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quarta-feira, maio 15, 2013

O PRAZER DE FORMAR NOVOS JORNALISTAS

Depois de uma experiência que deu muitos frutos que foi o Clube de Jovens Amigos de Jornalismo afecto à Igreja Metodista Unida de Moisés, em Luanda, nos idos de 1999-202, voltei a transmitir os “parcos” conhecimentos que possuo a jovens candidatos a jornalistas.

Desta vez, 14-16 Mar.2013, a curta formação foi para jovens da Lunda Sul, a pedido da Comissão de Comunicação da Diocese de Saurimo que se prepara para a eventualidade de ter uma rádio diocesana. Dez jovens, na flor da idade, ávidos de conhecer o “A,B,C” do jornalismo radiofónico (radialismo), uma área em que trabalhei cerca de dez anos na LAC.
Depois de uma parte introdutória onde abordamos os conceitos de Jornalismo, radialismo, notícia, entrevista, Reportagem, etc., entramos para a parte teórico-prática.
_ Como se deve posicionar o repórter no momento da colecta de informação? - Perguntei.
O consenso foi que deve situar-se como uma câmara situada na última bancada de um estádio, numa posição que permita registar tudo o que se passa no campo e na bancada. Portanto, o repórter deve ver bem e ouvir bem. Depois disso deverá saber traduzir o que viu e ouviu bem, confrontar os dados (aplicar o senso crítico) e redigir com base no que considerar mais importante. A questão “O que é mais importante, entre o que vi e ouvi, que permite a hierarquização dos dados e/ou noticias, deve estar sempre presente no acto da redacção da notícia.
E os jovens foram ao campo para dez minutos, assistir ao intervalo dos alunos da missão masculina. O resultado não podia ser outro: BOM, para quem tem o primeiro contacto. Essa juventude pode ser boa, se não herdem os maus vícios da velha-guarda.

Os jovens em formação
As diferentes formas de iniciação do Lead (parágrafo cabeceiro da notícia), Etíca e Deotologia Profissional, Direitos e dveres dos Jornalistas, Incompaptibilidades, entre outros temas, seguidos de exercícios práticos, em forma de oficina, foram transmitidos aos entusiástas jovens. Espero que haja mais formação e que, à semelhança de Zenilda Volola, Júlia Vigário, Faustino Hossi, Manuel Kitari, Adão Tiago, entre outros que são nomes sonantes, hoje, do jornalismo que se faz em Angola, estes jovens de Saurimo, atinjam o "sol".

Ao fim de três dias, um sentimento de dever cumprido e uma sensação de que os jovens têm muito potencial e estão motivados a fazer um jornalismo sério e diferente do que temos vindo a conhecer.

Oxalá que esse primeiro contacto com as "noções teóricas e práticas elementares de jornalismo" não seja a única formação.
 

quarta-feira, maio 01, 2013

RESPONABILIDADE CIVIL POR TEXTOS NÃO ASSINADOS EM SITE

A quem recai a responsabilidade material e civil por um texto/artigo divulgado num site público ou institucional, em que a matéria (artigo), não assinada pelo autor, belisque o campo do alheio?
Essa questão colocada a um jurista sénior da nossa praça (Luanda) surge a propósito de muitos textos de opinião, cujo conteúdo se dirige a pessoas (singulares ou colectivas), aparecerem em sites institucionais sem que os seus autores sejam identificados. Veja o que nos diz o jurisconsulto Nguvulo Makatuca: "não havendo assinatura, a responsabilidade seria da publicação. No caso, do órgão que haja publicado a matéria. Caberia a este órgão fazer a prova de que a responsabilidade seja de terceiro. Daí o facto de os órgãos deverem sempre identificar o autor da matéria, mesmo nos casos em que este opte por agir sob anonimato”.
O jurista prossegue ainda que, neste caso, estaríamos perante uma responsabilidade objectiva (independente de culpa) devido os benefícios obtidos pelo órgão com a publicação da matéria. Caso o autor estivesse identificado, haveria responsabilidade solidária de ambos.
A parte lesada pode, segundo NM, demandar qualquer um deles (em regra a parte com melhores condições para reparar o dano), podendo esta, a demandada, exercer o direito de regresso sobre a outra parte, caso prove que o dano tenha sido causado por culpa exclusiva da outra parte. A responsabilidade do meio que publica um texto de opinião que lese interesses de terceiros legalmente salvaguardados fica sempre difícil excluir, a menos que o tenha feito com a menção expressa de que não assumia qualquer responsabilidade sobre o conteúdo dos textos assinados.
 
Caro colega (jornalista), ilustre gestor de Site/media, fica então o conselho e preste atenção ao que é publicado sem assinatura. À partida, todo o texto não assinado é da estrita responsabilidade do órgão que o veicula, sendo demandado, no caso, o director/responsável pela publicação.

domingo, abril 14, 2013

O QUE É "SOMONAR" NA CULTURA COKWE?

- kina ngu ku somona! (dança que eu te aplaudo [felicito] recompenso)!
Vejo pessoas a “somonar” na igreja, nos shows de músicos, nas pistas de dança, nas praças, etc.
“Somonar” (aportuguesamento do termo ku somona=aplaudir; agradecer; elogiar ou oferecer algo como recompensa em detrimento de;  felicitar, etc.) é um gesto que consiste no lançamento de flores; oferta de valores pecuniários ou outros objectos a quem esteja em palco, cantando ou dançando, ou que tenha ou esteja a fazer algo que agrade ao público.
 
Como reconhecimento do feito, os povos do leste/nordeste de Angola procedem à oferta/reconhecimento correspondente. Quando não se oferece um bem material, como tal, no mínimo a plateia faz gestos que simbolizam o jogar de oferendas ao palco ou ao recinto em que esteja o “artista”, como quem joga flores aos noivos.
A prática é generalizada, não se restringindo a locais específicos. Até na igreja, quando um coro ou alguém canta um hino que agrada, os fiéis se levantam para depositar ofertas no balaio da igreja ou as entregam pessoalmente ao(s) cantores/dançarinos. Outros gesticulam como se estivessem lançando flores. 
Sendo um facto intrínseco da cultura destes povos, o gesto  carece de uma descrição mais aturada, maior admiração, valorização e legação a novas gerações para a sua preservação e perpectuação.

Será que este texto pode ser "somonado"?

segunda-feira, abril 01, 2013

Poço comprar livros ou posso comprar livros?

 
Posso = forma do verbo poder, conjugado na primeira pessoa do tempo presente do modo indicativo.
- Eu posso escrever uma carta com correcção.
 
Poço = obra de captação de água subterrânea feita com o emprego de perfuratriz em um furo vertical; cavidade, cratera, buraco.
- O poço é da escola.

Será que posso retirar água daquele poço?

quarta-feira, março 13, 2013

A ARTE E A LIBERDADE DE INFORMAR EM ANGOLA

O mais recente relatório dos Repórteres Sem Fronteiras, publicado em Janeiro de 2013, aponta que, apesar de ter subido dois lugares no ranking mundial, Angola é ultima, em termos de liberdade de imprensa, entre os países que se expressam em português. Portugal passou do 33° lugar para o 28°, Angola do 132° lugar para o 130°. O Brasil passou do 99° lugar para o 108° e Cabo Verde foi da 9ª à 25ª posição, sendo, contudo, dos países Africanos melhor colocados no ranking da RSF.

Por outro lado, quem ouviu a 29 de Janeiro de 2013, o bastonário da ordem dos advogados de Portugal, Dr. Marinho Pinto, na cerimónia de abertura do ano judicial português, ao referir-se sobre “a má utilização” dos media públicos pelo governo para “fanatizar”a população. Quem tenha comparado a realidade portuguesa com a angolana, com certeza, terá levado as mãos à cabeça.



Marinho Pinto dizia, no seu eloquente discurso, que “o governo enche os media públicos mais com propaganda do que informação isenta e coerente, fazendo com que o povo se esqueça até da sua própria dor”… Que tal de Angola onde até os programas de entretenimento não mais servem senão para “embriagar, dopar e incitar a uma adesão cega e perigosa”?

E já agora, como anda a nossa liberdade de imprensa e serviço dos media públicos ao cidadão?

Aqui, e porque nos faltam conhecimentos sobre direitos e deveres dos cidadãos e dos agentes de informação massiva, a media pública e privada “bem relacionada com os poderes” até servem de canais para ostracizar aqueles que se mostrem desalinhados ou contrários a única forma imposta para ver e entender o país. Leis e tribunais existem mas quem é responsabilizado pelo abuso da liberdade de expressão ou por cercear a liberdade? Quem, entre o porco e o javali, julgará outrem?

E, que tal deixar um recado aos jovens jornalistas?
Aprendi, quando dos meus primeiros passos no jornalismo radiofónico, que a maneira “mais eficaz” de não “tremermos” na entrevista com altas personalidades, como ministros, presidentes e afins, é “sentir-se igual ou superior a ele. Olhando-o nos olhos e sem cometer erros de tratamento (tu em vez de você), colocar as questões”. Receita certa ou falsa, comigo funcionou.

Porém, é importante que o nosso grau de altivez e motivação em busca da verdade ou da informação, não se converta em petulância nem malvadez.
 
O jornalista não deve estar desinformado sobre o tema que aborda nem deve se fazer passar por “um sabe tudo”. O jornalista não faz perguntas quilométricas, nem demonstra desconhecimento do que aborda na entrevista. Não gagueja (sinal de fraqueza ou impreparação), nem dá palpites que possam balizar/condicionar a resposta do entrevistado/interlocutor. As perguntas devem ser abertas, para que se tenha a argumentação do interlocutor, ou fechadas, para que se obtenha a confirmação ou negação de assuntos concretos.
 
Exemplo de P.A: - O que acha da entrada em funcionamento da segunda linha de produção da fábrica de tijolos?
 
Exemplo de P.F: - O Sr. Teve participação neste negócio?

Por outra, é também mister assinalar que muitas vezes os jornalistas principiantes são traídos pelo afã da cacha.

Entre uma peça jornalística bem elaborada, onde todos os intervenientes/interessados são ouvidos, e uma cacha, onde se omitam informações, onde se matem ou condenem inocentes em praça pública (media)a primeira opção deve ser o caminho.

Futuros jornalistas em formação em Saurimo

A teoria jornalística tem como principio elementar a confrontação de dados e de fontes. O jornalista não é juiz, logo não julga nem pode presumir conclusões. Deve, antes de mais, é aclarar situações, descrever passos e elementos para que o destinatário da sua peça jornalistica tire ilações com base nos elementos fornecidos.
Para que o jornalista não induza, com seus juizos de valor, o destinatário da matéria, serve-se muitas vezes de leituras de especialistas para esclarecer questões que aclarem a notícia.
Lembre-se que “até transitar em julgado, todo o indiciado goza do direito de presunção de inocência”. Desde que o jornalista se aprume e saiba diferenciar o género noticiosos do opinativo, não misturando factos com ideias próprias, será possível termos em Angola e emq ualquer parte do mundo, um jornalismo cada vez mais sério e responsável.
 


 
 

sábado, março 02, 2013

- Quando é que se usam os termos “na ocasião” e “por ocasião”?

 
Resposta
- Ambos termos usam-se mas depende da situação comunicacional.
  
Vejamos os exemplos:
 
- O Ministro da Educação procedeu a abertura do ano lectivo. Na ocasião (no momento), o governante instou os pais e encarregados de educação a levarem os filhos à escola.
 
- Por ocasião (em virtude de) da feira de livros que se segui à abertura do ano lectivo, a direcção da cultura lançou um veemente apelo aos criadores no sentido de melhorarem os seus conhecimentos linguísticos e escreverem obras com qualidade.

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

Como ou “Cumo”?

DÚVIDAS COLOCADAS POR AMIGOS
 
DIZ-SE "como" ou Cumo?

Como": pronome interrogativo quando sucedido de ponto de interrogação; pronome relativo. Pronuncia-se “cômo” ou seja, a letra "O" pronuncia-se fechada.
- André, como (cômo) foi que saíste de casa?
- Como (cômo) o Mário é o mais velho, ele dita as regras de casa.
"Como": forma conjugada do verbo comer. Pronuncia-se “cómo”, ou seja, a letra "0" pronuncia-se aberta.
- Eu como funge com carne de cabrito, como fazia a minha avó.
Logo, “cumo”: enquanto palavra não existe nem na classe de palavras variáveis nem nas invariáveis.

 
"Concordo contigo" ou "estou de acordo com aquilo que falaste"?
"Concordar" é um verbo sinónimo de aceitar.
"Acordo" é forma conjugada do verbo acordar; sinónimo de chegar a entendimento; estar em sintonia.
"Acordo"é ainda uns substantivo (nome) que indica entendimento, concordata, etc.
- O "acordo" de Bicesse (entendimento entre MPLA/Governo e UNITA sobre a paz em Angola) foi concluído em Maio de 1990.
- A vida que a Joana leva não se recomenda. Logo que "acorda" começa a beber.
“Concordo": é forma conjugada do verbo concordar, sinónimo de aceitar.
Concorda-se com algo. Logo, seria "concordo com aquilo que falaste" e não "... daquilo que falaste"
A frase “estou de acordo com aquilo que falaste” também está correcta porque nesta acepção "estar de acordo" se torna sinónimo de "concordo".
QUANDO É QUE DEVO USAR AS EXPRESSÕES "A PRINCÍPIO" E "EM PRINCÍPIO"?
A princípio” (separando a da palavra princípio) está certo.
- A princípio nós pretendemos realizar a companha ainda esta semana.-"Em princípio" de Janeiro estará tudo pronto (o mesmo que no começo de).

sábado, fevereiro 09, 2013

UM OLHAR SOBRE O MOVIMENTO LITERÁRIO NA LUNDA SUL

Uma cronologia* elaborada por Tomás Lima Coelho e Manuel Seca Ruivo, que lista os escritores angolanos desde o surgimento do primeiro livro escrito por um angolano (José Maia Ferreira), em 1847, até ao presente, ilustra que entre os cerca de 600 escritores angolanos apenas 04 são da Lunda Sul a saber: Bula Mbungue, Fonseca Sousa, Valter Hugo Mãe e Victor Kajibanga. É Obvio que o estudo ainda recebe contribuições para se seja o máximo realista, mas é um indicador que nos deve preocupar.
Enquanto capital do distrito, no tempo colonial e capital de província de 1975 a esta parte, Saurimo teve sempre um ensino liceal e não faltou a diáspora académica ao longo dos tempos. Porém, apesar destes condimentos que são a formação intelectual e a criatividade que propiciam a existência da literatura, o número de escritores da província é 04 e se juntarmos os escritores das duas Lundas teremos apenas um total de apenas 9 escritores. São ainda muito poucos os que mostram a cara através da escrita criativa ou académico-cientifica.
Só para se ter uma ideia, o Huambo tem 51 escritores listados; Benguela tem 47; Malanje, aqui ao lado, tem 32. O Kwanza-Sul tem 18; Cabinda tem 07; Moxico tem 09 e apenas Kwando-Kubango e Kunene têm cada 02.
Daí que julgo ser necessário pensar-se numa solução. É preciso incentivar os jovens a criar e registar em papel aquilo que criam. Mas, antes, temos de incutir nas crianças e jovens o hábito da leitura, do debate, da reflexão e do uso correcto da língua em que trabalhem: seja a língua herdada do colono (português) ou as nossas línguas de origem bantu. Julgo ser este o caminho para que possamos fazer crescer o número de escritores na província e no país.
É ingente que os jovens os mais velhos escrevam e publiquem as suas experiências e memórias, merecedoras de serem legadas às novas gerações. É urgente que os nossos professores “reinventem” o saber científico, o registem e publiquem.
É preciso também que as instituições públicas e os empresários locais apoiem aqueles que já escrevem para que possam publicar e servir de mola impulsionadora dum movimento literário ao nível da província.
Não havendo quem escreve, porque não habituamos as crianças a ler e a praticar a escrita, temos de fazer uma analogia com o futebol: É possível aspirar a primeira divisão nacional sem jogadores em quantidade e qualidade na praça local?
Se calhar, a solução seja criar uma espécie de “núcleos de leitura, debate e escrita” que nos darão talentos que nos permitam, no futuro, ombrear com os grandes que também tiveram de gizar políticas de formação, formal ou informal, ostentando hoje a fama e a tradição que têm. Benguela é um exemplo no campo literário para não falar de Luanda.
Buscando o exemplo de Benguela, há dois anos que o governo daquela província instituiu o Prémio Provincial de Cultura e Artes, uma versão local do Prémio Nacional. Os vencedores de cada uma das sete categorias recebem Kz 700 mil. Sabendo que o artista que se empenhe com qualidade pode ganhar no principio do ano esse dinheiro, quem é que não escreve? Quem é que não pinta, quem é que não esculpe, quem é que não cria moda, quem é que não investiga sobre a nossa tradição e costumes do nosso povo? Quem é que não canta e quem é que não dança?
Entendo que não basta que existam as instituições artísticas sem o essencial que são os artistas porque já é sabido que sem panela não se faz o funje.
Sem leitores nunca teremos escritores.
* Autores de Angola: Naturalidade e bibliografia (ebook), no prelo.
 
 

sexta-feira, fevereiro 01, 2013

OBRIGADO OU OBRIGADA?

A Márcia é minha irmã e é estudante universitária, frequentando o 1º ano. Desejosa de aprender um pouco mais sobre a língua portuguesa, colocou a dúvida que abaixo se transcreve:

- Quando tiver que agradecer devo usar a expressão obrigada ou obrigado?

Márcia, tu és mulher. As mulheres dizem “obrigada”.
“Obrigado” dizem os homens.
 

sábado, janeiro 26, 2013

Que diferença há entre CEM e SEM?

 
Uma amiga minha que se diz ser doutora, pois é licenciada numa área ligada às ciências sociais, escreveu para mim, certo dia, nos seguintes termos:
- “Amigo, quanto tempo esto cem o teu contacto. Liga tenho novidades proficionais”.
 
Vamos analisar a questão do ponto de vista gramatical.
 
CEM: (com C) é um numeral cardinal, escrito na forma extensiva. O numeral 100; dez vezes dez, representado pela C em numeração romana.
 
SEM:  (do latim sine) é uma preposição que indica a falta de; carência; excepção;
- Estou sem sono, por isso escrevo essas coisas que muitos deviam saber  ainda na primária.
 
SEM: pode ainda ser prefixo que indica privação ou negação.
- O Manuel falou em público sem-cerimónia.
 
Com correcção, a minha amiga deveria ter escrito: “Amigo, há quanto tempo?! Estou sem o teu contacto. Liga. Tenho novidades profissionais”