ Como se deve posicionar o repórter no momento da colecta de informação? - Perguntei.
O consenso foi que deve situar-se como uma câmara situada na última bancada de um estádio, numa posição que permita registar tudo o que se passa no campo e na bancada. Portanto, o repórter deve ver bem e ouvir bem. Depois disso deverá saber traduzir o que viu e ouviu bem, confrontar os dados (aplicar o senso crítico) e redigir com base no que considerar mais importante. A questão “O que é mais importante, entre o que vi e ouvi, que permite a hierarquização dos dados e/ou noticias, deve estar sempre presente no acto da redacção da notícia.
E os jovens foram ao campo para dez minutos, assistir ao intervalo dos alunos da missão masculina. O resultado não podia ser outro: BOM, para quem tem o primeiro contacto. Essa juventude pode ser boa, se não herdem os maus vícios da velha-guarda.

Os jovens em formação
As diferentes formas de iniciação do Lead (parágrafo cabeceiro da notícia), Etíca e Deotologia Profissional, Direitos e dveres dos Jornalistas, Incompaptibilidades, entre outros temas, seguidos de exercícios práticos, em forma de oficina, foram transmitidos aos entusiástas jovens. Espero que haja mais formação e que, à semelhança de Zenilda Volola, Júlia Vigário, Faustino Hossi, Manuel Kitari, Adão Tiago, entre outros que são nomes sonantes, hoje, do jornalismo que se faz em Angola, estes jovens de Saurimo, atinjam o "sol".

Ao fim de três dias, um sentimento de dever cumprido e uma sensação de que os jovens têm muito potencial e estão motivados a fazer um jornalismo sério e diferente do que temos vindo a conhecer.

Oxalá que esse primeiro contacto com as "noções teóricas e práticas elementares de jornalismo" não seja a única formação.