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quarta-feira, novembro 28, 2012

BASCULHAR OU VASCULHAR?


“Você gostas muito de basculhar nas minhas fotos”, reclamou, no fb, uma amiga virtual ao cibernauta que comentou numa de suas fotos públicas.

Vejamos:
 

- “Você gostas”
“Você
” é terceira pessoa e “gostas” é segunda pessoa. Não há concordância verbal.
  O correcto seria: "você gosta".
 

- “Basculhar nas minhas fotos”.
"Basculhar" não existe em “bom português”.
Diz-se vasculhar que é sinónimo de espanar, mexer, varrer...

Vasculhar é Verbo transitivo regular que significa: varrer com vasculho; pesquisar minuciosamente; esquadrinhar.

O correcto seria dizer/escrever: “Você gosta de vasculhar as minhas fotos ou tu gostas de vasculhar…”

segunda-feira, novembro 12, 2012

O Jornalismo dos tempos "doutra senhora" e a exigência da ciência

"O caso angolano"
“Só há dois géneros de jornalistas: os maus e os que estão a melhorar” (Bob Baker, pedagogo e editor do Los Angeles Times)
Jornalismo e propaganda não são sinónimos e nem significam a mesma coisa como muito se apregoa, à porta pequena, a contar com as acções de alguns medias e alguns “jornalistas”.
Jornalismo é ciência e arte de:  procurar e divulgar notícias e informação de interesse público através dos media convencionais (Rádio, Televisão, Jornais) e digitais. O jornalista é, por excelência, o profissional da notícia, devendo ser possuidor de senso crítico, domínio da língua, técnicas de redacção, etc.
 A Propaganda é definida como a propagação de princípios e teorias. Foi introduzida pelo Papa Clemente VII, em 1597, quando fundou a Congregação de Propaganda, com o fito de propagar a fé católica pelo mundo. Deriva do latim propagare, que significa reproduzir por meio de mergulhia, ou seja, enterrar o rebento de uma planta no solo. Propagare, deriva de pangere, que quer dizer: propagação de doutrinas religiosas ou princípios políticos de algum partido. Propaganda é Comunicação persuasiva, Conjunto de actividades que visam influenciar o homem com objectivo religioso ou político.

Harold D. Lasswell não entende propaganda como uma simples difusão de idéias e doutrinas. Para ele, a propaganda baseia-se nos símbolos para chegar a seu fim: a manipulação das atitudes colectivas. Assim, o uso de representações para produzir reacções colectivas pressupõe uma acção de propaganda. Em resumo, podemos definir a propaganda como: o conjunto de técnicas e actividades de informação e persuasão destinadas a influenciar, num determinado sentido, as opiniões, os sentimentos e as atitudes do público receptor.
Era o que se passava nos tempos do monopartidarismo e da guerra civil em que as matérias jornalísticas eram meticulosamente tratadas no DIP e encaminhadas aos MDM para a sua difusão, visando, entre outros: elevar a moral da tropa governamental, elevar sobrevalorizar os feitos do governo e endeusar os governantes e, por outro lado, “diabolizar” a insurreição armada (os fantoches, caudilhos, megalómanos e outros epítetos).
 
Vale lembrar que muitos informadores/propagandistas daquele e deste tempo nem sequer sabiam o que significam muitas das palavras que usavam nos seus discursos (orais e textuais). A guisa de exemplo, perguntei a uma turma do 1ª ano de licenciatura o que significavam termos como: fantoche, megalómano, proletário, chauvinismo, maquiavelismo e outros chavões da nossa media, e simplesmente disseram que desconheciam, embora lhes fossem familiares pela media. Inclusive os jornalistas daquela turma, embora admitissem o uso dos referidos termos por força do hábito, mas não sabiam o que significavam.


Esta abordagem surge a propósito da excessiva adjectivação que vou notando nos textos noticiosos, aqueles cujo conteúdo não é da lavra do autor mas que se reportam a narração de um acontecimento noticioso. Aqui, o jornalista +e chamado a dizer apenas que é, aquilo que é, e não é, aquilo que não é. Ou seja, a verdade segundo o conceito filosófico.
- Dizer, por exemplo que “O edificio é majestoso” (subjectivo) nos leva à ideia de estabelecer um paralelismo. Majestoso em relação a quê?
- “Um grandisoso evento”: nos leva a descrever os elementos que o tornam grandisoso e não nos acomodar apenas na beleza do adjectivo, como muitos ainda fazem.
O grau de adjectivação que o jornalismo noticioso pede é o grau normal. Os comparativos exigem o elemento de referencia e os superlativos são dispensados.
É importante que os jornalistas (sejam eles de facto ou emprestados ao jornalismo) saibam diferenciar a acção de informar com isenção das suas convições políticas, religiosas ou comerciais, pois a promiscuidade entre o jornalismo e a publicidade (entenda-se publicitação comercial de um serviço ou produto) também macula a arte de informar com verdade, buscando a máxima objectividade possível.
Segundo o Manual de Jornalismo de Anabela Gradin, os advérbios e adjectivos, são dispensáveis na notícia, porque este género habitualmente não se alonga em descrições. “Devido às características da linguagem jornalística, os adjectivos devem ser utilizados com extrema parcimónia e, nas notícias, quase sempre podem ser suprimidos sem prejuízo de maior”. A autora prossegue que é também necessário “vigiar o emprego de palavras com carga ideológica, política ou étnica que possam indiciar juízos de valor em relação aos acontecimentos”. Expressões como o, o ambulante branco, o retornado, encerram uma carga conotativa.
A essência do trabalho do jornalista
A actividade primária do Jornalismo é a observação e descrição de eventos, conhecida como reportagem e a descrição se baseia em dar resposta aos elementos abaixo descritos:
"O quê?" - O facto ocorrido.
"Quem?" - O personagem envolvido.
"Quando?" - O momento do facto.
"Onde?" - O local do facto.
"Como?" - O modo como o facto ocorreu.
"Por quê?" - A causa do facto.
Por isso se diz que a essência do Jornalismo é a selecção e organização das informações no produto final (áudio-visual, digital ou impresso).
O trabalho jornalístico é normalmente dividido em quatro etapas distintas, cada qual com suas funções e particularidades: pauta, apuração, redacção e edição.
A pauta é a selecção dos assuntos que serão abordados. É a etapa de escolha sobre quais indícios ou sugestões devem ser considerados para a publicação final.

A apuração é o processo de averiguar informação em estado bruto (dados, nomes, números etc.). A apuração é feita com documentos e pessoas que fornecem informações, chamadas de fontes. A interacção de jornalistas com suas fontes envolve frequentemente questões de confidencialidade.
A redacção é o tratamento das informações apuradas em forma de texto verbal. Pode resultar num texto para ser impresso (em jornais, revistas e sites) ou lido em voz alta (no rádio, na TV e no cinema).
A edição é a finalização do material redigido em produto de comunicação, hierarquizando e coordenando o conteúdo de informações na forma final em que será apresentado. No jornalismo impresso (jornais e revistas), a edição consiste em revisar e cortar textos de acordo com o espaço de impressão pré-definido. No radiojornalismo, editar significa cortar e justapor trechos sonoros junto a textos de locução, o que no telejornalismo ganha o adicional da edição de imagens em movimento.
Gradin diz ainda, no seu “Manual de Jornalismo”, que a língua é para o jornalista o que a enxada é para o agricultor — um instrumento de trabalho — e precisa dominá-la perfeitamente. Aperfeiçoar ao longo do tempo a ortografia, a gramática, e a pontuação empregues com correcção, são imprescindíveis ao trabalho jornalístico. Por outro lado, o jornalista deve utilizar um vocabulário rico; preciso, mas não rebuscado; e escrever com ritmo, imaginação e originalidade. A simplicidade, embora a mais trabalhosa de atingir, deve ser uma meta do jornalista que queira ser percebido.
 
Suporte bibliográfico
GRADIM, Anabela: Manual de Jornalismo, UBI, 2000.
www.wikipedia.org,  01.11.2012
 

quinta-feira, novembro 01, 2012

COMPANIA OU COMPANHIA?

 “Este é o seu programa ‘fala barato’, da sua rádio/tv de sempre… Não saia daí, mantenha-se em nossa compania…”

 Frases como essas são frequentes nos órgãos audiovisuais angolanos.
Qual é a palavra certa: companhia ou compania?

COMPANHIA designa: Um grupo de militares formado por noventa homens; uma empresa (sociedade anónima, SA); acção de acompanhar ou de estar com...

O objecto que tocamos, quando chegamos a casa de alguém, chama-se campainha (sino).

COMPANIA = não existe em português correcto.

quinta-feira, outubro 18, 2012

QUANDO USAR EU e MIM?

Eu e tu: exercem a função sintáctica de sujeito.
Mim e ti: exercem a função sintáctica de complemento verbal ou nominal, agente da passiva ou adjunto adverbial e sempre são precedidos de preposição.
Exemplos:
Os meus pais compraram aquela casa para mim.
A minha mãe ligou para eu falar com o Man-David, mas não houve tempo.
No caso "Sabes que não será fácil para mim comprar o telefone".
O pronome "mim" não é sujeito do verbo conseguir, como parece à primeira.
O sujeito do verbo "ser" (será) é a oração conseguir o carro, pois se questionarmos ao ao predicado (forma verbal) "o que não será fácil"?, teremos como resposta: "comprar o telefone".

Há , no caso, uma oração subordinada substantiva reduzida de infinitivo, que é a oração que funciona como sujeito, tendo o verbo no infinitivo. O verbo ser é verbo de ligação, portanto a palavra "fácil" é nome predicativo do sujeito.
O também adjectivo "fácil" exige um complemento, pois se perguntarmos: "comprar o telefone não será fácil para quem"?, teremos como resposta: "para mim", que funciona como complemento nominal.
A ordem directa desta oração é esta: Comprar o telefome não será fácil para mim.

segunda-feira, outubro 01, 2012

Desfolhar ou Folhear?

Folhear é um verbo transitivo directo (pede complemento directo) que sifnifica: Volver ou percorrer as folhas de um livro; ler superficialmente trechos de um livro, passando-lhe as páginas apressadamente; cortar ou dividir em folhas; cobrir de folhas (lâminas).
- Comprei um bolo folheado.
- Ainda não li o livro que me ofereceste. Apenas folheei-o.
Desfolhar é outro verbo transitivo (sempre se desfolha alguma coisa) por isso é um verbo que pede complemente directo (o objecto que se desfolha).
Desfolhar é: tirar as folhas de...

quinta-feira, setembro 27, 2012

“Só a solicitar” ou “sou a solicitar”?


 - Só é sinónimo de apenas, unicamente.
- Sou é a forma conjugada do verbo ser, no presente do indicativo.

O correcto é escrever “Sou a solicitar” em vez de “só” que é sinónimo de “apenas”.

segunda-feira, setembro 03, 2012

O PAPEL DOS JORNALISTAS NA CAMPANHA ELEITORAL

Um rescaldo do que foi 2012

"Os partidos políticos têm direito a um tratamento imparcial da imprensa pública", Constituição da República de Angola, artigo 17.

Escrevi a 31 de Julho, data do início da Campanha eleitoral em Angola, uma peça intitulada “O papel dos jornalistas na campanha eleitoral” que foi sabiamente recuperada pelo jornal “Nova Gazzeta”. Na mesma, fazia uma antevisão do que me estava a parecer a partida antecipada de alguns concorrentes, e o campo inclinado em que se estava a desenvolver o jogo no que diz respeito à media pública.
 
Decorridos os 30 dias de campanha eleitoral, com euforia entre políticos e jornalistas. A media pública e a privada detida por grupos ligados ao poder não souberam posicionar-se ante o seu papel de guardiães da democracia e de informadores isentos e apartidários, inclinando o campo a favor e desfavor de Candidatos.
 
São elucidativos os reparos dos observadores da SADC e da União Africana (liderada por Pedro Pires, ex- Presidente de Cabo Verde) que afirmaram "ter havido parcialidade da media pública durante a campanha eleitoral".
 
São por demais conhecidos os títulos do Jornal de Angola sobre o apelidado “Candidato do povo”, os artigos que destratavam a oposição, sobretudo a UNITA; o tratamento cirúrgico que as Televisões foram fazendo aos discursos dos líderes da oposição, difundindo apenas aquilo que nada tinha a ver com o apelo ao voto ou que beneficiasse o partido concorrente; os tempos ilimitados dados à campanha do partido governante; a exibição de programas informativos que se assemelhavam ao tempo de antena do partido no poder, dando a sensação de que havia nas televisões 5 minutos de tempo de antena para 8 candidatos e toda a grelha para um; etc.
As rádios não fugiram à regra, tomando partido deste ou daquele. A Rádio Despertar que devia cumprir o postulado da lei embarcou na onda do grupo RNA e foram pouquíssimos os momentos em que esta ou aquela emissora não beneficiou um candidato, sendo o do partido governante o mais beneficiado, dada a rede de emissores da Rádio Pública.




A Ministra da Comunicação, Carolina Cerqueira, disse dia 01. 09 à TPA que
a media cumpriu.
Nem mesmo as revistas de especialidade, desportiva e ou cultural, souberam posicionar-se de forma isenta, pois algumas sabendo que sairiam ao público no mês da campanha eleitoral ressaltaram feitos de determinado(s) concorrente(s), o que atenta com o artigo 74 da LOEG.   
Vejamos que diz a Constituição e a LOEG, elementos que me servem de argumentos:
1-      A Constituição de Angola, no seu artigo 17, ponto 4 reza: “os partidos políticos têm direito a igualdade de tratamento por parte das entidades que exercem o poder público, direito a um tratamento imparcial da imprensa pública e direito de oposição democrática, nos termos da Constituição e da lei”.
2-      A LOEG (Lei orgânica sobre as eleições gerais) diz no seu artigo 64 que “As entidades públicas e as pessoas colectivas privadas devem prestar aos candidatos igual tratamento, por forma a que estes efectuem livremente e nas melhores condições a sua campanha eleitoral”.
3-      Ainda a LOEG no  seu artigo 65 reza: pontos 2- “Os órgãos da comunicação social públicos e privados  e seus agentes devem agir com rigor, profissionalismo e isenção em relação aos actos das campanhas eleitorais”. Ponto 3- “Durante o período da campanha eleitoral, os órgãos de comunicação social e seus agentes são responsabilizados pelo incumprimento do disposto no número anterior, bem como das demais questões a si relacionadas contidas na presente lei e outra legislação sobre o exercício da actividade jornalística vigente.
4-      No artigo 73 a LOEG diz no seu ponto 8 que “É proibida às rádios, às televisões e à imprensa escrita, a difusão de matérias com carácter propagandístico e eleitoral de qualquer partido político, coligação de partidos políticos ou candidato concorrente, fora do previsto no nº 1 do presente artigo” (tempo de antena). O ponto 9 do artigo que venho citando diz” É igualmente proibido a qualquer órgão de comunicação social posicionar-se a favor de qualquer partido, coligação de partidos ou candidatos concorrentes, nas matérias que publicar.
5-      No artigo 74 da LOEG pode-se ler que “As publicações periódicas, informativas, públicas e privadas devem assegurar igualdade de tratamento aos diversos concorrentes”.
PARA 2017 DESEJO QUE:
 
 
Quanto aos medias e jornalistas apelo que exerçam o seu ofício na base da proporcionalidade no tratamento dos candidatos e racionalidade na avaliação do que deve ser levado ao Grande Público e o que deve ficar apenas para aqueles que presenciaram um acto político.
 
É que por mais que os políticos descarrilem nas suas incontinências verbais, se os Jornalístas forem sábios (não no sentido da "cirurgia" da censura), sabendo valorizar o bom que os políticos disserem nas suas promessas e ignorarem, nas suas transmissões, as mensagens que podem ser atentatórias à harmonia e paz social, teremos, sem dúvidas, em 2017, uma das melhores campanhas políticas e um sentimento geral de que ELEIÇÕES SÃO FESTA E NÃO CONFUSÃO.

sábado, setembro 01, 2012

EM QUE SITUAÇÃO UTILIZAR ADERÊNCIA E ADESÃO?

Oiço, até jornalistas, a usarem de forma indistinta e confusa os termos aderência e adesão, como se fossem sinónimos perfeitos para todas as situações comunicacionais.
O Prontuário da Língua Portuguesa, Porto Editora, é claro em definir as situações em que cada umas das expressões deve ser usada.
Olhemos antes para as definições:• Aderência = É uma característica física dos objectos, que permite aderirem, colarem-se entre si. Ex. - Estes pneus têm muita aderência à estrada.
• Adesão = indica o resultado da vontade das pessoas de se associarem ou ligarem a ideias, causas, doutrinas, instituições, partidos, eventos, etc.
- Ex. Houve uma grande adesão ao novo partido.
Então, houve pouca aderência do público ao jogo ou pouca adesão?
-
Houve pouca adesão. Porque o contrário significaria que o público se tinha "colado" pouco ao jogo...

A expressão correcta, neste caso é: Houve pouca adesão ao jogo.

Rubrica ou “Rúbrica”?

Rubrica ou “Rúbrica”?

O verbo é: rubricar
Vamos ao conceito da palavra: Rubrica é um substantivo feminino que quer dizer assinatura abreviada. A palavra pode também designar um artigo de orçamento (enquadrar uma despesa em determinada rubrica). Em termos de comunicação, designa ainda um subtema de programa (Rádio ou TV) ou tema curto (permanente) num media imprenso.
As letras vermelhas, colocada no texto do breviário ou do missal, para orientar a maneira de dizer ou celebrar o ofício também se chama rubrica.
Portanto, quer se trate de um nome (substantivo comum), quer se trate da forma conjugada do verbo rubricar, a palavra correcta é rubrica, sem qualquer acentuação.
Trata-se de uma palavra grave e por isso devemos pronunciar “rubrica” e não “rúbrica” (que não existe).

domingo, agosto 19, 2012

CARTAR OU ACARRETAR ÁGUA?

“Possas! Hoje fui ao chafariz e, mal cheguei, a água foi. Nem consegui só cartar água”.