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sexta-feira, outubro 16, 2009

A CAÇA AO INSÓLITO E SUAS CONSEQUÊNCIAS


O CASO
Uma fonte anónima liga para a estação televisiva anunciando um facto insólito. As imagens têm o poder de persuasão e um isólito, uma cacha, aumenta a audiência em tempo de concorrência mediática. Está-se na expectativa de se anunciar uma cacha no "prime time".

É importante chegar primeiro, mas também ser o primeiro a divulgar para que aos demais se torne apenas informação.

_“Para nós será matéria de primeira-mão”, terá pensado alguém naquela casa.

O repórter sai munido de equipamentos de reportagem. Dirige-se ao local indicado pela chamada anónima e encontra o cenário montado ou “parido”.

Encontra uma senhora que afirma ter dado fim a uma gravidez de 18 meses depois de ter frequentado vários hospitais (não os nomeou) que sempre lhe atestaram resultado negativo da gravidez, mesmo com o crescer, dias sim, dias não, da barriga. O obreiro do insólito é um homem que se proclama como um “grande curandeiro”, também ele surpreendido pelo resultado inaudível.

Ao lado de ambos, um cágado nadava numa bacia e foi apresentado como recém-nascido da “parturiente” que, entre alegria, espanto e também tristeza, atribuia alguma culpava ao curandeiro.

Narração da Sra: “meteu-me sentada na bacia e senti algo a tocar-me o ânus. Quando levantei notei que havia este cágado na bacia e a barriga esvaziou-se”.

Narração do Sr: “nunca vi isso na minha vida apesar de já ter tratado muita gente. É feitiço”.

Comportamento da televisão/ repórter: filmou o cágado na bacia, recolheu os depoimentos do Sr. e da Sra. e divulgou a estória, "nua e crua" (como se de verdade auténtica se tratasse).

E eu me pergunto:
1- terá, de facto, a Sra. parido a um cágado?
2- como foi tal possível?
3- terão o repórter e os editores se colocado estas questões?
4- por que razão não foi postergada a publicação da reportagem, dando lugar a recolha de outros elementos de prova material e científica?
5- e como ficamos, ”nós”, que acreditamos completamente naquilo que a Tv nos mostra?
6- terá a Tv cumprido cabalmente com o seu papel, enquanto órgão público de informação?
7- não terá a Tv sido traída por um factor qualquer?
8- qual?
a) imperícia do repórter?
b) desatenção dos editores?
c) gosto e tentação pela cacha e pelo insólito?
9- ou devemos ter o facto narrado pela Tv como verídico?

Para muitos, não é o meu caso, a senhora  pariu a um cágado e foi anunciado pala Tv em que muita confiança se debita.

Luciano Canhanga

quinta-feira, outubro 01, 2009

A ANTROPONÍMIA DOS AMBUNDU DO KUANZA-SUL


ESTUDO CONTÍNUO
A antroponímia é o estudo dos nomes proprios referentes a pessoas. Quando nos referimos a lugares estaremos perante a toponímia.

Os ambundu do Kuanza-Sul são detentores de uma antroponíma extensa e rica de significados, pois os nomes de novos seres sociais nunca são atribuidos ao acaso. Normalmente referenem-se ao momento, circunstâncias de nascimento ou outro evento relevante na vida do casal, da família ou da comunidade.

Entre os ambundu do Kuanz-Sul, quando um nome não é silogístico (novo) pertence a alguém da família ou da comunidade a quem se designa por chará (cognome).

KAKULU= O primeiro dos gémios
KABASA= O segundo dos gémios
Kaxinda= que segue aos gémeos
Kalunga= relativo à morte, o inesperado
Kitumba= relativo ao feitiço
SABALU= Que nasceu num Sábado
Katumbila=
Kilombo=
Kikola= Sagrado, perigoso
Kamuenda=
Nzongo=
Kilulu= fantasma
Kitongo=
Lukamba= Relativo ao gato bravo
Kavindi=
Ebo= Nascido de uma gravidez acima dos nove meses de gestação
Kiteta= dorminhoco (relativo a quem dormia muito no periodo da gestação)
Kambondondo= curto, de baixa estatura
Kimbi= morto, nascido depois de um nado morto ou depois da morte de irmãos mais velhos
Kitoma= picador, o vacinador...
Kisongo=
Kaphuku= o mesmo que ratinho, muito magro
Kaiela= relativo a diala=homem,
Maluvu= relativo ao vinho de palma
Kapengo= o mesmo que ratinho de casa, feito
Mungongo=
Kajila= passarinho, voador, espevitado, lesto
Kikumbu=
Kakonda=
Nzumba=
Lemba=
Umba=
Kaphonde= relativo ao bagre, de cabeça desproporcional ao corpo
Kifunde=
Maluvu= relativo ao vinho de palma (maluvo)
Kioko=
Kapoko= relarivo à faca; phoko=faca
Vundi= relativo ao juramento, ou a um pedido especial
Kisanga=
Kihuhu=
Kasola=
Phande= que vem a seguir de...
Nzamba= Elefante, também gémeo
Kindala= relativo à cobra. Ndala espécie de cobra perigosa que abunda a região
Kibenda/Kipenda=
Kabiabia= andorinha
Kixibo= cacimbo/época seca
Kikele=
Henda= benevolente, saudoso, bom-doso/dade
Kambondondo= curto, baixo
Kamuenda=
Hongolo=
Kaxikiri=
Kinguenha=
Lemba=
Kabezo/kapezo=
Muthumbua=
Kime=
Kasola=
Kakiezu= vassourinha, magro
Kiole= apodrecido, tardio
Ngunza/Ñunza=
Kalola=
Kalulu= pequeno fantasma
Kambota=
Kabota=
Kindundango=
Sumbanguia= comprador de agulhas
Muhongo=
Kasaba=
Ndumbo= infiel
Katumbo=
Kamalenge= fabricador de argolas?
Pangila=
Kiteke= desenhador
Kupenda/Kubenda=
Kibenda/Kipenda=
Umba=
Kathuku=
Kaiela=
Mbondondo=
Manda=
Munzombe=
Kafanda=
Malebu= fama, afamado
Kioza=
Njilá=
Kajobiri=
Tembu=
Nzumba=
Mulunji
Katibiá= foguinho
Kimone=
Funji=
Nzundo= marreta, pesado
Sumbula=
Katimba= reguila,
Thandela=
Lombe= local santo onde se sepultam os reis
Mundombe=
Ngonga= Prato santo para adivinho
Nhañe=
Ndonga=
Muriangu= comelão, que come muito
Murianga=
Kixibá=
Ngaio=
Kaxikiri=
Kimbila= relativo à sepultura
Kixindo=
Kikaxa=
Kizoko=
Ndulú= amargo; fel
Ximinha=
Kambundu=
Musunga=

Luciano Canhanga (Phande a Umba)