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sábado, janeiro 26, 2013

Que diferença há entre CEM e SEM?

 
Uma amiga minha que se diz ser doutora, pois é licenciada numa área ligada às ciências sociais, escreveu para mim, certo dia, nos seguintes termos:
- “Amigo, quanto tempo esto cem o teu contacto. Liga tenho novidades proficionais”.
 
Vamos analisar a questão do ponto de vista gramatical.
 
CEM: (com C) é um numeral cardinal, escrito na forma extensiva. O numeral 100; dez vezes dez, representado pela C em numeração romana.
 
SEM:  (do latim sine) é uma preposição que indica a falta de; carência; excepção;
- Estou sem sono, por isso escrevo essas coisas que muitos deviam saber  ainda na primária.
 
SEM: pode ainda ser prefixo que indica privação ou negação.
- O Manuel falou em público sem-cerimónia.
 
Com correcção, a minha amiga deveria ter escrito: “Amigo, há quanto tempo?! Estou sem o teu contacto. Liga. Tenho novidades profissionais”

terça-feira, janeiro 15, 2013

QUE DIFERENÇA HÁ ENTRE: DISCRIÇÃO, DESCRIÇÃO, DESCRIMINAR E DISCRIMINAR?

DISCRIÇÃO OU DESCRIÇÃO?
Acompanhe as frases:
 
1- O Manuel fez uma descrição exaustiva do homem que assaltou a loja do Vicente Kabeçada.
- - O Kaprakata que é um jovem educado na igreja beijou a sua noiva com discrição.
Descrição (do latim «descriptione-») é o acto ou efeito de descrever; exposição exacta e viva de um facto, lugar ou paisagem, por meio da palavra oral ou escrita; enumeração; etc.
Discrição(do latim «discretione-») tem a ver com a qualidade de discreto; circunspecção; reserva; modéstia; discernimento; segredo; prudência; etc.
- Seja discreto nas suas aparições em público e descreva com exactidão os factos.
 
DESCRIMINAR OU DISCRIMINAR?
Repare nas frases:
- É errado discriminar as pessoas pela sua cor ou procedência.
- Embora se fale pouco em Angola, muitos activistas lutam para conseguirem descriminar o aborto.
Discriminar = verbo transitivo directo que significa, excluir, distinguir, separar. A palavra discriminar, está relacionada ao preconceito ou separação
Descriminar = verbo transitivo directo que significa absorver alguém de um crime, inocentar, antónimo de “incriminar”. Discriminar significa

terça-feira, janeiro 01, 2013

O JORNALISMO, AS INCOMPATIBILIDADES E OS PRÉMIOS


Existem profissionais quem vivem estritamente do Jornalismo e os que fazem outras coisas incompatíveis com a função jornalística.

- Quem, para além do jornalismo, exerça assessoria de imprensa, (CDI´s, Gab. Comunicação, assessoria de imprensa de Ministros, Magistrados, etc.), quem faz/participa em publicidades deve concorrer a Prémios de Jornalismo (organizados por organismos públicos ou privados)?

- O que dizem o Estatuto do Jornalista e o Acordo de Ética dos Jornalistas angolanos?

Este exercício que não pretende retirar mérito aos trabalhos apresentados pelos jornalistas que vêm concorrendo e ganhando os prémios: Maboque, Provinciais e Nacional de Jornalismo, é apenas uma reflexão que pretende recordar e despertar a necessidade de se aplicarem os instrumentos reguladores e de auto-regulação da classe, como sejam o Estatuto do Jornalista, cuja aprovação é da competência do Governo, e o Código de Ética e Deontologia, que é da esfera das associações de profissionais da classe.

Folheando a Lei 7/07, de 15 de Maio, Lei de imprensa, no seu Artigo 21º, diz-nos que:

1-      O exercício da profissão de jornalista é regulada por um estatuto do Jornalista e por um Código Deontológico, sendo que o Estatuto do Jornalista define quem é jornalista, o regime de incompatibilidade, direitos, deveres, etc.

O Projecto de Estatuto do Jornalista, constante do famoso “Pacote legislativo da Comunicação Social” postula no seu artigo 4º que a função de jornalista é incompatível com:

1-b) … serviço de relações públicas ou promotor de vendas, de imagem e de produtos comerciais;

c) funções de assessoria de imprensa;

d) funções de direcção, orientação e execução de estratégias comerciais;

f) funções em organismo e corporação policial e militar;

3- o jornalista abrangido por qualquer incompatibilidade constante deste artigo fica impedido de exercer a actividade… até que cesse a incompatibilidade.

Por outro lado, o Acordo de Ética-Angola, aprovado a 15 de Outubro de 2004 pela: AIDA, AIPA, AJECO, AMUJA e SJA, reunidos em assembleia, na UEA, diz no seu Capítulo II, 4.:

- O exercício da profissão de jornalista é incompatível com cargos na função pública, partidos políticos, nas forças de defesa e segurança, exercício da actividade publicitária e de assessoria de imprensa.
 
Portanto, as fronteiras estão delimitadas faltando apenas o seu cumprimento escrupuloso quer por parte dos jornalistas, em consciência, quer por parte de organizadores de eventos como os prémios jornalísticos.

E, voltando à vaca fria, tomando como exemplo mais recente a atribuição do Prémio Nacional de Jornalismo/2012, sem olhar para os nomes e anos de carreira, devo referir que, na minha percepção, é inquestionável a qualidade e complexidade dos trabalhos galardoados. Única inquietação foi saber e ver que colegas que estão abrangidos por incompatibilidades acima referidas (sobretudo exercício de publicidade e assessoria de imprensa) também se candidataram e o júri, por desconhecimento ou não do que dizem os instrumentos reguladores e de auto-regulação, pura e simplesmente fechou os olhos, não emitindo sequer uma recomendação para que se corrija o que considero erro nos próximos eventos.

Julgo que seria mais inteligente se os colegas abrangidos por incompatibilidades montassem os trabalhos a apresentar ao júri com outros isentos desta condição. Caberia aos segundos  apresentar as candidaturas, repartindo o prémio, em caso de vitória.

Apesar de na mesma ser um procedimento errado, seria, a meu ver, um mal menor.

 
Luciano Canhanga
Comunicólogo e assessor de imprensa
(Texto escrito para o Site do SJA)
 

terça-feira, dezembro 25, 2012

DISCUTIÇÃO OU DISCURÇÃO?

A Márcia não pára de colocar dúvidas. Na última comunicação que efectuou ela perguntava:

Qual das frases está correcta?
1- A Maira teve uma discutiçâo com a Filipa.
2- A Joana teve uma discurçâo com a Maria.

Márcia,
Agora que tens tudo para ser jornalista, espero que venhas a me superar, tens de aprender a falar e a escrever correctamente. A oportunidade que te estou a dar é cara e derradeira. Dei-te um livro (Ensaboado e Enxaguado) que espero estejas a ler para "endireitar a boca".

Aproveita tirar todas as dúvidas que tiveres. Os meus dias, como os de qualquer humano mortal, estão contados.

Vamos às questões:
 Discutição não existe em "bom português".
Discursão também não existe.
O verbo é discutir. A acção de discutir é discussão.
Logo, a frase correcta seria: A Maira teve uma discussão com a Filipa.

segunda-feira, dezembro 10, 2012

O SIGNIFICADO HISTÓRICO-DIPLOMÁTICO DAS "FAQUINHAS" NA CARA

Os traços no rosto, comummente conhecidos como “faquinhas”, frequentes entre povos de Malanje e Kwanza-Sul, em Angola, têm uma explicação histórica.
 
Eles foram sendo usados pelos povos Ngola ao longo da história, por motivos diversos e até de forma profusa. Dados obtidos da oralidade destes povos (pesquisa no terreno no Libolo, Kibala e Kangandala) e registos escritos apontam que a aplicação de “faquinhas na cara” (tracejados horizontais e ou verticais no rosto) tinha uma dupla função nos tempos dos Reis Ngola:
 - Uma era mitológica, ligada à questões de saúde: pensava-se que o sangue mau (de baixa qualidade) era a causa de muitas doenças e devia ser extraído. Essa evocação se prolongou até bem há poucos anos, sendo ainda visíveis crianças oriundas das regiões supra com estes sinais nos rostos. Porém, a extensão dos serviços de saúde às áreas mais recônditas diminuiu grandemente este tipo de pensamento mitológico que mais do que curar, levou à morte muitas crianças que se viram anémicas devido à extracção sanguínea.
 
- A outra razão da aplicação das faquinhas no rosto de Malanjinhos e Kwanza-Sulinos de locução ambundu tem a ver com o “kirimbu” marca/sinal com que o soberano identificava os seus emissários. Não havendo no passado comunicações escritas e nem telefónicas, era preciso autenticar os emissários para qiue fossem reconhecidos e valorizada a mensagem de que eram portadores. Assim, o rei Ngola começa por colocar o “kirimbu” no rosto dos emissários a outros Estados. Sendo sinal único do Rei Ngola, apenas estes embaixadores/emissários eram credenciados nos  Estados de destino.
 
O procedimento dos reis Ngola foi anterior ao tráfico negreiro (iníciado no Sec. XV) e que o adoptou para estampar as "peças africanas" que estavam realmente pagas antes de embarcarem para a América.  
 
A palavra portuguesa carimbo, adoptada pelos portugueses, que muito se relacionaram com os reis Ngola, provêm do kimbundu “Kirimbu” que equivale a “stamp” (selo) em inglês.

Fontes escritas:1-  http://pt.wikipedia.org/wiki/Carimbo#Hist.C3.B3rico (24.11.2012)
2- Revista Austral: TAAG, 2011,

domingo, dezembro 02, 2012

Qual diferença há entre Dispensa e Despensa?

Leia e analise com atenção a frase: “O Manuel foi dispensado da aula e ao passar pela padaria comprou dois pães que guardou na despensa”.

Notamos que:
1-    Dispensa = desobrigação; licença; do verbo dispensar.
O Manuel conseguiu dispensa do exame da cadeira de língua portuguesa, pois teve 14 valores.



2- Despensa = local para guardar mantimentos
A despensa da casa da Ana é maior do que a da sua amiga Isabel que, apesar de pequena, está cheia de coisas valiosas.

quarta-feira, novembro 28, 2012

BASCULHAR OU VASCULHAR?


“Você gostas muito de basculhar nas minhas fotos”, reclamou, no fb, uma amiga virtual ao cibernauta que comentou numa de suas fotos públicas.

Vejamos:
 

- “Você gostas”
“Você
” é terceira pessoa e “gostas” é segunda pessoa. Não há concordância verbal.
  O correcto seria: "você gosta".
 

- “Basculhar nas minhas fotos”.
"Basculhar" não existe em “bom português”.
Diz-se vasculhar que é sinónimo de espanar, mexer, varrer...

Vasculhar é Verbo transitivo regular que significa: varrer com vasculho; pesquisar minuciosamente; esquadrinhar.

O correcto seria dizer/escrever: “Você gosta de vasculhar as minhas fotos ou tu gostas de vasculhar…”

segunda-feira, novembro 12, 2012

O Jornalismo dos tempos "doutra senhora" e a exigência da ciência

"O caso angolano"
“Só há dois géneros de jornalistas: os maus e os que estão a melhorar” (Bob Baker, pedagogo e editor do Los Angeles Times)
Jornalismo e propaganda não são sinónimos e nem significam a mesma coisa como muito se apregoa, à porta pequena, a contar com as acções de alguns medias e alguns “jornalistas”.
Jornalismo é ciência e arte de:  procurar e divulgar notícias e informação de interesse público através dos media convencionais (Rádio, Televisão, Jornais) e digitais. O jornalista é, por excelência, o profissional da notícia, devendo ser possuidor de senso crítico, domínio da língua, técnicas de redacção, etc.
 A Propaganda é definida como a propagação de princípios e teorias. Foi introduzida pelo Papa Clemente VII, em 1597, quando fundou a Congregação de Propaganda, com o fito de propagar a fé católica pelo mundo. Deriva do latim propagare, que significa reproduzir por meio de mergulhia, ou seja, enterrar o rebento de uma planta no solo. Propagare, deriva de pangere, que quer dizer: propagação de doutrinas religiosas ou princípios políticos de algum partido. Propaganda é Comunicação persuasiva, Conjunto de actividades que visam influenciar o homem com objectivo religioso ou político.

Harold D. Lasswell não entende propaganda como uma simples difusão de idéias e doutrinas. Para ele, a propaganda baseia-se nos símbolos para chegar a seu fim: a manipulação das atitudes colectivas. Assim, o uso de representações para produzir reacções colectivas pressupõe uma acção de propaganda. Em resumo, podemos definir a propaganda como: o conjunto de técnicas e actividades de informação e persuasão destinadas a influenciar, num determinado sentido, as opiniões, os sentimentos e as atitudes do público receptor.
Era o que se passava nos tempos do monopartidarismo e da guerra civil em que as matérias jornalísticas eram meticulosamente tratadas no DIP e encaminhadas aos MDM para a sua difusão, visando, entre outros: elevar a moral da tropa governamental, elevar sobrevalorizar os feitos do governo e endeusar os governantes e, por outro lado, “diabolizar” a insurreição armada (os fantoches, caudilhos, megalómanos e outros epítetos).
 
Vale lembrar que muitos informadores/propagandistas daquele e deste tempo nem sequer sabiam o que significam muitas das palavras que usavam nos seus discursos (orais e textuais). A guisa de exemplo, perguntei a uma turma do 1ª ano de licenciatura o que significavam termos como: fantoche, megalómano, proletário, chauvinismo, maquiavelismo e outros chavões da nossa media, e simplesmente disseram que desconheciam, embora lhes fossem familiares pela media. Inclusive os jornalistas daquela turma, embora admitissem o uso dos referidos termos por força do hábito, mas não sabiam o que significavam.


Esta abordagem surge a propósito da excessiva adjectivação que vou notando nos textos noticiosos, aqueles cujo conteúdo não é da lavra do autor mas que se reportam a narração de um acontecimento noticioso. Aqui, o jornalista +e chamado a dizer apenas que é, aquilo que é, e não é, aquilo que não é. Ou seja, a verdade segundo o conceito filosófico.
- Dizer, por exemplo que “O edificio é majestoso” (subjectivo) nos leva à ideia de estabelecer um paralelismo. Majestoso em relação a quê?
- “Um grandisoso evento”: nos leva a descrever os elementos que o tornam grandisoso e não nos acomodar apenas na beleza do adjectivo, como muitos ainda fazem.
O grau de adjectivação que o jornalismo noticioso pede é o grau normal. Os comparativos exigem o elemento de referencia e os superlativos são dispensados.
É importante que os jornalistas (sejam eles de facto ou emprestados ao jornalismo) saibam diferenciar a acção de informar com isenção das suas convições políticas, religiosas ou comerciais, pois a promiscuidade entre o jornalismo e a publicidade (entenda-se publicitação comercial de um serviço ou produto) também macula a arte de informar com verdade, buscando a máxima objectividade possível.
Segundo o Manual de Jornalismo de Anabela Gradin, os advérbios e adjectivos, são dispensáveis na notícia, porque este género habitualmente não se alonga em descrições. “Devido às características da linguagem jornalística, os adjectivos devem ser utilizados com extrema parcimónia e, nas notícias, quase sempre podem ser suprimidos sem prejuízo de maior”. A autora prossegue que é também necessário “vigiar o emprego de palavras com carga ideológica, política ou étnica que possam indiciar juízos de valor em relação aos acontecimentos”. Expressões como o, o ambulante branco, o retornado, encerram uma carga conotativa.
A essência do trabalho do jornalista
A actividade primária do Jornalismo é a observação e descrição de eventos, conhecida como reportagem e a descrição se baseia em dar resposta aos elementos abaixo descritos:
"O quê?" - O facto ocorrido.
"Quem?" - O personagem envolvido.
"Quando?" - O momento do facto.
"Onde?" - O local do facto.
"Como?" - O modo como o facto ocorreu.
"Por quê?" - A causa do facto.
Por isso se diz que a essência do Jornalismo é a selecção e organização das informações no produto final (áudio-visual, digital ou impresso).
O trabalho jornalístico é normalmente dividido em quatro etapas distintas, cada qual com suas funções e particularidades: pauta, apuração, redacção e edição.
A pauta é a selecção dos assuntos que serão abordados. É a etapa de escolha sobre quais indícios ou sugestões devem ser considerados para a publicação final.

A apuração é o processo de averiguar informação em estado bruto (dados, nomes, números etc.). A apuração é feita com documentos e pessoas que fornecem informações, chamadas de fontes. A interacção de jornalistas com suas fontes envolve frequentemente questões de confidencialidade.
A redacção é o tratamento das informações apuradas em forma de texto verbal. Pode resultar num texto para ser impresso (em jornais, revistas e sites) ou lido em voz alta (no rádio, na TV e no cinema).
A edição é a finalização do material redigido em produto de comunicação, hierarquizando e coordenando o conteúdo de informações na forma final em que será apresentado. No jornalismo impresso (jornais e revistas), a edição consiste em revisar e cortar textos de acordo com o espaço de impressão pré-definido. No radiojornalismo, editar significa cortar e justapor trechos sonoros junto a textos de locução, o que no telejornalismo ganha o adicional da edição de imagens em movimento.
Gradin diz ainda, no seu “Manual de Jornalismo”, que a língua é para o jornalista o que a enxada é para o agricultor — um instrumento de trabalho — e precisa dominá-la perfeitamente. Aperfeiçoar ao longo do tempo a ortografia, a gramática, e a pontuação empregues com correcção, são imprescindíveis ao trabalho jornalístico. Por outro lado, o jornalista deve utilizar um vocabulário rico; preciso, mas não rebuscado; e escrever com ritmo, imaginação e originalidade. A simplicidade, embora a mais trabalhosa de atingir, deve ser uma meta do jornalista que queira ser percebido.
 
Suporte bibliográfico
GRADIM, Anabela: Manual de Jornalismo, UBI, 2000.
www.wikipedia.org,  01.11.2012
 

quinta-feira, novembro 01, 2012

COMPANIA OU COMPANHIA?

 “Este é o seu programa ‘fala barato’, da sua rádio/tv de sempre… Não saia daí, mantenha-se em nossa compania…”

 Frases como essas são frequentes nos órgãos audiovisuais angolanos.
Qual é a palavra certa: companhia ou compania?

COMPANHIA designa: Um grupo de militares formado por noventa homens; uma empresa (sociedade anónima, SA); acção de acompanhar ou de estar com...

O objecto que tocamos, quando chegamos a casa de alguém, chama-se campainha (sino).

COMPANIA = não existe em português correcto.

quinta-feira, outubro 18, 2012

QUANDO USAR EU e MIM?

Eu e tu: exercem a função sintáctica de sujeito.
Mim e ti: exercem a função sintáctica de complemento verbal ou nominal, agente da passiva ou adjunto adverbial e sempre são precedidos de preposição.
Exemplos:
Os meus pais compraram aquela casa para mim.
A minha mãe ligou para eu falar com o Man-David, mas não houve tempo.
No caso "Sabes que não será fácil para mim comprar o telefone".
O pronome "mim" não é sujeito do verbo conseguir, como parece à primeira.
O sujeito do verbo "ser" (será) é a oração conseguir o carro, pois se questionarmos ao ao predicado (forma verbal) "o que não será fácil"?, teremos como resposta: "comprar o telefone".

Há , no caso, uma oração subordinada substantiva reduzida de infinitivo, que é a oração que funciona como sujeito, tendo o verbo no infinitivo. O verbo ser é verbo de ligação, portanto a palavra "fácil" é nome predicativo do sujeito.
O também adjectivo "fácil" exige um complemento, pois se perguntarmos: "comprar o telefone não será fácil para quem"?, teremos como resposta: "para mim", que funciona como complemento nominal.
A ordem directa desta oração é esta: Comprar o telefome não será fácil para mim.