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sábado, novembro 05, 2011

PREGAÇÃO CENSURADA (RENÚNCIA POSSÍVEL)

Amado e respeitado Pastor,

Remeto-lhe, em anexo, o meu sermão do dia 18 de Setembro para merecer a sua apreciação e chamar-me à atenção sobre determinados desvios que terei cometido.

Faço isso porque durante o referido culto fui notando uma inquietude do Sr. guia leigo que não se poupou em fazer comentários desabonatórios, ouvidos por membros do Coro Central. Acto contínuo, socorrendo-se do livro de S. Marcos 14:48-52 ("A forma como seguimos Cristo"), o Sr. guia leigo da Igreja, na sua pregação de 25 de Setembro, fez uma réplica ao referido sermão, tendo afirmado, entre várias passagens, os seguintes trechos:

“… muitos são imprudentes nos actos e palavras que dizem durante o culto. Tornam-se no centro da atenção de todos… Auto intitulam-se por cultos por chamarem a si responsabilidades e problemas alheios… Estão mal vestidos como o homem coberto por apenas um lençol… Denotam falta de cuidado, agitam mas desconhecem os problemas… São imprudentes por assumirem situações alheias e acabam por ser figura principal…. Até para seguir Cristo há que estarmos suficientemente preparados, para evitarmos comportamentos que rotulem imprudência… Acabam por atrair a atenção dos fiéis que os julga com comentários desagradáveis... A igreja não está preocupada com o que vestimos ou falámos. Cada um deve estar preparado para evitar que a igreja lhe ponha a mão e fuja nu, por estar mal vestido… Não sejas o centro do culto... Assuntos de casa ou motivações pessoais nada têm a ver com o culto…”...

Sr. Pastor,
A meu ver, a IMUA é eminentemente uma Igreja Moralista. Daí que apelar à solidez das famílias através do casamento e cumprimento dos deveres dos pais, mães e filhos nunca será, em Igreja Séria, um “crime de lesa pátria”, assim interpretado por alguém que até foi escolhido para guiar os leigos.

Mui agradeço os recados que me têm chegado, através de irmãos coerentes da Igreja e pelo púlpito, como foi a pregação do dia 25.09.2011.

Ao juntar as peças do puzzle, deu-me até vontade de dizer: “Encontrei a Igreja de (...) cheia e deixá-la-ei cheia. Sou apenas um grão de areia que não aquece nem arrefece os cultos dominicais”, mas a minha fé é, de momento, tão grande que não o farei.

Tenho buscado a Deus, para o perdão pelos meus pecados que são enormes. Não procuro cargos em organismos leigos. Tive oportunidade de ser pastor e a recusei...

Sintam-se calmos, todos os incomodados com a minha presença, que nunca mais falarei para um público que, no entender de alguns irmãos, deve apenas ouvir “pequenas verdades”.

Entendo que a coesão das ovelhas da "Central" é um exercício que requer bastante ponderação sob o risco de a despovoarmos. Somos uma Igreja em construção em todos os sentidos. Mas, se apelar ao baptismo e casamento (o que alegraria a qualquer pastor e leigos sérios) é tido como blasfémia, então fico no meu canto.

A terminar, quero pedir ao Reverendo (...) que nunca mais me convide para falar ao seu povo.

Muito obrigado pela atenção que me dispensou ao ler este desabafo.