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segunda-feira, fevereiro 25, 2013

Como ou “Cumo”?

DÚVIDAS COLOCADAS POR AMIGOS
 
DIZ-SE "como" ou Cumo?

Como": pronome interrogativo quando sucedido de ponto de interrogação; pronome relativo. Pronuncia-se “cômo” ou seja, a letra "O" pronuncia-se fechada.
- André, como (cômo) foi que saíste de casa?
- Como (cômo) o Mário é o mais velho, ele dita as regras de casa.
"Como": forma conjugada do verbo comer. Pronuncia-se “cómo”, ou seja, a letra "0" pronuncia-se aberta.
- Eu como funge com carne de cabrito, como fazia a minha avó.
Logo, “cumo”: enquanto palavra não existe nem na classe de palavras variáveis nem nas invariáveis.

 
"Concordo contigo" ou "estou de acordo com aquilo que falaste"?
"Concordar" é um verbo sinónimo de aceitar.
"Acordo" é forma conjugada do verbo acordar; sinónimo de chegar a entendimento; estar em sintonia.
"Acordo"é ainda uns substantivo (nome) que indica entendimento, concordata, etc.
- O "acordo" de Bicesse (entendimento entre MPLA/Governo e UNITA sobre a paz em Angola) foi concluído em Maio de 1990.
- A vida que a Joana leva não se recomenda. Logo que "acorda" começa a beber.
“Concordo": é forma conjugada do verbo concordar, sinónimo de aceitar.
Concorda-se com algo. Logo, seria "concordo com aquilo que falaste" e não "... daquilo que falaste"
A frase “estou de acordo com aquilo que falaste” também está correcta porque nesta acepção "estar de acordo" se torna sinónimo de "concordo".
QUANDO É QUE DEVO USAR AS EXPRESSÕES "A PRINCÍPIO" E "EM PRINCÍPIO"?
A princípio” (separando a da palavra princípio) está certo.
- A princípio nós pretendemos realizar a companha ainda esta semana.-"Em princípio" de Janeiro estará tudo pronto (o mesmo que no começo de).

sábado, fevereiro 09, 2013

UM OLHAR SOBRE O MOVIMENTO LITERÁRIO NA LUNDA SUL

Uma cronologia* elaborada por Tomás Lima Coelho e Manuel Seca Ruivo, que lista os escritores angolanos desde o surgimento do primeiro livro escrito por um angolano (José Maia Ferreira), em 1847, até ao presente, ilustra que entre os cerca de 600 escritores angolanos apenas 04 são da Lunda Sul a saber: Bula Mbungue, Fonseca Sousa, Valter Hugo Mãe e Victor Kajibanga. É Obvio que o estudo ainda recebe contribuições para se seja o máximo realista, mas é um indicador que nos deve preocupar.
Enquanto capital do distrito, no tempo colonial e capital de província de 1975 a esta parte, Saurimo teve sempre um ensino liceal e não faltou a diáspora académica ao longo dos tempos. Porém, apesar destes condimentos que são a formação intelectual e a criatividade que propiciam a existência da literatura, o número de escritores da província é 04 e se juntarmos os escritores das duas Lundas teremos apenas um total de apenas 9 escritores. São ainda muito poucos os que mostram a cara através da escrita criativa ou académico-cientifica.
Só para se ter uma ideia, o Huambo tem 51 escritores listados; Benguela tem 47; Malanje, aqui ao lado, tem 32. O Kwanza-Sul tem 18; Cabinda tem 07; Moxico tem 09 e apenas Kwando-Kubango e Kunene têm cada 02.
Daí que julgo ser necessário pensar-se numa solução. É preciso incentivar os jovens a criar e registar em papel aquilo que criam. Mas, antes, temos de incutir nas crianças e jovens o hábito da leitura, do debate, da reflexão e do uso correcto da língua em que trabalhem: seja a língua herdada do colono (português) ou as nossas línguas de origem bantu. Julgo ser este o caminho para que possamos fazer crescer o número de escritores na província e no país.
É ingente que os jovens os mais velhos escrevam e publiquem as suas experiências e memórias, merecedoras de serem legadas às novas gerações. É urgente que os nossos professores “reinventem” o saber científico, o registem e publiquem.
É preciso também que as instituições públicas e os empresários locais apoiem aqueles que já escrevem para que possam publicar e servir de mola impulsionadora dum movimento literário ao nível da província.
Não havendo quem escreve, porque não habituamos as crianças a ler e a praticar a escrita, temos de fazer uma analogia com o futebol: É possível aspirar a primeira divisão nacional sem jogadores em quantidade e qualidade na praça local?
Se calhar, a solução seja criar uma espécie de “núcleos de leitura, debate e escrita” que nos darão talentos que nos permitam, no futuro, ombrear com os grandes que também tiveram de gizar políticas de formação, formal ou informal, ostentando hoje a fama e a tradição que têm. Benguela é um exemplo no campo literário para não falar de Luanda.
Buscando o exemplo de Benguela, há dois anos que o governo daquela província instituiu o Prémio Provincial de Cultura e Artes, uma versão local do Prémio Nacional. Os vencedores de cada uma das sete categorias recebem Kz 700 mil. Sabendo que o artista que se empenhe com qualidade pode ganhar no principio do ano esse dinheiro, quem é que não escreve? Quem é que não pinta, quem é que não esculpe, quem é que não cria moda, quem é que não investiga sobre a nossa tradição e costumes do nosso povo? Quem é que não canta e quem é que não dança?
Entendo que não basta que existam as instituições artísticas sem o essencial que são os artistas porque já é sabido que sem panela não se faz o funje.
Sem leitores nunca teremos escritores.
* Autores de Angola: Naturalidade e bibliografia (ebook), no prelo.
 
 

sexta-feira, fevereiro 01, 2013

OBRIGADO OU OBRIGADA?

A Márcia é minha irmã e é estudante universitária, frequentando o 1º ano. Desejosa de aprender um pouco mais sobre a língua portuguesa, colocou a dúvida que abaixo se transcreve:

- Quando tiver que agradecer devo usar a expressão obrigada ou obrigado?

Márcia, tu és mulher. As mulheres dizem “obrigada”.
“Obrigado” dizem os homens.
 

sábado, janeiro 26, 2013

Que diferença há entre CEM e SEM?

 
Uma amiga minha que se diz ser doutora, pois é licenciada numa área ligada às ciências sociais, escreveu para mim, certo dia, nos seguintes termos:
- “Amigo, quanto tempo esto cem o teu contacto. Liga tenho novidades proficionais”.
 
Vamos analisar a questão do ponto de vista gramatical.
 
CEM: (com C) é um numeral cardinal, escrito na forma extensiva. O numeral 100; dez vezes dez, representado pela C em numeração romana.
 
SEM:  (do latim sine) é uma preposição que indica a falta de; carência; excepção;
- Estou sem sono, por isso escrevo essas coisas que muitos deviam saber  ainda na primária.
 
SEM: pode ainda ser prefixo que indica privação ou negação.
- O Manuel falou em público sem-cerimónia.
 
Com correcção, a minha amiga deveria ter escrito: “Amigo, há quanto tempo?! Estou sem o teu contacto. Liga. Tenho novidades profissionais”

terça-feira, janeiro 15, 2013

QUE DIFERENÇA HÁ ENTRE: DISCRIÇÃO, DESCRIÇÃO, DESCRIMINAR E DISCRIMINAR?

DISCRIÇÃO OU DESCRIÇÃO?
Acompanhe as frases:
 
1- O Manuel fez uma descrição exaustiva do homem que assaltou a loja do Vicente Kabeçada.
- - O Kaprakata que é um jovem educado na igreja beijou a sua noiva com discrição.
Descrição (do latim «descriptione-») é o acto ou efeito de descrever; exposição exacta e viva de um facto, lugar ou paisagem, por meio da palavra oral ou escrita; enumeração; etc.
Discrição(do latim «discretione-») tem a ver com a qualidade de discreto; circunspecção; reserva; modéstia; discernimento; segredo; prudência; etc.
- Seja discreto nas suas aparições em público e descreva com exactidão os factos.
 
DESCRIMINAR OU DISCRIMINAR?
Repare nas frases:
- É errado discriminar as pessoas pela sua cor ou procedência.
- Embora se fale pouco em Angola, muitos activistas lutam para conseguirem descriminar o aborto.
Discriminar = verbo transitivo directo que significa, excluir, distinguir, separar. A palavra discriminar, está relacionada ao preconceito ou separação
Descriminar = verbo transitivo directo que significa absorver alguém de um crime, inocentar, antónimo de “incriminar”. Discriminar significa

terça-feira, janeiro 01, 2013

O JORNALISMO, AS INCOMPATIBILIDADES E OS PRÉMIOS


Existem profissionais quem vivem estritamente do Jornalismo e os que fazem outras coisas incompatíveis com a função jornalística.

- Quem, para além do jornalismo, exerça assessoria de imprensa, (CDI´s, Gab. Comunicação, assessoria de imprensa de Ministros, Magistrados, etc.), quem faz/participa em publicidades deve concorrer a Prémios de Jornalismo (organizados por organismos públicos ou privados)?

- O que dizem o Estatuto do Jornalista e o Acordo de Ética dos Jornalistas angolanos?

Este exercício que não pretende retirar mérito aos trabalhos apresentados pelos jornalistas que vêm concorrendo e ganhando os prémios: Maboque, Provinciais e Nacional de Jornalismo, é apenas uma reflexão que pretende recordar e despertar a necessidade de se aplicarem os instrumentos reguladores e de auto-regulação da classe, como sejam o Estatuto do Jornalista, cuja aprovação é da competência do Governo, e o Código de Ética e Deontologia, que é da esfera das associações de profissionais da classe.

Folheando a Lei 7/07, de 15 de Maio, Lei de imprensa, no seu Artigo 21º, diz-nos que:

1-      O exercício da profissão de jornalista é regulada por um estatuto do Jornalista e por um Código Deontológico, sendo que o Estatuto do Jornalista define quem é jornalista, o regime de incompatibilidade, direitos, deveres, etc.

O Projecto de Estatuto do Jornalista, constante do famoso “Pacote legislativo da Comunicação Social” postula no seu artigo 4º que a função de jornalista é incompatível com:

1-b) … serviço de relações públicas ou promotor de vendas, de imagem e de produtos comerciais;

c) funções de assessoria de imprensa;

d) funções de direcção, orientação e execução de estratégias comerciais;

f) funções em organismo e corporação policial e militar;

3- o jornalista abrangido por qualquer incompatibilidade constante deste artigo fica impedido de exercer a actividade… até que cesse a incompatibilidade.

Por outro lado, o Acordo de Ética-Angola, aprovado a 15 de Outubro de 2004 pela: AIDA, AIPA, AJECO, AMUJA e SJA, reunidos em assembleia, na UEA, diz no seu Capítulo II, 4.:

- O exercício da profissão de jornalista é incompatível com cargos na função pública, partidos políticos, nas forças de defesa e segurança, exercício da actividade publicitária e de assessoria de imprensa.
 
Portanto, as fronteiras estão delimitadas faltando apenas o seu cumprimento escrupuloso quer por parte dos jornalistas, em consciência, quer por parte de organizadores de eventos como os prémios jornalísticos.

E, voltando à vaca fria, tomando como exemplo mais recente a atribuição do Prémio Nacional de Jornalismo/2012, sem olhar para os nomes e anos de carreira, devo referir que, na minha percepção, é inquestionável a qualidade e complexidade dos trabalhos galardoados. Única inquietação foi saber e ver que colegas que estão abrangidos por incompatibilidades acima referidas (sobretudo exercício de publicidade e assessoria de imprensa) também se candidataram e o júri, por desconhecimento ou não do que dizem os instrumentos reguladores e de auto-regulação, pura e simplesmente fechou os olhos, não emitindo sequer uma recomendação para que se corrija o que considero erro nos próximos eventos.

Julgo que seria mais inteligente se os colegas abrangidos por incompatibilidades montassem os trabalhos a apresentar ao júri com outros isentos desta condição. Caberia aos segundos  apresentar as candidaturas, repartindo o prémio, em caso de vitória.

Apesar de na mesma ser um procedimento errado, seria, a meu ver, um mal menor.

 
Luciano Canhanga
Comunicólogo e assessor de imprensa
(Texto escrito para o Site do SJA)
 

terça-feira, dezembro 25, 2012

DISCUTIÇÃO OU DISCURÇÃO?

A Márcia não pára de colocar dúvidas. Na última comunicação que efectuou ela perguntava:

Qual das frases está correcta?
1- A Maira teve uma discutiçâo com a Filipa.
2- A Joana teve uma discurçâo com a Maria.

Márcia,
Agora que tens tudo para ser jornalista, espero que venhas a me superar, tens de aprender a falar e a escrever correctamente. A oportunidade que te estou a dar é cara e derradeira. Dei-te um livro (Ensaboado e Enxaguado) que espero estejas a ler para "endireitar a boca".

Aproveita tirar todas as dúvidas que tiveres. Os meus dias, como os de qualquer humano mortal, estão contados.

Vamos às questões:
 Discutição não existe em "bom português".
Discursão também não existe.
O verbo é discutir. A acção de discutir é discussão.
Logo, a frase correcta seria: A Maira teve uma discussão com a Filipa.

segunda-feira, dezembro 10, 2012

O SIGNIFICADO HISTÓRICO-DIPLOMÁTICO DAS "FAQUINHAS" NA CARA

Os traços no rosto, comummente conhecidos como “faquinhas”, frequentes entre povos de Malanje e Kwanza-Sul, em Angola, têm uma explicação histórica.
 
Eles foram sendo usados pelos povos Ngola ao longo da história, por motivos diversos e até de forma profusa. Dados obtidos da oralidade destes povos (pesquisa no terreno no Libolo, Kibala e Kangandala) e registos escritos apontam que a aplicação de “faquinhas na cara” (tracejados horizontais e ou verticais no rosto) tinha uma dupla função nos tempos dos Reis Ngola:
 - Uma era mitológica, ligada à questões de saúde: pensava-se que o sangue mau (de baixa qualidade) era a causa de muitas doenças e devia ser extraído. Essa evocação se prolongou até bem há poucos anos, sendo ainda visíveis crianças oriundas das regiões supra com estes sinais nos rostos. Porém, a extensão dos serviços de saúde às áreas mais recônditas diminuiu grandemente este tipo de pensamento mitológico que mais do que curar, levou à morte muitas crianças que se viram anémicas devido à extracção sanguínea.
 
- A outra razão da aplicação das faquinhas no rosto de Malanjinhos e Kwanza-Sulinos de locução ambundu tem a ver com o “kirimbu” marca/sinal com que o soberano identificava os seus emissários. Não havendo no passado comunicações escritas e nem telefónicas, era preciso autenticar os emissários para qiue fossem reconhecidos e valorizada a mensagem de que eram portadores. Assim, o rei Ngola começa por colocar o “kirimbu” no rosto dos emissários a outros Estados. Sendo sinal único do Rei Ngola, apenas estes embaixadores/emissários eram credenciados nos  Estados de destino.
 
O procedimento dos reis Ngola foi anterior ao tráfico negreiro (iníciado no Sec. XV) e que o adoptou para estampar as "peças africanas" que estavam realmente pagas antes de embarcarem para a América.  
 
A palavra portuguesa carimbo, adoptada pelos portugueses, que muito se relacionaram com os reis Ngola, provêm do kimbundu “Kirimbu” que equivale a “stamp” (selo) em inglês.

Fontes escritas:1-  http://pt.wikipedia.org/wiki/Carimbo#Hist.C3.B3rico (24.11.2012)
2- Revista Austral: TAAG, 2011,

domingo, dezembro 02, 2012

Qual diferença há entre Dispensa e Despensa?

Leia e analise com atenção a frase: “O Manuel foi dispensado da aula e ao passar pela padaria comprou dois pães que guardou na despensa”.

Notamos que:
1-    Dispensa = desobrigação; licença; do verbo dispensar.
O Manuel conseguiu dispensa do exame da cadeira de língua portuguesa, pois teve 14 valores.



2- Despensa = local para guardar mantimentos
A despensa da casa da Ana é maior do que a da sua amiga Isabel que, apesar de pequena, está cheia de coisas valiosas.

quarta-feira, novembro 28, 2012

BASCULHAR OU VASCULHAR?


“Você gostas muito de basculhar nas minhas fotos”, reclamou, no fb, uma amiga virtual ao cibernauta que comentou numa de suas fotos públicas.

Vejamos:
 

- “Você gostas”
“Você
” é terceira pessoa e “gostas” é segunda pessoa. Não há concordância verbal.
  O correcto seria: "você gosta".
 

- “Basculhar nas minhas fotos”.
"Basculhar" não existe em “bom português”.
Diz-se vasculhar que é sinónimo de espanar, mexer, varrer...

Vasculhar é Verbo transitivo regular que significa: varrer com vasculho; pesquisar minuciosamente; esquadrinhar.

O correcto seria dizer/escrever: “Você gosta de vasculhar as minhas fotos ou tu gostas de vasculhar…”