Número total de visualizações de página

domingo, abril 10, 2011

A SEXUALIDADE JUVENIL

Palestra proferida aos jovens da Igreja Metodista Unida Central de Saurimo (excursão de reavivamento espeiritual realizada no dia 9.04.2011).

"DEUS, NOSSO BOM PAI, DAI-NOS A VOSSA SABEDORIA E ENTENDIMENTO PARA QUE POSSAMOS TRANSMITIR E ABSORVER CONHECIMENTOS SOBRE A SEXUALIDADE E A JUVENTUDE"

Sexualidade na juventude. Palavras-chave: Juventude, mamor, sexualidade, casamento, fornicação, adultério.

Juventude: Há quem diga que juventude é uma forma de serque não se condiciona à idade biológica. Temos aqui o irmão Carlos que eu considero um jovem com a simples diferença de ser prudente e responsabilidade nos actos No nosso país não me parece bem definido o parâmetro etário em que se situa o jovem. Vou ter de me reger por outras convenções análogas. No Brasil, o jovem compreende a faixa de idade entre 16 à 29 de acordo com a classificação aprovada pelo congresso em Setembro de 2010.

Já a Assembleia Geral da ONU define a juventude como “Período na vida de uma pessoa entre a infância e a maioridade. O conceito moderno diz-nos também que sentem-se jovens, aqueles que têm idade compreendida entre os 25 e 35 anos (surge aí o conceito de jovem adulto adoptado pela nossa igreja), portanto até aos 35 anos.

Amor: pode ser definido como afeição, compaixão, misericórdia, ou ainda, inclinação, atracção, apetite, paixão, querer bem, satisfação, conquista, desejo, libido, etc. O conceito mais popular de amor envolve, de modo geral, a formação de um vínculo emocional com alguém, ou com algum objecto que seja capaz de receber este comportamento amoroso e enviar os estímulos sensoriais e psicológicos necessários para a sua manutenção e motivação.

Eros: representa a parte consciente do amor que uma pessoa sente por outra. É o amor que se liga de forma mais clara à atracção física, e frequentemente compele as pessoas a manterem um relacionamento amoroso continuado. Nesse sentido também é sinónimo de relação sexual. Ao contrário vem a Psique, que representa o sentimento mais espiritual e profundo.

Pragma: (do grego, "prática") seria uma forma de amor que prioriza o lado prático das coisas. O indivíduo avalia todas as possíveis implicações antes de embarcar num romance. Se o namoro aparente tiver futuro, ele investe. Se não, desiste. Cultiva uma lista de pré-requisitos para o parceiro ou a parceira ideal e pondera muito antes de se comprometer. Procura um bom pai ou uma boa mãe para os filhos e leva em conta o conforto material. Está sempre cheio de perguntas. O que será que a minha família vai achar? Se eu me casar, como estarei daqui a cinco anos? Como minha vida vai mudar se eu me casar? É um amor interessado em fazer bem a si mesmo. Um amor que espera algo em troca.

Philia ou altruísmo: coloca a dedicação ao outro sempre antes do próprio interesse. Quem pratica esse estilo de amor entrega-se totalmente à relação e não se importa em abrir mão de certas vontades para a satisfação do ser amado. Investe constantemente no relacionamento, mesmo sem ser correspondido. Sente-se bem quando o outro demonstra alegria. A interpretação cristã sobre a origem de Jesus, engloba este tipo de amor para descrever o acto de Deus, que, ao ver a humanidade perdida, entrega seu filho unigénito, para ser morto em favor do homem.

Storge: é o nome da divindade grega da amizade. Por isso, quem tende a ter esse estilo de amor valoriza a confiança mútua, o entrosamento e os projectos compartilhados. O romance começa de maneira tão gradual que os parceiros nem sabem dizer quando exactamente. A atracção física não é o principal. Os namorados-amigos não tendem a ter relacionamentos calorosos, mas sim tranquilos e afectuosos. Preferem cativar a seduzir. E, em geral, mantêm ligações bastante duradouras e estáveis. O que conta é a confiança mútua e os valores compartilhados. Os amantes do tipo storge revelam satisfação com a vida afectiva. Acontece geralmente entre grandes amigos. Normalmente os casais com este tipo de amor conhecem muito bem um ao outro.

Sexualidade: Para muitas pessoas, falar de sexualidade remete imediatamente ao acto sexual e à reprodução. Mas a sexualidade é muito mais abrangente. Pode ser definida como uma forma de expressão dos afectos, uma maneira de cada indivíduo se descobrir e descobrir os outros. A sexualidade engloba a identidade sexual (masculina e feminina); os afectos e a auto-estima; as alterações físicas e psicológicas ao longo da vida; o conhecimento anatómico e fisiológico do homem e da mulher; a higiene sexual; a gravidez, a maternidade e a paternidade; métodos anticoncepcionais; doenças sexualmente transmissíveis; os transtornos sexuais, entre outros. É logo um tema de difícil abordagem para um leigo como eu, pelo que escolherei apenas alguns ângulos de abordagem para essa dissertação, tentando sempre o enquadramento etimológico, social e religioso da questão.

O conceito contemporâneo diz que a sexualidade é uma experiência individual regida por diferentes desejos e condutas que a tornam um processo absolutamente pessoal e natural. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, "a sexualidade humana forma parte integral da personalidade de cada um. É uma necessidade básica e um aspecto do ser humano que não pode ser separado de outros aspectos da vida. Importa tomar nota que a sexualidade não é sinónimo de coito e não se limita à presença ou não do orgasmo. Sexualidade é muito mais do que isso. É energia que motiva encontrar o amor, contacto e intimidade, e se expressa na forma de sentir, nos movimentos das pessoas e como estas tocam e são tocadas. A sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, acções e integrações, portanto, a saúde física e mental. Se saúde é um direito humano fundamental, a saúde sexual também deve ser considerada como direito humano básico. A saúde sexual é a integração dos aspectos sociais, somáticos, intelectuais e emocionais de maneira tal que influenciem positivamente a personalidade, a capacidade de comunicação com outras pessoas e o amor".

Caracteres sexuais secundários masculinos

Mudança na voz.
Desenvolvimento corporal por aumento da massa muscular.
Aumento do tamanho do pénis e dos testículos.
Poluções nocturnas.
Aparecimento do acne.
Aparecimento de pêlos nos órgãos genitais, axilas, etc.
Maior secreção da hormona testosterona.

Caracteres sexuais secundários femininos

Alargamento das ancas. Maior acumulação de gordura no tecido adiposo.
Desenvolvimento dos seios e das ancas.
Menstruação mensal.
Aparecimento do acne.
Aparecimento de pêlos nos órgãos genitais, axilas, etc.
Maior produção da hormona estrogénio e progesterona.

NOTA: as alterações corporais são vivenciadas de forma diferente, de jovem para jovem. Podem aparecer sentimentos de vergonha, timidez, pudor e até ansiedade, nomeadamente em casa, junto dos pais e dos irmãos, e na escola, junto dos colegas e das colegas. Outra manifestação é a constituição de grupos e de espaços ferozmente mono-sexuais (proibição absoluta dos rapazes entrarem nos grupos das raparigas e vice-versa).

Fornicação: vem de fornix = abóbada, ou arco da porta sob a qual as prostitutas romanas se exibiam. As meretrizes ficavam por lá porque, além de ligar o lugar ao sexo, a mulher romana devia, a não ser que não tivesse nem pai, nem marido, nem filho do sexo masculino, sempre obediência a um homem. No Novo Testamento, fornicação é o termo usado para traduzir a palavra grega Porneia, que designava um matrimónio inválido. A evolução do termo no sleva para a ideia de sexo ilícito, ou seja, a prática de sexo antes ou fora do casamento que aos olhos de Deus é imoralidade e contrário as leis.

Adultério: define-se como "acto de se relacionar com um terceiro na constância do casamento", é considerado uma grave violação dos deveres conjugais por quase todas as civilizações de quase toda a história, sendo que algumas sociedades puniam gravemente o cônjuge adúltero e/ou a pessoa com quem praticava o acto. Hoje, esta violação ainda é punível severamente, inclusive com pena de morte nos países muçulmanos. Nos países do ocident
e, a punição se dá de forma branda mas é causa suficiente para o divórcio ou rescisão do casamento.

O adultério na Bíblia: no Antigo Testamento da Bíblia, a lei mosaica determinava a pena de apedrejamento do adúltero. No Novo Testamento, Jesus afirma que “o que Deus ajuntou, não o separe o homem”

Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de prostituição, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério. (Mt 19:9)

Assim, Jesus explica a reprovação de se contrair novas núpcias enquanto o cônjuge divorciado ainda estiver vivo. Noutro contexto, os apóstolos também posicionaram-se contra o adultério, quando Paulo dizia: “Todavia, aos casados, mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher (...) A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo em que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor. (I Coríntios 7:10-11; 7:39).

Idade ideal para a actividade sexual: É depois de casar. O casamento na nossa ordem jurídica realiza-se a partir dos dezoito anos, salvo excepçõers que normalmente emanam de acções pecamin osas como a gravidez precoce.


O que diz a bíblia sobre sexo antes do casamento: o sexo antes do casamento é repetidamente condenado na bíblica (Actos 15:20; Romanos 1:29; I Coríntios 5:1; 6:13,18; 7:2; 10:8; II Coríntios 12:21; Gálatas 5:19; Efésios 5:3; Colossenses 3:5; I Tessalonicenses 4:3; Judas 1:7). A Bíblia defende e encoraja a abstinência antes do casamento. Sexo antes do casamento é tão errado quanto o adultério ou outras formas de imoralidade sexual, porque todos envolvem relações sexuais com alguém com quem você não é casado. Sexo entre marido e sua esposa é a única forma de relações sexuais que Deus aprova (Hebreus 13:4).

Quem deve fazer sexo? Em princípio o sexo está recomendado aos livremente casados como forma de recriação e recreação (perpectuação da espécie humana e satisfação de funções biológicas e sanitárias).

terça-feira, fevereiro 01, 2011

A COMPLEXIDADE DO NÚMERO E SUA COMPREENSÃO

O número indica "quantidade de seres e/ou coisas". Indica também a grandeza. Na hora das contas sobre os seus feitos (factum) os políticos gostam de enumerar números que indiquem grandezas. Preferem, por isso, usar sessenta minutos a uma hora. Mais de quarenta salas a uma escola... E é, sobretudo, quando se usa o quantitativo "mais" que a coisa ganha significado e interpretação diferentes.

Estamos a viver a abertura do ano lectivo e os políticos de todos os quadrantes fazem contas ao que foi feito no defeso das aulas para reverter o ainda elevado número de crianças fora do sistema escolar. Os discurso apontam, como sempre, "números ocos".

Um certo governante anunciou: "Construímos mais de cinco escolas".
- Terão sido seis ou cinco escolas e meia? (inexiste meia escola)
- Quantas salas terá cada uma das "mais de cinco" escolas e qual o universo de alunos a acolher?

E alguns dos jornalistas embarcam na mesma conversa intencionalmente codificada sem que consigam traduzir para os públicos (leitores, ouvintes e ou telespectadores) o verdadeiro significado dos números e a verdadeira mensagem do interesse do destinatário.

Só uma pergunta: Importa mais saber o número de escolas construídas ou o número de salas, localização e o universo de alunos que possam albergar?

domingo, dezembro 12, 2010

O PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E A CRUCIFICAÇÃO DO INOCENTE

Sou jornalista de profissão e também caí algumas vezes no exercício da profissão, tida como uma das mais perigosas do mundo. Das vezes em que passei ao lado da lisura foi por desconhecimento dos princípios e normas do jornalismo responsável, isto no início da profissão, que fui aperfeiçoando com formações e autodidactismo. É porém importante que o desconhecimento das normas não desresponsabiliza o jornalista pelas gaffes cometidas.

Vezes sem conta tenho cruzado com notícias incompletas do ponto de vista de apuramento da verdade que é o caval;o de batalha do jornalismo sério.É preocupante a inobserv6ancia do princípio do contraditório que quando aplicado à actividade jornalística, contribui para a elaboração de parâmetros de racionalidade que auxiliam no desempenho ético da imprensa e no cumprimento do seu papel de guardião da democracia contemporânea. A imprensa livre é necessária à democracia. Porém, não se trata de uma liberdade ilimitada e irresponsável.

Jurídicamente, ninguém pode ser processado por um esquema que não seja previamente estabelecido. Ou seja, as normas em que se desenrolam as actividades persecutória e judiciária do Estado e a de defesa do acusado não podem extrapolar aquilo que está legalmente cominado.

Significa que o acusado deve ter a oportunidade de se explicar, mesmo que seja notoriamente culpado de um fato que lhe é imputado.

O princípio do contraditório é o que se traduz em : sempre ouvir a outra parte. Trata-se de não somente ouvir as partes mas também constar as versões concernentes ao facto, tanto por parte de quem acusa, como por parte de quem se defende e ainda a parte intermédia (de recurso) se esta existir.

Explicado em miúdos e tomando como exemplo o jornalista que acusa uma empresa de despedir trabalhadores. Que deve ele fazer antes de divulgar?

1- Ouvir os que reclamam (trabalhadores que se dizem despedidos).


2- Ouvir a empresa acusada de despedir


3- Ouvir a entidade reguladora (se tem conhecimento, se foram tomadas as providências regulamentares e o parecer que emite sobre o assunto).

Infelizmente, há casos em que o escriba se baseia apenas no relato de uma das partes da contenda, quando não lhe acrescenta elementos (inexistentes), evitando a consulta aos acusados/referenciados e/ou escudando-se na já velha moleta: "esta estação tentou contacta a área de imagem ou a direcção da empresa mas todos os esforços foram gorados", como se issso bastasse. E a entidade reguladora?

A imprensa num País republicano e democrático como Angola é livre, porém, não acima da Lei, nem superior à dignidade inerente a todas as pessoas. Portanto, os jornalistas não podem agir ao seu bel-prazer. Há de se elaborar um método que forneça ao operador noticioso um parâmetro de racionalidade que resguarde as pessoas de eventuais abusos cometidos no exercício da profissão jornalística.

O ordenamento jurídico angolano (Constituição da República e Lei de Imprensa) estipulam nos seus articulados o Direito de resposta e o Direito de rectificação que muitas vezes não são concedido às partes que se sentem lesadas pelos jornalistas e pela media.
 
Com recurso ao site da Ordem dos Advogados do Brasil

terça-feira, novembro 30, 2010

COMO ARBITRAR SEM SABER JOGAR?

Este mes recebi com agrado e preocupação, um convite da direcção provincial da cultura da Lunda Sul para presidir ao juri do concurso de danças tradicionais.
Agradado porque o convite surgiu como reconhecimento às minhas reflexões sobre a cultura local. Um dos textos que terá estado na origem do convite foi publicado na Revista Lusango editada pelo Governo da Lunda Sul.

Preocupado porque nunca fui bom dançarino (nem mesmo de kizomba) e nem sou natural do leste/nordeste de Angola, região em que trabalho há já cinco anos e com uma grande interação com as comunidades.

E tal como me mostrei inquieto, perguntando-me, sem negar ao convite, por que terei de ser eu a preisidir ao juri, muitos também se terão questionado: por que razão um mukuakuiza com tantos peritos que há por cá?

Após reflexão, achei por bem usar uma postura de liderança. Os líderes não têm de ser necessáriamente peritos em tudo. Têm é de estar bem ladeados e bem aconselhados. E foi o que fiz. Documentei-me o suficiente sobre as indumentárias que acompanham as danças tradicionais locais (com realce para a Cianda e Cisela e makopo), os instrumentos musicais, os movimentos e sua descrição, sendo o resto ciência: Entoação, harmonia, coreografia, enquadramento, movimentos, tempo de exibição, etc.

E foi uma bela experiência. Tudo o que o corpo de jurado (seis integrantes) e a assistência puderam ver é que nenhum dos grupos fugiu à modernidade, inovando aqui ou alí nalgum pequeno detalhe. Vimo-lo nas indumentárias, nas coreaografias, nas entoações musicais, etc.

Uns, os grupos dos municipios do interior (Dala e Muconda), conservando a ainda a matriz identitária das danças tradicionais e outros, os grupos do municipio sede (Saurimo), com uma grande propensão para a fusão de vários elementos culturais (empréstimos com outras danças contemporâneas), o que na verdade tornou difícial a missão de escolher quem representará a província no concurso nacional a acontecer no Huambo.

Um dos elementos a ter em conta é que sendo danças tradicionais a matriz deve ser no máximo protegida (mesmo sabendoo-se que nenhuma cultura é estanque e que os empréstimos são inevitáveis). A indumentária (incluindo as coberturas ou chapéus) deve ser rigorosa: Ou toda a tender para o modernismo ou toda ela confeccionada com materiais tradicionais o que lhe confere um aspecto mais rústico e indentitário com o passado; os toques devem ser originais…

A transmissão nas escolas deve obedecer ao tradicional para que não se mate o passado. Aprendido o original, deve partir-se para as inovações que se acharem pertinentes, já que a cultura é um bem comercial e turístico.

Assistido ao concurso em que despontaram grupos formados por pessoas adultas e experientes, e jovens e adolescentes com potencial, um dos questionamentos que me coloquei foi: Quem devia ir representar a Lunda Sul, visto que escolhendo “o aluno” poder-se-ia desencorajar “o professor”, sendo válido o posto?

A votação individual em todas as categorias, obedecendo-se ao principio de que “ganha quem mais pontos somar” resolveu a questão.

A título individual, e neste espaço sou porém a recomendar: O representante da província deve ser rigosoro na observância da indumentária (conforme acima exposto), no comando do grupo e acatamento das ordens dadas pelos executantes dos instrumentos, no cumprimento dos tempo para exibição, na execução ordenada dos passos (entrada e saída do palco) e noutros quesitos. Se assim for, o grupo escolhido pelo juri pode trazer uma medalha do Huambo.

Texto tb.publicado no blog http://www.mesumajikuka.blogspot.com/

sábado, outubro 30, 2010

A MISSÃO EVANGELIZADORA (NA I.M.U.A.)

...
HINO Nro 63 em Kimbundu (Hinário Povo Cantai!)
...
Nas sagradas escrituras a missão evangelizadora da igreja está intimamente relacionada à história da salvação, que é a vontade de Deus de que "todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade." (segundo narrado em ITm 2:4-5)

Por isso a missão está ligada ao envio de hiomens e mulheres ao encontro de novas ovelhas para o rebalho do Senhor. Em Mt 28:19-20, Jesus ordenava a seus discipulos: "Ide, fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, ensinando-os a observar tudo quanto vos mandei." É esse envio justifica e motiva a missão da comunidade cristã.

A evangelização exprime a identidade, a vocação própria da Igreja, sua missão essencial: "Evangelizar constitui a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade."Por isso, a evangelização é o núcleo central da missão da Igreja. Sem esse trabalho, a Igreja não passaria de uma qualquer associação ou "clube de amigos".

É fundamental que toda a igreja, todos os membros, homens, mulheres e crianças, tomemos consciência de que toda a Igrejatem esta missão.

Os cristãos não podem permanecer passivos, reduzindo a sua relação com a igreja as momentos rituais de domingo. É preciso colocar toda a Igreja em "estado permanente de missão".

Olhemos à nossa volta:

Por que haverá tamanha distância, em termos de adesão de novos prosélitos, entre as comunidades religiosas tradicionais e as ditas emergentes se todos pregam a felicidade?

- Uns pregam a felicidade na terra onde vivemos hoje e onde temos carências materiais e espirituais: A mensagem que se tem passado é de que viver bem (de forma desafogada materialmente e cristã) tem de ser aqui (terra). Incute-se nos homens e nas mulheres a necessidade de servir a Deus com fé e obra material (Tg. 2:18) para que esta, a última, se multiplique e redunde em saúde e bem-estar material. E os homens e mulheres são apelados a trabalhar e a ofertar cada vez mais, buscando a sua própria realização (espiritual e material) e com as doações proporcionarem também o bem-estar material das suas confissões religiosas (templos bem acabados e ornamentados) e dos seus líderes religiosos (aparentemente ricos). Os adeptos da felicidade em vida presente e na terra apoiam-se de instrumentos modernos de persuasão (publicidade e marketing e às vezes até da propaganda) para chegarem aos grandes contribuintes e moldadores de consciências (figuras publicas e políticas) que por sequência lógica acabam arrastando os seus admiradores e dependentes.

- Outros pregam a felicidade celestial o que pressupõe que a verdadeira felicidade seria/será aquela a viver na vida ultra tumba. Para tal a mensagem tem sido a de viver uma vida imaterial na terra (Lc. 18:25) para gozar de uma vida celestial sem carências junto de Cristo. Os homens e mulheres são apelados a seguir a Cristo, com vida modesta, sem apego material na terra para usufruir de uma vida abundante nos céus. Note-se, porém, que quando o plantio (busca por bens materiais) é escasso, escassa será também a colheita material (ofertas para o trabalho da igreja). Daí que estas igrejas tradicionais vivem hoje uma carência financeira.

Tudo isso, caros irmãos deve levar-nos à reflexão: As sociedades moldam-se com o passar dos tempos. O cristão é um ser social como os demais e deve estar a par de todas as transformações, independentemente dos dogmas que defenda. Uma conduta demasiadamente ortodoxa pode levar o cristão a recuar no tempo. Não é lícito que fiquemos a lamentar a falta de membros nas nossas comunidades religiosas assistindo impávidos as outras que se tornam cada vez mais cheias. Não devemos lamentar a falta de obras nas nossas igrejas quando as outras estão cada vez mais ricas.

Devemos sim, encontra os caminhos expeditos para fazer uma concorrencia leal e sadia ao nosso vizinho: evangelizar, pregar a santa palavra, trazendo novas ovelhas para o rebanho do Senhor (independentemente do que são e do que fazem) e moldá-las à vida cristã. Juntar e não discriminar.

Deus requer a nossa fé e as nossas obras e não a forma como nos apresentamos (se bem vestidos ou rotos, se bem-falantes ou mal-falantes de determinadas línguas, se ricos ou pobres). Todos somos poucos para a grande obra que a nós se impõe.

A grande missão da Igreja concretiza-se na preocupação com a pessoa humana em sua totalidade. Não é preocupação com uma salvação abstrata, mas compromisso de fé com o ser humano, com seu crescimento no seguimento de Jesus e com sua plena realização em todos os sentidos.

NOTA: O autor é membro da Igreja Metodista Unida em Angola desde 1984. O texto supra foi o suporte de uma pregação/dissertação sua feita no culto de domingo, 31/10/2010, na Igreja Central de Saurimo (Angola).

sexta-feira, setembro 24, 2010

CARTA A UM CONTERRÂNEO

Caro amigo Abrantes,
É para mim um imenso prazer comunicar consigo.

Olhando para o mapa das migrações dos povos bantu, notamos que os povos que habitam o actual território do Kuanza-Sul vieram do nordeste, ou seja, da actual região de Malanje (apud Vinte e Cinco e Malumbo). Significa que os nossos ancestrais falavam kimbundu. Chegar a esta conclusão é ainda fácil, mesmo nos dias hodiernos. Basta fazer um inquérito a pessoas de elevada idade sobre "que língua fala".

Por outro lado, muitos dos povos que habitavam o território (actual) do K-Sul migraram para sul e lá fundaram outros reinos e Estados independentes como o Vye (Bié), Ndulo (Andulo), etc. O intercâmbio linguístico entre os povos que falam umbundu e kimbundu (linguas vizinhas) criou uma língua franca (intermédia) a que precisamos atribuir um nome, pois os que vivem mais a sul do K-Sul consideram-se, e são, falantes de umbundu. Os que estão mais a norte do K-Sul falam kimbundu (ex. os Libolo). Os Kibala também se consideram falantes de kimbundu, embora empreguem termos que fogem fonéticamente a esta língua.

No caso, e respondendo à sua questão, o meu caro amigo Abranmtes também é kimbundo (no conceito ancestral). Temos, porém, de encontrar um denominador comum para todos os povos do K-Sul. E é este o esforço em curso.

Atenciosamente,
Luciano Canhanga

A CARTA (e-mail) que originou a resposta supraescrita.

Oi senhor Canhanga,
Aqui é o da-estrela. Trabalho com a língua ngoya.Quero saber se antes do nome ngoya, como se chamava o que os nossos bisavôs falavam? Eu quero fazer um dicionário da minha língua, ngoya, e preciso da tua ajuda.

Eu sou do EBO bairro da Caluanda.

sábado, agosto 28, 2010

QUEM DEVE FORJAR A IMAGEM POSITIVA DE UMA INSTITUIÇÃO?

À partida todos. As altas lideranças devem definir as linhas orientadoras. As lideranças intermédias fiscalizar a aplicação dos objectivos tendo como porta-bandeiras todos os colaboradores directos e indirectos da instituição.

As instituições empresariais devem ser cuidadas como a nossa própria casa: Limpa, arejada, pintada, respeitosa e respeitada.

Cada um de nós é e deve sentir-se um forjador da imagem empresarial através das suas acções: difundindo o papel positivo da empresa, transmitindo o orgulho de nela pertencer, preservando o seu património corpóreo e incorpóreo, a sua cultura corporativa, manuseando de forma correcta os seus instrumentos de comunicação interior e exterior, mantendo uma relação sadia com os públicos, entre outros aspectos.

É preciso ter em conta que a forma como cuidamos de nós, da nossa casa e ou da nossa empresa tem reflexos directos no modo como as pessoas e a sociedade nos recebem e nos encaram.

Castro Neves, renomado consultor em imagem escreve no seu site, www.imagemempresarial.com, que “Em geral, as instituições não têm boa imagem na sociedade… Os poderes públicos, as empresas, e muitas das profissões não têm boa reputação. As razões são várias. A mais importante é a comunicação inexistente ou inadequada”. Para as empresas, imagem deficiente significa perda de competitividade, menos investimentos, redução da oferta de empregos, preços maiores para os consumidores, menores dividendos para os accionistas, menos impostos para o governo. Enfim, quem acaba pagando a conta é a própria sociedade.

A criação de uma imagem empresarial positiva, que se enquadre dentro dos valores e anseios dos seus públicos corresponde potencialmente a um retorno, igualmente positivo, destes públicos relativamente às iniciativas desenvolvidas pela empresa, sendo o ponto-chave para o sucesso de qualquer entidade empresarial. Paralelamente é o ponto de partida para a criação e manutenção de uma relação estável e duradoura, o que corresponde à fidelização dos seus públicos.

Paulo Figueiredo, outro autor, afirma que para a criação de uma imagem positiva há a reter 5 factores essenciais:

1-Factores de Imagem Visual: Correspondem a todos os suportes através dos quais uma empresa se manifesta e apresenta visualmente ao público (nome da empresa, marca, logótipo, slogan, web site, sinalética, estacionário, cartões e fardamento).

2-Acções de Comunicação: Nestas Incluem-se todas as actividades utilizadas pela empresa para comunicar com o público (Publicidade, Força de Vendas, Promoção de Vendas, Marketing Directo e Relações Públicas).

3- Suportes Físicos: Compreendem todos os locais onde a empresa desenvolve a sua actividade (instalações, escritórios, fábricas, e respectivos equipamentos de apoio).

4-Organização: É o conjunto de factores que caracterizam a empresa em termos de forma de actuação e estrutura (estrutura e organização, missão da empresa, valores partilhados, sentido de eficácia e responsabilidade perante o mercado e a sociedade).

5-Pessoal de Contacto: Engloba todos os funcionários ou elementos da empresa que a representam junto do público (dirigentes e quadros, recepcionistas, atendimento a clientes, etc.).

Cabe a cada (liderança da) empresa fazer uma análise de como se manifesta em cada um dos aspectos citados e averiguar quais os seus pontos fortes e quais aqueles em que necessariamente terá de apostar de modo a posicionar-se correctamente no mercado e desta forma conseguir captar os públicos que pretende e simultaneamente concretizar os seus objectivos corporativos.

Importa referir que a Imagem Institucional é percepção que uma empresa/corporação transmite e pela qual é reconhecida pelos seus públicos.A boa imagem da empresa na sociedade é transmitida através de todas as acções que esta efectua, tudo aquilo que consegue realizar e demonstrar, ou seja, tudo o que faz e que a sociedade valoriza. A imagem da empresa depende daquilo que a empresa é, e do que a empresa parece ser.


Os elementos que influenciam a imagem Institucional podem ser descritos como: humano, físico, psicossociológico, qualidade, identidade visual e campanhas de comunicação.

Luciano Canhanga


Consultas:
http://comunicacaomarketing.blogspot.com/

http://www.imagemempresarial.com/

terça-feira, julho 20, 2010

A LÍNGUA DA KIBALA E A CARTA QUE SUBSCREVO

Ponto prévio:

O esforço dos intelectuais, filhos e amigos do Kuanza-Sul, que se debruçam sobre o banimento do termo Ngoia, como nome da língua que se fala em grande parte daquele território, não visa criar uma nova língua, nem criar uma forma de elevação ou sublevação, tão pouco desprestigiar quem quer que seja.

É tão somente a conformação técnica, cultural e histórica de um facto. No caso vertente, a atribuição de uma designação que vá de encontro a um instrumento de comunicação usado por milhares de angolanos (de primeira, como todos os demais). É apenas a busca de um reencontro com a nossa história, a de Angola, habitada e cohabitada por diferentes agrupamentos etnolinguísticos. O esforço visa a promoção do debate que nos leve a uma solução ou posição equilibrada, definitiva, abrangente e inclusiva.
LC

"Prezado irmão Luciano Canhanga,
Com os nossos melhores cumprimentos.

Em resposta a sua reação sobre o tema publicado no Portal do Club-K. datado de 1 de Junho do ano em curso, sobre a "Problemática Línguistica da Província do Kwanza-Sul" (também publicado no Angolense na sua Ediçaõ de 19 à 26 do mês passado), na qual inquires para saber qual é o nome da língua da localidade em que o Sr. Canhanga nasceu; transcrevemos a sua própria pergunta:

"Eu que nasci nas margens do Longa, no Libolo, quero saber qual é a minha língua. Alguém sabe como ela se chama?"

Somos a vos responder o seguinte:
Antes de passarmos a resposta, é oportuno aclarar o que nos anima neste projecto.

Mais de 6 anos passaram, quando se decidiu denominar (erradamente) a língua falada no Kwanza-sul como “Ngoya”.

“Ngoya” para os povos locais da nossa região significa tudo que diminui a qualidade humana dos indivíduos ou um (1) grupo social, pois significa: Glutão, porco, egoísta, em fim... tudo que queira significar “Anti-social”. Para economizarmos os bytes, recordamos ao prezado irmão que volte a consultar a primeira parte do trabalhado publicado no mesmo portal, onde foi (claramente) explicada a origem da referida palavra. Assim sendo, aproveitamos responder ao nosso irmão Canhanga que a nossa intenção é fazer com que a língua falada na nossa província deixe de ser chamada com tal epíteto, pois que, em nada nos dignifica.

E como não podia ser um compatriota doutra Região a se investir (...) neste debate, achamos que tinha que ser nós mesmos, filhos nativos da província a levar este debate em fórum nacional, para que superiormente se adopte uma denominação linguística que reflita a realidade etnoluinguistica dos nossos povos naquela região; uma denominação onde os dois maiores grupos etnolinguisticos (Ambundu e Umbundu) se revejam. Este é o espírito que nutre a nossa iniciativa e ponto final.

Agora respondendo especificamente a sua pergunta, somos a informar que:

1- Cientificamente explicando, Libolo fala a língua “Mbolo” mas que de acordo com a regra etnolinguistica, esta denominação não pode funcionar porque Libolo provem da Kibala. Logo fala a variante “Mbala” que por sua vez achamos cientificamente denominá-la de «Mbundu» como língua Franca da Província do Kwanza-Sul, ou língua de unidade desta província. Esta denominação é resultado da formula que segue, visto termos algumas unidades geográficas da província que fala a variante Umbundu. Assim:

(Ki)mbudu + (U)mbundu

=Mbundu

Se verificar bem, retiramos apenas os prefixos e para evitar rendundancias, uma única palavra, sintetiza tudo; pois que Mbundu significa: Ser humano, gente, povo, africano, negro!

Em Kimbundu como em Umbundu, esta palavra (com uma ou outra variação) tem sim, a mesma significação!

E para não se alongar muito, devemos dizer sómente que foram as investigações do Dr W. H. I. Bleek que estão na origem das denominações das línguas faladas na região su-sahariana do nosso Continente como sendo (Línguas Bantu). Isso porque, para se dizer: pessoa, ser humano; falamos muntthu, manthu, Bantu, manu etc, etc, mesmo com algumas diferenças fonologicas, mas que elas se unem para dizer a mesma coisa!

É assim oportuno dizer que: T=d; D=t; …

Também, a mesma palavra Muntu ou munthu, é que deu a origem em diversas línguas a palavra: Mundo, Monde, Mundi, pois quem fala de mundo, implicitamente esta querendo dizer: pessoas, seres humanos, gente.

2- Kibala, aparece na região da província em referência, como uma etnia e os outros 7 municípios que falam a mesma variante, são sub-etnias, porque todos eles são provenientes da Kibala e Kibala é proveniente do Pungu-a-Ndongu!

3- A província do K. Sul, fala dois dialectos: Kimbundu e Umbundu.

A denominação actual é falsa e sem sustento etnolinguistico e cultural que se preze, razão pela qual a mesma (denominação) é contestada pela a esmagadora maioria da população da província.

Neste quadro, há toda uma necessidade de se encontrar uma denominação que tenha um sustento cientifico e etnolinguistico, na qual todas as unidades geográficas da província falantes do Mbala e as outras falantes de Umbundu, se revejam.

Prezado irmão Canhanga,

Sendo você mesmo, homem de cultura, do exposto acima, poderá concluir que o que nos anima é sem mais, nem menos, o desejo de que a denominação da língua falada na nossa província, não tenha o epíteto que ofenda as nossas qualidades humanas.

Por isso, dizemos que venham as propostas para a denominação respeitável da língua franca da nossa província, menos o “NGOYA”!

REMATE:
A denominação que propomos, passará necessariamente pela a aprovação da população (não só pelos especialistas) o que não foi o caso com a denominação actual e esta proposta chama-se MBUNDU; Pelo que , uma pedagogia cientifica e sobretudo linguística se impõe, parque nos façamos respeitar nós mesmos.

Mais uma vez, com as nossas sinceras saudações de irmandade
Kitumba Evaristo
António Panguila
Avelino A. Kalunda"
 
Obs: Os destaques e negritados são meus (Luciano Canhanga).

quarta-feira, julho 07, 2010

A IMPORTÂNCIA DA EMPATIA NA RECOLHA DE INFORMAÇÕES

COMUNICAR: Não é mais do que manter o intercâmbio de informação entre sujeitos ou objectos. A comunicação humana é um processo que envolve a troca de informações e utiliza os sistemas simbólicos como suporte para este fim.

Indubitavelmente a língua é dos elementos imprescindíveis para o exercício da comunicação. Para um colector de informação dominar a língua do seu informante é uma grande “arma para atingir o alvo". Porém, para além da língua é importante buscar a empatia que é “o conhecimento de outrem especialmente no seio social”.

Assim sendo, é preciso encontrar, antes da colheita de informações, um clima de confiança entre o entrevistador e o entrevistado, de modo que a conversa flua sem constrangimentos. Para buscar empatia bastará identificar elementos comuns entre ambos, tais como uma mesma procedência, mesma língua, semelhança de elementos culturais, mesma nacionalidade, ancestralidade, etc.

As pessoas gostam de ser tratados de acordo aos ditames da sua cultura, religião, hábitos e costumes. Adaptar-se a eles é o melhor caminho para uma comunicação fluída e sem ressentimentos.

Embora a comunicação possa ser feita numa língua que o entrevistado domine pouco (por não ser a língua de comunicação habitual), uma saudação na língua local, uma vénia habitual ou o cumprimento de um ritual da região são elementos aproximadores e desinibidores.

quinta-feira, junho 17, 2010

A MINHA LUTA PELO "KIBALÊS"

Tomei conhecimento, via Klub-K, da (prosa do confrade Kitumba Evaristo) de um estudo realizado no Kuanza-Sul e que é chancelado pelos Senhores Dr. António Panguila (Historiador e Escritor) e Avelino António Kalunda (Consultor Técnico), datado de Luanda 16 de Junho de 2010, cuja conclusão é: “… No Kuanza-Sul, a  Língua é denominada em função do nome de cada município; assim, os da Kibala, dizem que falam a língua Kibala; os do Ebo, dizem que falam a língua Ebo; os de Mussende, dizem que falam a língua Sende; os da Gabela, dizem que falam a língua Mboim, etc. De qualquer maneira, a variante Kibala é a mais falada como dialecto do Kimbundu, falado nos oito (8) Municípios da província (Kibala, Libolo, Mussende, Waku-Kungu, Ebo, Gabela, Kilenda e Porta-Amboim) com a excepção dos municípios do Sumbe Konda, Uku-Seles e Kassongue, que falam o dialecto do Umbundu.

Atendendo que a Província do Kwanza-Sul possui dois (2) grandes grupos etnolinguísticos isto é, o grupo Ambundu e o grupo Ovimbundu, que motivaram a fala do Dialecto do Kimbundu e o de Umbundu, para se encontrar uma denominação ideal da língua da referida região, passa necessariamente em aglutinar as denominações «KIMBUNDU e UMBUNDU» (Kimbundu + Umbundu = à Kimbundubundu), dois (2) dialectos falados na referida região, dando origem a palavra «Kimbundubundu», proposta como nome único da Língua Franca da província do Kwanza-Sul, de tal modo que se salvaguarde o equilíbrio étnico da região, capaz de proporcionar a unidade etnolinguística e cultural da Província…”.


OS MEUS ARGUMENTOS

O estudo (que abaixo transcrevo) me parece tecnicamente bem elaborado e com (alguma) cientificidade. Porém, discordo da nomenclatura proposta para designar uma língua "comum” inexistente (já que são dois subgrupos que derivam do ambundu e umbundu) juntando as matrizes das variantes principais que se falam no Kuanza-Sul.



As línguas não possuem fronteiras estanques. Os habitantes da fronteira (zona de confluência linguística entre Portugal e Espanha) não falam oficialmente portunhol.


As línguas de cada povo ou aglomerado etnolinguístico têm, geralmente, como designação o gentílico deste povo. Portugueses falam português, chineses falam chinês, não vejo por que razão falarão os povos do Kuanza-sul o proposto kimbundumbundu, nem vejo a razão de fundir as duas vertentes (uma do umbundu e outra do kimbundu) em apenas uma, fazendo dela a língua do Kuanza-Sul que sempre teve as suas línguas (in)dependentes, umas das outras.
Daí que difícilmente um falante de kimbundu aceitará ser considerado falante de "Kimbundumbundu", o nome proposto, tão menos os homens do sul da província, que se comunica fluentemente em umbundu, o consentirão.

Em “Ngoya ou Kibala eis a questão”, publicado nesta e noutras páginas, tenho os argumentos de razão que complementam esta dissertação.


E já agora, se se considerar como válida a proposta, qual seria o gentílico dos povos falantes desta “nova língua”?.



_ Kimbundumbundês?


O estudo em questão
Fonte: Club-k.net: Quarta, 16 Junho 2010 23:27

Problematica línguistica da província do Kwanza-Sul - Kitumba Evaristo

"Kwanza-Sul - Introdução: A língua, é veículo sócio – divino da alma; é caminho do pensamento e sentimento humano e transumanos; é também motivo de suma importância visto que, as condições sociais do contacto partem da necessidade de comunicação entre diferentes grupos etnolinguísticos através da língua.

Proposta da denominação ideal da língua
De qualquer maneira, não é possível desenvolver uma determinada sociedade sem estabelecer intenso contactos económicos, políticos e culturais. Por este motivo, temos vindo a desenvolver uma intensa actividade de investigação científica, na tentativa de encontrar a verdadeira e ideal denominação da Língua Franca da Província do Kwanza-Sul.

A nossa grande preocupação reside no facto de a grande maioria da população reagir negativamente e com íra em relação ao termo “Ngoya” como nome da Língua da Província do Kwanza-Sul. Esta denominação foi dada sem contudo, se realizar um trabalho de investigação científica numa província, onde uma só língua tem muitos nomes.

A denominação certa de uma determinada língua baseia-se em critério sociolinguístico, pois deve ser determinada pela consciência colectiva correspondente, que consiste pelo facto dos falantes terem o conhecimento da língua que falam e concordarem com a denominação da mesma.

Origem da grande maioria da população do Kwanza-Sul (breve historial)
Com base nos dados recolhidos, dá-se conta que até 1930, os nativos da Kibala, falavam fluentemente a Língua Kimbundu, tal como se fala em Malange, motivo pelo qual, a referida população nativa, ter origem do Reino do Pungu-a-Ndongo.

O irmão do Ngola Kiluanji-Kya-Samba, chamado Kipala-Kya-Samba, por ordem do seu Soberano irmão aqui já referido, provavelmente, antes do Século XV, deixa o Pungu-a-Ndongo e parte com um grande grupo de homens e mulheres, atravessam o Rio Kwanza, na área chamada “Salto de Cavalo” e entram na região do Kwanza-Sul, ocupando a área da Kibala; o nome “Kibala” tem como termo original «kipala», por uma questão fonética da língua portuguesa, foi alterada para o termo «Kibala»; Kipala, significa “Rosto”; Kibala, é nome do seu fundador, o primeiro Soba da Kibala.

Depois da ocupação efectiva da Região da Kibala pelo seu primeiro Soba, Kipala-Kya-Samba (o que Significa filho da Samba), um dos membros desta Comunidade, chamado Katyavala Buíla, sem dar satisfação as autoridades politicas da Kibala, retira-se com um grande grupo de mulheres e homens e, funda o Reino do Bailundu, com toda a autoridade estabelecida, o que não contentou o Soba Kipala-Kya-Samba, anos depois, este organiza o seu Exército e invade o Bailundu, pondo em debandada as autoridades politicas daquele Reino, o que resultou a captura de mulheres e homens levados para Kibala como Reféns; o próprio Rei Katyavala, saiu deste ataque incólume tendo restabelecido novamente a sua autoridade politica. Assim sendo, com a presença dos reféns nativos do Bailundu em Kibala, que mais tarde deixaram de ser escravos, a língua Kimbundu funde-se com a língua Umbundu dando origem aos dialectos do Kimbundu e Umbundu falados na Província do Kwanza-Sul.

As autoridades da Kibala, não voltaram a atacar o Bailundu, pois o próprio Soba arrependeu-se de ter proporcionado guerra contra o Bailundu, uma vez que o seu fundador é seu parente.

O Governo da Kibala era composto pelo Soba, Ministro de Guerra que residia na Aldeia de Muxingi na região de Kitambi 37 Km da Sede Municipal da Kibala e o Ministro da agricultura que residia na região do Tari, à trinta (30) Km da Sede Municipal da Kibala, com o poder do domínio da chuva em todo território nacional, este tinha o Título de Kwkwa-Kioko, e dava instruções mágicas a toda região do Kwanza-Sul assim como também em Malange, sobre as técnicas de como se faz parar a chuva.

Ainda dados também recolhidos, dá-nos conta que em 1914, os colonialistas portugueses, para criar dificuldades à população nativa, decidiram ocupar todas as terras férteis em toda província do Kwanza-Sul, de tal forma que os Autóctones tiveram que praticar a agricultura de subsistência nas montanhas, o que provocou uma grande penúria alimentar. O governo dos colonizados da Kibala, se reuniu estrategicamente em Muxingi, o Ministro da Guerra recebe ordens de atacar o Exército Colonial e destruir todos os objectivos económicos.

O Exército Colonial sofreu grandes baixas em campo de batalha, obrigado a negociar com o Soba Kandimba do Bailundu, que lhes deu o apoio militar e que conseguiu desvendar o segredo mágico do Ministro da Guerra da Kibala, chamdo Kapanga-a-Lunga, que depois disto já não conseguiam vitórias nas operações militares.

A ajuda que o Bailundu prestou aos invasores Portugueses, foi interpretada pelas autoridades da Kibala como traição à Pátria e aos interesses dos Negros, porque o Soba Kandimba mandou o seu Exército atacar e matar Negros iguais. Esta acção, minou o relacionamento entre a população da Kibala e a do Bailundu, em que quando se encotravam nas htongas (Grandes Rossas de cafeiros), os Kibalas não conversavam nem comiam com os Bailundu. Estes enfurecidos diziam: (Ove olo ngoya), o que significa dizer, “estes são gulosos por isso é que não aceitam conviver connosco.”

Ngoya, é um termo pejorativo com que os Bailundu insultavam e chamavam os Kibala, que na Língua Umbundu, significa: Guloso, oportunista ou individualista, pelo que não é nome de uma língua, aliás, nenhuma Língua Africana tem esta denominação, outrossim também é nome de uma montanha que fica situada na fronteira entre o Município do Waku-Kungu e o do Bailundu.

Assim sendo, o Exército do Kapanga-a-Alunga foi vencido, ele e outros seus oficiais foram apanhados vivos, obrigados a lenharem e com as mesmas lenhas foram queimados numa pedra chamada Dand-ya-Kyawle (pedra onde o Kapanga-a-Alunga e os seus Oficiais foram queimados). Estes dados foram fornecidos pelo Ñgana-Ekete (que significa Anti-bala ou Senhor duro como ferro), e pelo Soba Kitumba de Kitambi, sendo o primeiro Ex-Oficial e sobrevivente da guerra do Kapanga-a-Alunga, também conhecida de guerra de Kandimba. Antigamente, isto é no período pré-colonial, o chefe Máximo da Kibala, não tinha o Título de Rei porque dependia já de um outro Rei, o Rei Ngola Kiluanji-Kya-Samba isto é, dependia do reino do Ndongo; em caso da morte do Soba da Kibala, o seu sucessor, tinha de ser empossado pelas Autoridades do Pungu-a-Ndongo, ao passo que todos os oito (8) Municípios que falam a variante Kibala, os seus Sobas eram empossados pelas autoridades da Kibala com excepção dos Municípios do Sumbe, Konda, Uku-Seles e Kassongue, que foram constituídos mais tarde e que falam o dialecto do Umbundu".