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domingo, julho 01, 2012

O peso da notícia e do anúncio num jornal impresso

Já lá se foram os tempos em que a notícia era o elemento/conteúdo principal de um jornal e a publicidade o elemento acessório.

Quando, num curso de jornalismo, na Universidade Católica de Lisboa, uma palestrante me falou sobre o que é hoje a tendência mundial, em que o peso da publicidade se sobrepõe ao das notícias num titulo, ainda fiquei a pensar que fosse mentira ou que aquela fosse apenas uma tendência do mercado mediático europeu. Ledo engano!

Assim pensei porque não era ainda a nossa realidade há sete anos. A necessidade dos jornais, até os públicos, se autossustentarem financeiramente leva-os  a optarem, cada vez mais, pelo angariamento de publicidade, mesmo não aumentando as páginas da publicação, ficando com, cada vez, menos espaço para as notícias.
Pior ainda num país como o nosso onde os níveis de literacia e hábitos de leitura cotam-se aos dedos de uma mão. Nenhum jornal vende toda a sua tiragem e os armazéns abarrotam-se de sobras. A solução é mesmo apostar na publicidade, pois é esta que paga os encargos salariais, os custos dos equipamentos, com a gráfica, etc. Daí que ao invés de a atenção estar virada no aumento da quantidade de informação noticiosa, os jornais viram-se cada vez mais aos anúncios publicitários e publi-reportagens, por serem geradores imediatos de recursos financeios.
Hoje, a notícia num jornal é definida como “conjunto de textos que preenchem espaços sem publicidade” quando em tempos era exactamente o contrário. As pessoas compravam jornais para ler notícias e não para ver anúncios.
E, com o surgimento de jornais gratuitos, que por sua vez acolhem publicidade a baixo custo, não espanta que venhamos a ter, um dia, publicações periódicas contendo apenas anúncios publicitários e de utilidade pública.

Há ainda a ter em conta o facto de os jornais, mesmo os diários e vespertinos, raras vezes trazerem notícias frescas por serem sempre ultrapassados pelas redes sociais, agências, rádio e televisão, onde embora o poder de retenção seja efémero, a informação chega mais cedo ao destinatário do que num jornal convencional.
Os jornais, devido à sua característica documental, são, entretanto, excelentes veículos para grandes reportagens, que deve ser o seu forte, e anúncios de toda a índole.