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sexta-feira, setembro 02, 2011

O "GARIMPO" DA MEDIA ANGOLANA: REFLEXÃO

O JORNALISMO, no sentido restrito, e a comunicação, no sentido lato, são ciências sociais que se pautam pela exactidão.

Já é consabido que a retransmissão, de uma mesma informação, perde, ao longo do processo de emissão/ recepção, cerca de 20% do seu conteúdo. Daí que usar os termos certos, ou seja, ser conciso e preciso é mais do que uma necessidade que passa à obrigação do informante.

Esta abordagem surge em função de alguma desinformação que tem havido nos nossos medias (angolanos) quanto ao uso da palavra GARIMPO.

Já ouvi, em quase todos medias angolanos (impressos, broadcasting, digitais, etc.), notícias sobre pretensos garimpos de água, de luz (electricidade) e finalmente (RNA) um garimpo de terrenos ao Benfica.

Ora, vejamos o que diz o dicionário a cerca da palavra garimpo e acção de garimpar.

O garimpo é a forma mais rudimentar de mineração, pois são localizados em áreas remotas e não contam com apoio de qualquer empresa ou órgão público, sendo muitas vezes considerado ilegal.

Garimpos podem ainda ser definidos como: explorações manuais ou no máximo semi-mecanizadas de substâncias minerais valiosas, como ouro, diamantes, cassiterita, tantalita-columbita, quartzo, ametista, etc.etc.etc. (Amaral, 2010)

Esta exploração de minérios, geralmente valiosos, por meios mecânicos, pneumáticos, manuais e/ou animais, é muitas vezes feita sem nenhum planeamento e com a utilização de técnicas predatórias ao meio ambiente. A actividade do garimpo pode ser desenvolvida a céu aberto nos aluviões ou rochas mineralizadas aflorantes, ou ainda em galerias escavadas na rocha. Pode ser uma actividade altamente predatória ao meio ambiente se não for realizada com o devido cuidado ambiental.

Portanto, caro comunicador, evite dizer garimpo de água, garimpo de luz (energia), garimpo de terrenos, etc. garimpo é somente para minerais.

segunda-feira, agosto 01, 2011

DESMISTIFICAR MITOS SOBRE A LUNDA

- QUANDO E POR QUE DEIXARAM OS LUNDAS DE EMPREENDER?

Tornaram-se comuns vozes pouco avisadas proferirem impropérios contra os povos da Lunda como sendo “improdutivos e, sobretudo, pouco dados à agricultura, ao comércio e aos estudos”. Para desmistificar tais argumentos precisamos de recuar cerca de cem anos de história deste território até ao início da exploração de diamantes.

Antes da descoberta do minério, a Luanda era constituída por povos agricultores, caçadores, apicultores e recolectores. A mandioca e leguminosas como a katapi (amendoim) despontavam entre a produção agrícola para a subsistência. A caça sempre foi um hobbiy e principal actividade masculina de suporte à alimentação (os tucokwe são grandes comedores de carne e possuem florestas onde abundam animais). A caça do elefante (extracção do marfim) e a produção da cera para o comércio com Kasanje (Malanje) foram outra das principais actividades dos tucokwe nos sec. XVIII e XIX. Por outro lado, sempre houve e há ainda nos dias de hoje uma grande entrega destes povos à pesca nos rios e nas chanas alagadas. A olaria, a escultura e outras artes também eram notórias e os europeus fizeram grandes descrições sobre as riquezas artísticas, culturais e agrícolas dos tucokwe à sua chegada ao território de Mwata Yanvua.

O mel e o fel dos diamantes
Se, por um lado, a existência de diamantes em abundância nas terras de Mwacisenge deve ser sinal de regozijo, por se constituir em riqueza mineral e de grande valor comercial, as medidas tomadas para propiciar a sua exploração (semi-artesanal controlada) e outras para evitar a sua extracção e comércio irregulares levaram a Lunda a um adormecimento sem precedentes.

Com a criação DIAMANG em Outubro de 1917 e com direitos exclusivos sobre o território e povos do nordeste de Angola, a região foi governada pela empresa diamantífera como se de um “outro Estado se Tratasse dentro de Angola”. Todas as actividades como educação, saúde, construção de edifícios e estradas, desenvolvimento agrícola e comércio, abastecimento e segurança, etc., passaram sob tutela exclusiva da DIAMANG que apesar dos enormes benefícios económicos que obteve da exploração diamantífera não teve a noção de Estado e de desenvolvimento dos povos e da região.

A título de exemplo, nos territórios mais a norte (Lunda Norte) o ensino estava circunscrito à 4ª classe. Os autóctones não podiam ser muito instruídos para não se aperceberem dos males que estavam a ser praticados e que comprometiam o seu futuro. Não havia movimentação de pessoas nem trocas comerciais com outros territórios, a iniciativa privada estava proibida. Os efectivos economicamente activos eram todos empregues na exploração diamantífera (semi-artesanal e com bastante absorção de mão-de-obra barata), ou nas monoculturas da baixa de Kasanje, etc.

Com este tipo de gestão territorial e humana seria difícil o desenvolvimento de actividades que não fossem aquelas ligadas à mineração e às roças de algodão e sisal em Kasanje.

A Lunda dos tempos da DIAMANG tinha duas capitais: uma era a administrativa (Henrique de Carvalho), por se situar a sul e com menor potencial diamantífero, e outra, a capital produtiva ou técnica, (Dundo) onde se concentrava toda a indústria suplementar à extracção, os técnicos expatriados, o museu, a administração da actividade diamantífera, etc.

Como se não bastasse, já alcançada a independência, embora se pretendesse governar o território em moles diferentes, a existência de potencial diamantífero ainda ditou a gestão diferenciada do território.

O Decreto presidencial 84/78 de 4 de Julho separava a província da Lunda em duas províncias conforme a sua vocação económica. A Lunda ao sul com a sua capital Saurimo que passou a ter uma gestão normal, e a Lunda ao Norte, com a Capital fixada em Lukapa, com uma gestão política e administrativa atípica. E o presidente Agostinho Neto justificava: “esta área, segundo discussões que tivemos no Comité Central do nosso partido MPLA, é uma área especial e, por isso, não poderá viver como nas outras áreas, como nas outras províncias. Esta é uma área de produção de diamantes. E, dado que tem existido o comércio ilícito, a kamanga, nós passamos a tomar algumas medidas… para poder suster esta actividade desonesta que prejudica todo o povo. Uma dessas medidas será a restrição das entradas de cidadãos, de compatriotas nesta província… vamos fazer com que não seja fácil vir a Luanda Norte e chegar ao rio Kwango…"

À semelhança das leis da antiga DIAMANG, um estatuto especial foi definido para a Lunda Norte, Lei C/80 de 25 de Junho, impondo uma restrição rigorosa de entrada e circulação de pessoas e bens (e do conhecimento), proibindo-se, deste modo, o exercício de qualquer actividade económica na província. A Lei 16/88 de 17 de Setembro tornava extensivas as restrições à província da Lunda Sul.

Foi neste quadro que os povos da Lunda perderam os antigos hábitos de agricultura, desleixaram-se um pouco das suas artes, abandonaram o empreendedorismo e o comércio, votados a uma escolaridade que não passava do ensino de base e com uma gama de serviços públicos deficiente. No período de guerra, em que inexistiram as empresas de exploração mecânica de diamantíferas, todo o povo foi à kamanga que por ser de rendimento imediato, embora perigosa, acabou por retirar da agricultura e do exercício de outras actividades socialmente úteis as populações rurais, remetendo-as a um atraso ainda mais profundo.

O hoje e o amanhã
Sendo a vida dinâmica, crescendo com ela os desafios, urge, alterado que está o quadro histórico, político e económico, regressar às boas práticas, ao passado que transcenda os dias negros da DIAMANG e olhar com optimismo para os dias vindouros. É preciso arregaçar as mangas e caminhar porque o futuro de Angola e da Lunda é agora.

É preciso fazer os campos florirem para que rapidamente alcancemos a auto-suficiência alimentar; fazer renascer a pequena e a média industria transformadora e, quiçá mesmo, uma industria pesada que concorra, em termos de absorção de mão-de-obra e tecnologia, com a industria diamantífera; fazer ressurgir o comércio de proximidade e em grande escala; as artes e ofícios devem ocupar o seu merecido lugar na escala social; os filhos devem ser levados à escola e os doentes aos hospitais; aproveitar as potencialidades turísticas e não olharmos apenas para as riquezas do subsolo que são finitas... Se assim procedermos, queimaremos etapas. O executivo e os cidadãos devem fazer, cada qual a sua parte, para a reconstrução e crescimento deste grande edifício territorial e social que é a Lunda.

BIBLIOGRAFIA

KI-ZERBO, Joseph: História da África Negra II, Pub América- África, Paris 1982.
MANASSA, João Baptista: Lunda, História e Sociedade, Mayamba, 2011.
REDINHA, José: Etnossociologia do nordeste de Angola, Lisboa 1949,
SANTOS, Eduardo: A questão da Lunda, Lisboa 1966.

segunda-feira, julho 04, 2011

LEAD: AS DIFERENTES FORMAS DE INICIAÇÃO DA NOTÍCIA

Um lead não é mais do que o parágrafo guia ou o parágrafo inicial de uma enunciação noticiosa no qual se procuram responder pelo menos 3 a 4 de 6 qustões. Os ingleses chamam as seis perguntas de W questionas que são:Quem, Quê, Onde, Quando, Como, Porquê.

Tenho lido/ouvido frequentemente na media pública uma forma única de iniciação dos textos jornalísticos, como que os meus ex-confrades se tivessem aprimorado apenas no "Lead do Quem".
Para melhor compreender a questão das perguntas a que o lead responde recuo no tempo dos primeiros passos no IMEL onde todos que passaram pelo curso médio de jornalismo tiveram de aprender o seguinte:

QUEM: Refere-se a pessoa ou ao protagonista. Casa com QUÊ.
Ex. O Ministro inaugurou uma escola de uma sala.

QUÊ: Refere-se ao facto ocorrido. Casa com quem.
Ex. A escola inaugurada pelo Ministro vai atender 35 alunos que frequentavam aulas debaixo duma árvore já sem folhas.

ONDE: Refere-se ao local em que decorre(u) o facto em anunciação. Casa com QUANDO.
Ex. Na escola do primeiro ciclo Mwata Kanhanga, pelas 10 horas, acontece a concentração dos alunos seleccionados para o exame de recurso.

QUANDO: refere-se ao tempo (data) em que ocorre(u) o facto em narração. Casa com Quem.
Ex. Era já tarde quando o Ministro descerrou a placa inaugural da escola do primeiro ciclo Mwata Kanhanga.

COMO: refere-se às circusntâncias ou à forma como decorre(u) o facto em narração.
Ex. Mesmo com intenso frio, o Ministro Kambondondo apelou aos alunos a chegarem sempre cedo à escola.

PORQUÊ: Justifica as causas que leva(ra)m à acção. O motivo pelo qual o facto ocorre(u).
Ex. Devido à falta de condições na antiga escola da aldeia de Pedra Escrita, a administração municipal do Libolo foi forçada a construir uma estrutura de raiz que atende a 35 alunos.

Essas "dicas" não se aplicam apenas ao jornalismo, mas sim a toda a comunicação verbal (oral e escrita).

sexta-feira, junho 10, 2011

PEDAÇOS DA MINHA EXPERIÊNCIA JORNALÍSTICA

DICAS DE RÁDIO-JORNALISMO

Em rádio uma palavra que designe a totalidade do que se quer transmitir é um “tiro certeiro que tomba gigantes”.

domingo, abril 10, 2011

A SEXUALIDADE JUVENIL

Palestra proferida aos jovens da Igreja Metodista Unida Central de Saurimo (excursão de reavivamento espeiritual realizada no dia 9.04.2011).

"DEUS, NOSSO BOM PAI, DAI-NOS A VOSSA SABEDORIA E ENTENDIMENTO PARA QUE POSSAMOS TRANSMITIR E ABSORVER CONHECIMENTOS SOBRE A SEXUALIDADE E A JUVENTUDE"

Sexualidade na juventude. Palavras-chave: Juventude, mamor, sexualidade, casamento, fornicação, adultério.

Juventude: Há quem diga que juventude é uma forma de serque não se condiciona à idade biológica. Temos aqui o irmão Carlos que eu considero um jovem com a simples diferença de ser prudente e responsabilidade nos actos No nosso país não me parece bem definido o parâmetro etário em que se situa o jovem. Vou ter de me reger por outras convenções análogas. No Brasil, o jovem compreende a faixa de idade entre 16 à 29 de acordo com a classificação aprovada pelo congresso em Setembro de 2010.

Já a Assembleia Geral da ONU define a juventude como “Período na vida de uma pessoa entre a infância e a maioridade. O conceito moderno diz-nos também que sentem-se jovens, aqueles que têm idade compreendida entre os 25 e 35 anos (surge aí o conceito de jovem adulto adoptado pela nossa igreja), portanto até aos 35 anos.

Amor: pode ser definido como afeição, compaixão, misericórdia, ou ainda, inclinação, atracção, apetite, paixão, querer bem, satisfação, conquista, desejo, libido, etc. O conceito mais popular de amor envolve, de modo geral, a formação de um vínculo emocional com alguém, ou com algum objecto que seja capaz de receber este comportamento amoroso e enviar os estímulos sensoriais e psicológicos necessários para a sua manutenção e motivação.

Eros: representa a parte consciente do amor que uma pessoa sente por outra. É o amor que se liga de forma mais clara à atracção física, e frequentemente compele as pessoas a manterem um relacionamento amoroso continuado. Nesse sentido também é sinónimo de relação sexual. Ao contrário vem a Psique, que representa o sentimento mais espiritual e profundo.

Pragma: (do grego, "prática") seria uma forma de amor que prioriza o lado prático das coisas. O indivíduo avalia todas as possíveis implicações antes de embarcar num romance. Se o namoro aparente tiver futuro, ele investe. Se não, desiste. Cultiva uma lista de pré-requisitos para o parceiro ou a parceira ideal e pondera muito antes de se comprometer. Procura um bom pai ou uma boa mãe para os filhos e leva em conta o conforto material. Está sempre cheio de perguntas. O que será que a minha família vai achar? Se eu me casar, como estarei daqui a cinco anos? Como minha vida vai mudar se eu me casar? É um amor interessado em fazer bem a si mesmo. Um amor que espera algo em troca.

Philia ou altruísmo: coloca a dedicação ao outro sempre antes do próprio interesse. Quem pratica esse estilo de amor entrega-se totalmente à relação e não se importa em abrir mão de certas vontades para a satisfação do ser amado. Investe constantemente no relacionamento, mesmo sem ser correspondido. Sente-se bem quando o outro demonstra alegria. A interpretação cristã sobre a origem de Jesus, engloba este tipo de amor para descrever o acto de Deus, que, ao ver a humanidade perdida, entrega seu filho unigénito, para ser morto em favor do homem.

Storge: é o nome da divindade grega da amizade. Por isso, quem tende a ter esse estilo de amor valoriza a confiança mútua, o entrosamento e os projectos compartilhados. O romance começa de maneira tão gradual que os parceiros nem sabem dizer quando exactamente. A atracção física não é o principal. Os namorados-amigos não tendem a ter relacionamentos calorosos, mas sim tranquilos e afectuosos. Preferem cativar a seduzir. E, em geral, mantêm ligações bastante duradouras e estáveis. O que conta é a confiança mútua e os valores compartilhados. Os amantes do tipo storge revelam satisfação com a vida afectiva. Acontece geralmente entre grandes amigos. Normalmente os casais com este tipo de amor conhecem muito bem um ao outro.

Sexualidade: Para muitas pessoas, falar de sexualidade remete imediatamente ao acto sexual e à reprodução. Mas a sexualidade é muito mais abrangente. Pode ser definida como uma forma de expressão dos afectos, uma maneira de cada indivíduo se descobrir e descobrir os outros. A sexualidade engloba a identidade sexual (masculina e feminina); os afectos e a auto-estima; as alterações físicas e psicológicas ao longo da vida; o conhecimento anatómico e fisiológico do homem e da mulher; a higiene sexual; a gravidez, a maternidade e a paternidade; métodos anticoncepcionais; doenças sexualmente transmissíveis; os transtornos sexuais, entre outros. É logo um tema de difícil abordagem para um leigo como eu, pelo que escolherei apenas alguns ângulos de abordagem para essa dissertação, tentando sempre o enquadramento etimológico, social e religioso da questão.

O conceito contemporâneo diz que a sexualidade é uma experiência individual regida por diferentes desejos e condutas que a tornam um processo absolutamente pessoal e natural. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, "a sexualidade humana forma parte integral da personalidade de cada um. É uma necessidade básica e um aspecto do ser humano que não pode ser separado de outros aspectos da vida. Importa tomar nota que a sexualidade não é sinónimo de coito e não se limita à presença ou não do orgasmo. Sexualidade é muito mais do que isso. É energia que motiva encontrar o amor, contacto e intimidade, e se expressa na forma de sentir, nos movimentos das pessoas e como estas tocam e são tocadas. A sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, acções e integrações, portanto, a saúde física e mental. Se saúde é um direito humano fundamental, a saúde sexual também deve ser considerada como direito humano básico. A saúde sexual é a integração dos aspectos sociais, somáticos, intelectuais e emocionais de maneira tal que influenciem positivamente a personalidade, a capacidade de comunicação com outras pessoas e o amor".

Caracteres sexuais secundários masculinos

Mudança na voz.
Desenvolvimento corporal por aumento da massa muscular.
Aumento do tamanho do pénis e dos testículos.
Poluções nocturnas.
Aparecimento do acne.
Aparecimento de pêlos nos órgãos genitais, axilas, etc.
Maior secreção da hormona testosterona.

Caracteres sexuais secundários femininos

Alargamento das ancas. Maior acumulação de gordura no tecido adiposo.
Desenvolvimento dos seios e das ancas.
Menstruação mensal.
Aparecimento do acne.
Aparecimento de pêlos nos órgãos genitais, axilas, etc.
Maior produção da hormona estrogénio e progesterona.

NOTA: as alterações corporais são vivenciadas de forma diferente, de jovem para jovem. Podem aparecer sentimentos de vergonha, timidez, pudor e até ansiedade, nomeadamente em casa, junto dos pais e dos irmãos, e na escola, junto dos colegas e das colegas. Outra manifestação é a constituição de grupos e de espaços ferozmente mono-sexuais (proibição absoluta dos rapazes entrarem nos grupos das raparigas e vice-versa).

Fornicação: vem de fornix = abóbada, ou arco da porta sob a qual as prostitutas romanas se exibiam. As meretrizes ficavam por lá porque, além de ligar o lugar ao sexo, a mulher romana devia, a não ser que não tivesse nem pai, nem marido, nem filho do sexo masculino, sempre obediência a um homem. No Novo Testamento, fornicação é o termo usado para traduzir a palavra grega Porneia, que designava um matrimónio inválido. A evolução do termo no sleva para a ideia de sexo ilícito, ou seja, a prática de sexo antes ou fora do casamento que aos olhos de Deus é imoralidade e contrário as leis.

Adultério: define-se como "acto de se relacionar com um terceiro na constância do casamento", é considerado uma grave violação dos deveres conjugais por quase todas as civilizações de quase toda a história, sendo que algumas sociedades puniam gravemente o cônjuge adúltero e/ou a pessoa com quem praticava o acto. Hoje, esta violação ainda é punível severamente, inclusive com pena de morte nos países muçulmanos. Nos países do ocident
e, a punição se dá de forma branda mas é causa suficiente para o divórcio ou rescisão do casamento.

O adultério na Bíblia: no Antigo Testamento da Bíblia, a lei mosaica determinava a pena de apedrejamento do adúltero. No Novo Testamento, Jesus afirma que “o que Deus ajuntou, não o separe o homem”

Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de prostituição, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério. (Mt 19:9)

Assim, Jesus explica a reprovação de se contrair novas núpcias enquanto o cônjuge divorciado ainda estiver vivo. Noutro contexto, os apóstolos também posicionaram-se contra o adultério, quando Paulo dizia: “Todavia, aos casados, mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher (...) A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo em que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor. (I Coríntios 7:10-11; 7:39).

Idade ideal para a actividade sexual: É depois de casar. O casamento na nossa ordem jurídica realiza-se a partir dos dezoito anos, salvo excepçõers que normalmente emanam de acções pecamin osas como a gravidez precoce.


O que diz a bíblia sobre sexo antes do casamento: o sexo antes do casamento é repetidamente condenado na bíblica (Actos 15:20; Romanos 1:29; I Coríntios 5:1; 6:13,18; 7:2; 10:8; II Coríntios 12:21; Gálatas 5:19; Efésios 5:3; Colossenses 3:5; I Tessalonicenses 4:3; Judas 1:7). A Bíblia defende e encoraja a abstinência antes do casamento. Sexo antes do casamento é tão errado quanto o adultério ou outras formas de imoralidade sexual, porque todos envolvem relações sexuais com alguém com quem você não é casado. Sexo entre marido e sua esposa é a única forma de relações sexuais que Deus aprova (Hebreus 13:4).

Quem deve fazer sexo? Em princípio o sexo está recomendado aos livremente casados como forma de recriação e recreação (perpectuação da espécie humana e satisfação de funções biológicas e sanitárias).

terça-feira, fevereiro 01, 2011

A COMPLEXIDADE DO NÚMERO E SUA COMPREENSÃO

O número indica "quantidade de seres e/ou coisas". Indica também a grandeza. Na hora das contas sobre os seus feitos (factum) os políticos gostam de enumerar números que indiquem grandezas. Preferem, por isso, usar sessenta minutos a uma hora. Mais de quarenta salas a uma escola... E é, sobretudo, quando se usa o quantitativo "mais" que a coisa ganha significado e interpretação diferentes.

Estamos a viver a abertura do ano lectivo e os políticos de todos os quadrantes fazem contas ao que foi feito no defeso das aulas para reverter o ainda elevado número de crianças fora do sistema escolar. Os discurso apontam, como sempre, "números ocos".

Um certo governante anunciou: "Construímos mais de cinco escolas".
- Terão sido seis ou cinco escolas e meia? (inexiste meia escola)
- Quantas salas terá cada uma das "mais de cinco" escolas e qual o universo de alunos a acolher?

E alguns dos jornalistas embarcam na mesma conversa intencionalmente codificada sem que consigam traduzir para os públicos (leitores, ouvintes e ou telespectadores) o verdadeiro significado dos números e a verdadeira mensagem do interesse do destinatário.

Só uma pergunta: Importa mais saber o número de escolas construídas ou o número de salas, localização e o universo de alunos que possam albergar?

domingo, dezembro 12, 2010

O PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E A CRUCIFICAÇÃO DO INOCENTE

Sou jornalista de profissão e também caí algumas vezes no exercício da profissão, tida como uma das mais perigosas do mundo. Das vezes em que passei ao lado da lisura foi por desconhecimento dos princípios e normas do jornalismo responsável, isto no início da profissão, que fui aperfeiçoando com formações e autodidactismo. É porém importante que o desconhecimento das normas não desresponsabiliza o jornalista pelas gaffes cometidas.

Vezes sem conta tenho cruzado com notícias incompletas do ponto de vista de apuramento da verdade que é o caval;o de batalha do jornalismo sério.É preocupante a inobserv6ancia do princípio do contraditório que quando aplicado à actividade jornalística, contribui para a elaboração de parâmetros de racionalidade que auxiliam no desempenho ético da imprensa e no cumprimento do seu papel de guardião da democracia contemporânea. A imprensa livre é necessária à democracia. Porém, não se trata de uma liberdade ilimitada e irresponsável.

Jurídicamente, ninguém pode ser processado por um esquema que não seja previamente estabelecido. Ou seja, as normas em que se desenrolam as actividades persecutória e judiciária do Estado e a de defesa do acusado não podem extrapolar aquilo que está legalmente cominado.

Significa que o acusado deve ter a oportunidade de se explicar, mesmo que seja notoriamente culpado de um fato que lhe é imputado.

O princípio do contraditório é o que se traduz em : sempre ouvir a outra parte. Trata-se de não somente ouvir as partes mas também constar as versões concernentes ao facto, tanto por parte de quem acusa, como por parte de quem se defende e ainda a parte intermédia (de recurso) se esta existir.

Explicado em miúdos e tomando como exemplo o jornalista que acusa uma empresa de despedir trabalhadores. Que deve ele fazer antes de divulgar?

1- Ouvir os que reclamam (trabalhadores que se dizem despedidos).


2- Ouvir a empresa acusada de despedir


3- Ouvir a entidade reguladora (se tem conhecimento, se foram tomadas as providências regulamentares e o parecer que emite sobre o assunto).

Infelizmente, há casos em que o escriba se baseia apenas no relato de uma das partes da contenda, quando não lhe acrescenta elementos (inexistentes), evitando a consulta aos acusados/referenciados e/ou escudando-se na já velha moleta: "esta estação tentou contacta a área de imagem ou a direcção da empresa mas todos os esforços foram gorados", como se issso bastasse. E a entidade reguladora?

A imprensa num País republicano e democrático como Angola é livre, porém, não acima da Lei, nem superior à dignidade inerente a todas as pessoas. Portanto, os jornalistas não podem agir ao seu bel-prazer. Há de se elaborar um método que forneça ao operador noticioso um parâmetro de racionalidade que resguarde as pessoas de eventuais abusos cometidos no exercício da profissão jornalística.

O ordenamento jurídico angolano (Constituição da República e Lei de Imprensa) estipulam nos seus articulados o Direito de resposta e o Direito de rectificação que muitas vezes não são concedido às partes que se sentem lesadas pelos jornalistas e pela media.
 
Com recurso ao site da Ordem dos Advogados do Brasil

terça-feira, novembro 30, 2010

COMO ARBITRAR SEM SABER JOGAR?

Este mes recebi com agrado e preocupação, um convite da direcção provincial da cultura da Lunda Sul para presidir ao juri do concurso de danças tradicionais.
Agradado porque o convite surgiu como reconhecimento às minhas reflexões sobre a cultura local. Um dos textos que terá estado na origem do convite foi publicado na Revista Lusango editada pelo Governo da Lunda Sul.

Preocupado porque nunca fui bom dançarino (nem mesmo de kizomba) e nem sou natural do leste/nordeste de Angola, região em que trabalho há já cinco anos e com uma grande interação com as comunidades.

E tal como me mostrei inquieto, perguntando-me, sem negar ao convite, por que terei de ser eu a preisidir ao juri, muitos também se terão questionado: por que razão um mukuakuiza com tantos peritos que há por cá?

Após reflexão, achei por bem usar uma postura de liderança. Os líderes não têm de ser necessáriamente peritos em tudo. Têm é de estar bem ladeados e bem aconselhados. E foi o que fiz. Documentei-me o suficiente sobre as indumentárias que acompanham as danças tradicionais locais (com realce para a Cianda e Cisela e makopo), os instrumentos musicais, os movimentos e sua descrição, sendo o resto ciência: Entoação, harmonia, coreografia, enquadramento, movimentos, tempo de exibição, etc.

E foi uma bela experiência. Tudo o que o corpo de jurado (seis integrantes) e a assistência puderam ver é que nenhum dos grupos fugiu à modernidade, inovando aqui ou alí nalgum pequeno detalhe. Vimo-lo nas indumentárias, nas coreaografias, nas entoações musicais, etc.

Uns, os grupos dos municipios do interior (Dala e Muconda), conservando a ainda a matriz identitária das danças tradicionais e outros, os grupos do municipio sede (Saurimo), com uma grande propensão para a fusão de vários elementos culturais (empréstimos com outras danças contemporâneas), o que na verdade tornou difícial a missão de escolher quem representará a província no concurso nacional a acontecer no Huambo.

Um dos elementos a ter em conta é que sendo danças tradicionais a matriz deve ser no máximo protegida (mesmo sabendoo-se que nenhuma cultura é estanque e que os empréstimos são inevitáveis). A indumentária (incluindo as coberturas ou chapéus) deve ser rigorosa: Ou toda a tender para o modernismo ou toda ela confeccionada com materiais tradicionais o que lhe confere um aspecto mais rústico e indentitário com o passado; os toques devem ser originais…

A transmissão nas escolas deve obedecer ao tradicional para que não se mate o passado. Aprendido o original, deve partir-se para as inovações que se acharem pertinentes, já que a cultura é um bem comercial e turístico.

Assistido ao concurso em que despontaram grupos formados por pessoas adultas e experientes, e jovens e adolescentes com potencial, um dos questionamentos que me coloquei foi: Quem devia ir representar a Lunda Sul, visto que escolhendo “o aluno” poder-se-ia desencorajar “o professor”, sendo válido o posto?

A votação individual em todas as categorias, obedecendo-se ao principio de que “ganha quem mais pontos somar” resolveu a questão.

A título individual, e neste espaço sou porém a recomendar: O representante da província deve ser rigosoro na observância da indumentária (conforme acima exposto), no comando do grupo e acatamento das ordens dadas pelos executantes dos instrumentos, no cumprimento dos tempo para exibição, na execução ordenada dos passos (entrada e saída do palco) e noutros quesitos. Se assim for, o grupo escolhido pelo juri pode trazer uma medalha do Huambo.

Texto tb.publicado no blog http://www.mesumajikuka.blogspot.com/

sábado, outubro 30, 2010

A MISSÃO EVANGELIZADORA (NA I.M.U.A.)

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HINO Nro 63 em Kimbundu (Hinário Povo Cantai!)
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Nas sagradas escrituras a missão evangelizadora da igreja está intimamente relacionada à história da salvação, que é a vontade de Deus de que "todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade." (segundo narrado em ITm 2:4-5)

Por isso a missão está ligada ao envio de hiomens e mulheres ao encontro de novas ovelhas para o rebalho do Senhor. Em Mt 28:19-20, Jesus ordenava a seus discipulos: "Ide, fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, ensinando-os a observar tudo quanto vos mandei." É esse envio justifica e motiva a missão da comunidade cristã.

A evangelização exprime a identidade, a vocação própria da Igreja, sua missão essencial: "Evangelizar constitui a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade."Por isso, a evangelização é o núcleo central da missão da Igreja. Sem esse trabalho, a Igreja não passaria de uma qualquer associação ou "clube de amigos".

É fundamental que toda a igreja, todos os membros, homens, mulheres e crianças, tomemos consciência de que toda a Igrejatem esta missão.

Os cristãos não podem permanecer passivos, reduzindo a sua relação com a igreja as momentos rituais de domingo. É preciso colocar toda a Igreja em "estado permanente de missão".

Olhemos à nossa volta:

Por que haverá tamanha distância, em termos de adesão de novos prosélitos, entre as comunidades religiosas tradicionais e as ditas emergentes se todos pregam a felicidade?

- Uns pregam a felicidade na terra onde vivemos hoje e onde temos carências materiais e espirituais: A mensagem que se tem passado é de que viver bem (de forma desafogada materialmente e cristã) tem de ser aqui (terra). Incute-se nos homens e nas mulheres a necessidade de servir a Deus com fé e obra material (Tg. 2:18) para que esta, a última, se multiplique e redunde em saúde e bem-estar material. E os homens e mulheres são apelados a trabalhar e a ofertar cada vez mais, buscando a sua própria realização (espiritual e material) e com as doações proporcionarem também o bem-estar material das suas confissões religiosas (templos bem acabados e ornamentados) e dos seus líderes religiosos (aparentemente ricos). Os adeptos da felicidade em vida presente e na terra apoiam-se de instrumentos modernos de persuasão (publicidade e marketing e às vezes até da propaganda) para chegarem aos grandes contribuintes e moldadores de consciências (figuras publicas e políticas) que por sequência lógica acabam arrastando os seus admiradores e dependentes.

- Outros pregam a felicidade celestial o que pressupõe que a verdadeira felicidade seria/será aquela a viver na vida ultra tumba. Para tal a mensagem tem sido a de viver uma vida imaterial na terra (Lc. 18:25) para gozar de uma vida celestial sem carências junto de Cristo. Os homens e mulheres são apelados a seguir a Cristo, com vida modesta, sem apego material na terra para usufruir de uma vida abundante nos céus. Note-se, porém, que quando o plantio (busca por bens materiais) é escasso, escassa será também a colheita material (ofertas para o trabalho da igreja). Daí que estas igrejas tradicionais vivem hoje uma carência financeira.

Tudo isso, caros irmãos deve levar-nos à reflexão: As sociedades moldam-se com o passar dos tempos. O cristão é um ser social como os demais e deve estar a par de todas as transformações, independentemente dos dogmas que defenda. Uma conduta demasiadamente ortodoxa pode levar o cristão a recuar no tempo. Não é lícito que fiquemos a lamentar a falta de membros nas nossas comunidades religiosas assistindo impávidos as outras que se tornam cada vez mais cheias. Não devemos lamentar a falta de obras nas nossas igrejas quando as outras estão cada vez mais ricas.

Devemos sim, encontra os caminhos expeditos para fazer uma concorrencia leal e sadia ao nosso vizinho: evangelizar, pregar a santa palavra, trazendo novas ovelhas para o rebanho do Senhor (independentemente do que são e do que fazem) e moldá-las à vida cristã. Juntar e não discriminar.

Deus requer a nossa fé e as nossas obras e não a forma como nos apresentamos (se bem vestidos ou rotos, se bem-falantes ou mal-falantes de determinadas línguas, se ricos ou pobres). Todos somos poucos para a grande obra que a nós se impõe.

A grande missão da Igreja concretiza-se na preocupação com a pessoa humana em sua totalidade. Não é preocupação com uma salvação abstrata, mas compromisso de fé com o ser humano, com seu crescimento no seguimento de Jesus e com sua plena realização em todos os sentidos.

NOTA: O autor é membro da Igreja Metodista Unida em Angola desde 1984. O texto supra foi o suporte de uma pregação/dissertação sua feita no culto de domingo, 31/10/2010, na Igreja Central de Saurimo (Angola).

sexta-feira, setembro 24, 2010

CARTA A UM CONTERRÂNEO

Caro amigo Abrantes,
É para mim um imenso prazer comunicar consigo.

Olhando para o mapa das migrações dos povos bantu, notamos que os povos que habitam o actual território do Kuanza-Sul vieram do nordeste, ou seja, da actual região de Malanje (apud Vinte e Cinco e Malumbo). Significa que os nossos ancestrais falavam kimbundu. Chegar a esta conclusão é ainda fácil, mesmo nos dias hodiernos. Basta fazer um inquérito a pessoas de elevada idade sobre "que língua fala".

Por outro lado, muitos dos povos que habitavam o território (actual) do K-Sul migraram para sul e lá fundaram outros reinos e Estados independentes como o Vye (Bié), Ndulo (Andulo), etc. O intercâmbio linguístico entre os povos que falam umbundu e kimbundu (linguas vizinhas) criou uma língua franca (intermédia) a que precisamos atribuir um nome, pois os que vivem mais a sul do K-Sul consideram-se, e são, falantes de umbundu. Os que estão mais a norte do K-Sul falam kimbundu (ex. os Libolo). Os Kibala também se consideram falantes de kimbundu, embora empreguem termos que fogem fonéticamente a esta língua.

No caso, e respondendo à sua questão, o meu caro amigo Abranmtes também é kimbundo (no conceito ancestral). Temos, porém, de encontrar um denominador comum para todos os povos do K-Sul. E é este o esforço em curso.

Atenciosamente,
Luciano Canhanga

A CARTA (e-mail) que originou a resposta supraescrita.

Oi senhor Canhanga,
Aqui é o da-estrela. Trabalho com a língua ngoya.Quero saber se antes do nome ngoya, como se chamava o que os nossos bisavôs falavam? Eu quero fazer um dicionário da minha língua, ngoya, e preciso da tua ajuda.

Eu sou do EBO bairro da Caluanda.