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quarta-feira, março 15, 2017

O MONDANO E O MUNDANO

Conversavam cinco idosos da Kibala, todos septuagenários.
Kitembu e Kanhanga frequentam a igreja desde pequenos. Conheceram-se na Escola Bíblica de Férias, o primeiro levado pelo irmão Domingos João e o segundo por Beto Pequenino. Os tutores eram também amigos desde garotos.
 
Em termos de frequência da antiga Missão Evangélica Americana, hoje Igreja Metodista Unida, Kitembu nasceu mesmo na igreja, pois, quando ele veio ao mundo, seu pai já ocupava cargos na Metodista. Kanhanga começou mais tarde, aos sete anos. Iniciou-se na "Cheia", aonde fora levado por um primo, ainda no Kwanza-Sul. Chegado a Luanda, foi levado pelo tio que era da "Protestante" como também era conhecida a confissão cristã trazida pelo americano Willian Taylor.
 
Kapitia e Kilole, outros dois amigos, converteram-se ao cristianismo já jovens e foram levados pelos primeiros de quem são amigos desde tenra idade.
Kandungu é o único entre os cinco que, ao contrário dos quatro contemporâneos, aos domingos, troca a bíblia e o hinário pelo copo de cerveja.
Cruzaram num óbito, na Kibala, terra de origem comum. Uns nasceram em Luanda mas são de filhos Kwanza-sulinos. Outros foram a Luanda em busca de estudos e profissões e acabaram por lá ficar até aos seus dias de cabelo branco. Kitembu tinha perdido o irmãos e os amigos foram levar consolo. Depois do funeral e para enfrentar um tempo friorento, os cinco amigos falavam sobre as coisas boas do mundo, aquelas que Kandungu ainda persegue cegamente, e as coisas excelentes do Céu ou vida ultra-tumba, que Kitembu, Kanhanga, Kilole e Kapitia procuram atingir com sua entrega abnegada à causa de Cristo.
- Ó compadre Kandungu, você sabe a duração da vida do homem na terra? - Indagou Kitembu.
Kandungu, meio surpreendido, procurava buscar uma resposta que fosse de encontro à sua idade e experiência. Como um carro sem arranque, começou a resposta pelos soluços, enquanto coçava a barba, toda ela algodoada.
- Já viu quê que os copo faz no homem? O "ngajo" parece já esqueceu tudo. Setenta ano que vem na Bíblia já não sabe? - Atirou Kilole, provocante.
- Sim. São setenta para que o homem se sinta com força e saúde. Fora disso. a pessoa volta a ser como criança. Mesmo vala de metro e meio, que agente pulava sem recuar atrás para apanhar balanço, você já não pula mais. - Complementou Kanhanga.
- É verdade compadres. - Kitembu entrou também na conversa sobre a duração da vida do homem na terra. - E, parece que aqui o mano Kandungu que é também meu sobrinho, apesar da idade dele ser mais que a minha, já não consegue pular meio metro. No sangue dele só lhe corre já espuma de cerveja!
- Ei, ó Kitembu, atenção ao respeito. Tio é tio, mas quem nasceu primeiro também merece respeito. - Reclamou Kandungu, em jeito de brincadeira. Na verdade, os cinco galhofavam.
Kapitia que até aí se mantinha a seguir a conversa, ora abanando a cabeça para frente, em jeito de aprovação do que se ia dizendo, ora fazendo-os companhia nas rizadas de mostrar o espaço deixado pelo último molar, colocou um subtema novo.
- Vocês sabem qual é a diferença entre o Kandungu e nós?
- Ele bebe, nós não. No domingo ele abraça a caneca nós a bíblia e o hinário. Responderam quase em uníssono Kitembu, Kanhanga e Kilole. Só Kandungu se manteve na expectativa.
- Vocês "num" disse tudo. - Corrigiu Kapitia, 77 anos no lombo. - Nós todos que vai "no ingreja" é mundano. Ele é "mondano".
Uma estupefação se apossou dos quatro, Kandungu incluído, que pretendiam saber o significado da nova palavra enunciada pelo amigo que era o mais velho do grupo.
- Ó mano Kapitia, você pode explicar no Kandungu o significado de mundano e "mondano"? Eu também só sei que ele é mundano porque deixou de ir na igreja. Tanto que ando a lhe dar conselhos, não me está a dar ouvidos...
- Pois, então, oiçam bem: todos que vivem no mundo, se vai na igreja ou não, são mundanos. Pessoa como o irmão Kandungu que num vai na igreja, que pecado dele se amontoa, é "mondano". O termo "mondano" vem de "mondanha" (montanha). Pecado dele é como mondanha porque ele não vai à igreja diminuir. - Kapitia terminou o seu sermão com assobios e rajadas estridentes de palmas doadas pelos amigos.
Assim fizeram o seu serão, em homenagem a Domingos João António, até que o último galo se aposentou de cantar.

sexta-feira, março 03, 2017

A COMUNICAÇÃO COMO POTENCIADOR DA MOTIVAÇÃO

 
 
"Quando não se informa o que se tem e como se obtém, até os ganhos são colocados no "saco das perdas". É preciso ressaltar os ganhos mantidos e ou agregados nesse tempo de crise, a fim de serem conhecidos pelos integrantes da organização e servirem de elementos potenciadores de motivação".
 
Numa dada comunidade, viviam três famílias: uma Rica, uma Média e outra Pobre. Cada família tinha um filho e esses eram amigos. Mané, Dodó e Jojó, apesar das diferenças económicas, viviam no mesmo bairro e frequentavam espaços e brincadeiras comuns.
A família Rica abastecia, conforme as suas enormes possibilidades, o seu filho único e explicava o que fazia para ter os bens e o dinheiro de que dispunham, ensinando ao filho como proceder para duplicar e triplicar os haveres. Fruto dessa comunicação permanente, o Jojó conhecia as rotinas e esforço empreendido pelos pais para ter o que usufruía.
Por seu turno, Dodó, nascido na família Pobre, não passava do bombo com jinguba ao matabicho. Mesmo assim, os pais de Dodó explicavam as desgraças por que haviam passado, o esforço que faziam para viver e se recompor, enfatizando também quanto ganhavam e o que pretendiam para o futuro do filho. Dodó, pobre, ouvia, acatava e compreendia. Sabia que tinha menos do que o Jojó, cujos pais eram abastados. Tinha consciência de que apesar de ter um amigo resmungão, também tinha menos que Mané, o filho do comerciante Manuel Silêncio, que vivia permanentemente a reclamar dos pais.
Manuel Silêncio era um comerciante com posses médias. Talvez por causa do tempo que não tinha ou por ser sua natureza, poucas vezes se sentava à mesa com o filho, explicando o que fazia, o ganhava e o que podia gastar. A falta de informação fazia de Mané um permanente insatisfeito, mesmo quando os país proporcionassem para ele alguns bens que podiam ser extravagantes para o pobre do Dodó.
Mané pensava que até Dodó vivia melhor do que ele pois nunca reclamava dos pais enquanto brincavam.
Sabe onde reside a diferença entre estes três meninos?
Diálogo. Comunicação entre os integrantes da organização ou família.
Quando não se informa o que se tem e como se obtém, até os ganhos são colocados no "saco das perdas". É preciso ressaltar os ganhos mantidos e ou agregados nesse tempo de crise, a fim de serem conhecidos pelos integrantes da organização e servirem de elementos potenciadores de motivação.


Luciano Canhanga, Director do Gabinete de Recursos Humanos do MGM

quarta-feira, março 01, 2017

POR QUE DEVEM OS RESPONSÁVEIS DE ÓRGÃOS TOMAR DIANTEIRA NA FORMAÇÃO DOS LIDERADOS?

POR QUE DEVEM OS RESPONSÁVEIS DE ÓRGÃOS TOMAR DIANTEIRA NA FORMAÇÃO DOS LIDERADOS?

 Já reflectimos  sobre a necessidade de uma Avaliação de Desempenho mais objectiva do que subjectiva e que confira ferramentas para o Crescimento Pleno da Pessoa, quer em termos de acesso a novas categorias e ou carreiras como também descobrir lacunas que levem a desencadear capacitação para melhorar e conferir novas competências técnicas e comportamentais.

Na mesma senda do mesmo tema, convido-o, hoje, a reflectir sobre a PLANIFICAÇÃO DA FORMAÇÃO.

Um dos handicap que a Função Pública (administração central) enfrenta, em tempos de recursos escassos, é ter de formar em um número restrito de escolas, sobretudo na ENAD e INFORFIP, mediante as ofertas daquelas instituições. Mesmo assim, se soubermos o que pretendemos, em relação à capacitação para melhorar o desempenho dos nossos funcionários, podemos ser assertivos em enviar à escola Pessoas Certas para fazer os Cursos Certos.

Tal passaria, entre outros aspectos,  por:

1. Definir a quem se destina a formação: cargo ou função (exemplo, Escriturários dactilógrafos)

2. Definir o assunto em que se vai basear a formação (exemplo, Informática na óptica do utilizador)

3. Definir as necessidades dos funcionários a que a formação deve dar respostas (exemplo, necessidade de usar o pacote office e saber usar a internet para receber e enviar documentos)

4. Definir a modalidade de formação e duração da mesma: carga teórica, prática ou associada? (do exemplo que vimos tomando de formação para escriturários dactilógrafos, escolheríamos um curso teórico-prático, em escola vocacionada, com duração de 88 horas, sendo  vinte para cada módulo e 08 horas para uso de internet).

5. Definir os objectivos da formação (exemplo, saber usar o computador na actividade profissional, dominar os programas do pacote office, usar a internet para fins laborais)

6. Definir convenientemente os conteúdos a abordar (exemplo, word, power point, excel, acess e internet).

7. O local e a data da formação devem estar claros no PLANO, tarefa acometida ao órgão de gestão da formação, ou seja o GRH. Esse, deve ainda quantificar o custo unitário e global das acções de formação.

8. Quem melhor conhece o integrante, no caso o líder imediato, deve ser, quem, em princípio, define que tipo de formação (mediante a necessidade e a oferta) deve frequentar o liderado, lembrando-se que a capacitação ou treinamento deve visar essencialmente o aperfeiçoamento e ou aumento das performances técnicas e ou comportamentais do colaborador ou funcionário.

9. Finda a formação, é importante que o líder mantenha o feedback do formado sobre o que aprendeu e como pensa coloca-lo ao serviço da organização. Seguidamente, deve colocar ao dispor os equipamentos técnicos para a aplicação do aprendido. (Exemplo, se mandamos antigos escriturários, que trabalhavam com máquina de dactilografia, fazer o curso de operação de micro-computadores, devem ser colocados ao dispor desses computadores para a aplicação prática do que aprenderam).

Só uma boa planificação da formação, partindo dos líderes de distintos órgãos,  aliado a um bom acompanhamento por parte do RH permite obter resultados esperados que são a melhoria do desempenho profissional e a motivação do colaborador. Pois, em nada vale gastar recursos em formações cujo efeito prático não seja assinalável na vida da Pessoa e da Organização.

Luciano Canhanga
Dir. GRH do MGM